Akkermansia muciniphila: Um Probiótico de Próxima Geração na Medicina Integrativa
Introdução/Objetivo
Este resumo temático consolida as evidências científicas sobre a Akkermansia muciniphila (A. muciniphila), uma bactéria comensal intestinal do filo Verrucomicrobia, reconhecida como um probiótico de próxima geração com potencial terapêutico em múltiplas condições clínicas. Para o sistema Integrativia, A. muciniphila representa um alvo central na modulação do eixo microbiota-intestino-fígado-cérebro, oferecendo benefícios que abrangem desde distúrbios metabólicos (obesidade, diabetes tipo 2, doença hepática gordurosa associada ao metabolismo) até doenças inflamatórias intestinais, neurodegenerativas (Alzheimer, Parkinson), pré-eclâmpsia e transtornos neuropsiquiátricos. Os mecanismos de ação incluem produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCCs), proteção da barreira intestinal, modulação imunológica, regulação do metabolismo de ácidos biliares e sinalização neuroativa via eixo intestino-cérebro.
Seção 1: Visão Geral Fisiopatológica e Bioquímica
A A. muciniphila atua como um hub regulatório integrando múltiplos sistemas fisiológicos. Seus mecanismos podem ser compreendidos em três eixos principais: eixo metabólico, eixo imunoinflamatório e eixo neurocognitivo.
Mecanismos moleculares-chave:
- Produção de AGCCs: A degradação da mucina gera acetato, propionato e butirato. O propionato atua como ligante de GPR41 e GPR43, regulando a homeostase mitocondrial (fissão/mitofagia via DRP1 e PINK1/PARKIN), melhorando a função da barreira hematoencefálica e modulando a secreção de GLP-1 pelas células L enteroendócrinas.
- Proteínas funcionais: Amuc_1100 (proteína de membrana externa) ativa TLR2, promovendo a expressão de proteínas de junção oclusiva (ocludina, claudina), estimulando a produção de IL-10 e modulando a via BDNF/TrkB no hipocampo. P9 (proteína secretada de 84 kDa) liga-se a ICAM-2 e estimula a secreção de GLP-1.
- Vesículas extracelulares (AmEVs): Veículos de comunicação intercelular que transportam proteínas e ácidos nucleicos. No contexto da pré-eclâmpsia, as AmEVs ativam a via EGFR-PI3K-AKT nos trofoblastos, promovendo invasão e remodelamento das artérias espiraladas.
- Modulação de ácidos biliares: A. muciniphila regula o eixo FXR-FGF15 intestinal, reduzindo ácidos biliares secundários (DCA, LCA) e aumentando a expressão de CYP8B1 (via ILA/m6A/FTO), promovendo a conversão de colesterol em ácido cólico (CA), que atua via FXR no tecido adiposo para inibir adipogênese.
- Neurotransmissão: Regula a via serotoninérgica (aumento de 5-HT via Tph1) e a expressão de BDNF, mediando efeitos antidepressivos e neuroprotetores através do nervo vago.
graph TD A["A. muciniphila no
Intestino"] --> B["Degradação da Mucina"] B --> C["Produção de AGCCs
(Propionato, Acetato,
Butirato)"] B --> D["Proteínas (Amuc_1100,
P9)"] B --> E["AmEVs (Vesículas
Extracelulares)"] C --> F["Ativação de
GPR41/GPR43"] C --> G["Secreção de GLP-1
pelas células L"] C --> H["Homeostase
Mitocondrial
(DRP1/PINK1)"] D --> I["Ativação de TLR2"] D --> J["Aumento de 5-HT via
Tph1"] D --> K["Modulação BDNF/TrkB"] E --> L["Ativação EGFR-PI3K-AKT
(Placenta)"] E --> M["Melhora da Barreira
Intestinal"] F --> N["Redução da Fissão
Mitocondrial (DRP1)"] F --> O["Aumento da Mitofagia
(PINK1/PARKIN)"] I --> P["Aumento Junções
Oclusivas (Ocludina,
Claudina)"] I --> Q["Aumento IL-10, Reducao
TNF-alpha, Reducao
IL-6"] J --> R["Modulação do Eixo
Intestino-Cérebro (Via
Vagal)"] K --> S["Neuroplasticidade e
Sobrevivência Neuronal"] L --> T["Invasão Trofoblástica
e Placentação"] M --> U["Reducao Permeabilidade
Intestinal"] U --> V["Reducao Endotoxemia
Metabólica"] V --> W["Reducao Inflamação
Sistêmica"] N --> X["Função Mitocondrial
Normal"] O --> X X --> Y["Neuroproteção na
Doença de Alzheimer"] Q --> Z["Reducao Inflamação no
Tecido Adiposo"] Q --> AA["Reducao Inflamação
Hepática (MAFLD)"] R --> AB["Melhora da Cognição e
Humor"] S --> AB T --> AC["Mitigação da
Pré-eclâmpsia"] Z --> AD["Reducao Resistência à
Insulina"] Z --> AE["Reducao Adiposidade"] W --> AF["Controle do Diabetes
Tipo 2"] W --> AG["Melhora da Doença
Hepática Gordurosa"] AA --> AG subgraph eixo_metabolico ["Eixo Metabólico"] C F G H V AD AE AF AG end subgraph eixo_imunoinflamatorio ["Eixo Imunoinflamatório"] I P Q U Z AA end subgraph eixo_neurocognitivo ["Eixo Neurocognitivo"] J K R S X Y AB end subgraph eixo_placentario ["Eixo Placentário"] E L T AC end style eixo_metabolico fill:#f9f,stroke:#333,stroke-width:2px style eixo_imunoinflamatorio fill:#bbf,stroke:#333,stroke-width:2px style eixo_neurocognitivo fill:#bfb,stroke:#333,stroke-width:2px style eixo_placentario fill:#fbb,stroke:#333,stroke-width:2px
Seção 2: Guia de Ativos e Formulações Clínicas
| Ativo | Forma Recomendada | Justificativa Clínica | Dosagem |
|---|---|---|---|
| A. muciniphila viva | Cepa ATCC BAA-835, cultivada em meio sintético (sem mucina animal), congelada em glicerol a -80°C | Melhora da sensibilidade à insulina, redução da massa gorda e colesterol total em humanos com sobrepeso/obesos (NCT02637115); segurança e tolerabilidade confirmadas em estudo de fase 1 | 10¹⁰ UFC/dia por via oral (3 meses) |
| A. muciniphila pasteurizada | Pasteurização a 70°C por 30 min, preservando a proteína Amuc_1100 | Aumento da eficácia na redução de massa gorda e resistência à insulina em relação à forma viva; melhor estabilidade e segurança para uso clínico | 10¹⁰ UFC/dia por via oral (3 meses) |
| Propionato de sódio | Suplementação oral na água de beber (camundongos) ou em cápsulas | Metabólito ativo que atravessa a barreira hematoencefálica; melhora a função mitocondrial neuronal e reduz a fissão mitocondrial via GPR41/GPR43, com potencial na doença de Alzheimer | 400 mmol/L na água de beber (equivalente a ~5 mM in vitro) |
| Amuc_1100 | Proteína de membrana externa recombinante termoestável | Ativa TLR2, promove integridade da barreira intestinal, aumenta produção de 5-HT e BDNF, melhora cognição e humor; efeitos superiores à forma pasteurizada em modelos de depressão | 100 μg/200 μL por via oral (camundongos) |
| Vesículas extracelulares (AmEVs) | Isoladas por ultracentrifugação de sobrenadantes de cultura | Veículos de entrega de biomoléculas; promovem invasão trofoblástica (pré-eclâmpsia), modulam resposta imune e restauram microbiota intestinal | 20 μg por camundongo por via oral (dias alternados) |
| Quercetina | Flavonoide dietético (suplementação oral) | Aumenta a abundância de A. muciniphila no intestino; impulsiona a produção de ILA, que regula a via FTO/m6A/CYP8B1, aumentando ácido cólico e ativando FXR no tecido adiposo | 100 mg/kg/dia por via oral (camundongos) |
| Ácido indol-3-láctico (ILA) | Metabólito derivado de A. muciniphila | Regula positivamente FTO, reduz metilação m6A do mRNA de Cyp8b1, aumentando a expressão de CYP8B1 e a produção de ácido cólico; efeito anti-obesidade dependente de FXR | 20 mg/kg/dia por via oral (camundongos) |
| Metformina | Fármaco antidiabético | Aumenta a abundância de A. muciniphila em humanos e camundongos, potencializando seus efeitos metabólicos; a combinação com probióticos contendo A. muciniphila pode melhorar o controle glicêmico | Dose padrão para diabetes (500-2000 mg/dia) |
Seção 3: Protocolos por Condições Clínicas
3.1 Obesidade e Síndrome Metabólica
Recomendação: Suplementação com A. muciniphila pasteurizada (10¹⁰ UFC/dia) por 3 meses, associada à quercetina (100 mg/kg/dia) para aumentar a colonização. A forma pasteurizada apresenta eficácia superior na redução de massa gorda, resistência à insulina e dislipidemia. O metabólito ILA (20 mg/kg/dia) pode ser considerado como adjuvante para modular o metabolismo de ácidos biliares (aumento de CA e ativação de FXR). Intervenções dietéticas (restrição calórica, dieta mediterrânea) potencializam os efeitos, especialmente em pacientes com alta abundância basal de A. muciniphila.
3.2 Diabetes Tipo 2
Recomendação: Combinação de A. muciniphila pasteurizada (10¹⁰ UFC/dia) com metformina (dose padrão). Estudos mostram que a metformina aumenta a abundância de A. muciniphila, e bactérias vivas ou pasteurizadas melhoram a tolerância à glicose e a secreção de GLP-1. Alternativamente, formulação probiótica contendo A. muciniphila + Clostridium beijerinckii + Bifidobacterium infantis (WBF-011, 3 cápsulas 2x/dia, 12 semanas) reduziu glicemia total e HbA1c em pacientes com DM2.
3.3 Doença Hepática Gordurosa Associada ao Metabolismo (MAFLD/MASH)
Recomendação: Suplementação com A. muciniphila viva (1,5 × 10⁹ UFC/dia) por 21 semanas em modelos animais. Em humanos, recomenda-se A. muciniphila pasteurizada (10¹⁰ UFC/dia) por 3 meses para reduzir esteatose hepática, melhorar a função da barreira intestinal e reduzir a inflamação sistêmica. Estratégias complementares incluem inulina (que aumenta a abundância de A. muciniphila) e butirato para modular o eixo FXR-FGF15.
3.4 Doença Inflamatória Intestinal (DII)
Recomendação: Suplementação com A. muciniphila viva (10⁸-10⁹ UFC/mL) para colite ulcerativa leve a moderada. A pasteurização pode aumentar a eficácia. Amuc_1100 (100 μg/200 μL) demonstrou reduzir infiltração de macrófagos e células T CD8+, além de diminuir citocinas pró-inflamatórias (TNF-α, IL-6). Para doença de Crohn, evidências são limitadas; considerar FMT enriquecido com A. muciniphila em casos refratários.
3.5 Doença de Alzheimer
Recomendação: Suplementação com A. muciniphila viva (2 × 10⁸ UFC/mL, 3x/semana) ou propionato de sódio (400 mmol/L na água de beber) por 8 semanas. O propionato melhora a cognição, reduz a fissão mitocondrial (DRP1) e aumenta a mitofagia (PINK1/PARKIN) via GPR41/GPR43. A combinação com Amuc_1100 pode potencializar os efeitos neuroprotetores (aumento de BDNF e 5-HT). Intervenção precoce (pré-sintomática) é crucial para prevenir o declínio cognitivo.
3.6 Doença de Parkinson
Recomendação: Embora estudos mostrem abundância aumentada de A. muciniphila em pacientes com DP (possível mecanismo compensatório), não há ensaios clínicos de intervenção com a bactéria. Considerar suplementação com butirato (que melhora comprometimento motor e reduz neuroinflamação em modelos animais) e probióticos combinados que aumentem A. muciniphila (ex: Lactobacillus + inulina). Monitoramento da barreira intestinal e endotoxemia é recomendado.
3.7 Pré-eclâmpsia
Recomendação: Suplementação profilática com A. muciniphila viva (1 × 10⁸ UFC/mL, 2x/semana) ou AmEVs (20 μg/camundongo) antes da concepção, mantida durante a gestação. AmEVs melhoram a invasão trofoblástica e o remodelamento das artérias espiraladas via EGFR-PI3K-AKT, reduzindo a pressão arterial e a proteinúria. A segurança em humanos ainda requer validação (estudos em andamento).
3.8 Transtornos Neuropsiquiátricos (Depressão, Ansiedade, Autismo)
Recomendação: Suplementação com A. muciniphila viva (1 × 10⁸-1,5 × 10⁹ UFC/dia) ou Amuc_1100 (100 μg/dia) por 3-8 semanas. Em modelos de depressão, A. muciniphila aumenta BDNF e 5-HT no hipocampo, reduz inflamação e melhora comportamentos depressivos. Para autismo, a suplementação precoce (modelos animais) mitiga déficits sociais via ativação de neurônios dopaminérgicos na VTA. Considerar combinação com dieta cetogênica para aumentar a abundância de A. muciniphila.
3.9 Encefalopatia Hepática (Cirrose com Comprometimento Cognitivo)
Recomendação: Suplementação com A. muciniphila pasteurizada (10⁹ UFC/mL, 3x/semana) para restaurar a abundância reduzida, melhorar a função da barreira intestinal, reduzir a inflamação sistêmica e aumentar a expressão de BDNF e serotonina. O antagonista 5-HT2A/2B (sarpogrelato, 50 mg/kg) pode ser combinado para inibir a fibrose hepática sem afetar os efeitos neuroprotetores da serotonina.
Seção 4: Ficha Técnica dos Artigos
PMID: 31006995
- Título Traduzido: Akkermansia muciniphila é um probiótico promissor.
- Link Local: 31006995-pt-br.md
- Link Externo: https://doi.org/10.1111/1751-7915.13410
- Resumo Individual: Revisão abrangente sobre as características bacteriológicas, segurança e correlação com doenças metabólicas, imunológicas e câncer. Demonstra que A. muciniphila representa 1-4% da microbiota intestinal, é segura em humanos (até 60% de abundância sem eventos adversos) e está inversamente correlacionada com obesidade, diabetes tipo 2, DII e autismo. A forma pasteurizada mostrou eficácia superior na redução de massa gorda e resistência à insulina. A proteína Amuc_1100 (termoestável) ativa TLR2 e melhora a barreira intestinal. Estudo de intervenção em humanos com sobrepeso (NCT02637115) confirmou segurança e tolerabilidade.
PMID: 35874661
- Título Traduzido: Akkermansia muciniphila e o Sistema Imune Intestinal: Uma Boa Amizade que Atenua Doença Inflamatória Intestinal, Obesidade e Diabetes.
- Link Local: 35874661-pt-br.md
- Link Externo: https://doi.org/10.3389/fimmu.2022.934695
- Resumo Individual: Mini-revisão destacando os mecanismos imunomoduladores de A. muciniphila na DII, obesidade e diabetes. Em camundongos com colite, A. muciniphila reduz macrófagos CD16/32+, células T CD8+ e citocinas pró-inflamatórias (TNF-α, IL-6, IL-1β). A pasteurização aumentou a eficácia na síndrome metabólica. Em humanos, 10¹⁰ UFC/dia de A. muciniphila pasteurizada por 3 meses reduziu peso, massa gorda, circunferência do quadril, resistência à insulina, colesterol, marcadores hepáticos e inflamação sistêmica. A proteína P9 (84 kDa) melhora a homeostase da glicose via ICAM-2/IL-6.
PMID: 37165987
- Título Traduzido: Vesículas extracelulares derivadas de Akkermansia muciniphila promovem a placentação e mitigam a pré-eclâmpsia em um modelo de camundongo.
- Link Local: 37165987-pt-br.md
- Link Externo: https://doi.org/10.1002/jev2.12328
- Resumo Individual: Demonstra que A. muciniphila e suas vesículas extracelulares (AmEVs) atenuam a pré-eclâmpsia em camundongos C57BL/6J. A administração de A. muciniphila (1×10⁸ UFC/mL, dias alternados) reduziu a pressão arterial sistólica, promoveu o crescimento fetal e melhorou a patologia placentária. AmEVs (20 μg/camundongo) viajaram do TGI para a placenta, ativando a via EGFR-PI3K-AKT nos trofoblastos, aumentando a invasão e o remodelamento das artérias espiraladas. A segurança pré-concepcional foi confirmada (sem impacto negativo na fertilidade ou na prole).
PMID: 37377410
- Título Traduzido: Akkermansia muciniphila alivia a doença hepática gordurosa associada ao metabolismo relacionada à dieta rica em gordura ao modular a microbiota intestinal e os ácidos biliares.
- Link Local: 37377410-pt-br.md
- Link Externo: https://doi.org/10.1111/1751-7915.14293
- Resumo Individual: Estudo em camundongos C57BL/6 alimentados com HFD por 21 semanas, tratados com A. muciniphila viva (1,5×10⁹ UFC/dia). A administração reduziu ganho de peso, esteatose hepática, lesão hepática e melhorou a tolerância à glicose. A. muciniphila alterou a microbiota (↓ Alistipes, Lactobacillus, Tyzzerella; ↑ Ruminiclostridium, Oscillibacter), regulou o eixo FXR-FGF15 intestinal, reduziu ácidos biliares secundários (DCA, LCA) e melhorou a função da barreira intestinal (↓ permeabilidade, ↑ ocludina). Houve inibição da hipertrofia do tecido adiposo e regulação de adipocinas (↓ leptina, resistina; ↑ adiponectina).
PMID: 37492530
- Título Traduzido: Akkermansia muciniphila em transtornos neuropsiquiátricos: amiga ou inimiga?
- Link Local: 37492530-pt-br.md
- Link Externo: https://doi.org/10.3389/fcimb.2023.1224155
- Resumo Individual: Revisão sistemática sobre o papel de A. muciniphila no eixo microbiota-intestino-cérebro (EMIC) em depressão, ansiedade, Alzheimer, Parkinson, esclerose múltipla, AVC e autismo. Em modelos de depressão, A. muciniphila (10⁸ CFU/200 μL) aumentou BDNF e 5-HT no hipocampo, regulou a via BDNF/TrkB e reduziu neuroinflamação. Na doença de Alzheimer, camundongos APP/PS1 tratados com A. muciniphila (5×10⁹ UFC/200 μL) por 6 meses apresentaram melhora cognitiva, redução de placas Aβ e barreira intestinal restaurada. Na EM, a abundância aumentada de A. muciniphila correlacionou-se com menor incapacidade e maior volume cerebral. Efeitos contraditórios foram observados no autismo (↓ em alguns estudos, ↑ em outros).
PMID: 38653239
- Título Traduzido: Simbióticos intestinais aliviam MASH através de uma via biossintética de ácidos biliares secundários.
- Link Local: 38653239-pt-br.md
- Link Externo: https://doi.org/10.1016/j.cell.2024.03.034
- Resumo Individual: Estudo publicado na Cell identificou que o ácido 3-succinilcólico (3-sucCA), produzido por Bacteroides uniformis via enzima β-lactamase, está negativamente correlacionado com dano hepático em pacientes com MAFLD. O 3-sucCA alivia a MASH ao promover o crescimento de Akkermansia muciniphila. Este achado revela um eixo metabólico interespecies crucial para a modulação da microbiota intestinal no contexto da doença hepática.
PMID: 39192579
- Título Traduzido: Akkermansia muciniphila: Um probiótico promissor contra inflamação e distúrbios metabólicos.
- Link Local: 39192579-pt-br.md
- Link Externo: https://doi.org/10.1080/21505594.2024.2375555
- Resumo Individual: Revisão abrangente sobre os mecanismos de A. muciniphila na obesidade, diabetes tipo 2, DII e doenças parasitárias. Em modelos de obesidade, A. muciniphila viável ou pasteurizada reduz ganho de peso, massa gorda e melhora a homeostase da glicose. Em DII, a abundância de A. muciniphila está reduzida em pacientes com colite ulcerativa; a suplementação restaura a barreira intestinal e modula a resposta imune (↑ IL-10, ↓ TNF-α). Em infecções parasitárias (Schistosoma, Trichinella), a abundância de A. muciniphila aumenta, sugerindo papel protetor. A treonil-tRNA sintetase (AmTARS) induz polarização de macrófagos M2 via TLR2, facilitando produção de IL-10.
PMID: 39342324
- Título Traduzido: Akkermansia muciniphila melhora a disfunção cognitiva ao regular a via do BDNF e da serotonina no eixo intestino-fígado-cérebro.
- Link Local: 39342324-pt-br.md
- Link Externo: https://doi.org/10.1186/s40168-024-01924-8
- Resumo Individual: Estudo clínico e pré-clínico demonstrando que a abundância de A. muciniphila está reduzida em pacientes com cirrose hepática e encefalopatia hepática (EH), bem como em indivíduos com comprometimento cognitivo. Em camundongos com lesão hepática induzida por DDC (dieta) ou BDL (cirurgia), a administração de A. muciniphila viável ou pasteurizada (10⁹ UFC/mL, 3x/semana) restaurou a expressão de BDNF e serotonina no hipocampo, reduziu a microgliose (Iba-1) e melhorou a função cognitiva (testes de nidificação, labirinto aquático, reconhecimento de objetos). O efeito foi mediado pelo nervo vago e pela inibição dos receptores 5-HT2A/2B no fígado. Dados humanos (100 pacientes com fibrose) confirmaram correlação entre níveis de BDNF, serotonina e HVPG.
PMID: 39833898
- Título Traduzido: Akkermansia muciniphila e seu metabólito ácido propiônico mantêm a divisão mitocondrial neuronal e a homeostase da autofagia durante o processo patológico da doença de Alzheimer via GPR41 e GPR43.
- Link Local: 39833898-pt-br.md
- Link Externo: https://doi.org/10.1186/s40168-024-02001-w
- Resumo Individual: Estudo mecanístico demonstrando que pacientes com Alzheimer apresentam redução de A. muciniphila e de propionato nas fezes e no soro. Em camundongos 5×FAD, a suplementação com propionato de sódio (400 mmol/L na água) por 8 semanas melhorou a cognição, reduziu a fissão mitocondrial (↓ DRP1 via GPR41) e aumentou a mitofagia (↑ PINK1/PARKIN via GPR43). A. muciniphila viva (2×10⁸ UFC/mL, dias alternados) produziu efeitos similares. A otimização do mRNA de Cyp8b1 via m6A demonstrou ser um mecanismo adicional. O estudo fornece a primeira evidência de que a homeostase mitocondrial pode ser restaurada sem intervenção direta em Aβ ou tau.
PMID: 39888270
- Título Traduzido: Quercetina-Impulsionada Akkermansia muciniphila Alivia a Obesidade ao Modular o Metabolismo dos Ácidos Biliares através de um ILA/m6A/CYP8B1.
- Link Local: 39888270-pt-br.md
- Link Externo: https://doi.org/10.1002/advs.202412865
- Resumo Individual: Estudo inovador mostrando que a quercetina (100 mg/kg/dia) reverte a obesidade em camundongos C57BL/6J alimentados com HFD ao aumentar a abundância de A. muciniphila. A. muciniphila produz ácido indol-3-láctico (ILA), que regula positivamente a expressão de FTO, reduzindo a metilação m6A do mRNA de Cyp8b1, aumentando a enzima CYP8B1 e a conversão de colesterol em ácido cólico (CA). O CA ativa FXR no tecido adiposo, inibindo a adipogênese e a inflamação. Tanto A. muciniphila viável quanto pasteurizada, bem como ILA (20 mg/kg/dia), reproduziram os efeitos anti-obesidade. A via FTO/m6A/YTHDF2 foi identificada como um novo mecanismo regulatório do metabolismo de ácidos biliares influenciado por microrganismos.
📚 Artigos Científicos do Tema (10)
Estudos analisados e consolidados neste tema. Clique para ver a tradução e detalhes individuais de cada artigo:
- PMID: 35874661
- PMID: 37492530
- PMID: 39192579
- Akkermansia muciniphila alivia a doença hepática gordurosa associada ao metabolismo relacionada à dieta rica em gordura ao modular a microbiota intestinal e os ácidos biliares. PMID: 37377410
- Akkermansia muciniphila e seu metabólito ácido propiônico mantêm a divisão mitocondrial neuronal e a homeostase da autofagia durante o processo patológico da doença de Alzheimer via GPR41 e GPR43. PMID: 39833898
- Akkermansia muciniphila é um probiótico promissor. PMID: 31006995
- Akkermansia muciniphila melhora a disfunção cognitiva ao regular a via do BDNF e da serotonina no eixo intestino-fígado-cérebro. PMID: 39342324
- Quercetina-Impulsionada Akkermansia Muciniphila Alivia a Obesidade ao Modular o Metabolismo dos Ácidos Biliares através de um ILA/m PMID: 39888270
- Simbióticos intestinais aliviam MASH através de uma via biossintética de ácidos biliares secundários. PMID: 38653239
- Vesículas extracelulares derivadas de Akkermansia muciniphila promovem a placentação e mitigam a pré-eclâmpsia em um modelo de camundongo. PMID: 37165987