# Unidade 3 - Disfuncoes Esteticas Faciais (Acne, Melasma) e Corporais (FEG/Celulite, Lipodistrofia, Estrias)

Modulo de Formacao Tecnica e Fundamentacao Cientifica - Acervo Integrativia.


Introducao Geral a Unidade

O estudo de Disfuncoes Esteticas Faciais (Acne, Melasma) e Corporais (FEG/Celulite, Lipodistrofia, Estrias) na disciplina de Biomedicina Estetica - Avaliacao Facial e Corporal estabelece as bases conceituais, metodologicas e praticas indispensaveis para a formacao e atuacao tecnica do profissional biomedico e de saude, integrando a fundamentacao cientifica aos protocolos laboratoriais, interpretacao analitica e conduta clinica integrada.


2 O interrogatório de pacientes é um método utilizado por enfermeiros desde a Grécia

clássica; tal prática já visava, naquela ocasião, aliviar o sofrimento das pessoas enfermas. Contudo, foi apenas no último século que esse interrogatório e o exame físico foram incorporados em clínicas médicas e estéticas com interesse diagnóstico. Sobre a avaliação de exame físico e anamnese, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Exame físico é composto por perimetria e palpação, e anamnese é composta por um questionário. b) ( ) Exame físico é composto por perimetria e registro fotográfico, e anamnese é composta por uma entrevista. c) ( ) Exame físico é feito somente por educadores físicos, na estética não há relevância.

DISFUNÇÕES ESTÉTICAS: EDEMA E FIBROEDEMA GELOIDE

TÓPICO 2 —

1 INTRODUÇÃO

2 EDEMA

Os tratamentos estéticos têm ganhado o mercado e uma grande importância nos tempos atuais, favorecendo a saúde dos clientes, e também fazendo com que os profissionais da estética avancem suas técnicas e tragam inovações para a área. Entretanto, é preciso aprofundar os estudos das patologias, para que se possa entendêlas, e assim prescrever o tratamento diferenciado para cada cliente. Para facilitar a absorção dos conteúdos abordados aqui nesta unidade, convido você a soltar a imaginação, colocando-se num campo de guerra, no qual o objetivo é, claro, destruir os inimigos, mas para isso é preciso, antes de mais nada, que você os conheça muito bem, a fim de combatê-los de forma eficaz e certeira. As disfunções estéticas dos clientes, suas causas e consequências figuram nesta unidade como os inimigos, descritos em detalhes nos próximos dois tópicos. Neste segundo tópico abordaremos as disfunções estéticas: edema e fibroedema geloide. Coelho (2004, p. 91) define edema: Como acúmulo de líquido no espaço intersticial. O edema ocorre devido a uma quebra dos mecanismos que controlam a distribuição do volume de líquido no espaço intersticial. Essa desregulação pode ser localizada e envolver apenas os fatores que influenciam o fluxo de fluido ao longo do leito capilar, ou, ainda, pode ser secundária a alterações dos mecanismos de controle do volume do compartimento extracelular e do líquido corporal total, o que, na maioria das vezes, ocasiona edema generalizado. Segundo Guyton e Hall (2006), a ocorrência do edema se dá principalmente no compartimento extracelular, mas também pode se atrelar ao compartimento intracelular.

2.1 EDEMA INTRACELULAR

Segundo Guyton e Hall (2011), três situações são especialmente propensas a causar o edema intracelular: hiponatremia, depressão dos sistemas metabólicos dos tecidos e até mesmo a falta de nutrição adequada dos tecidos. Por exemplo: quando reduzido o fluxo sanguíneo de um tecido, a distribuição de oxigênio e nutrientes também é reduzida. Guyton e Hall (2011, p. 43) ainda explicam que “caso o fluxo sanguíneo fique muito baixo para manter o metabolismo normal do tecido, as bombas iônicas da membrana celular têm suas atividades comprometidas”. Quando ocorre, os íons de sódio que normalmente vazam para o interior da célula não são bombeados a contento para o meio extracelular, e o excesso de íons de sódio no meio intracelular causa osmose para a célula. Muitas vezes, isso pode aumentar o volume intracelular de determinada área do tecido – até mesmo em toda a perna isquêmica, por exemplo, por duas ou três vezes o tamanho normal; e quando isso ocorre, é geralmente prelúdio da morte do tecido. Hiponatremia ocorre quando a concentração de sódio no plasma é reduzida por mais de alguns miliequivalentes abaixo do normal (GUYTON; HALL (2011, p. 301). IMPORTANTE

Para Guyton e Hall (2011), o edema intracelular também pode ser decorrente de um processo inflamatório nos tecidos. A inflamação geralmente aumenta a permeabilidade da membrana celular, permitindo assim que o sódio e outros íons se difundam para o interior da célula, com subsequente osmose para as células.

2.2 EDEMA EXTRACELULAR

3 CELULITE: FIBROEDEMA GELOIDE (FEG)

Rossi e Vergnanini (2000) relatam que na década de 1920 foi utilizado o termo “celulite” por Alquier e Paviot para se referirem a uma alteração estética na superfície cutânea. A partir disso foram utilizados outros termos, para adequar o nome conforme as características histológicas encontradas: fibroedema geloide, paniculopatia edemato fibroesclerose, paniculose, hidrolipodistrofia, lipoesclerose nodular. Contudo, o termo mais adequado tem se mostrado ser fibroedema geloide.

Já outros autores, como Agne e Bonelli (2010, p. 58-60), referem-se à celulite como “aspecto celulítico”, e explicam: “O aspecto celulítico contempla simultaneamente ou não, quatro disfunções estéticas parecidas com a celulite: fibrose (celulite), edema, gordura e flacidez.” O fibroedema geloide é uma afecção edematosa degenerativa esclerótica do tecido conjuntivo, não inflamatória, que afeta também o líquido intersticial, vasos sanguíneos menores, e seguida de uma polimerização da substância fundamental amorfa, que se infiltra nas tramas, produzindo fibrose (SORIANO et al., 2002; GUIRRO; GUIRRO, 2002). O fibroedema geloide gera dúvidas quanto à sua etiologia. Guirro e Guirro (2002) classificaram alguns fatores que desencadeiam o aparecimento dessa disfunção estética:

3.1 ETIOLOGIA

O fibroedema geloide é caracterizado por alterações de relevo da pele das áreas afetadas. As lesões são predominantemente deprimidas em relação ao relevo normal da pele, com aparência de “casca de laranja”. Várias etiologias têm sido propostas para essa condição, considerada como um distúrbio metabólico localizado no tecido subcutâneo, que provoca uma alteração na forma do corpo feminino, sendo considerada uma condição multifatorial (ROSSI; VERGNANINI, 2000; BOLOGNIA; JORIZZO; SHAEFFER, 2012.) Bonelli (2010 apud AGNE, 2013) relata que ao observar os termos técnicos que denotam a celulite como fibroedema geloide (FEG) ou paniculopatia edemato fibroesclerose (PEFE), nota-se que existe uma palavra em comum, FIBRO, que significa fibrose. Então, celulite se identifica com fibrose que consiste no grau três ou quatro. Logo, os graus um e dois, fase edematosa, não poderiam ser diagnosticados como celulite e sim como um lipoedema. FONTE: AGNE, J. E. Eletrotermoterapia: teoria e prática. Santa Maria: Palotti, 2013. NOTA

3.1.1 Fatores predisponentes:

• causas genéticas: a predisposição genética determina a quantidade, disposição e sensibilidade dos receptores para hormônios nos adipócitos; • idade; • sexo: em 95% atinge sexo feminino; • desequilíbrio hormonal: uso de anticoncepcional, puberdade e altas taxas de estrogênio agravam o aparecimento desta disfunção.

3.1.2 Fatores determinantes:

Você sabia que essa disfunção estética acontece geralmente na raça caucasiana, quase não ocorrendo nas raças negras e orientais? Você pode acessar o artigo Incidência de fibroedema geloide em mulheres caucasianas jovens, e obter mais conhecimento sobre o assunto. Acesse em: files.bvs.br/upload/S/1983-2451/2009/v34n2/a005.pdf. DICA • estresse, depressão e ansiedade; • fumo; • sedentarismo; • disfunções glandulares; • má alimentação.

3.1.3 Fatores condicionantes:

• aumento da pressão capilar; • disfunções linfáticas.

3.2 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

Quanto à localização: • Generalizada: rara, porém acomete mulheres com obesidade acentuada. • Localizada: frequente, acomete região glútea, coxas anterior e posterior, abdômen, braços. Guirro e Guirro (2002) classificam também conforme seus graus de acometimento: • 1º grau: considerado o estágio brando, é aquele percebido somente com palpação ou sob contração muscular voluntária. • 2º grau: estágio moderado, as depressões cutâneas já são visíveis nesse estágio, mesmo sem a compressão dos tecidos. Pode existir algum tipo de alteração na sensibilidade. • 3º grau: este estágio é considerado grave, pode haver dor, há presença de fibrose e flacidez e comprometimentos dos tecidos. “Aspecto casca de nozes”.

Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • O edema ocorre devido a uma quebra dos mecanismos que controlam a distribuição do volume de líquido no espaço intersticial. • A ocorrência do edema se dá principalmente no compartimento extracelular, mas também pode se atrelar ao compartimento intracelular. • Três situações são especialmente propensas a causar o edema intracelular: (1) hiponatremia, (2) depressão dos sistemas metabólicos dos tecidos, (3) falta de nutrição adequada dos tecidos. • Edema intracelular também pode ocorrer em decorrência de processo inflamatório nos tecidos. • Edema no líquido extracelular, como excesso de líquidos nos espaços extracelulares, que ocorrem geralmente por dois motivos: vazamento anormal de líquido plasmático para os espaços intersticiais através dos capilares, e falha do sistema linfático ao retornar • Na década de 1920 foi utilizado o termo “celulite” por Alquier e Paviot para referir uma alteração estética na superfície cutânea. • O aspecto celulítico contempla, simultaneamente ou não, quatro disfunções estéticas parecidas com a celulite: (1) fibrose (celulite) (2) edema (3) gordura (4) flacidez. • O fibroedema geloide é caracterizado por alterações de relevo da pele das áreas afetadas, as lesões são predominantemente deprimidas em relação ao relevo normal da pele, com aparência de “casca de laranja”. • Fibroedema geloide generalizado: raro, porém acomete mulheres com obesidade acentuada. • Fibroedema geloide localizado: frequente, acomete região glútea, coxas anterior e posterior, abdômen e braços. • Pode ser classificada também como compacta, flácida, mista e edematosa. RESUMO DO TÓPICO 2

1 Segundo Meneses et al. (2009, s.p.),

O fibroedema geloide, popularmente conhecido como celulite, é caracterizado pela presença de depressões na pele, o famoso aspecto “casca de laranja”. FEG é uma infiltração edematosa do tecido conjuntivo subcutâneo, não inflamatória, seguida de polimerização da substância fundamental que, infiltrando-se nas tramas, produz uma reação fibrótica consecutiva. Sobre o FEG, analise as sentenças: I- Suas causas podem ser: alterações hormonais, hereditariedade, idade, sexo, etnia, biotipo corporal, sedentarismo, entre outros. II- O FEG é classificado em Grau I ou brando, Grau II ou moderado, Grau III ou grave. III- No Grau III não há o aparecimento do aspecto de “casca de laranja” na pele, visível pelo teste do pinçamento ou devido à contração muscular. IV- O que ocasiona o FEG é o estrogênio (hormônio feminino) alterado, e para tratar o FEG deve-se encaminhar o cliente ao endocrinologista. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) I e III. b) ( ) I e II. c) ( ) I, II e IV. d) ( ) II, III e IV.

TÓPICO 3 —

DISFUNÇÕES ESTÉTICAS: LIPODISTROFIA, ESTRIAS E FLACIDEZ

1 INTRODUÇÃO

Neste terceiro tópico continuamos abordando as desordens estéticas, aqui você aprenderá sobre a lipodistrofia (gordura localizada), estrias e flacidez.

2 LIPODISTROFIA

A exigência de uma silhueta fina e dentro dos padrões da moda vem aumentando e deixou de ser uma exigência somente das mulheres, os homens também vêm procurando deixar seus corpos livres das imperfeições estéticas. A lipodistrofia (gordura localizada) vem sendo uma das maiores queixas nos centros de estética, sendo o seu tratamento muito procurado.

2.1 TECIDO ADIPOSO: MORFOLOGIA E FUNÇÃO

2.2 CLASSIFICAÇÃO

Para Brownell (1994), a distribuição do tecido adiposo é dividida em duas classificações: a gordura localizada no abdômen (gordura do corpo superior), ocorrendo com mais frequência em pessoas do sexo masculino, é a gordura denominada como androide. Esse tipo de gordura está associado com maior índice de morbidade e mortalidade do que a gordura distribuída abaixo da cintura. Já a gordura abaixo da cintura é denominada de genoide, e ocorre com mais frequência em mulheres.

2.3 TIPOS DE GORDURA

3 ESTRIAS

• 3º Tipo - Gordura Visceral: dentre todas as gorduras, a visceral é a que afeta negativamente a saúde, a gordura visceral localiza-se por trás da parede abdominal e os órgãos que rodeia, no interior da cavidade peritoneal. Esse tipo de gordura aumenta a inflamação no corpo e diminui a produção de adiponectina, hormônio essencial para a queima de gordura, e auxilia no aumento do metabolismo. • 4º Tipo - Gordura Subcutânea: é a gordura encontrada abaixo da pele; se a pessoa tiver muito, é o que deixa o abdômen protruso. Refere-se de 40% a 60% de toda sua gordura corporal. Segundo Bolognia et al. (2012), as estrias foram primeiramente descritas por Roederer em 1773, e as primeiras descrições histológicas, feitas por Troisier e Menetrier em 1889. O autor ainda define as estrias como depressões atróficas lineares na pele, que se formam em áreas de dano dérmico produzindo o estiramento da pele. As estrias estão associadas a diversos estados fisiológicos, como a puberdade, gravidez, crescimento rápido, ganho ou perda de peso rápidos, obesidade e outras patologias que levam a um hipercortisolismo. As estrias não escolhem etnia, idade, classe social, muito menos quando vão surgir. Por esse motivo, incomodam o convívio social, principalmente adolescentes, pois podem aparecer em qualquer parte do corpo (BORGES, 2010).

3.1 ESTRUTURA DA PELE

3.2 HISTOLOGIA

3.3 REPARO DOS TECIDOS

Para Kitchen (2003), a reparação dos tecidos é um processo complexo, entretanto essencial, sem o qual o corpo humano não teria capacidade de sobreviver. Visa reparar a integridade dos tecidos o mais rapidamente possível, envolvendo ações integradas das células, matrizes e mensageiros químicos. A reparação tecidual é um mecanismo homeostático para restabelecer o equilíbrio fisiológico e é iniciada como resultante da perda de comunicação entre células adjacentes, entre células e seu suporte, ou por morte celular. Kitchen (2003) descreve a reparação tecidual em termos de quimiocinesia, multiplicação e diferenciação celular, ocorrendo uma série de eventos, interagindo a migração das células originárias do tecido vascular e conjuntivo para a localidade da lesão. Essa ação é dirigida por substâncias quimiotáticas liberadas no local. Machado (2003) indica que o processo de reparação é comum a todos os tecidos e dividido em três fases: • Fase inflamatória: acontece imediatamente quando ocorrida a lesão, tem duração de 24 a 48h. Caracterizada por rubor, edema e dores. Muitas vezes pode ocorrer perda de função. É nessa fase que ocorrerá a defesa da área lesionada. • Fase proliferativa: essa fase tem duração de três dias a três semanas, caracteriza-se por iniciar o preenchimento da área lesionada pelos macrófagos e fibroblastos, ocorre também a angiogênese. Nessa fase ocorre a contração centrípeta da área lesionada, isto é, a área lesionada tem seu tamanho diminuído e sua cicatrização será facilitada.

• Fase de remodelamento/maturação: Essa fase é um processo a longo prazo, caracterizada por um remodelamento das fibras colágenas que constituem o tecido cicatricial. O tecido assume gradativamente sua aparência e função normais. Geralmente, ao final de aproximadamente 21 dias aparece uma cicatriz firme, resistente e não vascularizada.

3.4 ETIOLOGIA

A etiologia da estria é bastante controversa. Para Guirro e Guirro (2004), existem três teorias que tentam justificá-la: • Teoria mecânica: acredita-se que a demasiada deposição de gordura no tecido adiposo, com subsequentes danos das fibras elásticas e colágenas da derme, seja o principal mecanismo do aparecimento das estrias. Consideradas como sequelas de períodos de rápido crescimento, onde ocorre a ruptura e/ou perda das fibras elásticas dérmicas, como, por exemplo na gestante, no estirão do crescimento e em obesos. • Teoria endócrina: relaciona o aparecimento das estrias com as alterações hormonais, especificamente com os hormônios corticoides, utilizados em alguns tratamentos de doenças. • Teoria infecciosa: Guirro e Guirro (2004) relatam que esta teoria não possui muitos adeptos, já que muitos autores se referem e explicam o aparecimento de estrias como fator endocrinológico. Contudo, relatam que processos infecciosos provocam danos às fibras elásticas, provocando estrias. Os autores observaram em adolescentes a presença de estrias púrpuras após febre tifoide, tifo, febre reumática, hanseníase e outras infecções.

3.5 CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS

4 FLACIDEZ

e elastina. Essa diminuição dos elementos do tecido conjuntivo faz com que a rede se torne menos densa, tirando a firmeza entre as células. O problema da flacidez muscular e dos tecidos é que gera pontos antissimétricos, os tecidos se afrouxam, caem e sofrem envelhecimento precoce (GUIRRO; GUIRRO, 2004; WEINEKE, 2000). FIGURA 24 – FLACIDEZ CORPORAL FONTE: https://bit.ly/3uhnMLN. Acesso em: 16 set. 2021. De acordo com os autores Guirro e Guirro (2004, p. 338): “A definição da flacidez estética é tema de discussão, uma vez que a flacidez da pele e a hipotonia muscular são considerados por alguns como uma entidade única, ao passo que para outros são independentes.” Guirro e Guirro (2004) ainda relatam que flacidez não pode ser considerada uma patologia comum, ela é uma “sequela” causada por vários episódios ocorridos ao longo dos anos, como sedentarismo, o emagrecimento demasiado, o envelhecimento, entre outros.

4.1 ETIOLOGIA DA FLACIDEZ

Para Neves [201-?], o corpo humano passa por modificações à medida que envelhece, com o passar dos anos ocorre uma perda de massa magra e um aumento de gordura corporal. Simultaneamente, as fibras colágenas e de elastina diminuem. Essas modificações fazem com que o corpo se torne mais flácido à medida que os anos passam. A velocidade desse processo depende de uma série de fatores e características do próprio indivíduo”. Ainda na adolescência, alguns fatores contribuem para que ocorra a flacidez, o que evidencia que o problema não é relacionado apenas à idade, ou seja, algumas situações podem contribuir para que o corpo fique ainda mais flácido, como exemplos: genética, excesso de peso, sedentarismo, alimentação inadequada, emagrecimento acelerado (NEVES [201-?] ). A quantidade de massa muscular perdida com o envelhecimento é dependente da atividade física, sendo menor naquelas pessoas que mantêm uma atividade regular de condicionamento físico.

4.2 FLACIDEZ MUSCULAR

“Individualmente, os músculos esqueléticos são órgãos do sistema muscular. Os músculos não só produzem movimentos e mantêm a postura, como também geram calor necessário para manter a temperatura corporal central constante” (THIBODEAU; PATTON, 2002, p. 61).

4.3 FLACIDEZ TISSULAR

A pele é o sinalizador real da idade cronológica e é de extrema importância na psicologia e autoestima do indivíduo. Com o envelhecimento, a pele é a primeira a ser desfavorecida, sofrendo alterações ocasionadas pelo tempo, abrangendo coloração, textura e elasticidade. A flacidez tissular está diretamente relacionada à atividade do tecido conjuntivo de sustentação. O tecido conjuntivo é formado por diversos tipos de células e, dentre elas, os fibroblastos, células responsáveis pela formação de fibras e do material intercelular amorfo, ou seja, que sintetizam colágeno, mucopolissacarídeos e também fibras elásticas (GUIRRO; GUIRRO, 2004, p. 89). IMPORTANTE A principal alteração, já citada, é a diminuição da produção de colágeno e elastina, o que faz a pele ter menos tonicidade. Guirro e Guirro (2004) dividem a flacidez tissular em fases:

1 As estrias são cicatrizes que se formam quando há um estiramento da pele, causando

a destruição de fibras elásticas e colágenas. Sobre as estrias, analise as sentenças: I- Existem dois tipos de estrias, as novas: geralmente de cor rosácea púrpura, e as antigas: geralmente esbranquiçadas. II- As estrias ocorrem pelo estiramento da pele, como na gravidez, ou aumento rápido de peso. III- As estrias acometem somente mulheres, nas regiões de glúteos, flancos e abdômen. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) II e III. b) ( ) I e II. c) ( ) I e III.

2 Estrias são resultantes de um estiramento da pele, onde ocorre o rompimento de

elastina e colágeno, esse estiramento da pele ocorre devido à gravidez, efeito sanfona (emagrecer ou engordar muito rápido), hormônios desregulados, entre outros. Sabendo disso, disserte sobre a regeneração da pele.

3 A lipodistrofia localizada é o acúmulo de gordura em determinadas regiões do corpo.

Existe uma distinção entre o acúmulo de gordura nos homens e nas mulheres, e é determinada por fatores genéticos, ambientais e até mesmo sexuais, devido à ação dos hormônios. Dessa forma,  podemos dizer que a distribuição e a concentração do excesso de gordura determinam as características da composição física entre os diferentes sexos. Sabendo disso, analise as sentenças: I- Genoide caracterizado pelo formato pera. II- Genoide é comum entre as mulheres. III- Androide caracterizado pelo formato semelhante a uma maçã. IV- Androide é o formato que acomete 95% das pessoas. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) São corretas I, II e III. b) ( ) São corretas II, III e IV. c) ( ) São corretas I, III e IV. d) ( ) Todas as alternativas estão corretas.

TÓPICO 4 —

COSMETOLOGIA APLICADA ÀS DISFUNÇÕES ESTÉTICAS

1 INTRODUÇÃO

A palavra cosméticos vem do grego Kosméticos, relativo a adorno, prática ou habilidade em adornar (RIBEIRO, 2010). Conforme a ANVISA (2005), foi estabelecido na resolução RDC nº 211, de 14 de julho de 2005, que: Cosméticos são preparações constituídas por substâncias naturais ou sintéticas, de uso externo nas diversas partes do corpo humano, pele, sistema capilar, unhas, lábios, órgãos genitais externos, dentes e membranas mucosas da cavidade oral, com o objetivo exclusivo ou principal de limpá-los, perfumá-los, alterar sua aparência e/ou corrigir odores corporais e/ou protegê-los ou mantê-los em bom estado”. Com o objetivo de facilitar a leitura deste guia, a expressão “Produtos Cosméticos, de Higiene e Perfumes” será substituída pela expressão “produtos cosméticos”. “A cosmetologia pode ser definida como sendo uma ciência que estuda cosméticos, desde a concepção de conceitos até a aplicação dos produtos elaborados” (RIBEIRO, 2010, p. 2). No contexto cosmético, usa-se a cosmetologia. Desde os tempos remotos já foi utilizada a cosmetologia nos antigos egípcios, quando se utilizavam argilas, mel e outras substâncias com ação específica, os chamados princípios ativos. A ação específica desses componentes sobre a pele pode ser de várias formas, por exemplo, hidratação, nutrição, cicatrização, revitalização, entre outros, determinando a eficácia do produto final (GUIRRO, 2004; BORGES, 2006; RIBEIRO, 2010). O uso da cosmetologia é tão antigo quanto a própria civilização. Desde os tempos remotos, o homem se preocupou com o tratamento de seu corpo. O uso de bálsamos, óleos, fragrâncias, sabões, e até mesmo pinturas de rosto e corpo, por meio de substâncias minerais ou vegetais, faziam parte dos hábitos dos povos mais antigos (BERTOLINI, 2009, p. 29). O uso dos cosméticos com fins determinados para cada disfunção estética amplifica os resultados que obtemos via tratamentos estéticos, auxiliando na redução das disfunções.

2 PERMEAÇÃO, PENETRAÇÃO E ABSORÇÃO CUTÂNEA

3 CUIDADOS NA APLICAÇÃO DOS COSMÉTICOS

4 COSMETOLOGIA APLICADA A EDEMA E FIBROEDEMA

GELOIDE E LIPODISTROFIA

FONTE: Adaptada de https://bit.ly/3i9KDEb. Acesso em: 22 fev.2016. O processo de lipólise pode ser descrito como um processo mais simples, dependendo da ativação do hormônio lipase sensível, conforme a imagem anterior. Refere-se à sigla HSL, que faz com que o ácido graxo livre se ligue em FABP, e sejam levados à membrana celular onde serão liberados. Esse processo ocorre principalmente em jejum, em altas demandas energéticas, como o caso do exercício físico, ou quando utilizamos os recursos terapêuticos na prática clínica estética. FIGURA 28 – PROCESSO DE LIPÓLISE Os cosméticos anticelulíticos possuem substâncias vasoprotetoras, com ações vasodilatadoras, que ajudam na eliminação dos exsudatos celulares e reabsorção de edemas; são exemplos as saponinas (escina, hederacoside, alfahederina, neuruscogenina e ruscogenina) e os bioflavonoides (quercetina, esculina e rutina), esses ativos são presentes em vegetais como a castanha-da-índia (Aesculus hipocastanum), era (Hedera helix) e ruscus (Ruscus aculeatus) (KRUPEK, 2012 apud RIBEIRO, 2010, p. 563). DICA

QUADRO 1 – PRINCÍPIO ATIVO PARA TRATAMENTO DAS DISFUNÇÕES ESTÉTICAS FONTE: A autora Centella Asiática Possui atividade de antifragilidade capilar, é depurativa, lipolítica, cicatrizante e estimulante do sistema linfático. Metilxantina Temos como metilxantina: Cafeína Teofilina Amoniofilina Teobromina Atuam causando a lipólise dos adipócitos, através da inibição da fosfodiesterase e aumento de adenosina monofosfato cíclica - AMPc. A cafeína nanosferizada, por exemplo, através do seu sistema de liberação no sítio-alvo, tem sua ação otimizada com aumento de sua eficácia e incremento da lipólise. Nicotinato de Metila Methyl Nicotinate Vasodilatador, tem ação anti-inflamatória, hiperemiante, ideal para formulações antilipêmicas, descongestionantes, adelgaçantes. Segundo o Parecer Técnico nº 5, de 23 de agosto de 2005 da ANVISA, sua concentração máxima permitida em cosméticos é de 00,20%. Castanha-da-índia Antiedematosa, adstringente, ativadora da microcirculação, vasoprotetora, venotônica e antiinflamatória. Cavalinha – Equisetum giganteum L. Adstringente, anti-inflamatório, drenante, venotônico, cicatrizante, remineralizante e antisseborreico. L-carnitina É um coadjuvante da lipólise. Permite o transporte dos ácidos graxos do citoplasma para a mitocôndria, para que haja produção de ATP. Ginkgo biloba Ativa metabolismo celular e inibe fosfodiesterase. Mentol Aumenta a resistência dos capilares, diminui a permeabilidade vascular, aumenta a tonicidade dos vasos e diminui a agregação plaquetária, e também tem ação antirradical livre, ativa o metabolismo celular e inibe a fosfodiesterase (KRUPEK, 2012 apud KEDE; SABATOVICH, 2009). Cânfora Vasodilatador.

5 COSMETOLOGIA APLICADA A ESTRIAS

QUADRO 2 – PRINCÍPIO ATIVO PARA PREVENIR/TRATAR ESTRIAS FONTE: A autora Tretinoina tópica Atua sobre receptores nucleares nas células-alvo, estimulando assim a mitose e a renovação das células da epiderme. Essa ação propiciaria a formação de uma camada córnea menos aderente. Óleo de semente de uva Rico em ácido linoleico, possui alto poder antioxidante. Óleo de rosa mosqueta Ação anti-inflamatória e antioxidante. Isso se deve aos ácidos graxos presentes em sua composição, os quais conferem sua capacidade de atuar na membrana celular, promovendo maior proliferação, migração celular e neoangiogênese, atuando diretamente na fase proliferativa da cicatrização (JULIÃO; RABITO, 2011). Ácido Retinóico Reparador da derme. Ele restaura o colágeno inibindo a expressão da enzima colagenase que destrói as fibras colágenas e ativando inibidores dessa enzima no próprio tecido. Entretanto, esse é um método bastante eficaz para estrias iniciais, sem comprovação em estrias albas. Reações adversas, como prurido e irritação, podem ser observadas com o uso desse ácido (BITENCOURT, 2007). Peeling químico Consiste na aplicação de um ou mais agentes cáusticos na pele. Alfa-hidroxiácidos e beta-hidroxiácidos São umectantes, esfoliantes, que têm ação que resulta em uma inflamação no tecido, substituindo células envelhecidas ou mortas por células novas. A teofilina é uma metilxantina, que tem taxa de permeação cutânea inferior à cafeína, baixa solubilidade em água e efeitos secundários marcantes, mas o ácido teofilino acético, um derivado da teofilina, é hidrossolúvel e seguro para uso tópico (KRUPEK, 2012 apud RIBEIRO, 2010). DICA As formulações cosméticas para estrias devem conter substâncias emolientes, hidratantes, estimulantes da circulação local e da regeneração dérmica. Esses produtos devem ser usados diariamente e em quantidades generosas na pele. Os produtos tópicos não têm a pretensão de impedir a formação de estrias, mas sim de reduzir a quantidade de estrias já formadas e, ao mesmo tempo, diminuir sua extensão e profundidade (BIGHETTI, 2013, s.p.).

6 COSMETOLOGIA APLICADA À FLACIDEZ

1 Existem atualmente no mercado diversos tratamentos que visam combater a

lipodistrofia localizada, tais como o uso de ultrassom, massagens vigorosas, endermoterapia, lipocavitação, além de cosméticos específicos. Sobre os cosméticos específicos para combater a lipodistrofia localizada (gordura localizada), faça uma breve pesquisa de diferentes princípios ativos com essa função.

RECURSOS MANUAIS PARA TRATAMENTOS DAS DISFUNÇÕES ESTÉTICAS

TÓPICO 5 —

1 INTRODUÇÃO

Na antiguidade, os médicos já possuíam noções básicas sobre a linfa e os vasos linfáticos. Hipócrates (450 a.C.), desde as primeiras dissecações, fez observações, e subsequentemente, Vesalius no século XVI. Pecquet, em 1651, observou o ducto linfático onde descreveu a ‘‘Cisterna Chyli’’, assim comprovou-se que o quilo não é drenado para o fígado e sim para um local determinado, que mais tarde receberá o nome de ‘‘Cisterma de Pecquet’’ (FERNANDES, 2005). O autor Fernandez ainda relata que, em 1892, Winiwater deu maior importância à drenagem linfática, e a descreveu tomando como base o conhecimento da sua época.

Na primeira unidade do nosso caderno de estudos abordamos as disfunções estéticas, agora chegou a hora de sabermos como preveni-las e tratá-las. Inicialmente vamos abordar a drenagem linfática manual, técnica que estimula o fluxo da linfa nos vasos linfáticos e promove a desintoxicação corporal (GERSON, 2011). A drenagem linfática também previne o edema, que, como já vimos, refere-se ao acúmulo de quantidades anormais de líquido nos espaços intercelulares ou nas cavidades do organismo. Existem dois extremos de edema: um ligado ao excesso de aporte líquido e outro causado por insuficiência da rede de evacuação. Linfedema: também conhecida como elefantíase, desenvolve-se a partir de um desequilíbrio entre a demanda linfática e a capacidade do sistema em drenar a linfa. Estudos indicam que o linfedema é o resultado de uma combinação de fatores, e não uma única causa. DICA Neste mesmo tópico seguimos nossos estudos com as massagens corporais, um dos métodos terapêuticos mais antigos, que data de milhares de anos (GERSON, 2011). Abordaremos também as teorias e técnicas das massagens utilizadas nos tratamentos das disfunções estéticas. Seguimos nossos estudos, vamos lá?

2 DRENAGEM LINFÁTICA MANUAL

2.1 CONCEITOS GERAIS: DRENAGEM LINFÁTICA

MANUAL (DLM) A drenagem linfática manual é uma técnica de massagem suave e lenta, que atua basicamente sobre o sistema linfático superficial, e integra as técnicas utilizadas para favorecer a circulação dita "de retorno", visando drenar o excesso de líquido acumulado no interstício (pequeno intervalo, espaço ou fenda em tecido, estruturas ou entre as células), nos tecidos e dentro dos vasos, através das anastomoses, rede de canais que se bifurcam e recombinam em vários pontos superficiais. Se observarmos, dados laboratoriais e resultados clínicos que mostram a legitimidade das técnicas, é lógico acreditar que a drenagem linfática manual poderá encontrar um campo de aplicação nas muitas áreas onde a circulação "de retorno" encontra-se impedida ou alentecida (GUIRRO; GUIRRO, 2004; LEDUC; LEDUC, 2007). Quando realiza-se a DLM é necessário observar aspectos como o ritmo, a característica e a pressão das manobras, que devem ser lentas e suaves, observa-se também a harmonia dos movimentos e o sentido orgânico do fluxo linfático. Se corretamente realizada, a DLM estimula a abertura dos linfáticos iniciais e aumenta o volume do fluxo da linfa em até 20 vezes. IMPORTANTE

2.2 EFEITOS DA DLM

Podendo ser aplicada nos métodos Godoy, Voder ou Leduc, a técnica auxilia o sistema linfático no processo de drenagem, retirando o excesso de líquido intersticial, removendo as proteínas e resíduos metabólicos, além de favorecer a troca de oxigênio e nutrientes. Pode ser aplicada no corpo e no rosto e seus efeitos são estimulação da cicatrização, estimulação e reeducação da microcirculação, redução de edemas e dos perímetros corporais, aumento da motricidade intestinal, aumento da velocidade de filtração da linfa e de sua quantidade processada nos gânglios, efeitos tônicos na musculatura lisa das veias, relaxamento e sensação de bem-estar. Indicações: obesidades, mastodínia (dor nevrálgica da mama), circulação sanguínea e retorno comprometida, musculatura tensa, estresse emocional e físico, celulite e tratamentos pré e pósoperatórios. FONTE: TONI, P. Mãos à Obra. Revista Negócio Estética, [s.l.], n. 14, p. 16, fev./mar 2016. A DLM é indicada principalmente para edema e linfedema, os efeitos que a DLM exerce sobre o organismo são amplos e variados: • Efeito drenante: na DLM, realiza-se a drenagem da linfa, que está dentro do sistema linfático; assim, favorece a entrada do fluido intersticial por meio do desenvolvimento de diferentes pressões (GODOY; GODOY, 2004). • Efeito neural: um grupo de pacientes submetidos a DLM obteve maior satisfação promovida principalmente pelo toque, que trouxe melhoras do aspecto clínico, como contenção do edema, redução da dor, fibrose, e para realçar o relaxamento, e os sentimentos de bem-estar, diminuindo a ansiedade, melhora do sono; tudo isso devido ao toque proporcionado pela DLM (SOARES, 2005). • Efeito muscular: as manobras de DLM não visam especificamente a musculatura esquelética, mas, a exemplo de outros tipos de massagem, têm influência sobre a capacidade funcional do músculo (RIBEIRO, 2004).

2.3 ANATOMOFISIOLOGIA E FISIOPATOLOGIA DO SISTEMA

LINFÁTICO APLICADO FIGURA 29 – SISTEMA LINFÁTICO FONTE: http://www.sobiologia.com.br/figuras/Corpo/linfatico.gif. Acesso em: 5 fev. 2016. O sistema linfático é constituído pelos vasos linfáticos e órgãos linfoides, sendo esses os linfonodos, o timo, o baço e as tonsilas (GERSON, 2011). É um sistema fechado, intimamente relacionado ao sistema circulatório e importante na manutenção da homeostase corporal. Ambos transportam líquidos, como se fossem rios passando pelo corpo, a diferença é que o sistema linfático transporta linfa, que acaba voltando para o sangue. Tem sua origem embrionária no mesoderma, desenvolvendo-se junto aos vasos sanguíneos (GUYTON, 2002; GERSON, 2011). Os vasos linfáticos começam como tubos fechados e em uma das extremidades. Eles podem ocorrer individualmente ou em grupos, que são chamados de vasos capilares linfáticos.

Esses capilares são distribuídos na maior parte do corpo (exceto no tecido nervoso). Os vasos linfáticos possuem linfonodos, que são órgãos semelhantes às glândulas (GERSON, 2011). As principais funções do sistema linfático estão descritas no quadro a seguir: QUADRO 1 – PRINCIPAIS FUNÇÕES DO SISTEMA LINFÁTICO FONTE: Adaptado de Gerson (2011); Guyton (2002); Leduc (2000). Promover o retorno de líquido dos tecidos para a circulação: Cerca de 10% do líquido que extravasa dos capilares para o tecido retorna para a circulação através dos capilares linfáticos. A linfa da parte inferior do corpo flui pelo canal torácico e retorna à circulação nas grandes veias do pescoço (jugular interna esquerda e subclávia). A linfa do lado esquerdo do corpo também entra no canal torácico. A linfa do lado direito flui pelo canal linfático direito e retorna à circulação na junção da veia subclávia direita e da veia jugular interna direita. Promover a remoção de proteínas e outras substâncias de alto peso molecular do líquido extracelular (LEC): Os vasos linfáticos têm paredes finas e com extremidades fechadas (em dedo de luva). A borda de uma célula endotelial sobrepõe-se à borda da célula adjacente, formando uma válvula que se abre para o interior do capilar. As substâncias de alto peso molecular penetram nos linfáticos por estas aberturas. Transportar lipídios do intestino para a circulação sanguínea: Os lipídios absorvidos na forma de quilomicrons são lançados diretamente na circulação linfática, ao contrário dos outros nutrientes, que caem direto na circulação sanguínea; transportar os nutrientes do sangue para as células do corpo. Destruir bactérias e remover outras partículas por filtração nos linfonodos, além de participar de reações imunológicas de defesa. Agir como defesa contra as bactérias invasoras e toxinas. Remover o material residual das células do corpo para o sangue. Fornecer um ambiente líquido adequado para as células. 2.3.1 Órgãos linfoides Os órgãos linfoides são o baço, timo e tonsilas (amígdalas). Esses órgãos não fazem parte diretamente do sistema linfático, porém têm associação direta com os vasos linfáticos ou com a linfa, e fazem parte do sistema imune do organismo. O baço é um órgão linfoide situado no lado esquerdo da cavidade abdominal, junto ao diafragma.

O timo aumenta de tamanho durante a infância, quando então começa a atrofiar-se lentamente, diminuindo após a puberdade. No adulto ele pode ser inteiramente substituído por tecido adiposo. Este órgão confere a determinados linfócitos a capacidade de se diferenciar e maturar em células que podem efetuar o processo de imunidade mediada por células. Há certas evidências de que o timo também produz um hormônio que pode continuar a influenciar os linfócitos após eles terem deixado a glândula (YAMATTO, 2007, p. 14). Tonsilas (amígdalas) são massas pequenas de tecido linfoide incluídas da mucosa de revestimento das cavidades bucal e faríngea. FIGURA 32 – TONSILAS/AMÍGDALAS FONTE: http://www.auladeanatomia.com/linfatico/l6.jpg. Acesso em: 5 fev. 2016. As tonsilas palatinas estão localizadas na parede póstero-lateral da garganta, uma em cada lado. As tonsilas faríngeas se localizam na parte nasal da faringe. As tonsilas linguais estão localizadas na face dorsal da língua, próximo à sua base. Compostas por tecido linfoide e circundando a união das vias bucal e nasal, as tonsilas desempenham papel adicional contra invasão bacteriana (YAMATTO, [19--] apud SPENCE, 1991).

3 APLICAÇÃO DA DRENAGEM LINFÁTICA:

MÉTODO VODDER Esse método utiliza poucos tipos de manobras e deve ser realizado no sentido do fluxo da linfa, ao longo do seu trajeto. As manobras mais utilizadas são: (1) Bombeamento; (2) Captação; (3) Evacuação (WITTINGER, 2013, p. 25). “O bombeamento constitui-se de uma manobra específica de drenagem. Sua excelente mobilidade lhe permite adaptar-se aos relevos para, em seguida, deprimi-los. As pressões crescentes e decrescentes são orientadas no sentido da drenagem local” (PORTAL EDUCAÇÃO, 2013).

A captação é a consequência do aumento da pressão tissular. Quanto mais a pressão aumenta, maior é a recaptação pelos capilares linfáticos. A captação é realizada no mesmo nível da infiltração. A evacuação é a transferência dos líquidos captados longe da zona de captação. A pressão manual durante as manobras de drenagem linfática deve, portanto, ser orientada no sentido da drenagem fisiológica. (PORTAL EDUCAÇÃO, 2013). Manobras de evacuação: Drenagem linfática As manobras de evacuação têm por objetivo aumentar o fluxo linfático na região proximal, deixando-a descongestionada e preparada para receber a linfa de regiões mais distantes (distais). Ao esvaziarmos estas vias, não haverá sobrecarga maior nestes vasos quando realizarmos as outras manobras. Nessa etapa, as manobras de drenagem linfática devem ser realizadas da região proximal para distal, ou seja, do início do membro para o final do membro. A região proximal corresponde à raiz do membro e a região distal corresponde à sua extremidade. Por exemplo, a região proximal do membro inferior é a virilha e a região distal é o pé. A drenagem do membro inferior inicia com o descongestionamento dos linfonodos inguinais. Descongestionar é realizar manobras estacionárias de bombeamento em cima da região dos linfonodos. Assim, eles serão estimulados e impulsionarão a linfa de uma maneira mais eficiente. Segue-se da região proximal da coxa até os linfonodos inguinais, sendo que cada manobra na coxa reinicia um pouco mais abaixo até os linfonodos inguinais, sendo a última manobra na coxa, da região um pouco acima do joelho até os linfonodos inguinais. Segue-se para o joelho, partindo da mais proximal da perna até os linfonodos do joelho, para enfim vir da extremidade da perna (um pouco acima do tornozelo) até os linfonodos do joelho. Após este processo, passe para a parte mais proximal do pé até o tornozelo, para enfim chegar à sua região mais distal até o tornozelo. Segue-se para os dedos do pé, sempre iniciando do tornozelo, para enfim chegar à região mais distal do pé. Nesse ponto, termina a evacuação e começa a captação. FONTE: https://bit.ly/39drIDx. Acesso em: 16 set. 2021.

4 TEORIAS E TÉCNICAS DE MASSAGEM

O termo massagem é derivado de diversas raízes de diferentes línguas. Massein vem do grego e significa amassar, já os termos masseh (hebraico) e mass (árabe) significam palpar (GERSON, 2011). Dessa forma, a massagem é definida como a manipulação manual ou mecânica. Existem diversos tipos de massagem que se originam de diversas técnicas e propostas por diversos autores, porém todos são derivados de movimentos primários que fazem parte da técnica denominada de massagem clássica, realizada com manobras de fricção, amassamento, deslizamento superficial e profundo, percussão e outros métodos para estimular o metabolismo e a circulação (GUIRRO; GUIRRO, 2004; GERSON, 2011). A massagem, em estética, tem por objetivo a melhora da autoestima da mulher, visto que melhora a aparência corporal (SILVA et al., 2010).

4.1 EFEITOS DA MASSAGEM

Os efeitos terapêuticos da massagem podem ser definidos como sendo mecânicos, fisiológicos e psicológicos, ou seja, os efeitos mecânicos são causados pela movimentação física dos tecidos por compressão, tensão, curvatura ou torção; efeitos fisiológicos envolvem uma alteração nos processos bioquímicos corporais, por exemplo, a melhora do tecido conjuntivo, espasmo muscular; e, por último, têm-se os efeitos psicológicos, estes ocorrem na mente, são emoções ou comportamentos, como exemplo cita-se a melhora da interação social (SILVA et al., 2010). Para Souza e Silva (2012, s.p.), A massagem ocasiona um aumento na circulação sanguínea, hiperemia cutânea e elevação da temperatura da pele. Microscopicamente há um enchimento de número de capilares da pele em atividade, esses efeitos são parcialmente reflexos e devido à liberação de histamina e acetilcolina nos tecidos.

4.2 INDICAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES DA MASSAGEM

4.3 HABILIDADES TÉCNICAS

Os métodos utilizados hoje em dia, em geral, descendem diretamente dos sistemas suecos, alemães, franceses, ingleses, chineses e japoneses. (1) O sistema sueco baseia-se nos conceitos ocidentais de anatomia e fisiologia e utiliza técnicas como de effleurage (deslizamento), petrissage (amassamento), vibração, fricção e tapotagem (percussão), esse sistema pode ser lento ou vigoroso, dependendo dos resultados que o cliente deseja obter. (2) O método alemão incorpora muitos movimentos suecos e enfatiza o uso de diversos banhos terapêuticos. (3) Os sistemas francês e inglês também utilizam muitos movimentos suecos para massagem corporal. (4) A acupressão deriva da prática da medicina chinesa de acupuntura. Ela se fundamenta nos princípios médicos orientais e tradicionais para avaliar e tratar o corpo físico e energético, e emprega vários métodos de estimulação de pontos de acupuntura para regular o chi (energia de força vital). O objetivo desse método é promover mudanças terapêuticas no indivíduo que está fazendo o tratamento, além de aliviar dor, desconforto ou outros desequilíbrios fisiológicos. (5) O sistema japonês, chamado de shiatsu, é um método de pressão dos dedos com base no conceito oriental de que o corpo possui uma Quando realizada corretamente, a massagem é relaxante e saudável, os movimentos da massagem devem ser contínuos e coerentes.

4.3.1 Mobilidade das mãos

Para Gerson (2011, s.p.), As mãos do terapeuta precisam ser flexíveis e ter um toque firme e controlado. Elas devem ser macias, com unhas curtas, lixadas, limpas e sem esmaltes escuros. A mobilidade das mãos é importante para manter o ritmo estável e regular a pressão da massagem. As mãos precisam ser sincronizadas, usando uma pressão igual nos dois lados. O equilíbrio correto vem com a prática e com atenção do toque. Os terapeutas são suscetíveis a problemas de movimentos repetitivos e síndrome do túnel do carpo. Alguns exercícios ajudam a fortalecer as mãos e evitar esses problemas. O trabalho do terapeuta é físico; o alongamento e fortalecimento muscular previnem e podem aliviar dores e desconfortos. Cuide de você! Tudo isso faz parte de um estilo de vida saudável. IMPORTANTE

4.3.2 Sistemas de massagens

série de pontos de energia (tsubo). Alguns deles são os mesmos dos pontos de acupuntura. Quando a pressão é aplicada adequadamente nesses pontos, a circulação melhora, há alivio da dor e da tensão, e as terminações nervosas são estimuladas. Diz-se que esse sistema melhora o metabolismo e diminui distúrbios físicos (BECK; HESS; MILLER, 2011, p. 10-12). Massagem modeladora é derivada da massagem clássica, porém com ritmo, pressão e velocidade mais intensos, ela aumenta a oxigenação, a nutrição e a maleabilidade tecidual, a circulação sanguínea local e a circulação linfática local. Diminui aderências, melhora a extensibilidade tecidual, as funções viscerais, a permeação de ativos e tônus muscular. É indicada para melhorar o contorno corporal através da mobilização de tecidos profundos. Além disso, auxilia na permeação de princípios ativos, na cicatrização e aderências, e na eliminação da gordura localizada (FIGUEIREDO et al., 2016). Para Beck, Hess e Miller (2011), é importante compreender o movimento a ser aplicado em uma parte específica do corpo. A massagem modeladora utiliza todos os movimentos da massagem, porém são movimentos mais fortes e vigorosos. Pode ser utilizada como um coadjuvante no tratamento da fibroedema geloide e da gordura localizada, mas não devemos utilizar a massagem como único recurso terapêutico, devido à etiologia multifatorial do fibroedema geloide. IMPORTANTE

4.3.3 Tipos de movimentos da massagem

Enquanto aplica os movimentos, preste bastante atenção em quem recebe a massagem, bem como a reação do tecido ou parte do corpo em que a manipulação está sendo aplicada, ajustando a massagem de acordo com a necessidade (BECK; HESS; MILLER, 2011, p. 33). DICA

Uma regra importante na massagem sueca é que a maioria das manipulações é realizada na direção do coração (centrípeta). Muitas técnicas de massagem têm como objetivo melhorar o fluxo sanguíneo e linfa e, portanto, são direcionadas para o coração e outros órgãos correlacionados. Apenas movimentos suficientes leves para não afetar o fluxo de fluidos podem ser direcionados para longe do coração. Quando o movimento da massagem é afastando-se do coração, é chamado de centrífugo (BECK; HESS; MILLER, 2011, p. 10). • Deslizamento ou effleurage É uma sucessão de movimentos aplicados deslizando a mão sobre uma parte larga do corpo. Existem duas variedades de deslizamento (1) SuperficiaL: o deslizamento superficial é um movimento contínuo, aplicado com os dedos e palmas da mão de uma maneira lenta e rítmica. O deslizamento superficial é aplicado antes de qualquer outro movimento. Sua mão deve estar flexível, mas firme e controlada, para que deslize sobre o corpo adaptando-se a seus contornos de tal forma que a pressão aplicada por cada mão seja igual. Não encoste as unhas na pele do cliente, porque assim você perde o controle da pressão e pode arranhá-lo. Os movimentos de deslizamento são valiosos para pôr fim à sensação de cansaço ou inquietude. Esse movimento serve especialmente como calmante para pessoas nervosas ou inquietas. (2) Profundo: o deslizamento profundo utiliza pressão suficiente para ter um efeito mecânico. A profundidade do deslizamento depende de três fatores: pressão exercida, parte da mão ou do braço escolhida e intenção com a qual a manipulação é aplicada. Os movimentos do deslizamento profundo têm um efeito alongador e ampliador no tecido muscular e na fáscia, além de melhorar o fluxo de sangue venoso e linfa (BECK; HESS; MILLER, 2011, p.11). FIGURA 33 – DESLIZAMENTO/EFFLEURAGE FONTE: https://bit.ly/3Etlqhi. Acesso em: 16 set. 2021.

• Amassamento ou petrissage

O amassamento é um movimento que estimula os tecidos subjacentes à pele. O tecido muscular será massageado com o polegar e o indicador (GERSON, 2011). Vejamos a imagem a seguir: FIGURA 34 – AMASSAMENTO FONTE: https://bit.ly/2Z4sTn0. Acesso em: 16 set. 2021. O tecido é levantado das estruturas subjacentes e depois é exercida uma compressão leve e alternada, porém ritmada no sentido da disposição da fibra. Em áreas grandes do corpo, as duas mãos trabalham alternadamente como uma unidade. Seu principal efeito é mecânico e melhora condições circulatórias da musculatura, liberando as aderências, eliminando os resíduos metabólicos e aumentando sua nutrição. O “pisoteamento” é uma técnica de amassamento na qual se tenta agarrar e depois, levemente, levantar e espalhar o tecido como se fosse criar mais espaço entre as camadas de tecido ou fibras musculares. A “rolagem” da pele é uma variação do amassamento, na qual apenas a pele e o tecido subcutâneo são agarrados entre os dedos e polegares rolando. Enquanto os dedos pegam e puxam a pele de forma alternada e contínua, afastando os tecidos mais profundos, o polegar desliza ao longo da direção do movimento, alongando a fáscia subjacente (GERSON, 2011; BECK; HESS; MILLER, 2011). • Fricção

“É um conjunto de movimentos circulares e transversais, com ritmo e velocidade uniforme e pressão suficiente para mobilizar o tecido superficial em relação ao profundo” (GERSON, 2011). Veja a imagem a seguir:

Consiste em movimentos delicados e rápidos, golpes com as palmas, com os dedos e com a borda ulna; com a mão espalmada ou fechada. Os movimentos de percussão são executados com as duas mãos, de maneira simultânea ou alternada, e não utilizam muita força. Cada golpe no corpo é um contato rápido, em que seus punhos permanecem muito relaxados (GERSON, 2011; BECK; HESS; MILLER, 2011). FIGURA 36 – PERCUSSÃO FONTE: https://bit.ly/3tPyWa7. Acesso em: 17 set. 2021.

Os efeitos gerais dos movimentos de percussão são tonificar os músculos e dar um brilho saudável à parte que está sendo massageada (BECK; HESS; MILLER, 2011). Os movimentos podem ser feitos das seguintes formas: (1) Batida (pancada leve) com as pontas dos dedos, (2) Palmada com a palma da mão e dedos abertos, (3) Batida com a palma da mão em concha, (4) Golpe com a borda ulnar da mão, (5) soco com a mão levemente fechada. • Vibração

É um movimento rápido de agitação, com impulso vibratório transmitido à área tratada. Ela é realizada pelas contrações musculares rápidas dos braços. As pontas dos dedos são pressionadas firmemente no ponto da aplicação. A vibração é altamente estimulante, mas deve ser usada com moderação e nunca por mais de alguns segundos em cada local. É uma técnica de difícil execução, com o objetivo de diminuir a hiperexcitação dos nervos. Um efeito anestesiante é experimentado quando as vibrações são aplicadas por um período prolongado de tempo. (GERSON, 2011; BECK; HESS; MILLER, 2011).

• Quando realizada corretamente, a massagem é relaxante e saudável, os movimentos da massagem devem ser contínuos e coerentes. • Os métodos utilizados hoje em dia, em geral, descendem diretamente dos sistemas suecos, alemães, franceses, ingleses, chineses e japoneses.

1 Tradicionalmente, a prática da massagem envolve a aplicação de golpes e manobras no

corpo humano como um meio de conseguir efeitos terapêuticos específicos no tratamento das afecções clínicas. Sobre a massagem é CORRETO afirmar: I- Os movimentos básicos da massagem são deslizamento superficial ou profundo, amassamento, percussão, fricção e vibração. II- A massagem exerce efeito mecânico local decorrente da ação direta da pressão exercida no segmento massageado, e também uma ação reflexa e indireta, por liberação de substâncias vasoativas. III- Massagem causa aumento na velocidade de circulação sanguínea, hiperemia cutânea e elevação da temperatura da pele. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) I, II e III. b) ( ) II e III. c) ( ) I e II. d) ( ) Nenhuma das alternativas.

2 A prática da massagem vem desde os tempos pré-históricos, com origem na Índia,

China, Japão, Grécia e Roma. A massagem tem sido mencionada na literatura desde os tempos remotos, sendo a referência mais antiga a que aparece no Nei Ching, um texto médico chinês escrito num período anterior a 2.500 a.C. Sabendo disso, faça uma breve pesquisa sobre os diferentes tipos de massagem encontrados no mercado atualmente. 3 “O linfedema é definido como a retenção anormal de líquido com grande concentração proteica no espaço intersticial, composto de edema e inflamação, sendo uma condição crônica complexa e progressiva que tem tratamento, porém exige uma constante manutenção e medidas preventivas. Seu surgimento é devido a obstrução, destruição, remoção cirúrgica ou ausência de alguma rede linfática” (CARDOZO; MATHEUS; ABUD, 2008). Sabendo isso, faça uma pesquisa sobre os principais danos estéticos e emocionais causados pelo linfedema, e descreva a melhor forma de prevenção.

PROMOTORES DA PERMEAÇÃO CUTÂNEA

TÓPICO 6 —

1 INTRODUÇÃO

Neste tópico estudaremos os promotores da permeação cutânea, pois podemos notar que: Um grande empecilho na área da cosmética corporal é fazer com que os ativos usados consigam permear até as camadas mais profundas da pele. A pele oferece uma barreira praticamente impermeável, que é o extrato córneo, e, além disso, várias moléculas, por não serem compatíveis com a estrutura da pele, ou por serem grandes demais, não conseguem permear com facilidade esse tecido. Diante disso, a indústria vem inovando cada vez mais na busca de novas tecnologias que visam suprir essa necessidade no ramo da cosmética (KRUPEK; COSTA, 2012 apud KLAYN, 2013, p. 2).

2 ESFOLIAÇÃO

A esfoliação remove células mortas, reduz a espessura do estrato córneo, diminui a coesão entre os corneócitos, melhorando a permeabilidade da pele. Convém salientar que deve sempre respeitar o intervalo entre uma esfoliação e outra, conforme o processo de renovação da pele ou turn-over celular. (NEGÓCIO ESTÉTICA, 2014a. E ainda, a esfoliação pode ser física (agentes físico-abrasivos), química (agentes químicos, como os ácidos) ou enzimática (uso de enzimas, como a papaína e a bromelina).

3 DERMOABRASÃO / MICRODERMOABRASÃO

A dermoabrasão é precursora da microdermoabrasão, descrita por Macedo em 1988, que a considerou um tipo de peeling, e descreveu a dermoabrasão como uma lixa acoplada a um torno formando uma máquina que gira em alta velocidade e elimina, literalmente, toda a epiderme e, possivelmente, a derme papilar, expondo, dessa forma, a derme reticular, propiciando o surgimento, em alguns dias, de uma nova camada epitelial (BORGES, 2010, p. 117). Microdermoabrasão é um tipo de esfoliação mecânica, mais superficial, surgiu na Europa, e os primeiros aparelhos entraram no mercado norte-americano por volta de 1995. Atualmente existem diversos modelos de aparelhos utilizados para microdermoabrasão em estética (GERSON, 2011; BORGES, 2010).

Inúmeras são as indicações cuja base é o incremento da mitose celular fisiológica, proporcionado pela microdermoabrasão, suscitando o afinamento do tecido epitelial (preparando-o para tratamento de revitalização e proporcionando uma textura fina e saudável por meio do incremento de proteínas de colágeno, elastina e reticulina), clareamento das camadas mais superficiais da epiderme, foliculite, atenuação e prevenção de estrias (BORGES, 2010, p. 122). Por seu efeito de afinar a camada epitelial, a microdermoabrasão favorece a permeação de ativos.

4 MICROAGULHAMENTO

Em 1997, Camirand e Doucet descreveram a dermoabrasão como a utilização de agulhas e o aparelho chamado “pistola de tatuagem” para tratar cicatrizes e rugas (DODDABALLAPUR, 2009). FIGURA 38 – “PISTOLA DE TATUAGEM” ADAPTADA PARA ESTÉTICA FONTE: https://bit.ly/2Xr5JpY. Acesso em: 17 set. 2021. A técnica foi sendo aprimorada e, já em 2006, Desmond Fernandes desenvolveu especialmente um aparelho para o aprimoramento da técnica. O aparelho consiste em um cilindro rolante com média de 540 agulhas em intervalos regulares. FIGURA 39 – CILINDRO ROLANTE PARA APLICAÇÃO DA TÉCNICA FONTE: https://bit.ly/3EDv0P0. Acesso em: 17 set. 2021. Escarificação é uma série de arranhões ou pequenas incisões praticadas sobre uma superfície. NOTA

Trata-se de um “aparelho de policarbonato e ABS (Acrilonitrila Butadieno Estireno) encravado por agulhas de aço inoxidável e estéreis, alinhadas simetricamente em fileiras” (NEGRÃO, 2014). Para Lima, Lima e Takano (2013, p. 114), O tratamento de microagulhamento conta com algumas vantagens, como o procedimento permitir o estímulo na produção de colágeno sem remover a epiderme, ter um tempo de cicatrização mais curto, e o risco de efeitos colaterais é reduzido em comparação ao de técnicas ablativas, a pele se torna mais resistente e espessa, divergindo de técnicas ablativas, em que o tecido cicatricial resultante está mais sujeito ao fotodano. Tem sua indicação ampliada a todos os tipos e cores de pele, bem como pode ser utilizada também em áreas de menor concentração de glândulas sebáceas, e ainda tem um baixo custo quando comparado ao de procedimentos que exigem tecnologias com alto investimento (LIMA; LIMA; TAKANO, 2013). Já Negrão (2014) discorda que seja um tratamento de baixo custo e rebate: o produto regularizado pela ANVISA é considerado de custo elevado. Negrão (2014) também cita que a técnica exige conhecimento dos ativos a serem permeados, treinamento e habilidade para sua aplicação. IMPORTANTE O produto é seguro quando esterilizado e de uso único. A reutilização do produto tem um alto risco de contaminação, e a compra deve ser somente de produtos registrados na ANVISA, para que tenha a segurança na aplicação da técnica. Conforme a Lei n.º 6.437, de 20 de agosto de 1977, publicada no DOU de 24 de agosto de 1977, comprar qualquer produto que não tenha registro na ANVISA É CRIME. Qualquer registro de outro país não tem nenhuma validade em território brasileiro (NEGRÃO, 2014).

4.1 ATIVOS PARA PERMEAÇÃO NA TÉCNICA

DE MICROAGULHAMENTO Primeiramente, precisamos ter consciência e conhecimento da pele do cliente, precisamos fazer um teste de alergia, que consiste em aplicar o cosmético numa pequena parte da pele do cliente, com 24h de antecedência, para nos certificarmos de que o cliente não tem alergias aos componentes, pois como o microagulhamento facilita a absorção/permeação de ativos, caso tenha alergia, as proporções de riscos podem ser muito maiores. Devemos também tomar cuidado na escolha do cosmético, por exemplo, máscaras oclusivas, argilas etc. devem ser descartadas, a fim de se evitar a obstrução

dos poros. Também devem ser evitados produtos que necessitam de neutralização, como ácidos, pois serão permeados mais facilmente e as consequências podem ser graves. Os cosméticos indicados são veículos sérum, gel ou gel creme, pois terão uma permeabilidade mais fácil pelos microcanais. FIGURA 40 – MICROCANAIS FONTE: Adaptada de https://bit.ly/2VTBqbc. Acesso em: 17 set. 2021. A criação de microcanais através da camada córnea da pele aumenta em mais de 10.000 vezes a absorção dos produtos aplicados sobre ela. Diversos ativos podem ser utilizados: fatores de crescimento, moduladores hormonais, ácido hialurônico, argireline, tensine, aloe vera, vitamina C, aquaporine, polifenóis, arbutin. NEGRÃO (2014) DICA Em diversos artigos na literatura é nítida e destacada a informação de que não é recomendado o uso do filtro solar antes de quatro horas após a intervenção. Isso porque os poros, os microcanais causados pelo equipamento, levam um tempo para se fecharem por completo (NEGRÃO, 2014). IMPORTANTE

4.2 APLICAÇÃO DA TÉCNICA DE MICROAGULHAMENTO

4.3 MECANISMO DE AÇÃO DE MICROAGULHAMENTO

Divida a área a ser tratada em quadrantes, segure a pele com uma das mãos e aplique o roller com movimentos rápidos e curtos, porém, não coloque pressão excessiva. “Recomenda-se posicionar o aparelho entre os dedos indicador e polegar como se estivesse segurando um háshi e controlar a força exercida com o polegar” (LIMA; LIMA; TAKANO, 2013). Inicie com passadas na vertical como descrito na imagem a seguir (1), levante o rolo e passe na horizontal (2) da mesma forma, fazendo uma "cruz" (+). Em seguida, passe nas diagonais (3 e 4) fazendo um "X". Sempre que for trocar o sentido é necessário levantar o rolo. Os movimentos devem ser repetidos de quatro a oito vezes, finalizando os quatro sentidos, vá para outro quadro e repita o processo. Além da permeação de ativos, a técnica de microagulhamento é indicada para tratamento de estrias, flacidez, cicatrizes hipotróficas, revitalização da pele. Existem algumas contraindicações, como aplicação em pessoas com diabetes, não deve ser feito em áreas do corpo com infecções e em pacientes com tendência à formação de queloide, bem como em gestantes. IMPORTANTE A técnica de microagulhamento compreende a promoção de milhares de micropunções com agulhas de mínimo calibre (0,5 a 2mm) sobre a pele. Ao ocorrer a agressão local pelas agulhas, estimulase o processo inflamatório local, em paralelo ocorre ativação de fibroblastos que iniciam a produção de colágeno e elastina novos (ROSSETTI, 2015).

No processo inflamatório temos três fases, descritas por Lima, Lima e Takano (2013, p. 111): Na primeira, a de injúria, ocorre liberação de plaquetas e neutrófilos responsáveis pela liberação de fatores de crescimento com ação sobre os queratinócitos e os fibroblastos, como os fatores de crescimento de transformação a e ß (TGF-a e TGF-ß), o fator de crescimento derivado das plaquetas (PDGF), a proteína III ativadora do tecido conjuntivo e o fator de crescimento do tecido conjuntivo. Na segunda fase, a de cicatrização, os neutrófilos são substituídos por monócitos, e ocorrem angiogênese, epitelização e proliferação de fibroblastos, seguidas da produção de colágeno tipo III, elastina, glicosaminoglicanos e proteoglicanos. Paralelamente, o fator de crescimento dos fibroblastos, o TGF- a e o TGF-ß são secretados pelos monócitos. Aproximadamente cinco dias depois da injúria a matriz de fibronectina está formada, possibilitando o depósito de colágeno logo abaixo da camada basal da epiderme. Na terceira fase ou de maturação, o colágeno tipo III, que é predominante na fase inicial do processo de cicatrização e que vai sendo lentamente substituído pelo colágeno tipo I, mais duradouro, persistindo por prazo que varia de cinco a sete anos. Para que toda essa cascata inflamatória se instale, o trauma provocado pela agulha deve atingir profundidade na pele de um a 3mm, com preservação da epiderme, que foi apenas perfurada e não removida. Centenas de microlesões são criadas, resultando colunas de coleção de sangue na derme, acompanhadas de edema da área tratada e hemostasia praticamente imediata. A intensidade dessas reações é proporcional ao comprimento da agulha utilizada no procedimento. Como já estudamos anteriormente, a iontoforese é método de administração, pela pele, com uso de corrente contínua, de substâncias que serão utilizadas com propósito terapêutico específico. Constitui um recurso terapêutico utilizado há muito tempo, sendo relatado na literatura desde o século XVIII. Essa técnica também é conhecida como ionização,  iontopenetração, dieletrólise, lieletroforese e jonoforese  (BORGES, 2010).  Agne (2008, p. 106) faz uma listagem das vantagens da iontoforese, que seguem: • Seu efeito é local. • Possível de um efeito geral (segundo o composto e a quantidade introduzida). • Aplicação indolor – somente formigamento. • Permite tratamento de longa duração. As aplicações devem ser realizadas entre 21 e 28 dias, em função de este ser o tempo do ciclo de produção de novo colágeno. IMPORTANTE

5 IONTOFORESE

O autor ainda completa citando que uma grande desvantagem da utilização da iontoforese é que não se sabe (ou não é fácil saber) a dose exata que será aplicada do fármaco. A indicação da iontoforese está relacionada ao fármaco que iremos aplicar no cliente, que pode ser vasodilatador, vasoconstritor, cicatrizante, antisséptico, antiedematoso, entre outros. Quanto à contraindicação, devemos prestar atenção, pois é contraindicação absoluta: pessoas com alergias ou intolerâncias ao produto aplicado, pois pode ter uma grave consequência. FIGURA 42 – ELETRODOS DA IONTOFORESE FONTE: https://bit.ly/3F1zfEf. Acesso em: 17 set. 2021.

6 FONOFORESE / SONOFORESE

5.1 APLICAÇÃO DA IONTOFORESE

Existem eletrodos de diversos tipos e tamanhos, porém não há uma regra de quais o profissional deva utilizar para cada técnica, e sim, o profissional acaba escolhendo o melhor que se adapta. Na técnica deve-se utilizar dois eletrodos, um ativo (que fica em movimento) e outro passivo (que fica fixo, em contato com a pele do cliente, pode ser em forma de placa ou em formato de bastonete). Veja a imagem a seguir: Fonoforese, também conhecida como sonoforese, é uma forma ou sistema especial de acoplamento direto que realiza o transporte transdérmico através do ultrassom para facilitar a penetração de cosméticos aplicados sobre a pele. “O US aumenta a penetração transcutânea por pressão somática, podendo chegar em média a atingir 4-5cm de profundidade”. Os cosméticos em forma de gel não precisam ser ionizados, nem ter carga elétrica, o que passa a ser uma vantagem sobre a iontoforese.

Para que a aplicação da sonoforese tenha melhores resultados, é preciso ficar atento aos seguintes fatores: pele sã e hidratada. Pode ser recomendado o uso de calor (infravermelho) para dilatação dos folículos pilosos, antes da aplicação (AGNE, 2008, p. 303-304). Os agentes ativos dos cosméticomedicamentosos usados podem classificar-se de acordo com o seu efeito. Os mais conhecidos e usados na estética são: • Produtos com efeitos sobre a circulação à base de histamina, castanha-da-índia, centelha asiática, hera, cavalinha, ginkgo biloba, entre outros. • Anticelulíticos à base de cafeína, silanóis, thiomucase, ácido tri-iodotiroacético, incluindo aqueles para ativação da circulação sanguínea.

7 ELETROPORAÇÃO

Eletroporação consiste na aplicação de pulsos elétricos curtos de alta voltagem que aumentam o potencial de transporte de membrana, promovendo uma formação transitória de poros aquosos (“aquaporinas”) na bicamada lipídica, permitindo que macromoléculas migrem através desses poros (BORGES, 2007, p. 1).

completa é perda de tempo e bobagem, sempre digo que não é “perda de tempo”, e sim, “investimento de tempo”, pois o tempo que você “gasta”, ou melhor, investe, será convertido em bons resultados no final.

Costumo fazer a seguinte analogia: Quando você vai a um médico, e este leva somente alguns minutos na avaliação, mal olha para você e já oferece um diagnóstico e receita um remédio, como você se sente? Você retornaria àquele médico? A resposta é unânime: — Me sinto insegura e iria a outro médico. Agora, se o outro médico investe uma boa parte do tempo coletando informações através da anamnese, depois levanta-se e realiza inspeção detalhada, uma palpação cuidadosa, analisando com muita atenção, como você se sente? A resposta é: — Me sinto segura e confiante no diagnóstico e no remédio receitado por aquele médico. A mesma situação ocorre com os nossos clientes. Quando o esteticista realiza uma boa avaliação, os clientes sentem-se seguros e estabelecem uma relação de respeito e confiança para com o profissional. E, dessa forma, vamos fidelizando nossos clientes, com dedicação, respeito, carinho, ética e, acima de tudo, responsabilidade! FONTE: ROCHA C. Disponível em: https://bit.ly/3ieOwHW. Acesso em 15 jan. 2016.

Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • A pele oferece uma barreira praticamente impermeável, que é o extrato córneo, o que dificulta a permeação de ativos. • A esfoliação remove células mortas, reduz a espessura do estrato córneo, diminui a coesão entre os corneócitos, melhorando a permeabilidade da pele. • A dermoabrasão é precursora da microdermoabrasão. • Microdermoabrasão é um tipo de esfoliação mecânica, mais superficial, que surgiu na Europa. • A técnica microagulhamento também pode ser conhecida como dermaroller, indução percutânea de colágeno ou terapia de indução de colágeno. • A técnica de microagulhamento foi sendo aprimorada e, já em 2006, Desmond Fernandes desenvolveu especialmente um aparelho para o aprimoramento da técnica, o aparelho consiste em um cilindro rolante com média de 540 agulhas em intervalos regulares. • Devemos também tomar cuidado na escolha do cosmético para o microagulhamento, por exemplo, máscaras oclusivas, argilas etc. devem ser evitadas, a fim de evitar a obstrução dos poros. • A iontoforese é método de administração, pela pele, com uso de corrente contínua de substâncias que serão utilizadas com propósito terapêutico específico. • Fonoforese, também conhecida como sonoforese, é uma forma ou sistema especial de acoplamento direto que realiza o transporte transdérmico através do ultrassom para facilitar a penetração de cosméticos aplicados sobre a pele. • A eletroporação induz a um rearranjo estrutural e reversível da bicamada lipídica da membrana celular que forma canais aquosos temporários (poros). RESUMO DO TÓPICO 6

1 Um grande empecilho para a estética corporal é a barreira cutânea, que muitas

vezes dificulta a permeação de ativos e é o principal fator que afeta a velocidade e a extensão da absorção na pele. Disserte sobre os agentes facilitadores da permeação cutânea, Iontoforese, Sonoforese e Microagulhamento.

2 A pele é uma via importante para permeação de ativos cosméticos. Os ativos são

permeados via transcelular, intercelular, transglandular e transfolicular. Hoje em dia temos vários recursos eletroterápicos e terapêuticos que facilitam a permeação de ativos na pele. Sobre esses recursos, é correto afirmar: I- A sonoforese é uma técnica que utiliza o recurso do ultrassom. II- A eletroporação é uma técnica antiga, que caiu em desuso. III- Microagulhamento só é indicado para cosméticos oclusivos. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) I e II são corretas. b) ( ) Somente a III está correta. c) ( ) Somente a I está correta.

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