# Unidade 1 - Lesao Celular Reversivel/Irreversivel, Adaptacao, Necrose e Apoptose
Modulo de Formacao Tecnica e Fundamentacao Cientifica - Acervo Integrativia.
Introducao Geral a Unidade
O estudo de Lesao Celular Reversivel/Irreversivel, Adaptacao, Necrose e Apoptose na disciplina de Fisiopatologia Geral e Processos Patologicos estabelece as bases conceituais, metodologicas e praticas indispensaveis para a formacao e atuacao tecnica do profissional biomedico e de saude, integrando a fundamentacao cientifica aos protocolos laboratoriais, interpretacao analitica e conduta clinica integrada.
Capítulo 1: Unidade 1 — Fundamentos, Conceitos e Bases Didáticas
Módulo de síntese técnica e conduta clínica do acervo Integrativia.
ACESSE AQUI ESTE MATERIAL DIGITAL! PAULA BRITTO DOS SANTOS AZEVEDO FISIOPATOLOGIA GERAL
Coordenador(a) de Conteúdo Viviane Hadlich Dos Santos Projeto Gráfico e Capa Arthur Cantareli Silva Editoração Daiane Victória Maass Design Educacional Kátia Salvato Revisão Textual Tatiane Schmitt Costa Ilustração Andre Luis Azevedo da Silva Eduardo Aparecido Alves Geison Ferreira da Silva Fotos Shutterstock e Envato Bibliotecária: Leila Regina do Nascimento - CRB- 9/1722. Núcleo de Educação a Distância. AZEVEDO, Paula Britto dos Santos. Fisiopatologia Geral / Paula Britto dos Santos Azevedo. Florianópolis, SC: Arqué, 2024. 208 p. ISBN papel 978-65-279-0219-5 ISBN digital 978-65-279-0220-1 1. Fisiopatologia 2. Geral 3. EaD. I. Título. CDD - 616.3625 EXPEDIENTE N964
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Utilizado para temas, assuntos ou conceitos avançados, levando ao aprofundamento do que está sendo trabalhado naquele momento do texto. Uma dose extra de bem-vinda. Aqui você terá indicações de filmes que se conectam com o tema do conteúdo. INDICAÇÃO DE FILME Uma dose extra de bem-vinda. Aqui você terá indicações de livros que agregarão muito na sua vida profissional. INDICAÇÃO DE LIVRO Utilizado para desmistificar pontos que possam gerar confusão sobre o tema. Após o texto trazer a explicação, essa interlocução pode trazer pontos adicionais que contribuam para que o estudante não fique com dúvidas sobre o tema. ZOOM NO CONHECIMENTO Este item corresponde a uma proposta de reflexão que pode ser apresentada por meio de uma frase, um trecho breve ou uma pergunta. PENSANDO JUNTOS Utilizado para aprofundar o conhecimento em conteúdos relevantes utilizando uma linguagem audiovisual. EM FOCO Utilizado para agregar um conteúdo externo. EU INDICO Professores especialistas e convidados, ampliando as discussões sobre os temas por meio de fantásticos podcasts. PLAY NO CONHECIMENTO PRODUTOS AUDIOVISUAIS Os elementos abaixo possuem recursos audiovisuais. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem.
141U N I D A D E 3 MECANISMOS FISIOPATOLÓGICOS DAS DOENÇAS INFECCIOSAS . . . . . . . . . . . . 142 MECANISMOS FISIOPATOLÓGICOS DAS DOENÇAS METABÓLICAS E DO SISTEMA ENDÓCRINO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 164 MECANISMOS FISIOPATOLÓGICOS DAS DOENÇAS DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 188 7U N I D A D E 1 NOÇÕES GERAIS DE FISIOPATOLOGIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 MECANISMOS FISIOPATOLÓGICOS DA DOR, AGRESSÃO, DEFESA, ADAPTAÇÃO E LESÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 INFLAMAÇÃO E REPARO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52 77U N I D A D E 2 MECANISMOS FISIOPATOLÓGICOS DAS DOENÇAS DO SISTEMA OSTEOARTICULAR . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78 MECANISMOS FISIOPATOLÓGICOS DAS DOENÇAS DO SISTEMA MUSCULAR . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96 MECANISMOS FISIOPATOLÓGICOS DAS DOENÇAS DO SISTEMA CARDIOVASCULAR . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 118 SUMÁRIO
UNIDADE 1
MINHAS METAS NOÇÕES GERAIS DE FISIOPATOLOGIA Conceituar o termo fisiopatologia. Entender como a patogênese é utilizada para predizer doenças. Conhecer os tipos de microscópios e como se deu sua evolução. Conceituar saúde e doença. Refletir sobre como se dão parâmetros fisiológicos normais e anormais. Entender como os fatores gerais afetam a expressão de uma doença. Recordar quais são as estruturas celulares e suas funções. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 1
INICIE SUA JORNADA A fisiopatologia desafia o aluno a compreender como as alterações na estrutura e função normais do corpo levam ao surgimento de doenças. Esse conhecimento não é apenas teórico, mas essencial para o diagnóstico e tratamento eficazes. Considere, por exemplo, uma situação em que o cérebro, devido a uma anormalidade estrutural, manifesta um conjunto específico de sinais e sintomas. Esse cenário exige que o estudante vá além da teoria, identificando e interpretando esses sintomas para desenvolver um plano de tratamento adequado. O estudo da fisiopatologia oferece uma visão ampla e detalhada dos processos das doenças, com ênfase nas condições mais críticas. Ao aprofundar-se nesse campo, o estudante não apenas reconhece a complexidade envolvida no diagnóstico e no tratamento, mas também se prepara para enfrentar os desafios reais da prática profissional. Reflexões sobre esses aspectos durante o aprendizado permitem que o estudante se coloque no papel de um profissional, antecipando as dificuldades e as responsabilidades que encontrará no mercado de trabalho. Esse processo, que começa com o questionamento e se aprofunda com a análise de dados e informações relevantes, fortalece a compreensão do aluno e o prepara para aplicar esse conhecimento de forma prática e eficaz em sua futura carreira. Portanto, dominar a fisiopatologia é mais do que entender as doenças; é uma preparação indispensável para enfrentar o mundo profissional, onde o conhecimento teórico encontra sua verdadeira aplicação. Olá, estudante! Não perca o primeiro episódio da série de podcasts sobre Fisiopatologia Geral: "Células-Tronco". Acesse agora e aprofunde seus conhecimentos! Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. PLAY NO CONHECIMENTO
Topico 1 - VAMOS RECORDAR? Neste vídeo, você terá acesso a informações sobre a mitocôndria, uma organela citoplasmática que desempenha um papel central na produção de energia em forma de ATP, essencial para o funcionamento e a sobrevivência das células. Vamos mergulhar no processo de respiração celular e entender como a mitocôndria sustenta a vida em nível molecular? Acesse o link: https://www.youtube.com/ watch?v=VXrh_gDxTLkw DESENVOLVA SEU POTENCIAL INTRODUÇÃO À FISIOPATOLOGIA GERAL O termo fisiopatologia deriva da interseção de outras duas importantes disciplinas: patologia (pathos= sofrimento) e fisiologia (physis= natureza). Patologia é o estudo do diagnóstico da doença através do exame dos órgãos, tecidos, células e fluidos corporais. Fisiologia é o estudo das funções mecânicas, físicas e bioquímicas dos organismos vivos. Portanto, o termo fisiopatologia se refere ao estudo das anormalidades do funcionamento fisiológico dos seres vivos (Kierszenbaum; Tres, 2020).
A fisiopatologia busca revelar as respostas fisiológicas de um organismo e suas alterações no meio interno e externo. Devido ao fato de os seres humanos apresentarem grande diversidade, a saúde e funcionamento corporal não se apresentam da mesma maneira entre as pessoas. No entanto, descobrir as respostas comuns e esperadas frente às anormalidades do funcionamento fisiológico é útil, e permite uma predição da progressão clínica, identificação de possíveis causas, e seleção de intervenções que nos auxiliam no curso de uma doença (Mohan; Mohan, 2017). Com o aumento de medidas mais sofisticadas de mensuração das funções fisiológicas e bioquímicas, uma grande variedade de doenças e desordens na população se tornaram evidentes. Essa evolução nos deu a oportunidade de descobrir as doenças em seus primeiros estágios, antes de aparecerem os primeiros sintomas (Mohan; Mohan, 2017). O MICROSCÓPIO Outra disciplina que se torna uma aliada no estudo da fisiopatologia, é a histologia. A histologia se dedica ao estudo da estrutura microscópica das células, tecidos e órgãos do corpo e analisa como essas estruturas microscópicas se organizam para formar os diferentes órgãos e sistemas orgânicos (Junqueira; Carneiro, 2023). Para analisar o exame de cortes histológicos utiliza-se o microscópio de luz, também denominado microscópio óptico ou fotônico. A imagem é projetada a partir dos raios luminosos do feixe de luz que atravessam o objeto de pesquisa. Este tipo de microscópio é formado por partes mecânicas e ópticas. O sistema óptico é composto por três conjuntos de lentes: o condensador, as lentes objetivas e as lentes oculares. O condensador foca a luz de uma fonte luminosa e direciona um feixe luminoso sobre a amostra. A lente objetiva captura o feixe que atravessa o espécime e forma uma imagem ampliada que é projetada em direção à lente ocular (Junqueira; Carneiro, 2023). O poder de resolução máximo da maioria dos microscópios de luz é de aproximadamente 0,2 micrômetros. Essa resolução permite a obtenção de imagens ampliadas entre 1.000 e 1.500 vezes. Objetos menores ou mais finos que 0,2 micrômetros (como a membrana celular ou um filamento de actina) não podem ser diferenciados por esse equipamento. Da mesma forma, dois objetos, como duas mitocôndrias ou dois lisossomos, aparecerão como um único
Topico 1 - objeto se estiverem a uma distância inferior a 0,2 micrômetros. Assim, o fator que determina a riqueza de detalhes da imagem fornecida por um sistema óptico é seu poder de resolução, e não apenas a capacidade de realizar grandes ampliações (Junqueira; Carneiro, 2023). Em um microscópio óptico convencional, a imagem obtida a partir de cortes histológicos ou células em cultivo resulta da sobreposição de vários planos focais, o que pode prejudicar a clareza da imagem. Para contornar esse problema, foi desenvolvido o microscópio confocal, que permite capturar imagens de planos muito finos dos espécimes (Junqueira; Carneiro, 2023). Quando certas substâncias são expostas à luz de um comprimento de onda específico, elas emitem luz com um comprimento de onda maior, resultando em uma cor diferente. Esse fenômeno é conhecido como fluorescência. Nos microscópios de fluorescência, os cortes ou células colocados em lâminas ou placas são iluminados por uma fonte de luz com um comprimento de onda definido (Junqueira; Carneiro, 2023). Nos microscópios eletrônicos, os objetos em análise interagem com elétrons, permitindo a produção de imagens e informações sobre sua composição química. O microscópio eletrônico de transmissão pode teoricamente alcançar uma resolução extremamente alta de 0,1 nm. Contudo, na prática, a resolução obtida pelos melhores instrumentos para pesquisa biológica e de materiais é em torno de 3 nm, permitindo a visualização de espécimes ampliados até aproximadamente 400 mil vezes com grande detalhe. Nos microscópios eletrônicos, o feixe de elétrons se desloca de cima para baixo, ao contrário da maioria dos microscópios ópticos (Junqueira; Carneiro, 2023). O microscópio eletrônico de varredura produz imagens pseudo tridimensional das superfícies de células, tecidos e órgãos inteiros ou seccionados. Diferente do microscópio eletrônico de transmissão, os elétrons não atravessam o objeto de análise. Neste tipo de microscópio, um feixe de elétrons muito fino é focalizado sobre a amostra, percorrendo sua superfície de forma sequencial, sendo refletido e capturado por um detector. O resultado é uma imagem em preto e branco que pode ser visualizada em um monitor, fotografada ou digitalizada (Junqueira; Carneiro, 2023).
BASES DA FISIOLOGIA E PATOLOGIA A fisiopatologia examina distúrbios das funções bioquímicas, físicas e mecânicas normais causadas por uma doença ou síndrome anormal ou alguma condição de saúde (Kumar et al., 2023). Por exemplo, a fisiopatologia da inflamação, hipertensão, déficit de volume, hipóxia e isquemia são importantes para o entendimento de um grande número de patologias, mas cada processo em separado não é necessariamente uma doença específica (Kumar et al., 2023). A Fisiopatologia inclui quatro tópicos conectados: etiologia, patogênese, manifestações clínicas e implicações do tratamento: ■Etiologia se refere ao estudo das causas propostas de determinado processo de doença. Etiologia é uma noção complexa, pois a maioria das doenças é multifatorial, resultando da relação da constituição genética e influências do ambiente. ■Patogênese se refere aos mecanismos propostos onde um estímulo etiológico leva a observação de manifestações clínicas típicas. Patogênese descreve os efeitos diretos do início do evento, bem como as respostas fisiológicas usuais e mecanismos compensatórios. ■Manifestações clínicas descrevem os sinais e sintomas que tipicamente acompanham determinada doença. As manifestações podem variar dependendo do estágio da desordem, variação individual e cronicidade. ■O entendimento da etiologia, patogênese e manifestações clínicas de uma doença leva ao diagnóstico, que sugere que certos tratamentos podem ser eficazes. A fisiopatologia examina distúrbios das funções bioquímicas
Topico 1 - CONCEITO SAÚDE E DOENÇA Doença pode ser definida como um desvio do estado de saúde ou do estado de bem-estar. A Organização Mundial da Saúde define saúde como "um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não meramente a ausência de doença ou enfermidade" (Kelley, 2008). A doença se desenvolve quando ocorrem mudanças significativas no corpo, levando a um estado no qual a homeostase não pode ser mantida sem intervenção. Em condições normais, a homeostase, ou um ambiente interno relativamente constante ou estável, é mantida dentro do corpo com relação a fatores como pressão sanguínea, temperatura corporal e equilíbrio de fluidos (Rye et al., 2016). A prevenção de doenças tornou-se um objetivo primordial na prestação de cuidados de saúde. As causas conhecidas e os fatores que predispõem a doenças específicas são utilizados para desenvolver programas preventivos mais eficazes. É crucial continuar identificando fatores significativos adicionais e reunir dados para reduzir ainda mais a incidência de certas doenças. Conceito de normalidade em saúde e doença A habilidade de mensurar parâmetros estruturais, fisiológicos, bioquímicos e genéticos em um indivíduo permite a avaliação da informação que é útil no diagnóstico e monitoramento de doenças clínicas. Muitas destas medidas são comumente usadas no rastreio de doenças ou na avaliação dos riscos de uma determinada doença ocorrer no futuro. Para determinar se um determinado achado é indicativo de uma doença ou anormalidade, deve ser comparado com o que é "normal" (Kumar et al., 2023). Muitos parâmetros clínicos são avaliados por observação direta de um examinador. Coloração e temperatura da pele, qualidade dos pulsos, reações da pupila à luz, acuidade mental, força muscular, mobilidade articular e sons cardíacos são apenas alguns exemplos de avaliação que são subjetivamente interpretadas baseados na observação do examinador. A confiabilidade dos dados obtidos de uma observação é dependente da habilidade e experiência do examinador (Kumar et al., 2023). Ao definir valores "normais" para indicadores de saúde como pressão arterial ou pulso, os números geralmente representam uma média ou uma pequena faixa de valores. Esses valores representam o que se espera em um indivíduo típico,
mas não são um critério absoluto. Entre indivíduos saudáveis, os números reais podem ser ajustados conforme fatores como idade, gênero, genética, ambiente e nível de atividade. Atletas bem treinados frequentemente apresentam um pulso ou frequência cardíaca mais baixos do que a média (Kumar et al., 2023). ORGANIZAÇÃO FUNCIONAL DO CORPO Organismos simples são formados por uma única célula, enquanto organismos mais complexos possuem muitas células que apresentam diversas especializações, tanto estruturais quanto funcionais. Os grupos de células que realizam funções semelhantes são denominados tecidos. Esses tecidos se organizam para formar unidades estruturais e funcionais conhecidas como órgãos, e grupos de órgãos trabalham juntos para compor os sistemas (Junqueira; Carneiro, 2023). Figura 1 - Níveis de organização funcional. / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: a imagem apresenta cinco desenhos dispostos um do lado do outro e com escritas embaixo. Começando do lado esquerdo há o desenho de três anéis entrelaçados formando uma estrela, em um desses anéis há duas bolas e no centro há várias bolinhas juntas, abaixo desse desenho está escrito "Química; átomos; moléculas". No segundo desenho há uma estrutura de formato ovalado, dentro dela há estruturas menores de várias formas, abaixo está escrito "Biologia Molecular; Células". No terceiro desenho, há duas estruturas nas bordas que lembram tecidos da pele, abaixo está escrito "Biologia celular; tecidos". No quarto desenho, é possível ver os lobos dos pulmões, veias e artérias, abaixo está escrito "Fisiologia; órgãos; sistemas; organismos; populações de uma mesma espécie". No último desenho, há várias árvores, grama e terra, abaixo está escrito "Ecologia; ecossistema com diversas espécies; biosfera". Fim da descrição. Química • átomos moléculas Biologia Molecular • células Biologia Celular • tecidos Fisiologia • órgãos • sistemas • organismos • populações de uma mesma espécie Ecologia • ecossistema com diversas espécies • biosfera
Topico 1 - ORGANIZAÇÃO ESTRUTURAL DO CORPO A célula é a unidade fundamental da vida, portanto também se torna a unidade fundamental para o entendimento das doenças. São complexas unidades limitadas por membranas que contêm uma infinidade de substâncias químicas e macromoléculas. As células podem se replicar e assim formar novas células no organismo (Silverthorn, 2017). Grande parte do nosso conhecimento sobre a fisiologia celular derivou do estudo das células procarióticas, uma classe de células que inclui bactérias e arqueias. As células procarióticas são menores e mais simples do que as células eucarióticas, não possuindo núcleo definido ou organelas citoplasmáticas. Fungos, plantas e animais pertencem à classe de células eucarióticas, que possuem um núcleo envolto por membrana e uma variedade de organelas citoplasmáticas (Rye et al., 2016). Figura 2 - Célula eucariótica / Fonte: https://pt.m.wikibooks.org/wiki/Ficheiro:Celula2.png. Acesso em: 28 ago. 2024. O material genético (DNA) está contido no núcleo separado do citoplasma pela membrana nuclear. Este modelo celular é chamado célula eucarionte. Mitocôndria Lisossomo Retículo endoplasmático Ribossomo Nucléolo Núcleo Membrana nuclear Centríolo Vacúolo digestivo Complexo de Golgi Peroxissomo O citoplasma é o espaço entre o núcleo e a memC brana da célula. No seu interior, está o hialoplasma, um fluido composto por água e várias outras substâncias no qual flutuam os organulos celulares. A célula é a unidade fundamental da vida
Descrição da Imagem: a imagem apresenta o desenho de uma célula eucariótica. É possível visualizar uma estrutura oval e dentro dela há estruturas de formas variadas. Ao longo dessa estrutura do lado de fora estão escrito os nomes das estruturas e indicando as mesmas com setas, iniciando do lado direito na parte superior e descendo. Do lado direito na parte superior está escrito "O material genético (DNA) está contido no núcleo separado do citoplasma pela membrana nuclear. Este modelo celular é chamado célula eucarionte", essa escrita indica a borda de uma estrutura redonda grande. Abaixo dessa escrita está escrito "Mitocôndria", essa indica uma estrutura que lembra um grão de feijão. Seguindo, temos a escrita "Lisossomo", essa indica para uma estrutura oval pequena. Seguindo temos a escrita "Retículo endoplasmático" essa indica para três estruturas achatadas com pequenas bolas em sua extensão. Seguindo, temos a escrita "Ribossomo" essa indica para uma pequena bolinha. Seguindo, temos a escrita "Nucléolo", essa indica para uma estrutura redonda pequena, localizada dentro de uma estrutura maior. Seguindo, temos a escrita "Núcleo", essa indica para uma estrutura redonda, grande, semiaberta, e dentro dela que está o Núcleo. Seguindo, temos a escrita "Membrana nuclear", ela fica envolta do Núcleo. Seguindo, temos a escrita "Centríolo", essa escrita indica uma estrutura cilíndrica. Seguindo temos a escrita "Vacúolo digestivo", essa escrita indica uma estrutura oval com pequenas bolinhas. Seguindo, temos a escrita "Complexo de Golgi", essa escrita indica várias estruturas achatadas em zigue - zague. Seguindo, temos a escrita "Peroxissomo", essa escrita indica uma pequena bolinha. Para finalizar temos a escrita "O citoplasma é o espaço entre o núcleo e a membrana da célula. No seu interior, está o hialoplasma, um fluido composto por água e várias outras substâncias no qual flutuam os organulos celulares", essa escrita indica uma parte transparente do desenho. Fim da descrição. Membrana Plasmática A membrana celular protege o conteúdo interno da célula do ambiente externo e desempenha uma variedade de funções, incluindo o transporte de nutrientes e resíduos, geração de potenciais de membrana e reconhecimento, comunicação e regulação do crescimento das células. A membrana celular permite que a célula responda e se adapte a mudanças em seu ambiente (Silverthorn, 2017). De acordo com o modelo de mosaico fluido, descrito pela primeira vez na década de 1960 por Singer e Nicolson, a membrana plasmática é uma associação dinâmica de moléculas de lipídio e proteína. As moléculas de lipídio estão dispostas em uma bicamada lipídica, que é altamente impermeável à maioria das moléculas solúveis em água, incluindo íons, glicose e proteínas. Uma variedade de proteínas embutidas na bicamada lipídica desempenha a maior parte das funções das membranas (Silverthorn, 2017). Muitas proteínas alteram sua função por meio de mudanças em sua estrutura tridimensional. Essas mudanças podem abrir ou fechar locais de ligação ou alterar a relação com outras proteínas e lipídios. Algumas proteínas de membralipídica e estão em contato tanto com os fluidos extracelulares quanto com os intracelulares. Essas proteínas têm a função de transporte de moléculas para
Topico 1 - dentro e fora das células e a transdução de sinais extracelulares em mensagens intracelulares (Silverthorn, 2017). Organelas citoplasmáticas As organelas citoplasmáticas são estruturas especializadas dentro das células eucarióticas, desempenhando funções essenciais para a sobrevivência e o funcionamento celular. Cada organela tem um papel específico. Essas organelas trabalham de forma coordenada para manter a homeostase celular, facilitando processos como a produção de energia, a síntese de biomoléculas, a degradação de resíduos e a detoxificação. Citoesqueleto O citoesqueleto mantém a forma da célula, permite o movimento celular e direciona o tráfego de substâncias dentro da célula. Existem três tipos principais de filamentos de proteínas que compõem o citoesqueleto (Kierszenbaum; Tres; 2020). Os filamentos de actina desempenham um papel fundamental no movimento celular. Células musculares estão repletas de filamentos de actina, que permitem à célula realizar sua função primária de contração. No entanto, células não musculares também possuem filamentos de actina que são importantes para a movimentação celular e a fagocitose (Kierszenbaum; Tres, 2020).
Os microtúbulos são os responsáveis pela organização do citoplasma e de suas organelas. Nas células animais, os microtúbulos se originam no centro da célula, ou centrossoma, próximo ao núcleo, e se irradiam em direção ao perímetro celular em finos filamentos em forma de rede. Os microtúbulos guiam o transporte ordenado de organelas e vesículas no citoplasma, bem como a distribuição igualitária dos cromossomos durante a divisão celular. Já os filamentos intermediários são proteínas fibrosas e fortes (Kierszenbaum; Tres, 2020). Núcleo A maior organela citoplasmática é o núcleo, que contém as informações genéticas da célula na forma de DNA. O genoma humano contém cerca de 20.000 genes que codificam proteínas, que é a transcrição do RNA. A membrana nuclear é o envelope externo composto por 2 camadas. A camada externa da membrana nuclear é pontilhada com ribossomos e é contínua com o retículo endoplasmático. As duas camadas da membrana nuclear em alguns locais estão fundidas, formando poros nucleares circulares que têm cerca de 50 nm de diâmetro (Kierszenbaum; Tres, 2020). O núcleo contém muitas proteínas que ajudam a mediar suas funções de controle genético e hereditariedade. Essas proteínas, incluindo histonas, polimerases e proteínas reguladoras, são fabricadas no citosol e transportadas para o núcleo através dos poros nucleares (Kierszenbaum; Tres, 2020). A principal substância do núcleo é composta pela cromatina nuclear, que quais existem 23 pares (46 cromossomos). Cada cromossomo é composto por dois cromatídios conectados no centrômero, formando uma configuração 'X' com variação na localização do centrômero. Os cromossomos são compostos por 3 componentes, cada um com função distintiva: DNA, que compreende cerca de 20%, RNA, cerca de 10%, e os restantes 70% consistem de proteínas nucleares (histonas, proteínas neutras e proteínas ácidas) (Kierszenbaum; Tres, 2020). O núcleo pode conter um ou mais corpos arredondados chamados nucléolos. O nucléolo é o local de síntese do RNA ribossômico e é composto por grânulos e fibrilas que representam o RNA ribossômico recém-sintetizado (Kierszenbaum; Tres, 2020). Uma das principais funções do núcleo é proteger e preservar a informação genética para que ela possa ser replicada de forma exata e transmitida durante
Topico 1 - a divisão celular. Além disso, o DNA nuclear controla a produção de enzimas celulares, receptores de membrana, proteínas estruturais e outras proteínas que definem o tipo e o comportamento da célula (Kierszenbaum; Tres, 2020). Centríolo Cada célula contém um par de centríolos no citoplasma, próximo ao núcleo, na por microtúbulos densos e uniformemente distribuídos. Eles desempenham a função de formação de cílios e flagelos, e constituem o fuso mitótico de proteínas fibrilares durante a mitose (Hall; Hall, 2021). Retículo Endoplasmático O retículo endoplasmático (RE) é uma rede de membranas que se estende por todo o citoplasma e está presente em todas as células eucarióticas. Desempenha um papel central na síntese de componentes de membrana, incluindo proteínas e lipídios, para a membrana plasmática e organelas celulares, além de participar da síntese de produtos a serem secretados da célula (Silverthorn, 2017). O RE é dividido em dois tipos: rugoso e liso (classificação baseada em sua aparência sob o microscópio eletrônico). O RE rugoso é revestido com ribossomos ao longo de sua superfície externa. Os ribossomos são complexos de proteínas e RNA que são formados no núcleo e transportados para o citoplasma. Sua função principal é a síntese de proteínas (Silverthorn, 2017).
Complexo de Golgi O complexo de Golgi é composto por uma pilha de compartimentos de membrana lisa. Esses compartimentos estão organizados em uma série de pelo menos três compartimentos de processamento. O primeiro compartimento (face cis) está próximo ao retículo endoplasmático e recebe proteínas e lipídios recém-sintetizados por meio de vesículas de transporte do RE (Silverthorn, 2017). A medida que as moléculas de lipídios e proteínas passam pela sequência de compartimentos do complexo de Golgi, são modificadas por enzimas que anexam ou rearranjam moléculas de carboidratos. Após a disposição específica desses carboidratos, os lipídios e proteínas são empacotados em vesículas de transporte do complexo de Golgi (vesículas secretoras). As vesículas secretoras então transportam seu conteúdo principalmente para a membrana plasmática e para os lisossomos (Silverthorn, 2017). Lisossomos e Peroxissomos O transporte de vesículas secretoras para os compartimentos membranosos de enzimas digestivas é conhecido como lisossomos. Os lisossomos estão preenchidos com diferentes hidrolases ácidas (Hall; Hall, 2021). Os lisossomos têm os materiais que realizam a digestão celular através de três principais vias. A primeira é a via utilizada para digerir produtos absorvidos por endocitose. Nessa via, vesículas endocíticas se desprendem da membrana plasmática para fundir-se com endossomos. Os endossomos amadurecem em lisossomos à medida que o complexo de Golgi entrega enzimas lisossomais a eles, o pH dentro do lisossomo se acidifica e a digestão ativa ocorre. As membranas lisossomais contêm bombas de prótons (ATPase do tipo V) que utilizam a energia da hidrólise do ATP para bombear íons H+ para o interior do lisossomo à medida que ele amadurece (Hall; Hall, 2021). A segunda via é a autofagia, pela qual partes danificadas da própria célula são destruídas. Uma terceira via que fornece materiais aos lisossomos está presente apenas em células fagocíticas especializadas. Por exemplo, os leucócitos são capazes de ingerir grandes partículas, que então formam um fagosomo capaz de se fundir com um lisossomo (Hall; Hall, 2021).
Topico 1 - Os peroxissomos (microcorpos), assim como os lisossomos, são sacos membranosos de enzimas que realizam funções degradativas. Eles são particularmente importantes nas células do fígado e dos rins, onde desintoxicam várias substâncias, como o álcool. Em contraste com os lisossomos, que contêm enzimas hidrolases, os peroxissomos contêm enzimas oxidativas (Hall; Hall, 2021). Mitocôndrias energia em formas que podem ser utilizadas para produzir reações celulares. Cada mitocôndria é envolvida por duas membranas especializadas (Hall; Hall, 2021). A membrana interna forma um espaço limitado, chamado matriz, que contém uma mistura concentrada de enzimas mitocondriais. A estrutura da membrana de superfície para as importantes enzimas ligadas à membrana da cadeia respiratória. Essas enzimas são essenciais para o processo de fosforilação oxidativa, que gera a maior parte do trifosfato de adenosina (ATP) da célula (Hall; Hall, 2021). A membrana externa contém numerosas proteínas de transporte semelhantes a porinas, formando grandes canais aquosos que tornam a membrana porosa. terna) é a principal porta de entrada das mitocôndrias. No entanto, a membrana interna é bastante impermeável e transportadores de proteínas específicos são necessários para atravessar a membrana mitocondrial interna (Hall; Hall, 2021). A teoria endossimbiótica, formulada por Lynn Margulis em 1981, defende que as mitocôndrias sejam descendentes de organismos procariontes que foram englobados por células e, assim, passaram a viver em simbiose. De acordo com essa teoria, os ancestrais das mitocôndrias eram organismos que habitam dentro de outro organismo. Após a captura, a célula procariótica permaneceu no citoplasma da célula hospedeira sem ser degradada e os dois organismos começaram a coexistir em simbiose (Hall; Hall, 2021). A fisiopatologia, ao integrar conhecimentos da patologia e fisiologia, oferece uma compreensão aprofundada das alterações funcionais que ocorrem durante os processos de doença. Esta área do conhecimento é muito importante para a prática clínica, pois possibilita a antecipação de manifestações clínicas e a escolha de intervenções terapêuticas adequadas. Além disso, o avanço das técnicas de
diagnóstico, como o uso de microscópios e a análise de tecidos, tem contribuído significativamente para a detecção precoce de doenças, o que melhora as chances de tratamento eficaz. Compreender a organização funcional e estrutural do corpo humano, desde o nível celular até o de sistemas, é fundamental para entender as bases da saúde e da doença, fornecendo o alicerce necessário para o desenvolvimento de abordagens preventivas e terapêuticas na medicina moderna. Acesse seu ambiente virtual de aprendizagem e confira a aula referente a este tema. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EM FOCO NOVOS DESAFIOS A compreensão da fisiopatologia é fundamental para a formação dos profissionais de saúde e desempenha um papel importante em suas futuras carreiras. Este conhecimento é essencial para diagnosticar, tratar e prevenir doenças de maneira eficaz. Por meio da teoria, eles adquirem uma base sólida sobre os processos normais e anormais do corpo humano. Por outro lado, a prática, especialmente através de laboratórios e uso de tecnologias avançadas, como microscópios ópticos e eletrônicos, permite que os alunos observem e analisem diretamente essas anomalias, fortalecendo sua compreensão e habilidades analíticas. As técnicas de histologia, que envolvem a análise detalhada de células e tecidos, equipam os futuros profissionais com habilidades essenciais para a pesquisa e diagnóstico. O conhecimento sobre a estrutura e função celular, além de técnicas avançadas de microscopia, é aplicado no desenvolvimento de novos tratamentos e na melhoria das práticas clínicas existentes. No mercado de trabalho, os profissionais de saúde devem ser capazes de aplicar esses conhecimentos para identificar patologias em estágios iniciais, antes mesmo que os sintomas se manifestem. Isso não só melhora os resultados do tratamento, mas também reduz os custos de saúde ao prevenir a progressão de doenças. Além disso, a capacidade de realizar diagnósticos precisos e rápidos é valorizada em ambientes clínicos e laboratoriais, onde a eficiência e a precisão são críticas.
Topico 1 - O ambiente profissional de saúde está em constante evolução com novas descobertas e tecnologias. Assim, a educação em fisiopatologia, combinando teoria e prática, prepara os estudantes para se adaptarem às mudanças e para contribuir significativamente no avanço da medicina. Eles se tornam profissionais capazes de inovar, liderar equipes de saúde e melhorar a qualidade dos cuidados aos pacientes. Ao entenderem profundamente as bases da fisiopatologia, esses profissionais estarão aptos a enfrentar os desafios futuros, promovendo a saúde e o bem-estar da população.
é produzir um suprimento constante de adenosina trifosfato (ATP), a principal molécula carreadora de energia da célula. O processo de fabricar ATP usando energia química de combustíveis, como os açúcares, acontece dentro da mitocôndria. Embora as mitocôndrias sejam encontradas na maioria dos tipos celulares de humanos, seus números variam dependendo da função da célula e de sua demanda de energia. Com base no texto apresentado e em conhecimentos, assinale a alternativa que apresenta as afirmações corretas sobre as mitocôndrias e sua função na célula. I - As mitocôndrias são responsáveis pela produção de ATP através da fermentação. II - A presença de DNA e ribossomos nas mitocôndrias é uma evidência da teoria da endossimbiose, sugerindo que estas organelas têm origem em organismos procariontes. III - A membrana externa é bastante impermeável, mesmo a pequenas moléculas e íons. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II, apenas. c) III, apenas. d) I e II, apenas. e) II e III, apenas. 2. A fisiopatologia investiga as respostas fisiológicas de um organismo e as alterações que ocorrem em seu meio interno e externo. Devido à grande diversidade entre os seres humanos, a saúde e o funcionamento do corpo não se manifestam da mesma forma em todas as pessoas. No entanto, entender as respostas comuns e esperadas diante das anormalidades no funcionamento fisiológico é valioso, pois permite prever a progressão clínica, identificar possíveis causas e escolher intervenções que podem ajudar no tratamento de uma doença. Qual declaração fornecida pelo profissional de saúde a um paciente recém-diagnosticado com Diabetes tipo 2, demonstra uma compreensão do termo fisiopatologia? a) É o estudo de como os órgãos do seu corpo, como o pâncreas, realizam seu funcionamento. b) Isso ajuda a explicar como o diabetes tipo 2 afetará o funcionamento do seu corpo. c) Enviar seu sangue ao laboratório para determinar sua hemoglobina glicada é um exemplo de fisiopatologia. d) É a ciência que explica como seu corpo está estruturado. e) Exames citológicos determinam como seu corpo irá reagir à doença.
A fisiopatologia inclui quatro tópicos inter relacionados: etiologia, patogênese, manifestações clínicas e implicações do tratamento. As doenças específicas são exemplos ilustrativos de condições nas quais processos fisiopatológicos particulares podem ocorrer. Com base nas informações apresentadas, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas: I - A etiologia de uma doença descreve as causas propostas que contribuem para o desenvolvimento da condição, considerando fatores genéticos e ambientais. PORQUE II - A patogênese de uma doença engloba os mecanismos pelos quais os estímulos etiológicos conduzem às manifestações clínicas observadas, incluindo respostas fisiológicas e compensatórias. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta: a) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. b) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são falsas.
REFERÊNCIAS HALL, J.E.; HALL, M.E. Guyton & Hall. Tratado de Fisiologia Médica. 14. ed. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan, 2021. JUNQUEIRA, L.C.U.; CARNEIRO; J. Histologia básica: Texto e Atlas. 14. ed.. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan, 2023. KELLEY, L. The World Health Organization (WHO). World Heal Organ. p. 1-157, 2008. KIERSZENBAUM, A.L.; TRES, L.L. Histology and cell biology: an introduction to pathology. 5. ed. Filadelfia: Elsevier, 2020. KUMAR, V.; ABBAS, A.K.; ASTER, J.C. Robbins & Cotran. Patologia - Bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro. GEN Guanabara Koogan, 2023. MOHAN, H.; MOHAN, S. Essential Pathology for dental students. 5. ed. Nova Delhi: Jaypee Brothers Medical Publishers, 2017. RYE, C. et al. Biology. Houston: OpenStax, 2016. SILVERTHORN, D.U. Fisiologia Humana - uma abordagem integrada. 7. ed. Rio de Janeiro: Artmed, 2017.
Alternativa B. Alternativa I: incorreta. As mitocôndrias são responsáveis pela produção de ATP, o processo de respiração celular ocorre em várias etapas, algumas das quais acontecem nas cristas da membrana interna e matriz mitocondrial. Alternativa II: correta. A presença de DNA e ribossomos nas mitocôndrias é uma forte evidência da teoria da endossimbiose, sugerindo que as mitocôndrias descendem de organismos procariontes. Alternativa III: incorreta. A membrana interna que é bastante impermeável, mesmo a pequenas moléculas e íons. 2. Alternativa B. A afirmação B é a correta, pois demonstra compreensão do termo fisiopatologia, referindo-se ao impacto da Diabetes tipo 2 no funcionamento do corpo. A fisiopatologia é o estudo de como os processos de doença ou lesão causam alterações fisiológicas no corpo. A fisiologia é o estudo da maneira como um organismo vivo ou parte do corpo funciona normalmente. A patologia trata da análise laboratorial de amostras de tecido corporal para fins diagnósticos ou forenses. A anatomia é o ramo da ciência que se preocupa com a estrutura corporal de humanos, animais e outros organismos vivos. 3. Alternativa A. Alternativa correta letra A: A etiologia descreve as causas da doença, considerando fatores genéticos e ambientais, enquanto a patogênese descreve os mecanismos pelos quais essas causas levam às manifestações clínicas. A segunda asserção é uma justificativa correta da primeira. GABARITO
MINHAS ANOTAÇÕES
MINHAS METAS MECANISMOS FISIOPATOLÓGICOS DA DOR, AGRESSÃO, DEFESA, ADAPTAÇÃO E LESÃO Construir conceitos sobre os diferenciação celular. Identificar os distúrbios do crescimento. Enumerar as principais funções dos nociceptores. Conhecer os principais mecanismos de dor. Compreender o manejo da dor. Classificar a dor. Conhecer as potencialidades da atuação profissional no manejo da dor. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 2
INICIE SUA JORNADA Neste tema, vamos estudar mais a fundo como a diferenciação celular inicia-se durante o desenvolvimento embrionário. Vamos explorar essa problemática e questionar como, na fase de blástula, ocorre a determinação do destino celular. O que leva certos grupos de células a seguir caminhos específicos, enquanto outros seguem destinos diferentes? É a ação combinada de fatores citoplasmáticos e extracelulares que, de forma complexa, decide quais genes serão ativados ou inativados ao longo da vida de cada célula. diante de uma experiência tão universal, ainda encontremos desafios na avaliação de sua origem e no alívio, especialmente no caso da dor crônica? A Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) define a dor como "uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a danos reais ou potenciais nos tecidos, ou descrita em termos de tais danos" (Kopfe; Patel, 2010). Embora concisa, essa definição abrange a complexidade do processamento da dor, desafiando visões simplistas que reduzem a dor a um mero evento nociceptivo e destacando a influência das diversas dimensões psicológicas envolvidas. A dor é muito mais do que uma sensação física, é uma experiência emocional profunda, descrita com palavras como "agonizante", "cruel", "terrível" e "excruciante". Essa associação entre dor e uma conotação emocional negativa tem raízes evolutivas profundas. Vamos investigar essa complexidade: será que compreender melhor a via da dor pode nos ajudar a encontrar novas maneiras de tratar a dor crônica e melhorar o cuidado com os pacientes? A partir dessa análise, propomos uma experimentação: o que acontece quando aplicamos esse conhecimento em cenários clínicos ou de pesquisa? Como as descobertas sobre diferenciação celular e a via da dor podem influenciar o ambiente profissional, seja na biomedicina, na prática clínica ou na pesquisa científica? Refletir sobre essas questões é fundamental para entender a aplicação prática dos conceitos e sua relevância no mundo real.
Topico 2 - Você saberia diferenciar dor de lesão? E como se dá o processamento nociceptivo no nosso corpo? Venha ouvir o podcast: "Dor não é sinônimo de lesão", para entender um pouco mais sobre o assunto. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. PLAY NO CONHECIMENTO VAMOS RECORDAR? Você já deve ter ouvido falar em sensibilização central e sensibilização periférica. Se quiser saber mais sobre esse importante conceito, acesse o link disponibilizado e assista ao vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=dYEPmMEPFCc DESENVOLVA SEU POTENCIAL DIFERENCIAÇÃO CELULAR O processo de diferenciação celular ocorre quando uma célula relativamente não especializada torna-se uma célula altamente especializada. As células têm mecanismos pelos quais podem adaptar seu crescimento e diferenciação através da alteração das condições do organismo. O caminho que conduz uma célula desde o estado embrionário mais inicial até sua total especialização consiste em uma série de expressões gênicas controladas. Atualmente sabemos que a determinação de um tipo específico de célula pode ocorrer por diversas maneiras, sendo uma delas a segregação citoplasmática de moléculas determinantes no momento da clivagem do ovo (Lehninger et al., 2006). O que determina a célula se diferenciar em um tipo celular específico é justamente esses determinantes citoplasmáticos que são capazes de influenciar a atividade gênica das células, definindo quais proteínas serão produzidas na célula. O blastômero é um conjunto de células que se formam a partir das divisões celulares. Como cada blastômero recebe um conjunto diferente de moléculas citoplasmáticas, cada um desses conjuntos terá uma composição diferente e,
portanto, proteínas produzidas de forma diferente. Como são as proteínas que controlam o metabolismo celular, podemos concluir que a linhagem celular que deriva de um determinado blastômero terá duas linhagens subsequentes com o tipo celular inicial. Como exemplo, o metabolismo de uma célula cardíaca, irá se diferenciar em células cardíacas, e assim com cada tipo de célula que forma o organismo (Lehninger et al., 2006). Algumas alterações promovidas pela diferenciação celular, como o aumento do tecido da mama durante a gravidez, são adaptações típicas. Os tecidos são frequentemente modificados em resposta a um estímulo hormonal ou ambiental. Uma doença se desenvolve quando a estrutura e função da célula mudam, e a homeostase não pode ser mantida (Junqueira et al., 2005). Mudanças irreversíveis na sinalização celular e mudanças na estrutura ou função do DNA são exemplos de uma possível diferenciação celular de forma patológica. Alterações anormais não são necessariamente precursores de danos teciduais permanentes ou desenvolvimento de tumores ou câncer, mas é importante determinar a causa e realizar monitoramento de qualquer anormalidade para diminuir os riscos de consequências mais graves. Além disso, as células podem ser danificadas ou destruídas por mudanças nos processos metabólicos, níveis de ATP reduzidos, alteração do pH intracelular ou danos nos receptores de membrana. Essas células alteradas geram os distúrbios que veremos adiante (Junqueira et al., 2005).
Topico 2 - DISTÚRBIOS DO CRESCIMENTO A atrofia se refere à diminuição do tamanho das células que resulta em uma massa tecidual reduzida. As causas comuns incluem o uso reduzido do tecido, nutrição insuficiente, diminuição de estímulo neural ou hormonal e avanço da idade. Um exemplo é a hipotrofia muscular observada em um membro imobilizado por semanas (De Robertis; De Robertis, 2007). A hipertrofia se refere ao aumento no tamanho das células individualmente, resultando em um aumento da massa tecidual. Esse aumento pode ser causado por trabalho adicional do tecido, como é possível um aumento do tecido muscular cardíaco, de acordo com o aumento da demanda do órgão. Um exemplo comum de hipertrofia é o efeito do exercício físico consistente nos músculos esqueléticos, levando ao aumento da massa muscular. A estimulação hormonal também é um fator que pode influenciar no crescimento celular (De Robertis; De Robertis, 2007). A hiperplasia é definida como um aumento no número de células resultando em um aumento da massa tecidual. Em alguns casos, a hipertrofia e a hiperplasia ocorrem simultaneamente, como no aumento da região uterina quando a mulher engravida. A hiperplasia pode ser um mecanismo compensatório ao aumento de alguma demanda, ou pode ser patológico, como quando ocorre um desequilíbrio hormonal. Em algumas ocasiões a hiperplasia pode aumentar os riscos do desenvolvimento de câncer, devido ao aumento da atividade metabólica e estrutural na região afetada (De Robertis; De Robertis, 2007).
A metaplasia ocorre quando um tipo de célula madura é substituído por outro tipo de célula madura. Essa mudança pode resultar em um déficit de vitamina A. Algumas vezes a metaplasia pode ser um mecanismo adaptativo que fornece maior resistência ao tecido, em algumas situações, o tecido epitelial estratificado escamoso é substituído por epitélio ciliar no trato respiratório de indivíduos fumantes. Embora as novas células apresentem uma barreira mais forte, podem resultar em diminuição da defesa dos pulmões pois os cílios não ficam presentes por um tempo prolongado como um mecanismo de defesa para simplificar as células escamosas da mucosa (De Robertis; De Robertis, 2007). Displasia é o termo aplicado ao tecido no qual as células variam de tamanho e forma, grandes núcleos são frequentes e a taxa mitótica está aumentada. Essa situação pode resultar de uma irritação crônica causada por uma infecção, ou pode ser uma mudança pré cancerígena. A detecção da displasia é a base dos testes de monitoramento de rotina para células atípicas como ocorre no teste de Papanicolau de células cervicais coletadas (De Robertis; De Robertis, 2007). Anaplasia se refere às células que são indiferenciadas, com estruturas nucleares e celulares variáveis e apresentação de numerosas organelas que realizam a função mitótica. Anaplasia é característica do câncer e é a base para a classificação da agressividade tumoral (De Robertis; De Robertis, 2007). Tumores são de dois tipos, benignos e malignos. Neoplasias malignas se referem ao que chamamos de câncer. Tumores benignos não necessariamente se tornarão malignos. Os tumores benignos são frequentemente considerados menos sérios, pois não se espalham com facilidade e são tratáveis quando achados em certos locais como o cérebro, podendo causar problemas pressóricos. As características de cada tumor dependem do tipo de célula que o originou, que resulta em aparência e padrão específicos (De Robertis; De Robertis, 2007). DANO CELULAR Em geral, as células do corpo possuem seu próprio mecanismo para lidar com as mudanças do meio. A resposta celular ao estresse pode variar e depende de algumas variáveis: o tipo de célula e tecido envolvido e o tipo e extensão da lesão. A apoptose se refere à morte celular programada, uma situação normal
Topico 2 - para o corpo, que pode estar aumentada quando o desenvolvimento celular está anormal, com números de células excessivas ou células danificadas ou velhas. A autodestruição celular ocorre por digestão enzimática, que a desintegra em fragmentos celulares (Mohan, 2017). Existem muitas formas de lesão celular no corpo que incluem: ■Isquemia. ■Agentes físicos: como calor ou frio excessivos ou exposição à radiação. ■Dano mecânico: como pressão ou laceração tecidual. ■Toxinas químicas. ■Microrganismos: como bactérias, vírus e parasitas. ■Acúmulo de metabólitos anormais: nas células. ■Déficits nutricionais; desequilíbrio eletrolítico ou de fluidos (Mohan, 2017). A causa mais comum de lesão é a isquemia, ou diminuição do suprimento sanguíneo ao tecido que resulta em oxigenação insuficiente e redução do metabolismo celular. A diminuição da oxigenação tecidual pode ocorrer localmente, devido ao bloqueio de alguma artéria ou pode ser sistêmico por comprometimento respiratório. As células com alta demanda de oxigênio, como as células cerebrais, cardíacas e renais, são rapidamente afetadas pela hipóxia (oxigenação tecidual reduzida) (Mohan, 2017). Um déficit grave de oxigenação interfere na produção de energia celular, levando à perda da bomba de sódio na membrana celular bem como a perda de outras funções celulares. Um aumento dos íons de sódio no meio intracelular leva ao inchaço celular e eventualmente à ruptura da membrana celular. Ao mesmo tempo, na ausência de oxigênio, o metabolismo anaeróbico ocorre na célula, levando ao aumento do pH e posteriormente à comprometimento metabólico. O déficit de outros nutrientes essenciais como as vitaminas podem também danificar as células, pois os processos metabólicos normais ficam impedidos de ocorrer (Mohan, 2017). Outra causa de dano celular é a lesão física relacionada a efeitos térmicos (calor) ou pressões mecânicas. Esses podem afetar o suprimento sanguíneo para as células ou afetar os processos metabólicos. A exposição à radiação pode danificar as células pela interferência no suprimento sanguíneo ou diretamente alterando componentes químicos, criando um ambiente tóxico intracelular ou mudanças no DNA (Mohan, 2017).
As moléculas químicas de fora do corpo (exógenos) ou de dentro do corpo (endógenos) podem danificar as células tanto pela alteração da permeabilidade da membrana ou produção de outras reações químicas, como os radicais livres, que continuam o processo de dano dos componentes celulares. Doenças infecciosas causam lesão celular através da ação de microrganismos, como bactérias e vírus. Alguns defeitos genéticos ou erros de metabolismo de neonatos podem levar a processos metabólicos anormais. Um metabolismo alterado leva ao acúmulo de componentes tóxicos intermediários no meio intracelular que tem o potencial de destruir as células (Mohan, 2017). A maioria das doenças inicia com um dano celular seguido de perda da função celular. O dano celular, definido como a variedade de estresses que encontram uma célula, tem como resultado mudanças no ambiente interno e externo (Mohan, 2017). DOR A compreensão da dor como um problema de saúde significativo evoluiu consideravelmente. Nos tempos antigos, a dor frequentemente era vista como uma parte inevitável da vida, que os seres humanos só poderiam influenciar parcialmente devido à sua suposta etiologia sobrenatural. Desenvolveu-se um conceito fisiológico onde agora o controle da dor é possível. Nas últimas décadas, o conceito de "ciência natural" foi revisado e ampliado pela aceitação de fatores psicossociais e etnoculturais que influenciam a dor (Kopfe; Patel, 2010). História do conceito de dor A teoria científica mais importante e mecanicista da dor da era moderna foi criada pelo filósofo francês René Descartes (1596-1650). Em seu conceito, a antiga suposição de que a dor era representada no coração foi abandonada. O cérebro assumiu o lugar do coração. Apesar de sua unilateralidade, a teoria de Descartes abriu caminho para a neurociência explicar os mecanismos da dor (Kopfe; Patel, 2010). Durante o século XX, várias teorias da dor foram criadas. A teoria mais importante, foi desenvolvida pelo psicólogo canadense Ronald Melzack (1929) e pelo fisiologista britânico Patrick D. Wall (1925-2001). A teoria foi publi-
Topico 2 - cada em 1965 e é conhecida como a "Teoria do controle de portão da dor". O termo "portão" ou "comporta" foi utilizado para descrever os mecanismos na medula espinhal que regulam a transmissão dos impulsos de dor entre o cérebro e a periferia. Essa teoria foi importante, pois não considerava o sistema nervoso central (SNC) como um simples meio passivo para a transmissão de sinais nervosos. Ela implica que o sistema nervoso também está alterando ativamente a transmissão dos impulsos nervosos. No entanto, essa teoria enfatiza uma visão estritamente neurofisiológica da dor, ignorando fatores psicológicos e influências culturais (Kopfe; Patel, 2010). Durante a década de 90, estudos demonstraram que diferentes atitudes e crenças em diferentes grupos étnicos ao redor do mundo desempenhavam um papel na variação da intensidade, duração e percepção subjetiva da dor. Como consequência, profissionais de saúde precisaram entender que pacientes com dor valorizavam terapeutas que reconheciam suas crenças culturais e religiosas (Kopfe; Patel, 2010). Embora a pesquisa básica tenha ajudado a descobrir os mecanismos complexos da dor e facilitado o desenvolvimento de novas estratégias para o tratamento da dor, os opióides continuam sendo a base do manejo da dor para dor aguda, dor oncológica e dor neuropática. O futuro do manejo da dor em ambientes com muitos ou poucos recursos dependerá do acesso aos opioides e da integração dos cuidados paliativos como uma prioridade nos sistemas de saúde (Kopfe; Patel, 2010).
O mecanismo do sistema nervoso para detectar estímulos que têm potencial para causar danos aos tecidos é muito importante para acionar processos comportamentais que protegem contra o dano atual ou futuro aos tecidos. Isso é feito por meio de reações reflexas, e também por ações preventivas contra estímulos que podem levar a danos teciduais, como forças mecânicas intensas, temperaturas extremas, privação de oxigênio e exposição a certos produtos químicos (Kopfe; Patel, 2010). O termo nocicepção (do latim nocere "causar dor") refere-se ao processo sensorial que é desencadeado, enquanto dor se refere à percepção de uma sensação que a pessoa descreve de maneiras variadas, como irritante, dolorida, ardente, latejante ou insuportável. Esses dois aspectos, nocicepção e dor, são distintos e, uma pessoa com dano tecidual que deveria produzir sensações dolorosas pode não apresentar comportamentos que indiquem dor. A nocicepção pode levar à dor, que pode surgir e desaparecer, e uma pessoa pode ter sensação de dor sem atividade nociceptiva óbvia. Esses aspectos estão cobertos na definição de dor da Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP): "Uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a dano tecidual real ou potencial, ou descrita em termos desse dano" (Kopfe; Patel, 2010). Nociceptores O sistema nervoso responsável pela nocicepção, que alerta o cérebro para estímulos sensoriais nocivos, é separado do sistema nervoso que informa o cérebro sobre estímulos sensoriais inofensivos. Os nociceptores são terminações nervosas livres, não especializadas e desmielinizadas, que convertem uma variedade de estímulos em impulsos nervosos, os quais o cérebro interpreta para produzir a sensação de dor. Os corpos celulares dos nervos estão localizados nos gânglios da raiz dorsal, ou para o nervo trigêmeo nos gânglios trigeminais, e eles enviam um ramo de fibra nervosa para a periferia e outro para a medula espinhal ou tronco encefálico (Kopfe; Patel, 2010). Uma das possíveis classificações do nociceptor baseia-se na classificação da fibra nervosa que o constitui. Existem dois tipos de fibras nervosas que conduzem o estímulo doloroso: fibras nervosas de pequeno diâmetro, não miee fibras nervosas de diâmetro maior, levemente mielinizadas, que conduzem a descrição das características das fibras nervosas:
Topico 2 - FIBRAS A ALFA Diâmetro de 13 a 20 micrômetros, velocidade de propagação de 80 a 120 m/s, tem como receptores sensoriais os proprioceptores musculares (fuso muscular, órgão tendinoso de Golgi, receptores das cápsulas articulares). FIBRAS A BETA Diâmetro de 6 a 12 micrômetros, velocidade de propagação de 35 a 75 m/s, tem como receptores sensoriais os mecanorreceptores do tato. FIBRAS A DELTA Diâmetro de 1 a 5 micrômetros, velocidade de propagação de 5 a 30 m/s, tem como receptores sensoriais nociceptores e temperatura nociva. FIBRAS C Diâmetro de 0,2 a 1,5 micrômetros, velocidade de propagação de 0,5 a 2 m/s, tem como receptores sensoriais nociceptores e temperatura nociva. É bem descrito que a sensação de dor é composta por duas categorias: dor epicrítica - dor inicial rápida e aguda e protopática, uma dor posterior lenta, duradoura e maçante. Este padrão é explicado pela diferença na velocidade de propagação dos impulsos nervosos nos dois tipos de fibras nervosas dos nociceptores. Os impulsos neuronais nos nociceptores de fibras A Delta de condução rápida produzem a sensação de dor aguda e rápida, enquanto os nociceptores de fibras C mais lentos produzem a sensação de dor lenta e maçante (Kopfe; Patel, 2010). A dor aguda geralmente surge como resultado de um trauma em tecidos moles ou de um processo inflamatório, e está relacionada a um mecanismo biológico adaptativo que visa facilitar o reparo e a cicatrização tecidual. A hipersensibilidade na área da lesão (hiperalgesia primária), bem como nos tecidos adjacentes (hiperalgesia secundária), contribuem para que o processo de cicatrização ocorra sem interferências (Schaible, 2005).
Por outro lado, a dor crônica persiste além do período esperado de cura de uma doença ou lesão e, de forma arbitrária, é definida como aquela com duração superior a 3 a 6 meses. Essa dor pode manifestar-se espontaneamente ou ser desencadeada por diversos estímulos externos. A resposta é tipicamente exagerada em duração, intensidade, ou em ambas. A dor crônica, além de se prolongar por um longo período, implica em uma síndrome debilitante que possui um impacto significativo sobre a qualidade de vida do paciente e se caracteriza por uma resposta insatisfatória às terapias analgésicas convencionais (Schaible, 2005). Os órgãos viscerais não possuem inervação de nervos A Delta, mas as fibras C que carregam informações de dor dos órgãos viscerais convergem para a mesma área da medula espinhal onde as fibras nervosas somáticas da periferia também convergem. O cérebro localiza a sensação de dor como se ela estivesse se originando daquela área periférica somática, em vez do órgão visceral. Assim, a dor dos órgãos internos é percebida em uma localização que não é a fonte da dor; essa dor é conhecida como dor referida (Kopfe; Patel, 2010). Frequentemente, as informações de dor dos órgãos viscerais ativam nervos que causam contração dos músculos esqueléticos e vasodilatação dos vasos sanguíneos cutâneos, resultando no avermelhamento daquela área da superfície corporal (Kopfe; Patel, 2010).
Topico 2 - DOR NOCICEPTIVA Dor causada por um dano real ou potencial em um tecido não-neural devido à ação de nociceptores. Exemplos: forte pressão sobre a pele, inflamação. DOR NEUROPÁTICA Dor causada por lesões ou doenças no tecido neural que alteram o funcionamento do sistema somato-sensorial. Está dividida em dor crônica periférica ou dor crônica central. Exemplos: Esclerose Múltipla, Diabetes. DOR NOCIPLÁSTICA As causas dessa dor não são bem esclarecidas. Parece ocorrer devido à modulação central. Neste tipo, as vias de dor ficariam mais sensíveis, podendo ser geradas espontaneamente. Um exemplo poderia ser a Fibromialgia Estímulos químicos ou mecânicos que ativam os nociceptores resultam em sinais nervosos que são percebidos pelo cérebro como dor. A pesquisa e o entendimento dos mecanismos básicos da nocicepção e das percepções de dor fornecem uma base racional para intervenções terapêuticas e novos alvos potenciais para o desenvolvimento de medicamentos (Kopfe; Patel, 2010). Fisiologia da dor A transdução, que é a ativação periférica dos nociceptores, é modulada por várias substâncias químicas, que são produzidas ou liberadas quando há dano celular. Esses mediadores influenciam o grau de atividade nervosa e, portanto, a intensidade da sensação de dor. Estimulação repetida geralmente causa sensibilização das fibras nervosas periféricas, resultando na redução dos limiares de dor e dor espontânea. Um exemplo seria o mecanismo de hipersensibilidade cutânea que pode ser experimentado em áreas da pele com queimadura solar (Kopfe; Patel, 2010). Além disso, a liberação local de substâncias químicas como a substância P causa vasodilatação e inchaço, bem como a liberação de histamina pelos mas-
tócitos, aumentando ainda mais a vasodilatação. Esse complexo de sinalização química protege a área lesionada ao induzir comportamentos que mantêm essa área longe de estímulos mecânicos ou outros. A função protetora da dor ocorre através da cicatrização e da proteção contra infecções, auxiliadas pelo aumento do fluxo sanguíneo e pela inflamação (Kopfe; Patel, 2010). A via espinotalâmica e a via trigeminal são as principais rotas nervosas para a transmissão de informações de dor e temperatura normal do corpo e do rosto para o cérebro. Os órgãos viscerais possuem apenas fibras C nociceptivas, e, portanto, não há ação reflexa devido à dor dos órgãos viscerais (Kopfe; Patel, 2010). As fibras nervosas dos gânglios da raiz dorsal entram na medula espinhal através da raiz dorsal e enviam segmentos acima e abaixo da medula espinhal (tracto dorsolateral de Lissauer) antes de entrarem na substância cinzenta da medula, inervam os neurônios nas lâminas de Rexed I (zona marginal) e II (substância gelatinosa). As fibras A Delta inervam os neurônios na zona marginal, enquanto as fibras C inervam principalmente os neurônios na camada de substância gelatinosa da medula espinhal. Estes neurônios, por sua vez, inervam os neurônios no núcleo próprio, outra área da substância cinzenta da medula espinhal (camadas Rexed IV, V e VI), que enviam fibras nervosas através da linha média da medula e ascendem (na parte ântero lateral e ventrolateral da substância branca da medula) e depois inervam os neurônios localizados em áreas específicas do tálamo (Kopfe; Patel, 2010). Isso constitui a via espinotalâmica para a transmissão de informações sobre dor e estímulos térmicos normais (<45°C). Disfunções nas vias talâmicas podem ser elas mesmas uma fonte de dor, como observado em pacientes após acidente vascular cerebral com dor central ("dor talâmica") na área de paralisia (Kopfe; Patel, 2010). Estímulos nocivos da área facial são transmitidos pelas fibras nervosas originadas nos neurônios do gânglio trigeminal, bem como nos núcleos dos pares cranianos VII, IX e X. As fibras nervosas entram no tronco encefálico e descem até a medula espinhal, onde inervam uma subdivisão do complexo nuclear trigeminal. A partir daqui, as fibras nervosas desses neurônios cruzam a linha média neural e ascendem para inervar os neurônios talâmicos no lado contralateral (Kopfe; Patel, 2010). A área do tálamo que recebe informações de dor da medula espinhal e dos núcleos trigeminais também recebe informações sobre estímulos sensoriais normais, como toque e pressão. A partir desta área, fibras nervosas são enviadas para a camada superficial do cérebro (áreas corticais que lidam com informações sensoriais).
Topico 2 - Dessa forma, ao ter tanto as informações nociceptivas quanto às informações sensoriais somáticas normais convergindo na mesma área cortical, as informações sobre a localização e a intensidade da dor podem ser processadas para se tornar um "sentimento doloroso localizado". Essa representação cortical do corpo, foi descrita no homúnculo de Penfield. Em situações específicas, como após amputações de membros, a representação cortical pode mudar, causando sensações dolorosas ("dor fantasma") (Kopfe; Patel, 2010). Etiologia das sensações de dor: 1. Inflamação dos nervos como na neurite temporal. 2. Lesão nos nervos e terminações nervosas com formação de cicatriz, como em dano cirúrgico ou hérnia de disco. 3. Invasão dos nervos pelo câncer, como a plexopatia braquial. 4. Lesão nas estruturas da medula espinhal, tálamo ou áreas corticais que processam informações de dor, como trauma na coluna vertebral. Esse caso pode levar a dor intratável. 5. Atividade anormal nos circuitos nervosos que é percebida como dor, como a dor fantasma em indivíduos amputados com reorganização cortical. A dissociação entre lesão e dor pode ser observada em circunstâncias, como eventos esportivos, e é atribuída ao efeito do contexto no qual a lesão ocorre. A existência dessa dissociação implica que há um mecanismo no corpo que modula a percepção da dor. Este mecanismo endógeno de modulação da dor é pensado para fornecer a vantagem de aumentar a sobrevivência em todas as espécies (Kopfe; Patel, 2010). A transmissão do impulso nervoso através da sinapse pode ser descrita da seguinte forma: a ativação das fibras nervosas grandes mielinizadas (fibras Aβ) está associada aos mecanorreceptores de baixo limiar, como o toque, que estimulam um nervo inibitório na medula espinhal, que por sua vez inibe a transmissão sináptica. Esta é uma explicação possível do porquê friccionar uma área lesionada reduz a sensação de dor (Kopfe; Patel, 2010). Além do controle da transmissão de estímulos nocivos pelo sistema de portão de dor, outro sistema modula a percepção da dor. Desde 4000 a.C., sabe-se que o ópio e seus derivados, como morfina, codeína e heroína, são poderosos analgésicos e ainda hoje são a base principal da terapia de alívio da dor. Na década de 1960 e 1970, foram encontrados receptores para os derivados do ópio, especialmente em
células nervosas da substância cinzenta periaquedutal e da medula ventral, além da medula espinhal. Esse achado implica que o sistema nervoso deve produzir substâncias químicas que são ligantes naturais desses receptores. Três grupos de compostos endógenos (encefalinas, endorfinas e dinorfina) foram descobertos que se ligam aos receptores opióides e são conhecidos como o sistema opióide endógeno. A presença deste sistema e do sistema descendente de modulação da dor (adrenérgico e serotoninérgico) proporciona uma explicação para o sistema de modulação interna da dor e a variabilidade subjetiva da dor (Kopfe; Patel, 2010). A atividade nervosa nos nervos descendentes de certas áreas do tronco cerebral (substância cinzenta periaquedutal, medula rostral) pode controlar a ascensão das informações nociceptivas para o cérebro. A serotonina e a noradrenalina são os principais transmissores desta via, que, portanto, pode ser modulada farmacologicamente (Kopfe; Patel, 2010). Manejo da dor A falta de conhecimento adequado entre os profissionais de saúde em países menos desenvolvidos é uma das principais barreiras para o manejo eficaz da dor. A avaliação abrangente da dor e abordagens de tratamento multifacetadas são pouco compreendidas, pois a dor é frequentemente ensinada apenas como um sintoma da doença, e não como uma experiência com dimensões físicas e psicossociais (Kopfe; Patel, 2010). Devido à falta de pessoal, equipamentos e restrições financeiras, os serviços para o tratamento da dor são gravemente inadequados ou inexistentes em muitos países em desenvolvimento. Os recursos inadequados impedem a organização de equipes para dor aguda e clínicas para dor crônica, amplamente utilizadas em países desenvolvidos para proporcionar controle eficaz da dor utilizando métodos baseados em evidências, educação, aconselhamento sobre problemas de dor difíceis e pesquisa. No mundo em desenvolvimento, melhorias no manejo da dor aguda são mais prováveis de resultar de programas eficazes de treinamento, uso de analgesia multimodal e acesso a suprimentos de medicamentos confiáveis (Kopfe; Patel, 2010). O manejo eficaz da dor só pode ser alcançado se o governo incluir o alívio da dor no plano nacional de saúde. Os formuladores de políticas públicas e os reguladores devem garantir que as leis e regulamentos nacionais, ao controlarem o uso de opioides e não restrinjam a prescrição em detrimento dos pacientes que
Topico 2 - precisam. A abordagem de estratégia de saúde pública, como pioneiramente adotada para cuidados paliativos, é a melhor para traduzir novos conhecimentos e habilidades em intervenções baseadas em evidências e custo-efetivas que possam alcançar toda a população (Kopfe; Patel, 2010). Acesse seu ambiente virtual de aprendizagem e confira a aula referente a este tema. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EM FOCO NOVOS DESAFIOS Ao finalizar o capítulo dedicado aos distúrbios do crescimento celular, lesão, nocicepção e dor, fica claro quão complexos e interligados são esses conceitos na área da saúde. A análise aprofundada dos mecanismos que levam ao crescimento celular descontrolado, como observado no câncer, e a maneira como esses processos influenciam a nocicepção, evidencia a necessidade de abordagens que integrem diversas disciplinas. A combinação de conhecimentos em biologia celular, fisiologia da dor e terapias clínicas é fundamental para o desenvolvimento de estratégias de tratamento e manejo mais eficazes. O campo da nocicepção, em particular, está em constante transformação, à medida que novas descobertas evidenciam a complexa rede de sinalização que regula a percepção da dor. Esses avanços não apenas enriquecem nosso entendimento sobre o processamento da dor pelo sistema nervoso, mas também abrem novas possibilidades para a criação de intervenções terapêuticas que possam modular essa percepção de forma mais precisa e adaptada a cada paciente. Tratamentos que atuam diretamente nos mecanismos nociceptivos têm o potencial de melhorar significativamente a qualidade de vida de indivíduos que enfrentam condições de dor crônica. Reconhecer a relevância de uma abordagem holística e centrada no paciente ao lidar com a dor e os distúrbios do crescimento celular é importante para um bom acolhimento deste paciente. A dor, sendo uma experiência subjetiva e multifacetada, requer que os profissionais de saúde considerem não apenas os
aspectos físicos, mas também os emocionais e psicológicos dos pacientes. Intervenções que incluam suporte psicológico, técnicas de gerenciamento do estresse e terapias complementares têm mostrado resultados encorajadores e devem ser incorporadas de maneira mais sistemática nas práticas de saúde. O progresso contínuo em pesquisa e tecnologia oferece uma base sólida para o desenvolvimento de novas terapias e aprimoramentos nos cuidados de saúde. A colaboração entre pesquisadores, clínicos e pacientes é importante para transformar descobertas científicas em práticas clínicas que beneficiem a sociedade como um todo. À medida que aprofundamos nosso entendimento sobre os distúrbios do crescimento celular, a nocicepção e a dor, estamos mais preparados para enfrentar esses desafios e oferecer um atendimento de saúde mais eficaz e humanizado.
O processo de diferenciação celular ocorre quando uma célula relativamente indiferenciada se transforma em uma célula altamente especializada. As células possuem mecanismos pelos quais podem adaptar seu crescimento e diferenciação por meio da alteração das condições do organismo. O percurso que leva uma célula desde o estado embrionário mais primitivo até sua completa especialização consiste em uma série de expressões gênicas controladas. Essa transformação envolve uma série de etapas, nas quais a célula passa por modificações em sua estrutura e função, tornando-se cada vez mais especializada. Ao longo desse processo, genes específicos são ativados ou desativados, resultando em alterações na produção de proteínas e, consequentemente, nas características celulares. Considerando o processo de diferenciação celular, qual é o mecanismo fundamental que determina a especialização de uma célula embrionária em um tipo celular específico? a) A interação entre diferentes células do embrião que ocorre após a clivagem do ovo. b) A exposição diferencial a fatores de crescimento durante a gastrulação. c) A segregação citoplasmática de moléculas determinantes durante a clivagem do ovo. d) A regulação gênica é mediada por fatores ambientais externos ao embrião. e) A comunicação intercelular mediada por junções gap durante a morfogênese. 2. A atrofia é o termo utilizado para descrever a redução do tamanho das células, o que resulta em uma diminuição da massa tecidual. Por outro lado, a hipertrofia refere-se ao aumento do tamanho das células individuais, levando a um incremento na massa tecidual. Um exemplo comum de hipertrofia é o efeito do exercício físico regular nos músculos esqueléticos, que resulta no aumento da massa muscular. Considerando o processo de atrofia e hipertrofia, analise as seguintes asserções: I - A atrofia pode ser causada pela diminuição de estímulo neural ou hormonal. II - A hipertrofia resulta sempre de um aumento no número de células, levando ao aumento da massa tecidual. III - A nutrição insuficiente é uma das causas comuns de atrofia.
É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) III, apenas. c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. 3. A área do tálamo que recebe informações de dor da medula espinhal e dos núcleos trigeminais também recebe informações sobre estímulos sensoriais normais, como toque e pressão. A partir desta área, fibras nervosas são enviadas para a camada superficial do cérebro (áreas corticais que lidam com informações sensoriais). Dessa forma, ao ter tanto as informações nociceptivas quanto às informações sensoriais somáticas normais convergindo na mesma área cortical, as informações sobre a localização e a intensidade da dor podem ser processadas para se tornar um 'sentimento doloroso localizado'. Essa representação cortical do corpo foi descrita no homúnculo de Penfield. Em situações específicas, como após amputações de membros, a representação cortical pode mudar, causando sensações dolorosas (“dor fantasma”). Com base nas informações apresentadas, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas: I - A representação cortical do corpo no homúnculo de Penfield pode mudar após amputações de membros causando sensações dolorosas ("dor fantasma"). PORQUE II - A área do tálamo que recebe informações de dor também recebe estímulos sensoriais normais, permitindo a convergência dessas informações na mesma área cortical. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta: a) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. b) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são falsas.
REFERÊNCIAS DE ROBERTIS, E. D. P.; DE ROBERTIS, E. M. F. Bases da Biologia Celular e Molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. JUNQUEIRA, B. C. V. et al. Biologia Celular e Molecular. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005. KOPF, A.; PATEL, N. B. Guide to Pain Management in Low-Resource Settings. International Association for the Study of Pain, 2010. LEHNINGER, A. L. et al. Princípios de Bioquímica. 4. ed. São Paulo: Sarvier 2006. MOHAN, H.; MOHAN, S. Essential Pathology for dental students. 5. ed. Nova Delhi: Jaypee Brothers Medical Publishers, 2017. SCHAIBLE, H. G. Pathophysiology of Pain. Orthopade. v. 36, n. 1, p. 2374-2377, 2005.
Alternativa C. Alternativa a: incorreta. Embora a interação entre células seja importante para o desenvolvimento embrionário, o mecanismo fundamental descrito no texto base é a segregação citoplasmática de moléculas determinantes. Alternativa b: incorreta. A exposição a fatores de crescimento é relevante, mas o texto base destaca a segregação citoplasmática como o mecanismo crucial para a diferenciação celular inicial. Alternativa c: correta. Esta alternativa reflete diretamente o mecanismo descrito no texto base, onde a segregação de moléculas citoplasmáticas determinantes durante a clivagem do ovo é essencial para a diferenciação celular. Alternativa d: incorreta. A regulação gênica pode ser influenciada por fatores ambientais, mas o texto base enfatiza um processo interno específico de segregação citoplasmática durante a clivagem do ovo. Alternativa e: incorreta. A comunicação intercelular é vital para a morfogênese, mas a questão se refere ao mecanismo fundamental de diferenciação descrito no texto base, que é a segregação citoplasmática de moléculas determinantes. 2. Alternativa C. As afirmações I e III estão corretas. A atrofia pode ser causada pela diminuição de estímulo neural ou hormonal, e a nutrição insuficiente é uma das causas comuns de atrofia. A afirmação II está incorreta. A hipertrofia resulta do aumento do tamanho das células individualmente, não do aumento no número de células. 3. Alternativa A. (A) Correta. A asserção I é verdadeira, pois a representação cortical do corpo pode realmente mudar após amputações, levando à dor fantasma. A asserção II também é verdadeira e fornece a base fisiológica para entender por que a dor fantasma ocorre, já que a convergência de informações nociceptivas e sensoriais normais no tálamo e sua projeção para áreas corticais permitem a reconfiguração da representação cortical. (B) Incorreta. Embora ambas as asserções sejam verdadeiras, a Asserção II justifica corretamente a Asserção I, explicando a base fisiológica para as mudanças na representação cortical que levam à dor fantasma. (C) Incorreta. A Asserção I é verdadeira, mas a Asserção II também é verdadeira e fundamental para justificar a ocorrência da dor fantasma. (D) Incorreta. A Asserção I é verdadeira, descrevendo um fenômeno real (dor fantasma) após amputações, e a Asserção II é verdadeira e essencial para entender a justificativa fisiológica. (E) Incorreta. Ambas as asserções são verdadeiras. A Asserção I descreve um fenômeno bem documentado, e a Asserção II fornece a explicação fisiológica necessária para entender esse fenômeno. GABARITO
MINHAS METAS INFLAMAÇÃO E REPARO Construir conceitos sobre a inflamação. Diferenciar inflamação e infecção. Identificar as principais células envolvidas no processo inflamatório. Enumerar as principais funções dos mediadores químicos. Compreender as diferenças entre inflamação aguda e crônica. Identificar as causas do processo inflamatório. Conhecer a atuação profissional no manejo da inflamação. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 3
INICIE SUA JORNADA Ao longo do estudo da fisiopatologia, a resposta inflamatória é um conceito fundamental que merece uma reflexão mais aprofundada. Quando pensamos em inflamação, imaginamos um processo natural do corpo, um mecanismo de defesa destinado a localizar e eliminar agentes nocivos. Mas será que compreendemos plenamente as implicações desse processo no contexto clínico? Pense em um corte, uma reação alérgica ou uma infecção que você já experimentou. O corpo responde com sinais clássicos de inflamação: vermelhidão, inchaço, calor e dor. Esses sintomas são, na verdade, alertas do organismo, sinalizando um problema subjacente que pode estar escondido em algum lugar do corpo. Mas a inflamação vai além de um simples processo de cura. Por que, então, em certas situações, essa resposta se torna tão complexa e, por vezes, problemática? Imagine-se em um ambiente clínico, lidando com um paciente que apresenta sinais de inflamação. Como você abordaria o caso? Quais dados e informações você consideraria para entender melhor o que está acontecendo? Seria apenas um caso de inflamação ou haveria uma infecção subjacente? A experimentação e a aplicação prática dos conceitos aqui discutidos são essenciais para que, como profissional de saúde, você possa tomar decisões informadas e refletir sobre as melhores abordagens para tratar a inflamação de maneira eficaz e segura. Essa análise nos convida a refletir sobre o impacto da inflamação em diversos contextos, levando-nos a uma compreensão mais completa e aplicável desse fenômeno no dia a dia da prática clínica. Ouça o podcast sobre a diferenciação de um transudato e exsudato em um derrame pleural. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. PLAY NO CONHECIMENTO
Topico 3 - VAMOS RECORDAR? A Doença Inflamatória Intestinal (DII) refere-se a duas condições que causam inflamação crônica no trato gastrointestinal: colite ulcerativa e doença de Crohn. Os principais sintomas incluem diarreia, sangramento retal e dor abdominal. Essa condição parece ser desencadeada por uma resposta imunológica excessiva, que ataca as células intestinais como se fossem invasoras, além de estar relacionada a alterações na microbiota intestinal. Para entendermos melhor essas doenças, assista ao vídeo: https://www.youtube. com/watch?v=rS206sHHWV8 DESENVOLVA SEU POTENCIAL MECANISMOS DE DEFESA DO ORGANISMO Os mecanismos de defesa usados pelo corpo para se proteger contra qualquer agente nocivo podem ser específicos ou inespecíficos. Um mecanismo de defesa geral, frequentemente chamado de primeira linha, é a barreira mecânica, como a pele ou a membrana mucosa, que bloqueia a entrada de bactérias ou substâncias nocivas nos tecidos. Associadas a essas barreiras mecânicas estão as secreções corporais, como saliva ou lágrimas, que contêm enzimas ou substâncias químicas que inativam ou destroem material potencialmente danoso (Hammer; Mcphee, 2016). A segunda linha de defesa inclui os processos inespecíficos de fagocitose e inflamação. A fagocitose é o processo pelo qual neutrófilos (um tipo de leucócito) e macrófagos, as "células abutres", engolfam e destroem aleatoriamente bactérias, detritos celulares ou matéria estranha. A inflamação envolve uma sequência de eventos destinada a limitar os efeitos de uma lesão ou de um agente perigoso no corpo. Interferons são agentes inespecíficos que protegem células não infectadas contra vírus (Hammer; Mcphee, 2016). A terceira linha de defesa, o sistema imunológico, é o mecanismo de defesa específico no corpo. Ele fornece proteção estimulando a produção de anticorpos únicos ou linfócitos sensibilizados após a exposição a substâncias específicas. Nos últimos anos, muitos esforços têm sido dedicados à pesquisa sobre
o sistema imunológico na tentativa de aumentar a compreensão do processo de resposta imune e de criar maneiras de fortalecer esse mecanismo de defesa (Hammer; Mcphee, 2016). PRESSÃO HIDROSTÁTICA Em condições normais, nem todos os capilares permanecem abertos em um determinado leito capilar, a menos que as necessidades metabólicas das células não estejam sendo atendidas pelo suprimento de sangue para a área. Os esfíncteres pré-capilares compostos de músculo liso restringem o fluxo sanguíneo através de alguns canais. O movimento de fluidos, eletrólitos, oxigênio e nutrientes para fora do capilar na extremidade arteriolar é baseado na pressão hidrostática líquida (Hammer; Mcphee, 2016). A pressão hidrostática líquida é baseada na diferença entre a pressão hidrostática dentro do capilar (essencialmente pressão arterial) em comparação com a pressão hidrostática do fluido intersticial nos tecidos, bem como as pressões osmóticas (pressões que devem ser exercidas em um sistema para impedir que a osmose aconteça espontaneamente) relativas no sangue e no fluido intersticial. Diferenças nas concentrações de substâncias dissolvidas no sangue e no fluido intersticial promovem a difusão de eletrólitos, glicose, oxigênio e outros nutrientes através da membrana capilar. As células sanguíneas e as proteínas plasmáticas (albumina, globulina e fibrinogênio) normalmente permanecem dentro do capilar (Hammer; Mcphee, 2016).
Topico 3 - Na extremidade venosa do capilar, a pressão hidrostática é reduzida devido ao movimento anterior de fluido para o espaço do fluido intersticial, e a pressão osmótica nos vasos é relativamente alta porque as proteínas plasmáticas permanecem dentro dos capilares. Esse arranjo facilita o movimento de fluidos, dióxido de carbono e outros resíduos para o sangue. O excesso de fluido e qualquer proteína são recuperados da área intersticial pelo sistema linfático e eventualmente retornam à circulação geral (Hammer; Mcphee, 2016). ETIOLOGIA DA INFLAMAÇÃO A inflamação está associada a muitos tipos diferentes de lesões teciduais. As causas incluem danos físicos diretos, como cortes ou entorses, e produtos químicos cáusticos, como ácidos, isquemia ou infarto, reações alérgicas, extremos de calor ou frio, corpos estranhos, como farpas ou vidro, e infecções (Mohan; Mohan, 2017). O processo inflamatório é basicamente o mesmo, independentemente da causa. O tempo varia com a causa específica. A inflamação pode se desenvolver imediatamente e durar apenas um curto período; pode ter um início retardado (por exemplo, uma queimadura solar), ou pode ser mais severa e prolongada. A gravidade da inflamação varia com a causa específica e a duração da exposição (Mohan; Mohan, 2017).
VERMELHIDÃO E CALOR Causados pelo aumento do fluxo sanguíneo na área danificada. INCHAÇO OU EDEMA Causado pela movimentação de proteínas e fluidos para o espaço intersticial. DOR Resultado da pressão aumentada do fluido sobre os nervos. PERDA DE FUNÇÃO Pode ocorrer se as células carecerem de nutrientes ou se o inchaço interferir mecanicamente com a função. Quando ocorre uma lesão tecidual, os mastócitos e as plaquetas liberam mediadores químicos, incluindo histamina, serotonina, prostaglandinas e leucotrienos no fluido intersticial e no sangue. Esses produtos químicos afetam os vasos sanguíneos e os nervos na área danificada. As citocinas atuam como comunicadores nos fluidos teciduais, enviando mensagens aos linfócitos e macrófagos, ao sistema imunológico ou ao hipotálamo para induzir a febre (Mohan; Mohan, 2017). Esses processos são responsáveis pelos sinais cardinais da inflamação, que incluem: O exsudato refere-se a uma coleção de fluido intersticial formada na área inflamada. Características do exsudato que variam conforme a causa do trauma: EXSUDATOS SEROSOS OU AQUOSOS Consistem principalmente em fluido com pequenas quantidades de proteínas e glóbulos brancos. Exemplos: reações alérgicas ou queimaduras.
Topico 3 - EXSUDATOS FIBRINOSOS São espessos e pegajosos e têm um alto conteúdo de células e fibrina. Esse tipo de exsudato aumenta o risco de formação de tecido cicatricial na área. EXSUDATOS PURULENTOS São espessos, de cor amarelo-esverdeada, e contêm mais leucócitos, detritos celulares e microrganismos. Normalmente, esse tipo de exsudato indica infecção bacteriana e é frequentemente referido como "pus". ABSCESSO É uma bolsa localizada de exsudato purulento ou pus em um tecido sólido (por exemplo, ao redor de um dente ou no cérebro). EXSUDATO HEMORRÁGICO Pode estar presente se os vasos sanguíneos tiverem sido danificados. MEDIADORES QUÍMICOS DA REAÇÃO INFLAMATÓRIA Mediadores químicos, como a histamina, são liberados imediatamente a partir de grânulos nas células mastócitos e exercem seus efeitos de imediato. Outros mediadores químicos, como os leucotrienos e as prostaglandinas, precisam ser sintetizados a partir do ácido araquidônico nas células mastócitos antes da liberação e, portanto, são responsáveis pelos efeitos tardios, prolongando a inflamação. Muitos desses produtos químicos também intensificam os efeitos de outros produtos químicos na resposta (Mohan; Mohan, 2017). Embora os reflexos nervosos no local da lesão causem uma vasoconstrição transitória imediata, a rápida liberação de mediadores químicos resulta em vasodilatação local (relaxamento do músculo liso, causando um aumento no diâmetro das arteríolas), o que provoca hiperemia, ou seja, aumento do fluxo sanguíneo na área. A permeabilidade da membrana capilar também aumenta, permitindo que proteínas plasmáticas se movam para o espaço intersticial jun-
tamente com mais fluido. O aumento do fluido dilui qualquer material tóxico no local, enquanto as globulinas servem como anticorpos, e o fibrinogênio forma uma malha de fibrina ao redor da área na tentativa de localizar o agente nocivo. Qualquer coagulação sanguínea também fornecerá uma malha de fibrina para isolar a área. A vasodilatação e o aumento da permeabilidade capilar compõem a resposta vascular à lesão (Mohan; Mohan, 2017). Durante a resposta celular, os leucócitos são atraídos por quimiotaxia para a área de inflamação à medida que as células danificadas liberam seu conteúdo. Vários mediadores químicos no local da lesão atuam como estímulos potentes para atrair leucócitos. Primeiro, os neutrófilos (leucócitos polimorfonucleares) e, posteriormente, os monócitos e macrófagos se acumulam ao longo da parede capilar e, em seguida, migram através de separações mais amplas na parede para a área intersticial. Esse movimento de células é denominado diapedese. Lá, as células destroem e removem material estranho, microorganismos e detritos celulares por fagocitose, preparando assim o local para a cicatrização. Quando
Topico 3 - as células fagocíticas morrem no local, as enzimas lisossômicas são liberadas e danificam as células vizinhas, prolongando a inflamação (Mohan; Mohan, 2017). À medida que o excesso de fluido e proteínas se acumula no compartimento intersticial, o fluxo sanguíneo na área diminui e a movimentação de fluidos para fora dos capilares é reduzida. A redução severa do fluxo sanguíneo pode diminuir a disponibilidade de nutrientes para as células não danificadas na área e impedir a remoção de resíduos. Isso pode causar danos adicionais ao tecido (Mohan; Mohan, 2017). Existem mecanismos de defesa ou controle naturais na forma de enzimas que inativam mediadores químicos e impedem a disseminação ou prolongamento desnecessário da inflamação (Mohan; Mohan, 2017). Uma variedade de proteínas de reagentes da fase aguda são liberadas no plasma em resposta a trauma tecidual e infecção. Seu principal papel é proteger as células normais dos efeitos prejudiciais das moléculas tóxicas geradas na inflamação e eliminar o material residual (Mohan; Mohan, 2017). As proteínas reagentes da fase aguda incluem certos fatores de proteção celular (α-antitripsina, α-quimotripsina, β-antiplasmina, inibidor da ativação do plasminogênio que protegem os tecidos dos danos citotóxicos e proteolíticos), algumas proteínas de coagulação (fibrinogênio, plasminogênio, fator von Willebrand, que geram fatores para substituir aqueles consumidos na coagulação), proteínas de transporte (ceruloplasmina, haptoglobina que transportam fatores gerados), agentes imunológicos (amiloide A do soro e componente P, proteína C-reativa (PCR))(Mohan; Mohan, 2017). A PCR é um agente que induz a fagocitose e seus níveis são um indicador útil da inflamação no corpo. Além destas, proteínas de estresse como proteínas de choque térmico - HSP e ubiquitina são moléculas que transportam o lixo tóxico dentro da célula para os lisossomos. Os antioxidantes (por exemplo, ceruloplasmina) são ativos na eliminação do excesso de radicais livres de oxigênio (Mohan; Mohan, 2017). Os reagentes da fase aguda são sintetizados principalmente no fígado e, em menor grau, nos macrófagos. Os reagentes da fase aguda, junto com características sistêmicas como febre e leucocitose, são denominados 'resposta de fase aguda'. A síntese deficiente desses reagentes leva a uma forma grave da doença na forma de respostas inflamatórias crônicas e repetidas (Mohan; Mohan, 2017).
Os glicocorticóides endógenos agem como agentes anti-inflamatórios. Seus níveis aumentam em infecções e traumas por um mecanismo de autorregulação. A presença dos receptores de citocinas livres solúveis para citocinas livres circulantes no soro correlaciona-se diretamente com a atividade da doença. Mediadores químicos anti-inflamatórios como prostaciclinas têm tanto ações pró-inflamatórias quanto anti-inflamatórias (Mohan; Mohan, 2017). As células que participam da inflamação aguda e crônica são leucócitos circulantes, células plasmáticas e macrófagos teciduais. Comumente chamados de neutrófilos, estas células, juntamente com basófilos e eosinófilos, são conhecidas como granulócitos devido à presença de grânulos no citoplasma. Esses grânulos contêm muitas substâncias como proteases, mieloperoxidase, lisossima, esterase, arilsulfatase, fosfatase ácida e alcalina, e proteínas catiônicas. O diâmetro dos neutrófilos varia de 10 a 15 µm e são ativamente móveis. Essas células representam 40-75% dos leucócitos circulantes e seu número aumenta no sangue (neutrofilia) e nos tecidos em infecções bacterianas agudas. Os neutrófilos se originam na medula óssea a partir de células-tronco (Mohan; Mohan, 2017). As funções dos neutrófilos na inflamação são as seguintes: fagocitose inicial de microrganismos, formando a primeira linha de defesa do corpo em infecções bacterianas. Os passos envolvidos são a adesão dos neutrófilos ao endotélio vascular, emigração através da parede do vaso, quimiotaxia, engolfamento, desgranulação, destruição e degradação do material estranho (Mohan; Mohan, 2017).
Topico 3 - Os eosinófilos são maiores que os neutrófilos, mas são menos numerosos, compondo de 1 a 6% do total de leucócitos no sangue. Os eosinófilos compartilham muitas semelhanças estruturais e funcionais com os neutrófilos, como sua produção na medula óssea, locomoção, fagocitose, núcleo lobulado e presença de grânulos no citoplasma contendo uma variedade de enzimas, das quais a proteína básica maior e a proteína catiônica eosinofílica são as mais importantes, possuindo ação bactericida e tóxica contra parasitas helmínticos. No entanto, os grânulos dos eosinófilos são mais ricos em mieloperoxidase do que os dos neutrófilos e não contêm lisossima. Altos níveis de hormônios esteróides levam à diminuição do número de eosinófilos e até mesmo a seu desaparecimento do sangue. O número absoluto de eosinófilos aumenta nas seguintes condições, e assim, eles participam das respostas inflamatórias associadas a essas condições: condições alérgicas; infestações parasitárias; doenças de pele; e certos linfomas malignos (Mohan; Mohan, 2017). Os basófilos (células mastocitárias) representam cerca de 1% dos leucócitos circulantes e são morfologicamente e farmacologicamente semelhantes às células mastocitárias dos tecidos. Essas células contêm grânulos basofílicos grosseiros no citoplasma e um núcleo polimorfonuclear. Esses grânulos estão carregados com heparina e histamina. Basófilos e células mastocitárias possuem receptores para IgE e desgranulam quando são cruzados com antígenos. O papel dessas células na inflamação é: em reações de hipersensibilidade imediata e tardia; e liberação de histamina pelos basófilos sensibilizados por IgE (Mohan; Mohan, 2017). Os linfócitos são os leucócitos circulantes mais numerosos (20-45%). Além do sangue, os linfócitos estão presentes em grande quantidade no baço, timo, linfonodos e no tecido linfóide associado às mucosas. Eles têm um citoplasma escasso e consistem quase inteiramente em núcleo. Essas células participam dos seguintes tipos de respostas inflamatórias: nos tecidos, são as células dominantes na inflamação crônica e na fase tardia da inflamação aguda, no sangue, seu número aumenta (linfocitose) em infecções crônicas como a tuberculose (Mohan; Mohan, 2017). As células plasmáticas são maiores que os linfócitos, com um citoplasma mais abundante e um núcleo excêntrico. Células plasmáticas normalmente não são vistas no sangue periférico. Elas se desenvolvem a partir de linfócitos B e são ricas em RNA e γ-globulina no citoplasma. Há uma inter-relação entre plasmocitose e hiperglobulinemia. Essas células são mais ativas na síntese de anticorpos. O número de células plasmáticas aumenta nas seguintes condições: infecções prolongadas
com respostas imunológicas, por exemplo, sífilis, artrite reumatoide, tuberculose; estados de hipersensibilidade; e mieloma múltiplo (Mohan; Mohan, 2017). O Sistema Mononuclear-Fagocitário (Sistema Retículoendotelial) inclui células derivadas de duas fontes com morfologia, função e origem comuns. Monócitos sanguíneos (compreendem 4-8% dos leucócitos circulantes) e macrófagos teciduais (macrófagos na inflamação, histiócitos, que são macrófagos presentes nos tecidos conjuntivos, células de Kupffer, que são macrófagos das células hepáticas, macrófagos alveolares (pneumócitos tipo II) nos pulmões, macrófagos/histiócitos da medula óssea, células de corpo tingível dos centros germinais dos linfonodos, células litorais dos sinusóides esplênicos, osteoclastos nos ossos, microglia do cérebro, células de Langerhans/histiócitos dendríticos da pele, células de Hoffbauer da placenta, células mesangiais do glomérulo (Mohan; Mohan, 2017). Os macrófagos são células fagocitárias do corpo e também participam do sistema imunológico. Suas funções na inflamação são as seguintes: fagocitose (ingestão de células) e pinocitose (englobamento de fluidos). Macrófagos, quando ativados por linfocinas liberadas por linfócitos T ou por estímulos não imunológicos, elaboram uma variedade de substâncias biologicamente ativas, incluindo: ■Proteases: como colagenase e elastase, que degradam o colágeno e o tecido elástico. ■Ativador do plasminogênio: que ativa o sistema fibrinolítico. ■Produtos do complemento. ■Alguns fatores de coagulação: (fator V e tromboplastina) que convertem fibrinogênio em fibrina. ■Agentes quimiotáticos: para outros leucócitos. ■Metabólitos do ácido araquidônico. ■Fatores de crescimento para fibroblastos: vasos sanguíneos e granulócitos; citocinas como interleucina-1 e TNF-α. ■Radicais livres: derivados do oxigênio (Mohan; Mohan, 2017). Alguns exemplos de células multinucleadas gigantes existem em tecidos normais (por exemplo, osteoclastos nos ossos, trofoblastos na placenta, megacariócitos na medula óssea). No entanto, na inflamação crônica, quando os macrófagos não conseguem lidar com as partículas a serem removidas, eles se fundem formando células gigantes multinucleadas. Além disso, células gigantes morfologi-
Topico 3 - camente distintas também aparecem em alguns tumores (Mohan; Mohan, 2017). Alguns dos tipos comuns de células gigantes são: CÉLULAS GIGANTES DE CORPO ESTRANHO Contém numerosos núcleos (até 100) que são uniformes em tamanho e forma, semelhantes aos núcleos dos macrófagos. Esses núcleos estão dispersos por todo o citoplasma. São vistas em granulomas infecciosos crônicos, hanseníase e tuberculose. CÉLULAS GIGANTES DE LANGHANS Encontradas em tuberculose e sarcoidose. Seus núcleos são semelhantes aos núcleos dos macrófagos e células epitelioides. Esses núcleos estão dispostos ao redor da periferia em forma de ferradura ou anel, ou estão agrupados nos dois pólos da célula gigante. CÉLULAS GIGANTES DE TOUTON Possuem citoplasma vacuolado devido ao conteúdo lipídico, como em xantoma. CÉLULAS GIGANTES DE ASCHOFF Derivadas de histiócitos cardíacos e são vistas em nódulos reumáticos. Na tabela a seguir (Tabela 1) são apresentados exemplos selecionados de doenças em que a resposta inflamatória desempenha um papel significativo na lesão tecidual: DOENÇAS CÉLULAS E MOLÉCULAS ENVOLVIDAS NA LESÃO Agudas Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA) Neutrófilos Asma Eosinófilos, anticorpos IgE
Tabela 1 - Doenças e as células e moléculas envolvidas na lesão / Fonte: a autora. EFEITOS SISTÊMICOS DA INFLAMAÇÃO Outras manifestações gerais da inflamação incluem febre leve, mal-estar (sensação de indisposição), fadiga, dor de cabeça e anorexia (perda de apetite) (Porth; Matfin, 2010). A febre baixa ou leve (pirexia) é comum se a inflamação for extensa. Se a infecção causa inflamação, a febre pode ser severa, dependendo do microorganismo específico. No entanto, a febre alta pode ser benéfica se impedir o crescimento e a reprodução de um organismo patogênico. A febre resulta da liberação de pirógenos, ou substâncias que induzem febre (por exemplo, interleucina-1), a partir de glóbulos brancos ou macrófagos. Os pirógenos circulam no sangue e fazem com que o sistema de controle da temperatura corporal (o termostato) no hipotálamo seja reajustado para um nível mais alto (Porth; Matfin, 2010). Mecanismos de produção de calor, como tremores, são ativados para aumentar o metabolismo celular. A vasoconstrição cutânea involuntária, caracterizada por palidez e pele fria, reduz a perda de calor do corpo. Ações voluntárias, como se encolher ou cobrir o corpo, conservam o calor. Esses mecanismos continuam até que a temperatura corporal atinja o novo ajuste mais alto. Após Glomerulonefrite Anticorpos e complemento, neutrófilos e monócitos Choque séptico Citocinas Crônicas Artrite Linfócitos, macrófagos, anticorpos Asma Eosinófilos, anticospos IgE Aterosclerose Macrófagos, linfócitos Fibrose pulmonar Macrófagos, fibroblastos
Topico 3 - a remoção da causa, a temperatura corporal retorna ao normal revertendo os mecanismos (Porth; Matfin, 2010). Leucocitose (aumento de glóbulos brancos no sangue), elevação da proteína C-reativa sérica, aumento da taxa de sedimentação de eritrócitos e aumento de proteínas plasmáticas e enzimas celulares no soro são alterações inespecíficas; elas não indicam a causa ou o local específico da inflamação. No entanto, fornecem informações úteis para triagem e monitoramento quando um problema é suspeito ou durante o tratamento. Em pacientes com leucocitose, frequentemente há um aumento de neutrófilos imaturos, comumente referido como "desvio para a esquerda". Uma contagem diferencial (a proporção de cada tipo de leucócito) pode ser útil para distinguir infecções virais e bacterianas. Reações alérgicas comumente produzem eosinofilia. A análise de um esfregaço de sangue periférico pode revelar números significativos de células anormais, outro indicativo da causa do problema (Porth; Matfin, 2010). O aumento de proteínas plasmáticas circulantes (fibrinogênio, protrombina e alfa-1-antitripsina) resulta de uma resposta no fígado que aumenta a síntese de proteínas (Porth; Matfin, 2010). As enzimas celulares e isoenzimas mais específicas podem estar elevadas no sangue na presença de inflamação severa e necrose. Estas podem ser úteis para localizar o local das células necróticas que liberaram as enzimas para os fluidos teciduais e sangue. Algumas dessas enzimas não são específicas para um tecido (Porth; Matfin, 2010). Se a causa da resposta inflamatória for uma breve exposição a um agente danoso, por exemplo, tocar em um objeto quente, a resposta frequentemente diminui em aproximadamente 48 horas. A integridade vascular é recuperada, e o excesso de fluido e proteínas são recuperados pelos capilares linfáticos e retornam à circulação geral. As manifestações da inflamação diminuem gradualmente. Caso contrário, a inflamação persiste até que o agente causador seja removido (Porth; Matfin, 2010). Veja a Tabela 2 com as características da inflamação aguda crônica: CARACTERÍSTICA INFLAMAÇÃO AGUDA INFLAMAÇÃO CRÔNICA Início Rápido: minutos ou horas Lento: dias Infiltrado celular Sobretudo neutrófilos Monócitos/macrófagos e linfócitos
Tabela 2 - A características da inflamação aguda e crônica / Fonte: a autora. Lesão tecidual, fibrose Geralmente leve e autolimitada Geralmente grave e progressiva Sinais locais e sistêmicos Proeminentes Menores Complicações A infecção pode se desenvolver em um tecido inflamado porque microrganismos podem penetrar mais facilmente quando a pele ou mucosa está danificada e o suprimento sanguíneo está prejudicado. Corpos estranhos frequentemente introduzem microorganismos diretamente no tecido, e alguns resistem à fagocitose. O exsudato inflamatório em si proporciona um excelente meio para que os organismos se reproduzam e colonizem uma área (Porth; Matfin, 2010). Úlceras profundas podem resultar de inflamação severa ou prolongada, pois a necrose celular e a falta de regeneração celular causam erosão do tecido. Isso, por sua vez, pode levar a complicações como perfuração (erosão através da parede) das vísceras ou desenvolvimento de tecido cicatricial extenso (Porth; Matfin, 2010).
NOVOS DESAFIOS A inflamação é um processo biológico fundamental que desempenha um papel crucial na resposta do organismo a lesões e infecções. Compreender os diferentes tipos de inflamação aguda e crônica é essencial para profissionais da saúde, pois cada uma apresenta características e implicações distintas. A inflamação aguda, por exemplo, é uma resposta imediata e de curta duração, enquanto a inflamação crônica pode levar a doenças graves, como artrite, doenças cardiovasculares e doenças inflamatórias intestinais. Para os estudantes da área da saúde, essa distinção é vital, pois influencia diretamente o diagnóstico e o tratamento de diversas condições. A etiologia da inflamação é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, ambientais e imunológicos. Os profissionais de saúde devem estar preparados para identificar as causas subjacentes da inflamação em seus pacientes, o que requer uma sólida formação teórica. O conhecimento sobre os mediadores químicos da inflamação, como citocinas e quimiocinas, também é fundamental, pois esses compostos não apenas regulam a resposta inflamatória, mas também podem ser alvos terapêuticos. Assim, a conexão entre teoria e prática se torna evidente: a compreensão dos mecanismos inflamatórios permite que os profissionais desenvolvam estratégias de intervenção mais eficazes. No futuro ambiente profissional, os estudantes da área da saúde enfrentarão desafios relacionados ao aumento das doenças inflamatórias crônicas, impulsionadas por fatores como estilo de vida e envelhecimento da população. A capacidade de aplicar o conhecimento teórico sobre inflamação na prática clínica será um diferencial competitivo. Profissionais que compreendem a complexidade da inflamação e suas implicações para a saúde pública estarão mais bem equipados para colaborar em equipes multidisciplinares, implementar programas de prevenção e promover a saúde em suas comunidades. Para enfrentar os desafios do mercado de trabalho, é fundamental que os estudantes desenvolvam habilidades práticas, como a análise crítica de dados e a capacidade de trabalhar em equipe. Além disso, a educação continuada e a atualização sobre novas pesquisas em inflamação e suas aplicações clínicas são
Questoes de Fixacao e Aplicacao Pratica
- Descreva os principais conceitos e fundamentos fisiopatologicos e laboratoriais abordados nesta Unidade de Lesao Celular Reversivel/Irreversivel, Adaptacao, Necrose e Apoptose.
- Explique os mecanismos de regulacao biologica e metodologias analiticas discutidas no texto.
- Qual a relevancia clinica e diagnostica das determinacoes bioquimicas e biomedicas descritas neste modulo?
- Diferencie os principais parametros laboratoriais e suas correlacoes com as manifestacoes patologicas.
- Como o conhecimento desta unidade se aplica na rotina diagnostica e conduta profissional em Fisiopatologia Geral e Processos Patologicos?