pmid: "33174095"
title: "Plantas Usadas como Anti-hipertensivas."
authors: "Verma T, Sinha M, Bansal N, Yadav SR, Shah K, Chauhan NS"
journal: "Natural products and bioprospecting"
pubdate: "2021 Apr"
doi: "10.1007/s13659-020-00281-x"
source: "PMC Full Text"
Plantas Usadas como Anti-hipertensivas.
Autores
Verma T, Sinha M, Bansal N, Yadav SR, Shah K, Chauhan NS
Periodico
Natural products and bioprospecting (2021 Apr)
Conteudo
Plantas Utilizadas como Anti-hipertensivas
Resumo
A hipertensão é um problema de saúde crítico e agrava outras doenças cardiovasculares. É principalmente de dois tipos: hipertensão primária ou essencial e hipertensão secundária. A hipertensão é a principal característica de risco para doença coronariana, acidente vascular cerebral e doença vascular renal. Medicamentos fitoterápicos têm sido usados por milhões de anos para o manejo e tratamento da hipertensão com efeitos colaterais mínimos. O objetivo desta revisão é coletar informações sobre os efeitos anti-hipertensivos de ervas naturais em estudos com animais e envolvimento humano, bem como recapitular os mecanismos subjacentes, a partir de dados de cultura celular e tecido ex-vivo. De acordo com a OMS, ervas/arbustos naturais são amplamente utilizados em ordem crescente para tratar quase todas as enfermidades do corpo humano. As plantas são as unidades industriais regulares para a invenção de constituintes químicos, são usadas como impulsionadoras da imunidade para aumentar a capacidade natural do corpo de lutar contra diferentes problemas de saúde, bem como medicamentos fitoterápicos e produtos alimentícios também. Oitenta por cento da população mundial (cerca de 5,6 bilhões de pessoas) consomem medicamentos de plantas naturais para as principais preocupações de saúde. Esta revisão fornece uma análise panorâmica principalmente sobre a utilização tradicional, constituintes fitoquímicos e valores farmacológicos de ervas medicinais usadas para normalizar a hipertensão, ou seja, Hibiscus sabdariffa, Allium sativum, Andrographis paniculata, Apium graveolens, Bidenspilosa, Camellia sinensis, Coptis chinensis, Coriandrum sativum, Crataegus spp., Crocus sativus, Cymbopogon citrates, Nigella sativa, Panax ginseng, Salviaemiltiorrhizae, Zingiber officinale, Tribulus terrestris, Rauwolfiaserpentina, Terminalia arjuna etc.
Resumo Gráfico
Introdução
A hipertensão é uma condição médica grave e pode aumentar o risco de doenças cardíacas, cerebrais, renais e outras. É uma das principais causas de morte prematura em todo o mundo. Embora vários medicamentos modernos sejam usados para controlar a hipertensão clínica, eles estão associados a vários efeitos colaterais. O uso de medicamentos fitoterápicos naturais com potencial atividade anti-hipertensiva e menos efeitos colaterais pode ser um bom substituto para os medicamentos sintéticos quando associado à mudança no estilo de vida e exercícios leves.
Tipos de hipertensão
A pressão arterial (PA) pode ser definida como a pressão exercida pelo sangue dentro das paredes dos vasos. É de dois tipos: PAS (pressão arterial sistólica < 120 mmHg) e PAD (pressão arterial diastólica < 80 mmHg). Em pacientes com hipertensão, a PAS aumenta acima de 140 mmHg ou a PAD eleva-se acima de 90 mmHg. Atualmente, 26,4% da população mundial sofre de hipertensão e prevê-se que em 2025 essa taxa aumente em 60%. A hipertensão é principalmente de dois tipos (Fig. 1).
Hipertensão Primária ou Essencial (90–95%)
Os pacientes não têm uma causa identificável clara que possa contribuir para a elevação da pressão arterial.
Hipertensão Secundária (5–10%)
Os pacientes têm principalmente doença renal ou adrenal como a causa raiz de sua pressão arterial elevada. Além disso, fatores como óxido nítrico (NO), débito cardíaco e resistência vascular periférica também desempenham papel importante na hipertensão. Nosso objetivo ao escrever esta revisão é coletar informações sobre os efeitos anti-hipertensivos de ervas naturais em estudos com animais e envolvimento humano, bem como recapitular os mecanismos subjacentes, a partir de dados de cultura celular e tecido ex-vivo. De acordo com a OMS, ervas/arbustos naturais são amplamente utilizados em ordem crescente para tratar quase todas as doenças do corpo humano, em todo o mundo. O tipo de constituintes fitoquímicos presentes em qualquer planta natural a torna útil para tratar uma doença específica ou um grupo de doenças. O tratamento com ervas/arbustos medicinais é essencial e um tratamento mais barato com menores taxas de efeitos colaterais em comparação ao tratamento alopático. A hipertensão é um problema de saúde crítico e agrava outras doenças cardiovasculares. Diuréticos, isoladamente ou com outros agentes anti-hipertensivos, são usados regularmente para diminuir a pressão arterial elevada, reduzindo o volume sanguíneo, ao custo de efeitos colaterais perigosos e indesejáveis. Curiosamente, o uso de medicamentos de fontes naturais como alternativas é a melhor escolha para o tratamento da hipertensão e outras doenças relacionadas a ela. Dubick explicou que as plantas são as unidades industriais regulares para a invenção de constituintes químicos, usadas como impulsionadoras da imunidade para aumentar a capacidade natural do corpo de combater diferentes problemas de saúde, bem como medicamentos fitoterápicos e produtos alimentícios também. Nas tradições culturais, religiosas e populares, as plantas herbais são explicadas como remédios curativos para quase todas as doenças. Desde 1970, medicamentos de plantas nativas também estão incluídos nas políticas da Organização Mundial da Saúde, principalmente para os países em desenvolvimento do mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde das Nações Unidas, 80% da população mundial (cerca de 5,6 bilhões de pessoas) consome medicamentos de plantas naturais para as principais preocupações de saúde. Esta revisão fornece uma análise panorâmica principalmente sobre a utilização tradicional, constituintes fitoquímicos e valores farmacológicos de ervas medicinais usadas para normalizar a hipertensão.
Mecanismos/Fisiopatologia da Hipertensão
Regulação da Pressão Arterial
Vários parâmetros como débito cardíaco, volume sanguíneo, equilíbrio do tônus arterial etc. do sistema cardiovascular podem determinar a PA. A manutenção dos níveis fisiológicos da PA envolve uma relação multifacetada de diversos elementos de um sistema neuro-humoral integrado que inclui os peptídeos natriuréticos, o sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA), as células endoteliais, o sistema imunológico e o sistema nervoso simpático (SNS). Qualquer desequilíbrio nos componentes desse sistema neuro-humoral integrado pode causar indireta ou diretamente um aumento ou diminuição no nível médio da PA. Além disso, se esse desequilíbrio persistir por um longo período, leva a danos no órgão-alvo (como DRC e hipertrofia ventricular esquerda) e também a DCV.
Efeito dos canais de potássio no sistema vascular sanguíneo
Estresse oxidativo e papel da NOS no sistema vascular sanguíneo
Papel da ECA na regulação da pressão arterial. PA pressão arterial, PLC fosfolipase C, SNP polimorfismo de nucleotídeo único, ECA enzima conversora de angiotensina, DAG diacilglicerol, IP3 inositol trifosfato
Efeito das espécies reativas de oxigênio no sistema vascular sanguíneo
Mecanismo da vasoconstrição mediada por canais de cálcio. CM membrana celular, RS retículo sarcoplasmático, MLCK cinase da cadeia leve da miosina, ATP trifosfato de adenosina, AMP monofosfato de adenosina, GMP monofosfato de guanosina, NO óxido nítrico, AC adenilato ciclase
Diferentes efetores fisiológicos como canais de potássio (Fig. 2), óxido nítrico (NO) (Fig. 3), sistema renina-angiotensina (Fig. 4), espécies reativas de oxigênio (Fig. 5) e íons cálcio (Fig. 6) modulam o tônus vascular e qualquer desequilíbrio nesses fatores pode levar à hipertensão.
Plantas medicinais comumente utilizadas com atividade anti-hipertensiva
S. no Erva medicinal Modelo experimental utilizado Mecanismo de ação Atividade Referências 1 Allium sativum Ratos alimentados com frutose Inibe a ECA Vasorelaxante Artérias pulmonares isoladas de rato Aumenta NO Vasorelaxante Células endoteliais da veia umbilical humana Aumenta NO Vasorelaxante Anéis aórticos de ratos Sprague–Dawley Aumenta H2S Vasorelaxante CMLVs isoladas de SHR Reduz a progressão do ciclo celular aumentada por ang-II Antiproliferativo Ratos alimentados com frutose Reduz a atividade da NADPH Antioxidante Neutrófilos humanos Eliminação de ROS Antioxidante 2 Ratos K-1C Afeta a antioxidação Antioxidante Ratos Wistar alimentados com frutose Aumenta eNOS Vasorelaxante Ratos Wistar alimentados com frutose Reduz VCAM-1 Anti-inflamatório CMLVs da aorta torácica de ratos Sprague–Dawley Induz a expressão de Cx43 Antiproliferativo Ratos alimentados com alta frutose Inibe NF-κB Anti-inflamatório 2 Andrographis paniculata SHR Elimina ROS Antioxidante SHR Reduz ECA Vasorelaxante Corações isolados de ratos Sprague–Dawley Aumenta NO Vasorelaxante Corações isolados de ratos Sprague–Dawley Bloqueia canais de Ca2+ Vasorelaxante Camundongos knockout para o gene Npr1 Inibe NF-κB Anti-inflamatório 3 Apium graveolens Anéis aórticos isolados de rato Bloqueia canais de Ca2+ Vasorelaxante Camundongos tratados com CCl4 Amplifica antioxidantes Antioxidante 4 Camellia sinensis Artérias braquiais de pacientes com doença coronariana Aumenta a dilatação mediada por fluxo (DMF) Vasorelaxante Artérias braquiais de pacientes com doença coronariana Aumenta a dilatação mediada por fluxo (DMF) Vasorelaxante Sistema gerador de superóxido Elimina ROS Antioxidante Células endoteliais in vitro Reduz VCAM-1 Anti-inflamatório Células endoteliais humanas Inibe NF-κB Anti-inflamatório SHR alimentados com STZ Diminui a NADPH oxidase Antioxidante Homens fumantes (piloto pré-clínico) Aumenta NO Vasorelaxante SHR diabéticos Inibe o desacoplamento da eNOS Vasorelaxante Humanos obesos e hipertensos Diminui TNF-α Anti-inflamatório Ratos Sprague–Dawley alimentados com STZ Bloqueia o receptor AT1 Vasorelaxante Ratos Sprague–Dawley alimentados com estreptozotocina (STZ) Aumenta antioxidantes Antioxidante SHR alimentados com STZ Impede a separação da eNOS Antioxidante Camundongos C57BL/6 Amplifica antioxidantes Antioxidante Células musculares lisas da aorta humana Aumenta a enzima HO-1 Antiproliferativo 5 Coptis chinensis Células endoteliais da aorta de rato Diminui NF-κB Anti-inflamatório Células endoteliais da aorta de rato Inibe VCAM-1 Anti-inflamatório Hale e
humanos saudáveis Diminui EMP Vasorelaxante Cardiomiócitos de rato (hipertrofia estimulada por insulina) Aumenta a expressão de eNOS Vasorelaxante Anéis de aorta torácica de ratos CIHH Aumenta a expressão de eNOS Vasorelaxante Anéis de aorta torácica de ratos CIHH Bloqueia canais de Ca2+ Vasorelaxante Cardiomiócitos de rato (hipertrofia estimulada por insulina) Inibe a hipertrofia cardíaca Antiproliferativo Ratos Wistar com doença renovascular aterosclerótica (ARD) Aumenta antioxidantes Antioxidante Ratos Wistar ARD Diminui NADPH oxidase Antioxidante Ratos renovasculares ateroscleróticos Diminui NF-κB Anti-inflamatório 6 Coriandrum sativum Hepatotoxicidade induzida por CCl4 em ratos albinos Wistar Aumenta antioxidantes Antioxidante Diminui NF-κB RAW 264.7 estimuladas por LPS Anti-inflamatório Ratos Wistar machos com cardiotoxicidade induzida por isoproterenol Inativação da produção de ROS por estimulação de b-adrenoceptores Antioxidante 7 Crataegus spp. Ratos hipertensos (induzidos por L-NAME) Ativa eNOS Vasorelaxante Anéis aórticos de rato Wistar macho Ativa eNOS Vasorelaxante Anéis arteriais de mamíferos Ativa eNOS Vasorelaxante Ensaio enzimático Elimina ROS Antioxidante Ratos com diabetes induzida por STZ Diminui TNF-α Anti-inflamatório Ratos com diabetes induzida por STZ Diminui IL-6 Anti-inflamatório 8 Crocus sativus Camundongos albinos Swiss tratados com genotoxinas Aumenta antioxidantes Antioxidante Coração isolado de cobaia Bloqueia canais de Ca2+ Vasorelaxante Ratos Wistar tratados com BeCl2 Reduz o estresse oxidativo Antioxidante Ratos Wistar tratados com BeCl2 Aumenta antioxidantes Antioxidante Ratos com isquemia-reperfusão Ativa eNOS Vasorelaxante Ratos com isquemia-reperfusão Inibe NF-κB Anti-inflamatório 9 Hibiscus sabdariffa Homens saudáveis Reduz a concentração de ácido úrico Aorta isolada de SHR Aumenta NO Vasorelaxante Aorta isolada de SHR Bloqueia canais de Ca2+ Vasorelaxante Humanos hipertensos em estágio 1 e 2 Reduz os níveis plasmáticos de Na+ Fígado de rato com hepatotoxicidade induzida por CCl4 Elimina ROS Antioxidante Humanos saudáveis Aumenta antioxidantes Antioxidante Não claro Aumenta NO Vasorelaxante Células musculares lisas vasculares de rato tratadas com PDGF Inibe a ativação da via ERK Antiproliferativo Células musculares lisas vasculares da aorta torácica de SHR Diminui pRb, CDK4 e ciclina D1 Antiproliferativo Células musculares lisas vasculares da aorta torácica de SHR Diminui β-galactosidase Antiproliferativo SHR Reduz a concentração de ácido úrico
10 Panax Cardiomiócitos de rato com lesão oxidativa por hipóxia/reoxigenação Aumenta antioxidantes Antioxidante Cardiomiócitos de camundongo Reduz NF-κB Anti-inflamatório Macrófagos de camundongo Reduz NF-κB Anti-inflamatório Macrófagos de camundongo Diminui TNF-α Anti-inflamatório Macrófagos de camundongo Diminui IL-6 Anti-inflamatório
11 Salviae miltiorrhizae Pacientes com DAC Aumenta antioxidantes Antioxidante Células musculares lisas vasculares da aorta torácica de rato Sprague–Dawley Reduz EROs Antioxidante Células endoteliais de veia umbilical humana Diminui TNF-α Anti-inflamatório Células endoteliais de veia umbilical humana Inibe NF-κB Anti-inflamatório Células endoteliais de veia umbilical humana Inibe VCAM-1 Anti-inflamatório Células musculares lisas vasculares da aorta torácica de rato Sprague–Dawley Inibe proliferação de PDGF Antiproliferativo
12 Zingiber officinale Ensaio enzimático Elimina EROs Antioxidante Coração de rato Inibe peroxidação lipídica Antioxidante
13 Bidens pilosa L Ratos Wistar alimentados com alto teor de frutose Mecanismo não determinado Vasorelaxante RAW 264.7 estimuladas por LPS Inibe NF-κB Anti-inflamatório RAW 264.7 estimuladas por LPS Ativação de TNF-α Anti-inflamatório
14 Mammea africana Ratos hipertensos induzidos por l-NAME Antagonistas de Ca2+ Vasorelaxante
15 Cymbopogon citratus Aorta torácica isolada de rato Inibe influxo de Ca2+ Vasorelaxante Aorta torácica isolada de rato Aumenta biodisponibilidade de NO Vasorelaxante Aorta isolada de WKR Aumenta biodisponibilidade de NO Vasorelaxante Aorta isolada de SHR Aumenta biodisponibilidade de NO Vasorelaxante
16 Nigella sativa Aorta isolada de SHR Aumenta K+, Na+ e Cl− na urina
17 Agastache Mexicana Aorta torácica de rato Superprodução de NO Vasorelaxante
18 Cocos nucifera Ratos Wistar machos hipertensos induzidos por sal produção de óxido nítrico Vasorelaxante e anti-hipertensivo
19 Lepidium sativum Ratos WKY e SHR Excreção de Na+ aumentada na urina Anti-hipertensivo e diurético
20 Laelia autumnalis Anéis aórticos isolados de rato Bloqueio de canais de Ca2+ Vasorelaxante
21 Carum copticum Preparações de aorta e jejuno de coelho, aorta torácica de rato Antagonismo do cálcio Anti-hipertensivo
22 Olea europaea Rato Dahl sensível ao sal Inibição da angiotensina II Anti-hipertensivo
23 Hsian-tsao SHRs machos Atividades antioxidantes aumentadas Anti-hipertensivo
24 Eucommia ulmoides Anéis de carótida de cão e aorta de rato Produção de óxido nítrico Vasorelaxante
25 Phyllanthus urinaria Ratos espontaneamente hipertensos Inibidores da ECA Anti-hipertensivo
26 Tropaeolum
majus SHR Inibição da angiotensina II Anti-hipertensivo 27 Fritillaria Ussuriensis Anéis aórticos de rato Inibição da ECA, aumento do nível de NO/GMPc Anti-hipertensivo 28 Laelia anceps Anéis aórticos de SHR Bloqueio dos canais de Ca2+ Vasorelaxante e anti-hipertensivo 29 Guazuma ulmifolia Ratos hipertensos alimentados com açúcar Produção de óxido nítrico Anti-hipertensivo 30 Lepechinia caulescens Aorta torácica de rato Liberação de óxido nítrico Vasodilatador 31 Elettaria cardamomum Preparações de jejuno de coelho Antagonismo do Ca++ Efeito redutor da PA 32 Aronia mitchurinii SHR Inibição da ECA Efeito redutor da PA 33 Momordica charantia Ratos Mediar a produção de NO/GMPc Hipotensor 34 Clerodendron trichotomum Plasma de rato Inibidor da ECA Anti-hipertensivo 35 Tanacetum vulgare Aorta de rato Wistar Intensificador da produção de NO Vasorelaxante 36 Cecropia pachystachya Corações de ratos Estimulador da bomba de Na,K-ATPase Cardiotônico 37 Eugenia uniflora Corações de ratos Antagonismo do Ca++ Hipotensor 38 Geum japonicum Aorta torácica de rato Mediar a produção de NO/GMPc hipotensor 39 Cirsium japonicum Aorta torácica de rato Intensificador da produção de óxido nítrico Vasorelaxamento 40 Astragalus complanatus Ratos hipertensos Bloqueador do receptor de Ang II Anti-hipertensivo 41 Citrus limetta Camundongos Bloqueador do receptor de Ang II Efeito redutor da PA 42 Achillea millefolium Ratos anestesiados Inibidor da ECA Anti-hipertensivo 43 Averrhoa carambola Aorta de rato Inibidor de Ca2+ Hipotensor 44 Valeriana wallichii Preparações de jejuno de coelho Ativação do canal de K+ Efeitos redutores da PA 45 Erythroxylum gonocladum Plasma de rato Inibidor da ECA Anti-hipertensivo 46 Cudrania tricuspidata Ratos com inibição da síntese de NO Superprodução de NO/GMPc Anti-hipertensivo 47 Antrodia camphorata Anéis aórticos de rato Superprodução de NO/GMPc Anti-hipertensivo 48 Melothria maderaspatana Ratos hipertensos Aumento da utilização de vitamina C Anti-hipertensivo 49 Solanum torvum Aorta de rato Bloqueio do influxo de cálcio Anti-hipertensivo 50 Echinodorus grandiflorus Rim e aorta perfundidos de coelho Produção de óxido nítrico Vasodilatador 51 Polyalthia longifolia Ratos alimentados com gema de ovo Inibição da ECA PA reduzida 52 Jatropha gossypiifolia Aorta de rato Antagonismo de Ca2+/NE Anti-hipertensivo 53 Salvia cinnabarina Ratos Wistar machos Produção de óxido nítrico Reduz a PA
Ensaios clínicos concluídos de diferentes plantas medicinais como agentes anti-hipertensivos
Nº Planta Dose/duração Condição Delineamento/tamanho da população Resultado/magnitude do resultado Referências 1 Allium sativum 2600 mg/dia de alho em pó/10 dias Hipertensão leve Controlado por placebo, cruzado/6 Redução da PAS/17 mmHg 960 mg/dia de AGE/12 semanas Hipertensão não controlada Duplo-cego, randomizado, paralelo, controlado por placebo/50 Redução da PAS/10,2 ± 4,3 mmHg 480 mg/dia de AGE/12 semanas Hipertensão não controlada Duplo-cego, randomizado, paralelo, controlado por placebo/79 Redução da PAS/11,8 ± 5,4 300–1500 mg/dia de alho em pó/4 semanas Hipertensão estágio 1 Randomizado, paralelo, controlado por placebo/210 Redução da PAS e PAD/9,2 e 6,26 mmHg 2 Camellia sinensis 7,6 g de folhas de chá fervidas em 400 ml de água/1 h Hipertensão leve Duplo-cego, controlado por placebo/20 Aumento da PAS e PAD/1,7 e 0,9 mmHg (chá verde) 0,7 mmHg cada (chá preto) 379 mg de extrato de chá verde/12 semanas Obesidade, hipertensão Randomizado, paralelo, controlado por placebo/56 Redução da PAS e PAD/4 mmHg cada 4479 mg (3 xícaras/dia, 1493 mg cada) de chá preto/24 semanas Hipertensão leve Randomizado, paralelo, controlado por placebo/95 Redução da PAS e PAD/2 e 2,1 mmHg 3 Crataegus spp. 500 mg/dia de extrato/10 semanas Hipertensão leve Duplo-cego, randomizado, paralelo, controlado por placebo/36 PAD/13,1 mmHg 2,7–3 mg/dia de flavonoides (extrato hidroalcoólico)/4 meses Hipertensão leve Duplo-cego, randomizado, paralelo, controlado por placebo/92 Redução da PAS e PAD/13 e 8 mmHg 4 Crocus sativus 400 mg/dia/7 dias Saudável Duplo-cego, randomizado, paralelo, controlado por placebo/30 Redução da PAM e PAS/11 e 5 mmHg 5 Hibiscus sabdariffa 10 g/dia de cálice desidratado/4 semanas Hipertensão leve a moderada Randomizado, controlado por captopril/75 Redução da PAS e PAD/15,32 e 11,29 mmHg 720 mL/dia (3 vezes, 240 mL cada) na forma de chá/6 semanas Pré-hipertensão e hipertensão leve Randomizado, duplo-cego, controlado por placebo/65 Redução da PAM, PAS e PAD/7,2, 3,1 e 4,5 mmHg 6 Nigella sativa 200 e 400 mg/dia de extrato aquoso de sementes (100 e 200 duas vezes ao dia)/8 semanas Hipertensão leve Randomizado, duplo-cego, controlado por placebo/108 Redução da PAS e PAD/2,2 e 1,1 mmHg Redução do colesterol LDL 5 mL/dia (2,5 duas vezes ao dia) de óleo de Nigella sativa/8 semanas Saudável Duplo-cego, randomizado, paralelo, controlado por placebo/70 Redução da PAS e PAD/10,6 e 9,6 mmHg 7 Panax 3 g/dia de P. quinquefolius/12 semanas Hipertensão essencial Randomizado, duplo-cego, controlado por placebo/64 Redução da PAS/17,4 mmHg 300 mg/dia de extrato de P. ginseng/8 semanas Hipertensão leve Randomizado, controlado por placebo/90 Redução da PAS e PAD/3,1 e 2,3 mmHg 400 mg/3 h Saudável Randomizado, duplo-cego, cruzado/23 Redução da PAS e PAD/4,8 e 3,6 mmHg
A natureza forneceu ou inspirou tantas moléculas líderes que podem modular efetivamente esses fatores Tabelas 1 e 2. A seção a seguir compreende os detalhes de ervas tradicionais comuns com potencial efeito anti-hipertensivo.
Hibiscus Sabdariffa (HS) (Família: Malvaceae; Nome comum: Rosela, Hibisco, Azedinha-da-Jamaica, Azedinha-vermelha)
As várias partes desta planta, como flor, folhas e cálices, são usadas para o tratamento de vários problemas medicinais em muitos países da África Ocidental. Devido ao seu sabor agradável, aparência decorativa, efeito medicinal e culinário, o HS é usado mundialmente para produzir muitos tipos de bebidas modernas frias e quentes. Folhas jovens tenras, cálices e caules são usados como saladas na forma crua ou cozida. Em muitos lugares, o cálice é usado para preparar sopas, picles, molhos, pudim e também como agentes aromatizantes. Os cidadãos nigerianos usam a infusão do cálice (zobo) como agente anti-hipertensivo.
Estudos experimentais mostraram que o HS tem atividade antimicrobiana, antioxidante, anticolesterol e anti-hipertensiva. As pessoas da localidade de North Badia, na Jordânia, usam folhas e flores de HS e, segundo eles, infusões aquosas quentes são usadas para tratar pressão arterial elevada, enquanto infusões frias para pressão arterial baixa. Na área de Tobago e Trinidad, as folhas dos residentes são usadas para tratar hipertensão, enquanto a flor e as sementes são usadas para efeito hipocolesterolêmico.
Estudos anteriores mostraram que, com o tratamento com HS, o nível de PAS e PAD diminuiu de forma dependente da dose em hipertensos induzidos por sal e no grupo normotenso. Quando comparado aos inibidores da ECA, foi igualmente eficaz ao captopril, mas menos eficaz que o lisinopril.
A partir de diferentes estudos, verificou-se que o extrato dos cálices de HS tem efeito anti-hipertensivo e vasodilatador em humanos e animais experimentais, por vias vasodilatadoras dependentes e independentes do endotélio. A abertura da via relaxante do GMPc/óxido nítrico é derivada via endotélio, causando vasodilatação dependente do endotélio pela ativação da guanilato ciclase, enquanto a inibição do influxo de Ca2+ é responsável pelo componente independente do endotélio.
Os constituintes ativos hidrossolúveis do HS, antocianinas, predominantemente cianidina-3-sambubiosídeo e delfinidina-3-sambubiosídeo, são responsáveis pelos efeitos hipocolesterolêmico, antioxidante e anti-hipertensivo.
Allium Sativum: (Nome comum: Alho; Família: Alliaceae ou Liliaceae)
O bulbo de A. Sativum é uma especiaria ou erva multiuso popularmente usada há milhares de anos como vegetal devido ao seu forte sabor e gosto em todo o mundo. É uma erva de interesse para o tratamento de doenças cardiovasculares (DCVs) como doença coronariana, hipertensão, aterosclerose e alterações vasculares relacionadas à idade. Também pode ser usado como antioxidante, anticancerígeno, anti-inflamatório, antibacteriano e hipocolesterolêmico. Todas essas atividades farmacológicas o tornam interessante para farmacologistas e profissionais de saúde.
A presença de constituintes organossulfurados como alicina (principal constituinte ativo), ajoeno, S-alil-l-cisteína, dissulfetos de dialila (DADS), metil tiossulfonato e trissulfetos de dialila etc. são responsáveis por essas atividades farmacológicas. Allium sativum pode ser utilizado em diversas variedades, como cru, pó seco, extrato aquoso, óleo e extrato de alho envelhecido (AGE). A interpretação da meta-análise confirmou que o AGE produz uma redução confiável da pressão arterial (tanto PAS quanto PAD) em comparação com outras formas de A. sativum.
Ku et al. e Mousa e Mousa relataram que o extrato etanólico de alho causou relaxamento por componentes sulfurados como alicina nas artérias pulmonares de ratos via aumento da biodisponibilidade de NO. Benavides et al. relataram que o alho fornece polissulfetos aos glóbulos vermelhos para aumentar a produção de H2S e a síntese resulta em vasorrelaxamento.
Além disso, Sendlet al. relataram que o componente gama-glutamil-cisteínas do alho atua como antagonista para inibir a atividade da ECA. Quando a aliina reage com a enzima aliinase, a alicina antagoniza o efeito da endotelina-1, diminui as respostas vasoconstritoras da Ang II e desativa o NF-kB.
Andrographis paniculata: (Nome comum: Kalmegh, Kirayat, Bhunimba, Rei dos Amargos; Família: Acanthaceae)
Esta é uma planta medicinal tradicional do leste e sudeste da Ásia comumente usada para tratar resfriado, febre, infecções do trato respiratório superior e gastrointestinal, hepatite, herpes e DCVs.
Andrographis paniculata atua inibindo a atividade dos β-adrenoceptores, receptor ganglionar autonômico e enzima conversora de angiotensina (ECA). Seus extratos contêm vários compostos diterpenoides, ou seja, 14-desoxi-11,12-didesidroandrografólido, andrografólido e 14-desoxiandrografólido, responsáveis por efeitos anti-inflamatórios, bactericidas, antioxidantes e hipotensores. Seu extrato clorofórmico pode ativar a síntese de NO e, finalmente, estimular a produção de NO nas células endoteliais, o que, em última análise, causa relaxamento nos músculos lisos ao inibir a ação da Ach. A. paniculata diminui a PA ao reduzir as espécies reativas de oxigênio e as atividades da ECA em ratos espontaneamente hipertensos (SHR). De acordo com Awang et al., verificou-se que a resistência vascular foi reduzida no coração isolado de rato tanto pelo 14-desoxiandrografólido quanto pelo 14-desoxi-11,12-didesidroandrografólido. Segundo eles, o extrato bruto contendo uma alta concentração de 14-desoxi-11,12-didesidroandrografólido produz uma propriedade hipotensora notável via aumento da liberação de NO, responsável pela vasodilatação. Além disso, o 14-desoxi-11,12-didesidroandrografólido diminui o nível de Ca2+ dentro da célula pelos canais de Ca2+ dependentes de voltagem. O extrato clorofórmico de Andrographis paniculata bloqueia a corrente de Ca2+ tipo L e as vias de ativação por alto K+, produzindo efeitos protetores endoteliais para relaxar o músculo liso, e os resultados foram comparáveis ao verapamil.
Apium graveolens (Aipo): (Nome comum: Aipo, Ajmod; Família: Umbelliferae ou Apiaceae)
É uma erva anual ou perene comumente encontrada em regiões subtropicais e temperadas da Ásia e África. Diferentes partes de Apium graveolens são utilizadas para a preparação de diferentes formulações medicinais devido às suas propriedades anti-inflamatórias, anti-hipertensivas, antimicrobianas, bactericidas, fungicidas, anticancerígenas, antivirais, gastrointestinais, antiespasmódicas e antioxidantes.
Estudos in vivo em animais mostraram que A. graveolens possui efeito hipotensor. De acordo com Moghadam et al., seus extratos hexânicos de sementes reduzem a pressão arterial de forma mais eficaz em ratos hipertensos do que seus outros extratos. Isso se deve à melhor preservação do n-butilftalida, responsável pelo sabor e odor aromático do aipo. Esse efeito do n-butilftalida também foi corroborado por SHRs. De acordo com Ko et al., a forma extraída de apigenina flavona afeta canais dependentes de voltagem e receptores por meio do bloqueio do influxo de Ca2+, o que resulta no bloqueio das contrações do anel aórtico na aorta isolada de rato. Houston relatou que os componentes ativos do aipo reduzem a pressão arterial humana provavelmente pela diminuição da intensidade das catecolaminas circulantes e pela redução da resistência vascular. Fazal et al. relataram que o uso diário do extrato de sementes por 4 semanas pode reduzir a pressão arterial em 12%. Além disso, Popovic et al. relataram que o conteúdo de flavonoides desta erva reduz o estresse oxidativo, o que pode potencializar os mecanismos antioxidantes. Moghadam et al. confirmaram que as sementes de aipo têm efeito hipotensor devido a alguns componentes hidrofóbicos, como o n-butilftalida (NBP). Também pode ser usado para tratar hipertensão associada ao fígado.
Bidens pilosa L. (Nomes comuns: Picão-preto, Carrapicho-de-agulha e Black-Jack; Família Asteraceae)
A planta inteira de B. pilosa é utilizada como componente em medicamentos populares em diferentes formas, como tintura, pó seco, maceração ou decocção.
Os componentes bioativos possuem muitos benefícios à saúde e são utilizados em doenças bacterianas, câncer, obesidade, hipertensão, malária e cardiovasculares, o que torna a planta de interesse atualmente. Diferentes partes da Bidens pilosa contêm numerosos constituintes químicos úteis, com pelo menos 60 flavonoides. Assim, normalmente os extratos desta planta são usados como medicamento para tratar cerca de 40 categorias de enfermidades por diferentes mecanismos esperados, como vasodilatação, melhora do perfil lipídico, eliminação de radicais livres, sensibilidade à insulina, bloqueio de cálcio etc. Estudos anteriores confirmaram que a quercetina aumenta a produção e/ou biodisponibilidade de NO, o que melhora a função endotelial. Além disso, Bilanda et al. corroboraram que a quercetina pode atenuar e prevenir a hipertensão. Os extratos em cloreto de metileno e aquoso da Bidens pilosa reverteram a hipertrigliceridemia e a pressão alta produzidas pela alimentação com frutose, mas não afetam os níveis plasmáticos de glicose e insulina, embora alguns experimentos mostrem efeito sobre a sensibilidade à insulina. De acordo com Gulfsha et al., altas doses de extratos de folhas de Bidens pilosa podem diminuir os níveis de creatinina plasmática, o que, por sua vez, aumenta o nível de colesterol plasmático. Assim, eles sugeriram que o efeito hipotensor da Bidens pilosa é independente da sensibilidade à insulina.
De acordo com Dimo et al., extratos aquosos e em CH3Cl de folhas de Bidens pilosa podem atenuar e prevenir a pressão alta em vários modelos de ratos normotensos e hipertensos (induzidos por frutose) durante um tratamento contínuo de 3 semanas. Dimo et al. e Bartolome et al. provaram que a B. pilosa possui respostas vasorelaxantes, e isso também é apoiado por Nguelefack et al., que relataram que quantidades crescentes de um extrato neutro de B. pilosa causam relaxamento em aortas de rato pré-contraídas com noradrenalina e cloreto de potássio. Mas eles não interpretaram um mecanismo claro para explicar a vasodilatação. Suas suposições eram de que a vasodilatação possivelmente ocorre por antagonismo dos canais de cálcio ou envolve metabólitos da ciclooxigenase. Eles também mencionaram que o mecanismo de vasodilatação não estava associado ao canal de K+ dependente de ATP.
Camellia sinensis (Nome comum: Chá; Família: Theaceae)
Folhas novas, limpas e brilhantes de Camellia assamica ou Camellia sinensis são caracteristicamente processadas para preparar a bebida mais consumida no mundo, ou seja, o chá, que fica atrás apenas da água.
Os principais flavonoides do chá são as catequinas, que incluem (−)-epicatequina-3-galato (ECG), (−)-epigalocatequina-3-galato (EGCG), (−)-epicatequina (EC), (−)-epigalocatequina (EGC, componente primário). Essas catequinas são convertidas em flavinas e as arubiginas, por uma reação enzimática, são conhecidas como vasodilatadores eficazes. Essas catequinas também são responsáveis por um grande aumento no fluxo sanguíneo devido à maior liberação de NO, com uma diminuição simultânea nas intensidades do estresse oxidativo e da dimetilarginina. Além disso, Hong et al. relataram que o EGCG foi capaz de reduzir a ativação do NF-κB em células endoteliais humanas. Possui metabólitos secundários como alcaloides purínicos, ácidos fenólicos, flavan-3-óis, flavonóis, saponinas, taninos hidrolisáveis e taninos condensados, bem como suas formas glicosiladas. Muitos constituintes químicos, como derivados de flavan-3-óis, teaflavinas, tearubiginas, etc., surgem para formar novos constituintes com uma mudança na concentração de outros. Portanto, dependendo do processo, cada tipo de chá tem sabores e constituintes diferentes. O extrato aquoso de Camellia sinensis pode produzir efeitos pleiotrópicos, bem como atividades antidiabéticas, anti-inflamatórias, antibacterianas, anti-hipertensivas e anticancerígenas. Deka e Vita, segundo eles, a pessoa que consome regularmente chá verde e preto tem um risco menor de hipertensão. Peng et al. também relataram, com base em meta-análise, que o uso regular de chá tem um efeito redutor importante na pressão arterial diastólica (PAD); outros estudos mostraram que é dependente da concentração. De acordo com uma análise de um grupo japonês, o consumo regular de chá verde concentrado, apenas, pode reduzir o risco de mortalidade por DCV. O conteúdo de EGCG o-metilado do chá pode inibir a enzima conversora de angiotensina; portanto, o consumo de extrato de chá preto por 7 dias regulares tem um efeito redutor na pressão arterial sistólica (PAS). Cheang et al., com base em seu estudo, explicam que a teaflavina-3,3-digalato pode inibir a contração dependente de acetilcolina e melhorar a função endotelial, reduzindo o estresse do retículo endoplasmático e modificando enzimas da Hcy, como cistationina gama-liase e cistationina-β-sintase. Com o consumo de extrato liofilizado de chá verde, houve um declínio importante na PAS (− 4,9 mmHg) e na PAD (− 4,7 mmHg) em pacientes ligeiramente hipertensos. De acordo com Peng et al., o chá verde pode reduzir a pressão arterial por diferentes mecanismos, como manter o equilíbrio entre fatores vasoconstritores, vasodilatadores e hiperpolarizantes. Tem um efeito crescente na produção de óxido nítrico (NO) para melhorar a função ventricular e gerenciar a produção de ROS, provocando enzimas antioxidantes e reduzindo enzimas pró-oxidantes.
Coptis chinensis (Família: Ranunculaceae, Nome Comum: Fio de Ouro Chinês)
É utilizada na medicina popular chinesa. O principal constituinte químico da Coptis chinensis é a berberina, responsável por suas principais atividades farmacológicas, como sedativa, imunoestimulante, hipotensora, antimicrobiana, colerética, anticonvulsivante, uterotônica, anti-helmíntica, anticancerígena e carminativa. Além disso, também afeta o metabolismo de lipídios e carboidratos, a cardiotonicidade e a função endotelial. Devido a todas essas atividades, na última década, este alcaloide é um ponto de interesse para os pesquisadores.
Mecanismo de ação da berberina
Lan et al. confirmaram que a berberina tem um importante efeito hipotensor por meio de vários mecanismos. A BBR aumenta a expressão da enzima eNOS, que está associada à síntese e liberação de NO, seguida de vasodilatação. Essa vasodilatação é possivelmente mediada pelo conhecido vasodilatador PGI2 e pela abertura dos canais KATP, bem como pelo bloqueio do influxo de Ca2+. Um estudo relatou que a BBR afeta a disfunção endotelial reduzindo a maturidade das micropartículas endoteliais. A berberina também pode inibir o fator de transcrição NF-kB e a expressão de VCAM-1, bem como a proliferação de VSMC (Fig. 7).
Coriandrum sativum (Família: Umbelliferae/Apiaceae; Nome comum: Kasbour, Coentro, Cilantro)
Os frutos e folhas de C. sativum e C. tordylium são utilizados no tratamento convencional de diferentes doenças gastrointestinais e cardíacas, além de serem ingredientes de catering. Seu óleo é usado em muitas formulações cosméticas. Geralmente, C. sativum é usado para o tratamento de muitos distúrbios do TGI, como flatulência, diarreia, anorexia, dispepsia, vômito e dor, bem como anti-hipertensivo, antisséptico, antiemético, miorrelaxante, antidiabético, anti-inflamatório, emenagogo, lipolítico e possui efeito calmante dos nervos.
Os principais constituintes químicos do coentro são linalol, acetato de geranila e gama-terpineno. Também possui outros constituintes químicos como a-cedreno (3,87%), citronelal (1,96%), geraniol (1,87%), b-pineno (1,82%), b-sesquifelandreno (1,56%), citral e acetato de citronelila (1,36% cada), citronelol (1,31%), m-cimeno (1,27%) e a-farneseno (1,22%) como minoritários. Até o momento, o coentro não foi testado em ensaios clínicos para avaliar seu efeito sobre a PA, mas é relatado em muitos estudos que o coentro apresenta atividades antioxidantes e inibe a produção de EROs por b-adrenoceptor. Jabeen et al. relataram que os efeitos vasodilatadores do extrato metanólico diluído de sementes bem secas e pó de coentro produziram queda da pressão arterial média, PAS e PAD de forma dose-dependente em ratos Sprague–Dawley normotensos. O efeito vasodilatador ocorre através do bloqueio dos canais de Ca++ e vias dependentes do endotélio. Os constituintes ativos agem sinergicamente para equilibrar os constituintes vasoativos para o manejo e tratamento da hipertensão. Além disso, o extrato de coentro tem efeito inibitório sobre NF-kB e iNOS.
Crataegus spp. (Gênero: Crataegus crenulata Syn., Pyracantha crenulata; Família: Rosaceae; Nome comum: Espinheiro, Hawberry ou Maçã-espinhosa)
Os arbustos de espinheiro são empregados na medicina convencional por longos anos para o manejo de DCVs. Walker et al. relataram que o medicamento de espinheiro (500 mg por 10 semanas regulares) pode diminuir a PAD em pacientes hipertensos. De acordo com Bone e Mills, uma redução significativa na PA ocorre apenas após a administração do medicamento em doses mais altas por um período mais longo de tempo.
Asgary et al. realizaram um ensaio clínico randomizado, controlado por placebo e duplo-cego com a administração de extratos hidroalcoólicos das flores de Crataegus curvisepala por três meses e descobriram que tanto a PAD quanto a PAS diminuíram em cerca de 8 e 13 mmHg, respectivamente. O principal constituinte químico de Crataegus tanacetifolia é a quercetina, um flavonoide polifenólico, responsável por suas principais funções farmacológicas como vasorrelaxante, anti-inflamatório e efeitos antioxidantes. Outros múltiplos componentes dessas plantas são proantocianidinas oligoméricas, ou seja, procianidina, procianidina B-2, hiperosídeo etc., e flavonoides, ou seja, vitexina, rutina, etc. Além disso, os extratos de espinheiro são eficazes tanto nas células endoteliais quanto nas CMLVs. O extrato de Crataegus tanacetifolia causa vasodilatação ao aumentar a fosforilação e ativação da eNOS na serina 1177, o que, por sua vez, aumenta a síntese e liberação de NO nas células endoteliais. Anselm et al. informaram que o extrato de flores e folhas e o isolado, hiperosídeo de Crataegus, provavelmente, podem ativar múltiplas vias de sinalização, como PI3-quinase, eNOS, Src, ROS, Akt e a regulação positiva de enzimas antioxidantes (CAT, SOD) para produzir relaxamento dependente do endotélio. Juntamente com a contribuição de todos os mecanismos de ação, melhoram o resultado hipertensivo do Crataegus. Curiosamente, o extrato também tem ação anti-inflamatória, diminuindo os níveis de VCAM-1, IL-6, NF-kB, iNOS e TNF-α.
Crocus sativus (Família: Iridaceae; Nome Comum: Açafrão)
Crocus sativus é uma erva sem caule com valores medicinais há mais de 4000 anos. É usado para sabor e cor agradáveis em diferentes alimentos e também em cosmetologia. Possui constituintes químicos como flavonóis (kaempferol), carotenoides (crocina e crocetina), compostos fenólicos, antocianinas, terpenoides e alcaloides. Comumente, o extrato de açafrão era usado como antiespasmódico, afrodisíaco, expectorante, antidepressivo, antitussígeno, anticonvulsivante, neuroprotetor, hipolipidêmico, ansiolítico, anticancerígeno, protetor cardiovascular e antioxidante.
Seus principais constituintes químicos são crocina, safranal, picrocrocina e crocetina. Esses componentes atuam como anti-hipertensivos por diferentes mecanismos de ação. Modaghegh et al. relataram que o uso regular de açafrão por 7 dias pode causar uma queda significativa na pressão arterial e na PAS em humanos saudáveis devido à sua ação vasorelaxante. De acordo com Fatehi et al., os extratos das pétalas de C. sativus contêm alta concentração de antocianinas e flavonoides que podem modular a resistência vascular periférica, o que, em resposta, reduz a PA de ratos machos Sprague–Dawley de maneira dose-dependente. Imenshahidi et al. relataram que a crocina, o safranal e o extrato do estigma de C. sativus reduzem a pressão arterial média em ratos Wistar machos normotensos e com hipertensão induzida por sal. Posteriormente, em 2015, eles também relataram que a administração crônica de safranal pode reduzir a PAS em ratos hipertensos por sal, mas não afetou os normotensos. Boskabady et al. mencionaram que os constituintes químicos do açafrão, principalmente a crocina, reduziram a contração e a frequência cardíaca de cobaias por meio da abertura de canais de potássio, bloqueio de canais de Ca2+ e antagonismo de β-adrenoceptores. Além disso, o safranal também afeta a fosforilação da proteína quinase B/GSK-3β, a ativação da iNOS, a expressão de TNF-α e a atividade do NF-κB.
Cymbopogon citrates (Família: Gramineae; Nome comum: Capim-limão, Citronela, Squinant)
O extrato dos brotos e folhas de C. citrates tem sido amplamente utilizado por suas aplicações nutricionais, cosméticas e medicinais, globalmente, devido ao alto teor de óleo essencial. Vários estudos reconheceram a ocorrência de seus fitoconstituintes, como flavonoides, alcaloides, óleo essencial, fenóis, taninos, desoxiaçúcares, saponinas, antraquinonas nas folhas e no caule da erva.
O principal constituinte de C. citrates é o citral, que sozinho ou em combinação com outros componentes tem sido usado como antimicrobiano, antioxidante, quimioprotetor e antiespasmódico. Chitra Devi et al. relataram que extratos metanólicos das partes aéreas (caules e folhas) e raízes de C. citrates (tendo o citral como principal constituinte ativo) apresentaram vasorrelaxamento sobre as contrações estimuladas por fenilefrina de maneira dose-dependente. O citral afeta a síntese e liberação de NO para produzir vasorrelaxamento ao inibir a atenuação causada por L-NAME. Além disso, o extrato das folhas pode afetar a síntese de prostaciclina para induzir relaxamento. Ademais, o efeito relaxante da combinação do extrato de raiz, caules e folhas pode ser devido ao bloqueio dos canais de íons Ca2+ (independente do endotélio). O extrato fresco das folhas de Cymbopogon citrates em combinação com outros medicamentos fitoterápicos, como extrato de frutos de Citrus medica e extrato fresco de folhas de Persea americana, pode reduzir a hipertensão em ratos induzida por sacarose e etanol. Essa mistura pode ser usada para proteger rins, fígado e endotélio vascular danificados pelo uso crônico de sacarose e etanol. Ray relatou que a decocção de capim-limão produziu um efeito importante na pressão arterial média com a administração duas vezes ao dia. Do diário de Bastos et al., uma inoculação intravenosa em bolus de citronelol (monoterpenoide acíclico) gerou um efeito anti-hipertensivo em ratos Wistar ao bloquear canais de cálcio, bem como modificar os estoques intracelulares de Ca2+ dependentes de cafeína e IP3. O óleo de capim-limão tem a capacidade de suprimir a atividade de ROS. Curiosamente, o citral reduz a atividade de iNOS e NF-kB e produz ações anti-inflamatórias.
Nigella sativa (Família: Ranunculaceae; Nome Comum: Semente de Bênção, Cominho Preto)
Diferentes preparações aquosas e oleosas da Semente de Bênção exibem uma ampla gama de atividades farmacológicas e são usadas para tratar muitas doenças e distúrbios, como diabetes, inflamação, hipertensão, complicações cardiovasculares, distúrbios hepáticos, câncer, distúrbios renais e artrite. N. sativa tem um efeito redutor na pressão arterial. O óleo essencial da semente preta tem a timoquinona como principal constituinte ativo responsável pela maioria dos efeitos benéficos das sementes. De acordo com Jaarin et al., o óleo de Cominho Preto tem efeito anti-hipertensivo ao reduzir a ECA in vivo. O timol, o outro componente ativo de N. sativa, foi relatado por diminuir a pressão arterial por via independente do endotélio (inibindo o influxo de íons cálcio através dos canais de cálcio) na membrana das células endoteliais, seguido de vasorrelaxamento.
O óleo de semente preta possui quatro compostos farmacologicamente ativos significativos: timol (THY), timoquinona (TQ), timohidroquinona (THQ), ditimoquinona (DTQ) e α-hederina, óleos essenciais, flavonoides, antioxidantes, alcaloides, saponina, proteínas, ácidos graxos, etc. são outros componentes bioativos. Wong relatou que o uso regular do extrato de N. sativa duas vezes ao dia por oito semanas em hipertensão leve resulta em uma diminuição significativa da pressão arterial. Nigella sativa tem uma ação inibitória sobre espécies reativas de oxigênio, podendo desempenhar um possível papel no manejo da hipertensão. Huseini et al. concluíram que o óleo de N. sativa pode diminuir consideravelmente tanto a PAD quanto a PAS. Além disso, Ahmad et al. explicaram que a TQ causa vasodilatação ao reduzir a síntese e liberação de metabólitos da COX-1 e COX-2. O cominho preto tem um efeito inibidor sobre NF-kB e TNF-α, atuando como um agente anti-inflamatório.
Panax (Panax ginseng, Panax quinquefolius, Panax japonicus, Panax notoginseng; família: Araliaceae; Nome Comum: Ginseng Japonês, Ginseng Asiático ou Coreano, Ginseng Chinês, Ginseng Americano)
O Panax (“cura-tudo”) tem sido tradicionalmente utilizado para curar todos os problemas de saúde do corpo humano. As raízes de Panax são usadas principalmente na medicina popular para uma ampla variedade de propósitos farmacológicos e terapêuticos há séculos, seja na forma sólida ou líquida. Até o momento, cerca de 40 ginsenosídeos foram descobertos, sendo os mais ativos e úteis Rb1, Rg1, Rg3, Rh1, Re e Rd. Esta planta medicinal possui muitos benefícios biológicos, como hipotensor, antioxidante, antidiabético, vasorrelaxante, anticarcinogênico, antialérgico, anti-inflamatório, antidiabético, anticâncer, etc. Surpreendentemente, Kim relatou que o ginseng pode “normalizar” condições hipertensivas e hipotensivas. Também atua como agente anticarcinogênico e antidiabético. Está bem relatado na literatura que o ginseng tem um efeito redutor na pressão arterial, mas de acordo com Mucalo et al., ele também pode aumentar a pressão arterial para regularizar condições hipotensivas reostaticamente, provavelmente por alteração do caráter vascular, ajuste do SNA ou adaptação do barorreflexo das artérias. Rhee et al. descobriram que o ginsenosídeo de P. ginseng pode causar um efeito redutor importante na PAS e PAD em pacientes com hipertensão leve, bem como em indivíduos saudáveis. O ginsenosídeo Rg3 produz um efeito aumentador na expressão da eNOS, levando a um aumento na produção de NO seguido de vasorrelaxamento. Além disso, o ginseng também inibe a emissão de catecolaminas adrenais, o que tem um efeito adicional no caráter anti-hipertensivo.
Salvia miltiorrhiza (Família: Labiatae; Nome Comum: Danshen, Sálvia Vermelha/Chinesa)
Salviaemiltiorrhizae é uma das ervas tradicionais mais antigas e regularmente utilizadas da China, geralmente empregada no tratamento de DCVs. Seus principais fitoquímicos são o danshensu, as tanshinonas (tanshinona I e tanshinona II), os ácidos salvianólicos (A e B), com outros compostos como minoritários. Principalmente os extratos da raiz possuem comportamento farmacológico benéfico, como atividade antimicrobiana, antiviral, antioxidante, anticancerígena, anti-inflamatória e para doenças cardiovasculares. O extrato da raiz de Danshen diminui a frequência cardíaca e a pressão arterial sistólica, moderadamente por meio do aumento da síntese da sinalização da eNOS e amplificação da produção de NO para produzir vasodilatação. A tanshinona IIA causa vasodilatação sem o envolvimento do mecanismo das células endoteliais. Wang et al. relataram que o metabólito do danshen aumenta o armazenamento, bem como o influxo de Ca2+ intracelular, afetando os receptores e os canais de cálcio dependentes de voltagem. O Danshen também inibe as ECAs para causar uma redução na pressão arterial, resultando em efeitos anti-hipertensivos científicos. Foi documentado que o danshen também afeta outros parâmetros envolvidos na hipertensão, como produção de ROS, oxidação, inflamação e proliferação.
Zingiber officinale (Família: Zingiberaceae; Nome comum: Gengibre)
O rizoma de Zingiber officinale, um ingrediente culinário muito comumente usado desde o século XIII. Akinyemi et al. relataram que o extrato aquoso de gengibre pode reduzir a ECA e a peroxidação lipídica. Suekawa et al. descobriram que a dose intravenosa e oral de (6)-shogaol e (6)-gingerol produziu uma redução significativa na PA. Definitivamente, os óleos de gengibre são considerados um novo antagonista do receptor de angiotensina II tipo 1 para produzir vasodilatação. Zingiber officinale (ZO) tem uma longa história de uso tradicional. Inclui numerosos componentes, como beta-caroteno, gingerdiol, gingerol, gingerdiona, ácido cafeico, capsaicina e curcumina. O levantamento da literatura confirmou que o gengibre possui múltiplas atividades biológicas, incluindo redução da pressão arterial, antioxidante, redução do colesterol, anti-inflamatória, antimicrobiana, anticancerígena, antiagregante plaquetária, hipoglicemiante, protetora cardiovascular, neuroprotetora, protetora respiratória, antidiabética, quimiopreventiva, antiobesidade, antiemética, antináusea. Os benefícios à saúde do gengibre são atribuídos principalmente à presença de compostos fenólicos como shogaol e gingeróis. Ojulari et al., (2014) concluíram que o uso de Zingiber officinale pode reduzir a PA. Talaei et al. mostraram que o uso diário de pó de gengibre por 56 dias pode reduzir a PAD e a PAS em pacientes com diabetes tipo 2. Alguns estudos provaram que o gengibre pode ser usado com medicamentos anti-hipertensivos para o tratamento da hipertensão, proporcionando um efeito adicional.
Tribulus terrestris (Família: Zygophyllaceae; Nome comum: Gokhru/Gokshura, Videira-puncture)
O arbusto anual, Tribulusterrestris tem sido usado como medicamento por muito tempo para tratar vários tipos de enfermidades. Diferentes partes do arbusto contêm uma variedade de constituintes químicos medicinalmente importantes, como saponinas flavonol, espirostanol e furostanol (tigogenina, neotigogenina, hecogenina, neohecogenina, gitogenina, neogitogenina, clorogenina, sarsasapogenina, ruscogenina e diosgenina), flavonoides, alcaloides e glicosídeos (quercetina 3‑O‑rutinosídeo, quercetina 3‑O‑glicosídeo e canferol 3‑O‑glicosídeo). Esses constituintes ativos demonstraram atividades imunomoduladora, afrodisíaca, antiurolítica, diurética, hipolipidêmica, antidiabética, hepatoprotetora, analgésica, de aumento da absorção, cardiotônica, anti-inflamatória, antibacteriana, antiespasmódica, anticancerígena, anticariogênica, larvicida e anti-helmíntica. De acordo com Chui et al. e Lu et al., a erva Tribulus terrestris é usada habitualmente para o tratamento de doença cardíaca coronária, arteriosclerose cerebral, infarto do miocárdio, trombose e hipertensão. Extratos aquosos e metanólicos de gokhru possuem um efeito anti-hipertensivo imperativo diretamente pela hiperpolarização da membrana e relaxamento do músculo liso arterial em ratos hipertensos impulsivos. Adaikan et al. relataram que os efeitos benéficos para o tratamento de diferentes enfermidades são atribuídos à sua capacidade de aumentar a liberação de óxido nítrico (NO) das terminações nervosas nitrérgicas e do endotélio. Além disso, Sharifi et al. recomendaram que o efeito anti-hipertensivo do gokhru pode estar associado à sua ação inibidora da enzima conversora de angiotensina (ECA).
Rauwolfia serpentina (Família: Apocynaceae/Dogbane; Nome comum: Pimenta do Diabo, Raiz de Cobra Indiana, Madeira Serpentina)
A Rauwolfia serpentina é usada principalmente para tratar hipertensão. Ela desacelera a atividade do sistema nervoso, o que resulta na diminuição da frequência cardíaca e dilatação dos vasos sanguíneos. A Rauwolfia contém alcaloides indólicos como principal fitoquímico, com outros incluindo ácidos graxos, álcoois, açúcares e glicosídeos, esteroides, fitoesteróis, flavonoides, oleorresinas e taninos. Os alcaloides indólicos estão presentes em todas as partes da planta, mas a principal fonte é a casca da raiz. Os diferentes derivados indólicos identificados são ajmalinina, ajmalidina, ajmalicina, ajmalina, coriantina, aricina, deserpidina, canescina, lankanescina, isoserina, isoajmalina, isoserpilina, rauhimbina, neoajmalina, raubasina, papaverina, raucafricina, reserpina, recanescina, reserpilina, rauwolfinina, rescinnamina, tebaína, serpentinina, reserpinina, serpentina, ioimbina, sarpagina e ioimbinina. De todos os derivados indólicos acima, a reserpina é o principal e possui atividade anti-hipertensiva, pois pode reduzir tanto a pressão arterial sistólica quanto a diastólica. A reserpina tem a capacidade de se ligar irreversivelmente ao VMAT2, resultando na depleção de aminas biogênicas, por exemplo, serotonina, noradrenalina e dopamina na ATV (área tegmental ventral), hipotálamo e núcleo accumbens. O mecanismo molecular mostra que a proteína VMAT2 se liga irreversivelmente às vesículas de armazenamento na célula e causa o 'vazamento' de seu conteúdo, por exemplo, monoaminas, para o citosol, que então é degradado pelas enzimas MAO-A. De acordo com esse mecanismo, a renovação das monoaminas é independente da idade.
Terminalia arjuna (Família: Combretaceae; Nome comum: Arjuna)
A Terminalia arjuna é um agente cardioprotetor eficaz (induz a proteína de choque térmico no miocárdio) usado por Maulik et al. por um longo tempo. Com base em experiências de séculos, a decocção da casca de arjuna é usada nas áreas subcontinentais indianas para o tratamento de insuficiência cardíaca congestiva, dislipidemia, dor anginosa e hipertensão. Os diferentes fitoconstituintes presentes são flavonoides, triterpenoides, β-sitosterol, glicosídeos, arjunetosídeos I–IV, arjunona, arjunina, arjunolona, saponinas, arjuneteína, proantocianidinas oligoméricas, leteilina, ácido elágico, fitoesteróis, ácido gálico, arjungenina, ácido arjúnico, taninos, ácido arjunólico e minerais.
Arjuna possui ação semelhante à prostaglandina E2 através de hipotensão e vasodilatação coronariana na isquemia miocárdica induzida por isoprenalina. O extrato da casca também pode diminuir o estresse oxidativo induzido por isoprenalina. A principal vantagem da Terminalia arjuna é melhorar a atividade do músculo cardíaco seguida pela melhora da função de bombeamento do coração. É relatado que o efeito inotrópico da Terminalia arjuna pode ser devido aos glicosídeos de saponina, enquanto o fortalecimento vascular e a ação antioxidante foram devidos aos OPCs e flavonoides. Os cardenolídeos aumentam a força de contração cardíaca por um aumento intracelular de sódio e cálcio. Também possui efeitos diurético leve, cardiotônico, anti-inflamatório, sequestrador de ROS, prostaglandina E2, antitrombótico, antiplaquetário, antiaterogênico e ação hipolipidêmica. Também é usado isoladamente e/ou com estatina para tratar doença arterial coronariana. Todas essas propriedades biológicas fazem da Terminalia arjuna uma planta medicinal única atualmente.
Conclusão
Atualmente, é muito importante buscar a maneira mais eficaz de tratar a hipertensão e as DCV, que são a principal causa de morte globalmente. A natureza, de fato, inspira ou produz todas as novas pequenas entidades químicas introduzidas como medicamento ao longo das décadas. Possivelmente, essa é a razão pela qual a maioria dos pacientes comumente recorre à fitoterapia em vez da alopatia para o tratamento de DCV. Nesta revisão, discutimos as diferentes plantas mais comumente usadas para o manejo e tratamento da hipertensão, com seus mecanismos de ação. As atividades farmacológicas das plantas naturais e seus isolados afetam a patogênese da hipertensão modulando vários parâmetros, como função endotelial, produção de ROS, sinalização pró-inflamatória, ativação plaquetária, abertura e fechamento de diferentes canais iônicos, inibição da ECA, expressão gênica etc. Certamente, os remédios fitoterápicos receberão mais atenção no futuro, pois possuem um amplo espectro de realizações, após os necessários estudos clínicos e experimentais. Também é aconselhável que os pacientes sejam devidamente educados em relação ao consumo de ervas usadas por muito tempo, por exemplo, cominho preto, coentro, alho, sálvia chinesa, gengibre e ginseng. Pois também existem medicamentos que podem aumentar a pressão arterial e ser prejudiciais aos pacientes.
Conformidade com os Padrões Éticos
Conflito de interesses
Os autores declaram não haver conflito de interesses.
Referências
G. Bodeker, C-K. Ong, C. Grundy, G. Burford, K. Shein, WHO Centre for Health Development (2005), https://www.who.int/iris/handle/10665/43108. Acessado em 4 jan 2020