# Unidade 2 - Leucopoiese, Leucocitos e Avaliacao Laboratorial dos Leucogramas
Modulo de Formacao Tecnica e Fundamentacao Cientifica - Acervo Integrativia.
Introducao Geral a Unidade
O estudo de Leucopoiese, Leucocitos e Avaliacao Laboratorial dos Leucogramas na disciplina de Hematologia e Imunologia Basica estabelece as bases conceituais, metodologicas e praticas indispensaveis para a formacao e atuacao tecnica do profissional biomedico e de saude, integrando a fundamentacao cientifica aos protocolos laboratoriais, interpretacao analitica e conduta clinica integrada.
1 INTRODUÇÃO
Para fins didáticos, ou seja, para facilitar o aprendizado, as respostas imunológicas contra agentes infecciosos que compreendem os nossos mecanismos de defesa são divididas em duas etapas. Quando uma pessoa entra em contato com um antígeno (agente infeccioso ou agentes estranhos) pela primeira vez, as defesas iniciais contra a infecção são barreiras físicas e químicas, como a pele e proteínas antimicrobianas secretadas na superfície das mucosas, que tentam impedir a entrada de micro-organismos patógenos no corpo. O termo antígeno refere-se a todas as substâncias, tais como: proteínas, moléculas, micro-organismos, que são considerados estranhos para o nosso organismo (MURPHY, 2014). Essa primeira defesa, que compreende as barreiras físicas, químicas e Inata. A resposta imune inata ocorre rapidamente após a exposição a um agente infeccioso, por isso dizemos que ela é uma resposta imediata. A segunda resposta uma resposta tardia, pois leva dias em vez de horas para se desenvolver, mas é capaz de eliminar as infecções de maneira mais eficiente devido às funções especificas das células envolvidas (MURPHY, 2014). Você, acadêmico, deve se perguntar: como o nosso organismo é capaz de evitar a entrada de bactérias e vírus? Por que algumas doenças só “pegamos” uma vez na vida? Como as vacinas nos protegem? O que acontece com o nosso corpo quando ficamos doentes? Para responder a todas estas dúvidas, precisamos nos aprofundar no estudo da imunologia e, neste tópico, vamos começar aprendendo sobre as células imunes e os tecidos linfoides.
Marco histórico da Imunologia!
Considerado o Pai da Imunologia, Edward Jenner demonstrou, em 1796, que a inoculação com varíola bovina poderia proteger contra a doença humana. Jenner observou que vacas leiteiras que tinham se recuperado da doença nunca mais contraíram a forma mais grave. Em suposição a essa observação, Jenner injetou o material de uma pústula (ferida) de Sarah Nelmes, uma leiteira que estava desenvolvendo a varíola bovina, no braço de um menino de 8 anos de idade, James Phipps. O menino teve um pouco de febre e algumas lesões, mas não desenvolveu a infecção da varíola completa, tendo uma recuperação rápida. Jenner injetou novamente o material de uma pústula, dessa vez de outra pessoa, e foi observado que a doença não desenvolveu no garoto. O tratado de Jenner é um marco na vacinação, e recebeu esse nome do latim vaccinus, ou a partir de vacas (ABBAS, 2015). As descobertas de Jenner foram audaciosas e de sucesso, porém passaram-se quase dois séculos até que a vacinação contra a varíola tornasse universal. Em 1979, a organização mundial em saúde (OMS) anunciou a erradicação da varíola, com certeza um dos maiores triunfos na medicina moderna (MURPHY, 2014). FONTE: MURPHY, K. Imunobiologia de Janeway. 8. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. FIGURA – EDWARD JENNER NOTA FONTE: Murpth (2014, p. 1)
2.1 CÉLULAS DO SISTEMA IMUNE
Acadêmico, você viu na introdução desse tópico que o nosso corpo possui mecanismos de proteção contra agentes infecciosos e os danos que eles causam, e contra substâncias nocivas, como toxinas de insetos. A partir de agora você irá entender como essa proteção é conferida por uma variedade de células efetoras e moléculas que, juntas, constituem o Sistema Imune. Na Unidade 1, estudamos as células sanguíneas e você aprendeu sobre os leucócitos, sua importância e como eles são originadas em tecidos e órgãos hematopoiéticos, como a medula óssea e o timo. Neste tópico, estudaremos o papel desses leucócitos presentes no sangue na defesa contra doenças, ou seja, no Sistema Imunológico.
sequenciais: primeiro ocorre o recrutamento das células para os locais de infecção (um processo denominado quimiotaxia), em seguida ocorre o reconhecimento e ativação das células fagocíticas pelos micro-organismos e, finalmente, a ingestão e destruição dos micro-organismos pela fagocitose (ABBAS, 2015). As células fagocitárias podem captar e remover bactérias e células mortas do hospedeiro ou restos de tecidos. A fagocitose é um mecanismo muito importante dentro da resposta imune, e os dois principais tipos de células fagocitárias são: neutrófilos e macrófagos. A fagocitose ocorre em 4 etapas (Figura 2): primeiro ocorre a ligação dos fagócitos à partícula a ser fagocitada; segundo ocorre a ingestão da partícula através de projeções da célula para englobar a bactéria; terceiro o fagócito mata a bactéria ingerida; e por último ocorre a degradação da bactéria por enzimas proteolíticas (WOOD, 2013). FIGURA 2 – ETAPAS DA FAGOCITOSE FONTE: https://biologiaresolvida.com.br/wp-content/uploads/2019/06/Fagocitose.png. Acesso em: 13 mar. 2020. Macrófagos: os macrófagos são as células mais importantes no início da resposta imunológica e atuam como sentinelas para detectar e combater agentes infecciosos. Sua função de sentinela ou de células guardiãs é possível porque, ao contrário dos neutrófilos, os macrófagos podem permanecer nos tecidos por meses ou anos, sempre alerta à presença de antígenos infecciosos. São células abundantes na maioria dos tecidos, por exemplo, no fígado, pulmões, baço e até mesmo no cérebro (Figura 3) (ROITT, 2013). Os macrófagos são a forma madura dos monócitos, células que circulam no sangue periférico e que você aprendeu
na Unidade 1. Quando os monócitos saem do sangue e migram para os tecidos (a saída da célula para o tecido denomina-se diapedese), eles se diferenciam em macrófagos, que são células aptas para combater micro-organismos invasores através da fagocitose (MURPH, 2014). FIGURA 3 – PRODUÇÃO E DIFERENCIAÇÃO DOS MACRÓFAGOS PRESENTES NOS TECIDOS E PRODUÇÃO E ATIVAÇÃO DOS MONÓCITOS PRESENTES NO SANGUE PERIFÉRICO Na Figura (A) podemos observar como ocorre a diferenciação dos macrófagos residentes nos tecidos e órgãos (cérebro, fígado, pulmão e baço) e na Figura (B) podemos observar como ocorre a diferenciação de monócito para macrófago. FONTE: Abbas (2015, p. 53) Neutrófilos: embora os macrófagos teciduais sejam as primeiras células a responderem contra os patógenos, normalmente eles não são suficientes para sozinhos combater a infecção; logo, é necessário recrutar outras células do sistema imune para auxiliá-los. Assim, quando um tecido é infectado por micro-organismos às células no sangue com o objetivo de fazer com que elas saiam da corrente sanguínea e entrem no tecido infectado para combater o patógeno. Uma dessas células são os monócitos, como já vimos no decorrer desse tópico. Outra célula capaz de deixar a corrente sanguínea e entrar no tecido danificado ou infectado, é o neutrófilo (WOOD, 2013). Os neutrófilos são as células mais numerosas na resposta imunológica e constituem entre 60-70% dos leucócitos circulantes no sangue. Estão entre as primeiras células a migrarem dos vasos para os tecidos atraídos por agentes quimiotáticos e são ativados por diversos estímulos, como produtos bacterianos e
3 Processamento
do antígeno Encomenda pra você! Célula dendrítica
2 Antígenos do vírus dentro da
Até aqui, acadêmico, vimos a importância das células envolvidas na imunidade inata (sendo que algumas delas também atuam na imunidade adquirida). Agora abordaremos os linfócitos B e T, as células especializadas da imunidade adquirida. Os linfócitos são as células que representam a imunidade adquirida. Como você viu na Unidade 1, os linfócitos B e T são originários de um progenitor linfoide comum da medula óssea, que dá origem aos linfócitos antígeno-específicos do sistema imune adquirido e a um tipo de célula que responde à presença de infecção, mas não de forma específica, portanto, é considerado parte do sistema imune inato (célula natural killer) (MURPHY, 2014). A resposta imunológica específica para cada tipo de patógeno produzida pelo sistema imune só é possível devido aos linfócitos e seus receptores de antígenos variáveis presentes na superfície da célula (MURPHY, 2014). Para descrever sobre essas células, antes precisamos compreender dois termos: o que são linfócitos virgens e linfócitos efetores. Linfócitos virgens são linfócitos T que ainda não foram ativados por nenhum tipo de antígeno, ou seja, ainda não entraram em contato com nenhum patógeno. Já os linfócitos que tiveram contato com antígenos, tornando-se ativados e diferenciados em linfócitos totalmente funcionais, são chamados de linfócitos efetores (MURPHY, 2014). O papel dos linfócitos efetores é mediar a imunidade adquirida e eles são divididos em dois tipos: os linfócitos B (células B) e os linfócitos T (células T). Os linfócitos B são produzidos, maturados e diferenciados na medula óssea como função a produção de anticorpos (ABBAS, 2014). Essa célula é responsável linfócitos T são responsáveis pelo que chamamos de imunidade celular. São células produzidas na medula óssea, mas que amadurecem no timo (WOOD, 2013). Quando uma célula T é ativada, ela prolifera e se diferencia em um dos diferentes tipos funcionais de linfócitos T efetores. Os linfócitos T efetores são divididos em células T auxiliares ou células TCD4+ e células T citotóxicas ou células TCD8+. As células T auxiliares CD4+ são células que produzem sinais que influenciam no comportamento e atividade de outras células. Elas fornecem os sinais para as células B estimuladas por antígenos que influenciam sua produção de anticorpos, e para os macrófagos, permitindo que se tornem mais eficientes para matar os patógenos capturados. Já as células T citotóxicas CD8+ matam células infectadas com vírus ou micro-organismos intracelulares. Além destes dois tipos de células T, ainda temos as células T reguladoras que têm a função de reprimir a atividade dos linfócitos e auxiliam no controle das respostas imunológicas. No decorrer do desenvolvimento de uma resposta imune, algumas células B e T são ativadas pelo antígeno, diferenciandose em células de memória, que são os linfócitos responsáveis pela imunidade de longa duração, que podem ser produzidas após doença ou vacinação (MURPHY, 2014). No Tópico 3, abordaremos, novamente, esses tipos de células e suas funções. Na Figura 8 podemos observar como ocorre a maturação dos linfócitos.
2.2 MOLÉCULAS DO SISTEMA IMUNE
2.3 TECIDOS LINFOIDES E SUAS FUNÇÕES
Tecidos linfoides secundários: como já vimos na Unidade 1, o baço é um órgão ou tecido linfoide do tipo secundário, com os linfonodos e as MALT. O baço está localizado no lado esquerdo do abdômen e tem como principal função imunológica iniciar as respostas imunes adquiridas aos antígenos originados do sangue. Esse órgão é projetado para filtrar antígenos do sangue, a fim de que células T e B possam encontrar o antígeno e responder, assim iniciando uma resposta imune (WOOD, 2013). Os macrófagos da polpa vermelha do baço servem como um importante filtro para o sangue, removendo micro-organismos, células danificadas, células recobertas de anticorpo (opsonizadas) e micro-organismos. Indivíduos que não têm o baço são suscetíveis a infecções disseminadas com bactérias encapsuladas, tais como pneumococos e meningococos. Já a polpa branca contém as células que medeiam as respostas imunes adaptativas aos antígenos originados no sangue, e são encontrados muitos linfócitos (ABBAS, 2015). Vários vasos linfáticos encontram-se em estruturas especializadas e, assim, têm acesso aos antígenos encontrados nos epitélios. A função de coletar os antígenos e entregar para os linfonodos é efetuada pelos vasos linfáticos. Existem cerca de 500 linfonodos no corpo humano; um linfonodo é cercado por uma cápsula fibrosa, sob a qual existe um sistema sinusal cercado por células reticulares, com pontes cruzadas por fibrilas de colágeno e outras proteínas da matriz extracelular e preenchido com linfa, macrófagos, células dendríticas e outros tipos celulares (ABBAS, 2015). Vale lembrar da grande importância dos linfonodos, quando estão aumentados no nosso organismo, servem como um alerta clínico de que o nosso sistema imune pode estar com alguma doença. Para concluir os tecidos linfoides, vamos aprender sobre o sistema imune associado às mucosas. Esses sistemas vêm cada vez mais sendo estudados e aprofundados dentro da imunologia. Segundo Abbas (2015), os componentes dos sistemas imunes relacionados com as mucosas gastrintestinal e brônquica são denominados tecido linfoide associado à mucosa (MALT) e estão envolvidos nas respostas imunes aos antígenos e micro-organismos ingeridos e inalados. Os tecidos mucosos também contêm tecidos linfoides secundários não encapsulados, mas organizados sob a barreira epitelial, que incluem linfócitos B e T, células dendríticas e macrófagos. Estas coleções de células imunes frequentemente denominadas tecido linfoide associado à mucosa (MALT) são locais nos quais respostas imunes adaptativas especializadas para uma determinada mucosa em particular são iniciadas. As respostas imunes adaptativas em sistemas imunes associados a barreiras epiteliais também são induzidas em linfonodos drenantes que estão localizados fora dos tecidos das barreiras. O MALT compreende um grande número de componentes do sistema imune em termos celulares, dentre os quais o maior é o sistema linfoide associado ao intestino, composto pelas placas de Peyer (Figura 11). Outros exemplos de MALT são as amígdalas, as adenoides e o apêndice (WOOD, 2013).
3 RESPOSTAS IMUNOLÓGICAS
FONTE: ABBAS (2015, p. 675) Agora que você já aprendeu sobre as células do sistema imune e sobre os tecidos linfoides, podemos aprofundar um pouco mais o sistema imunológico. Aprendemos no início desta unidade que existem dois tipos de resposta imunes. A resposta imune inata ou natural, que é a primeira resposta ativada quando entramos em contato com um antígeno; e a resposta imune adquirida ou adaptativa, que se desenvolve mais tarde e que necessita da ativação dos linfócitos. Agora vamos estudar cada uma dessas imunidades, suas características, e células que contribuem para a eficiência da resposta imune. Vamos lá?
3.1 IMUNIDADE INATA
A resposta natural ou inata, como já aprendemos, é a primeira resposta que o organismo é capaz de ativar. Podemos também chamar de sistema imune inato os mecanismos preexistentes capazes de prevenir infecções por patógenos ou ainda criar uma defesa imediata contra agentes estranhos. Assim, as barreiras físicas, químicas, as células imunes e algumas proteínas, fazem parte dessa defesa inicial do nosso organismo (WOOD, 2013). Segundo Abbas (2015), a imunidade inata desempenha três funções essenciais que nos protegem contra micro-organismos e lesões teciduais: primeiro, é a resposta inicial aos micro-organismos que previne, controla ou elimina a infecção do hospedeiro por muitos patógenos; segundo, os mecanismos imunes inatos podem eliminar células danificadas e assim iniciar o processo de reparo tecidual; terceiro, a imunidade inata é capaz de estimular as respostas imunes adquiridas e pode influenciar a natureza das respostas adquiridas para torná-las otimamente efetivas contra diferentes tipos de micro-organismos. Antes de aprofundarmos as funções do sistema imune inata, precisamos aprender que existem muitas barreiras físicas e químicas que tornam mais difíceis para os patógenos penetrarem no corpo (Figura 12). Essas barreiras são consideradas nosso primeiro mecanismo de defesa. Dentro das barreiras de defesa do sistema inato, podemos chamar a atenção para as barreiras epiteliais que formam barreiras físicas entre os micro-organismos no meio ambiente externo e o tecido do hospedeiro (Figura 13). Além disso, as células epiteliais produzem agentes químicos antimicrobianos (defensinas e catelecidinas), que impedem a entrada dos micro-organismos no corpo (ABBAS, 2015). As defensinas são peptídeos antimicrobianos encontrados nas secreções das mucosas e peles; e as catelecidinas são peptídeos antibacterianos descobertos como defesa aos insetos (WOOD, 2013). A quebra dessas barreiras epiteliais, como picadas de insetos, cortes, queimaduras, mordidas de animais etc., quebram a primeira barreira do sistema imune inato que é barreira física epitelial e tornam-se portas de entrada para patógenos. Ainda alguns micro-organismos penetram as mucosas dos tratos respiratórios, intestinais e genitourinário, podendo causar algumas doenças (WOOD, 2013).
O termo opsonização significa fixar opsoninas; que são proteínas que podem se ligar a moléculas em micróbios e receptores em leucócitos para facilitar o reconhecimento de patógenos, e atuar ativando a fagocitose (WOOD, 2013). OPSONIZAÇÃO DICAS FONTE: http://reniellyfisio.blogspot.com/2011/02/relacao-entre-opsonizacao-e-fagocitose.html. Acesso em: 13 mar. 2020. Bactéria extracelular Opsonização Ingestão pelo macrófago Digestão no lisossomo Os PRRS são expressos na superfície, em vesículas fagocíticas e no citosol de vários tipos celulares, todos sendo localizações onde os micro-organismos podem estar presentes (ABBAS, 2015). Todos os PRRs ativam uma resposta na célula após o reconhecimento do seu PAMP particular, o reconhecimento de ligantes microbianos por PRRs leva à ativação de diversas vias de sinalização que levam a respostas inflamatórias e antivirais, conforme a Figura 14.
Resumidamente, a resposta inflamatória tem quatro eventos importantes (Figura 16): primeiro ocorre a vasodilatação, aumentando os fluxos sanguíneos na área e aumentando o fornecimento de células e fatores; segundo, ocorre a ativação das células endoteliais que revestem os vasos sanguíneos, aumentando as moléculas de adesão, fazendo com que os leucócitos se fixem ao endotélio, promovendo a migração celular; terceiro, ocorre o aumento da permeabilidade vascular, tornando mais fácil para as células e proteínas passar através das paredes dos vasos sanguíneos e entrar no tecido, e por último, a ação das quimiocinas (fatores quimiotáticos), que são produzidos para atrais as células para dentro dos tecidos (WOOD, 2013). FIGURA 16 – ESTÁGIOS INICIAIS DA MIGRAÇÃO DOS LEUCÓCITOS PARA OS LOCAIS DE INFLAMAÇÃO FONTE: <https://www.researchgate.net/profile/Wesley_Souza2/publication/26979689/figure/ fig1/AS:492794830692353@1494502851986/Figura-3-Eventos-leucocitarios-na-inflamacaoDurante-o-processo-inflamatorio-os.png>. Acesso em: 13 mar. 2020.
MARCO HISTÓRICO – FAGOCITOSE INTERESSANTE FONTE: Roitt (2013, p. 9)
3.2 IMUNIDADE ADAPTATIVA
Até aqui aprendemos que a imunidade inata é a primeira defesa imunológica do nosso organismo, respondendo rapidamente contra o agente estranho. Em contrapartida, a resposta imune adaptativa demora mais tempo para responder, porém gera uma resposta específica para cada agente infeccioso. No Tópico 3, desta unidade, abordaremos mais detalhadamente esse tipo de resposta imunológica. Neste momento é importante que você conheça as duas características principais da imunidade adaptativa: esse tipo de resposta aumenta a cada contato com o antígeno estranho, um fenômeno é conhecido como memoria imunológica (Figura 17), e é mediada pelos linfócitos B e linfócitos T, sendo que as respostas imunológicas mediadas pelas células B são conhecidas como imunidade humoral; e as respostas mediadas pelas células T são conhecidas como imunidade celular (ROITT, 2013).
Imunidade ativa e passiva
Você já se perguntou qual é a diferença entre soros e vacinas?
A imunidade protetora contra os micro-organismos geralmente é induzida pela resposta do hospedeiro aos micro-organismos. A forma da imunidade que é induzida pela infecção real, assim o sistema imunológico desempenha um papel ativo contra o microorganismo; um exemplo claro desse tipo de imunidade é as vacinas. Já a imunidade passiva, trata-se da transferência adotiva de anticorpos ou linfócitos T específicos, essa imunidade confere resistência rapidamente sem a necessidade de esperar o desenvolvimento de uma resposta imunológica ativa; um exemplo são os soros. Uma particularidade da imunidade ativa é que ela é capaz de desenvolver memória imunológica. Na figura a seguir, podemos observar as diferenças entre a imunidade ativa e passiva. FIGURA – DIFERENÇA ENTRE A IMUNIDADE ATIVA E PASSIVA NOTA FONTE: https://docplayer.gr/docs-images/86/94825741/images/4-1.jpg. Acesso em: 24 mar. 2019.
O sistema imunológico do recém-nascido Lílian Martins Oliveira Diniz Bruna de Campos Guimarães e Figueiredo
1 Muitas vezes, o sistema imunológico detecta células cancerosas e as elimina
com grande rapidez. Este trabalho é desempenhado por células denominadas: a) ( ) Auxiliares CD4. b) ( ) Plasmócitos. c) ( ) Mastócitos. d) ( ) Destruidoras Naturais (Natural Killer – NK).
2 Sabe-se que a especificidade das respostas imunológicas se deve aos linfócitos.
Morfologicamente semelhantes, essas células formam subconjuntos bem diferentes em suas funções. Entre os linfócitos, o único tipo capaz de produzir anticorpos é o: a) ( ) Linfócito B. b) ( ) Linfócito TCD4. c) ( ) LinfócitoTCD8. d) ( ) Células NK.
3 A vacinação e a soroterapia proporcionam, respectivamente:
a) ( ) Imunidade ativa e imunidade passiva. b) ( ) Imunidade ativa e imunidade adquirida. c) ( ) Imunidade passiva e imunidade ativa. d) ( ) Imunidade inata e imunidade adaptativa.
4 O meio ambiente está repleto de agentes infecciosos que podem causar
várias doenças nos seres humanos. A maioria das infecções, entretanto, é de curta duração, uma vez que existe um sistema imunológico que combate os agentes infecciosos. As respostas imunológicas são mediadas por uma variedade de células e por moléculas solúveis secretadas por elas. Sobre tais células, relacione o tipo de célula à sua definição: I- Célula B II- Célula T III- Eosinófilo IV- Neutrófilo V- Mastócitos ( ) diferenciam-se em plasmócitos, que produzem e secretam na forma solúvel, grande quantidade de anticorpos. ( ) situam-se próximos aos vasos sanguíneos em todos os tecidos e possuem grânulos contendo uma serie de mediadores que produzem inflamação nos tecidos.
( ) Células fagocitárias de vida curta, constituem a maioria dos leucócitos sanguíneos. ( ) apreendem e lesionam parasitas extracelulares grandes, como helmintos. ( ) destroem células do hospedeiro infectadas por vírus ou outros parasitas intracelulares. Sua atividade depende da liberação de citocinas e interação célula-célula. Assinale a sequência correta: a) ( ) I, III, IV, V, II. b) ( ) I, V, IV, III, II. c) ( ) III, V, I, IV, II. d) ( ) II, III, I, V, IV. e) ( ) V, I, IV, III, II.
5 A afirmação a seguir: são populações especializadas de células com a função
de capturar antígenos microbianos e outros antígenos, apresentá-los aos linfócitos e fornecer sinais que estimulem a proliferação e diferenciação desses linfócitos. Este conceito está relacionado a qual tipo de células? E quais os tipos celulares envolvidos nessa função?
TÓPICO 2
IMUNOLÓGICO
1 INTRODUÇÃO
2 ANTÍGENO E ANTICORPOS
2.1 ANTICORPOS: ESTRUTURA, SÍNTESE E FUNÇÕES
Os anticorpos ligam-se a agentes estranhos ao corpo, que podem estar na superfície de algum patógeno ou ser produtos solúveis, como toxinas secretadas por patógenos. Como já vimos, esses agentes estranhos são chamados de antígenos, que são quase sempre macromoléculas, como proteínas, lipídios, ácidos nucleicos, e até mesmo açúcares. Uma molécula de anticorpo não consegue se ligar em todo o antígeno, e sim uma pequena parte que vamos denominar como epítopo antigênico (Figura 18), essa ligação ocorre modelo “chave-fechadura” (WOOD, 2013). FIGURA 18 – MODELO DE ANTÍGENO, EPÍTOPO E ANTICORPO FONTE: https://www.estudopratico.com.br/wp-content/uploads/2015/02/antigenos-e-anticorpos.jpg. Acesso em: 13 mar. 2020. A estrutura do anticorpo é simétrica e composta de duas cadeias leves idênticas e duas cadeias pesadas idênticas. Ambas as cadeias, leve e pesada, contêm uma série de unidades homólogas repetidas, cada uma com cerca de 110 resíduos de aminoácidos de comprimento, que se dobram independentemente em um motivo globular que é chamado de domínio Ig (ABBAS, 2015). As imunoglobulinas ou anticorpos, possuem dois componentes principais um conhecido como região variável (Fab), encarregada de ligar-se ao epítopo antigênico (função de reconhecimento dos antígenos), e outra conhecida como região constante (Fc), utilizada para ligar-se ao complemento, aos fagócitos, às células NK e a outros elementos (função efetora); conforme podemos observar na Figura 19 (ROITT, 2013). Segundo Roitt (2013), através da região Fab (fragmento de ligação ao antígeno) do anticorpo, ocorre a ligação ao antígeno específico do micróbio e tem composição variável em cada anticorpo. Já a região Fc (fragmento cristalisável) é
idêntica em todos os anticorpos da mesma classe/subclasse e ativa funcionalmente o complemento (via clássica com os anticorpos lgM e lgG) e as células fagocitárias (com o anticorpo lgG, por ligação aos receptores Fc [FcR] existentes na superfície do fagócito). Iremos estudar no decorrer deste tópico sobre o sistema complemento e qual é a importância dele no sistema imunológico. Na Figura 20 podemos observar como ocorre a ligação do anticorpo ao antígeno. FIGURA 19 – ESTRUTURA DO ANTICORPO – REGIÃO FAB E REGIÃO FC FONTE: Adaptado de Roitt (2013) FIGURA 20 – A MOLÉCULA DO ANTICORPO LIGA O ANTÍGENO AOS OUTROS COMPONENTES DA RESPOSTA IMUNE FONTE: Roitt (2013, p. 37)
3 MEMÓRIA IMUNOLÓGICA
Na transfusão clínica, a escolha dos doadores de sangue para um receptor específico é baseada na expressão de antígenos do grupo sanguíneo e nas respostas de anticorpos contra eles. Se um paciente recebe uma transfusão de hemácias a partir de um doador que expressa o antígeno não expresso em suas hemácias, isso pode resultar em uma reação de transfusão (descrita anteriormente). Segue-se que os indivíduos AB podem tolerar transfusões de todos os potenciais doadores e são, portanto, chamados de receptores universais; da mesma forma, os indivíduos O podem tolerar transfusões apenas de doadores O, mas podem fornecer sangue para todos os receptores e, portanto, são chamados de doadores universais. Em geral, as diferenças em grupos sanguíneos menores levam à lise de hemácias só depois de repetidas transfusões desencadearem uma resposta do anticorpo secundário. FONTE: ABBAS, A. K. Imunologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015.
4 SISTEMA COMPLEMENTO
Uma das funções importantes dos anticorpos, além das que já foram descritas nos tópicos anteriores, é a capacidade de ativar o sistema complemento, que é um dos principais mecanismos efetores da imunidade humoral e na imunidade inata. Segundo Wood (2013), o sistema complemento consiste em uma cascata de proteínas precursoras inativas que, conforme vão sendo ativadas, tornam-se capazes de ativar as outras proteínas na sequência. Esse sistema consiste em um conjunto de proteínas séricas e de superfície celular que interagem uma com as outras, de maneira regulada e eficiente, com a finalidade de eliminar micro-organismos (ABBAS, 2015). Mais de 30 proteínas plasmáticas fazem parte do sistema do complemento e elas são produzidas principalmente pelo fígado. Na ausência de infecção, essas proteínas circulam na forma inativa. Na presença de patógenos ou de anticorpos ligados a patógenos, o sistema do complemento torna-se "ativado'' (MURPHY, 2014).
As proteínas do complemento são proteínas plasmáticas normalmente inativas; essas proteínas só serão ativadas em determinadas condições para gerar produtos que medeiam várias funções efetoras do complemento. A ativação do complemento envolve a proteólise sequencial de proteínas para gerar complexos de enzimas com atividade proteolítica (ABBAS, 2015). O sistema complemento foi descoberto em 1894 pelo Dr. Jules Bordet. Através de um experimento utilizando soro fresco contendo antibacterianos à temperatura de 37 oC, observou a lise bacteriana. Já se o soro fosse aquecido a 56o C ou mais, a capacidade lítica era perdida. Bordet pode concluir que o soro deveria conter outro componente termolábil que auxilia ou complementa a função lítica dos anticorpos, a esse componente foi dado, o nome complemento. NOTA Existem três vias do sistema complemento: a via clássica, a via das lectinas e a via alternativa. Todas essas vias convergem para uma via final comum. Neste tópico, iremos nos aprofundar nessas vias do sistema complemento. Acadêmico, aprenderemos como as três vias do sistema complemento são ativadas. Como vimos anteriormente, o sistema complemento faz parte da resposta imune inata e adaptativa, ou seja, ele pode ser ativado por microorganismos/patógenos ou por anticorpos. A forma como o sistema complemento é ativado é importante para podermos classificar o tipo de via, observe a Figura 24. sobre a superfície das células microbianas na ausência de anticorpos. A via das se liga aos resíduos de manose presentes nas superfícies celulares microbianas. Essas duas vias fazem parte do sistema imune inato. Já a via clássica faz parte da imunidade humoral e é ativada pela presença de anticorpos ligados a antígenos (ABBAS, 2015). Os principais componentes das vias do sistema complemento são primeira proteína descoberta pertence à via clássica e são identificadas pela letra C seguida de um número, e os componentes foram numerados de acordo com a ordem de sua descoberta, em vez de sua sequência da reação (MURPHY, 2014).
QUADRO 5 – PROTEÍNAS DA VIA CLÁSSICA FONTE: Adaptado de Abbas (2015) QUADRO 6 – FUNÇÃO DAS PROTEÍNAS DA VIA DAS LECTINAS FONTE: Adaptado de Abbas (2015)
Caro acadêmico, observe a Figura 25, nela podemos visualizar como a cascata de complemento ocorre nas três vias de ativação! Proteína Função C1(C1qr2s2) Inicia a via clássica C1q Liga-se a porção Fc do anticorpo que está ligado ao antígeno C1r Serino-protease, cliva C1s para torná-la uma protease ativa C1s Serino-protease, cliva C4 e C2 C4 C4b liga-se covalentemente à superfície de um micro-organismo ou célula, onde há um anticorpo ligado e o complemento ativado C4b liga-se a C2 para clivagem por C1s C4a estimula a inflamação (anafilatoxina) C2 C2a é uma serino-protease e funciona como a enzima ativa da C3convertase e da C5-convertase para clivar C3 e C5 C3 C3b liga-se à superfície antigênica e ao complexo C4b2a; C3a estimula a inflamação (anafilatoxina) Proteína Função MASP 1 Aglutina, opsonina, fixadora de complemento Proteína plasmática Forma complexos com MASP2 e com colectinas ou ficolinas e ativa MASP3 MASP 2 Forma complexo com lectinas, especialmente a ficolina-3 MASP 3 Aglutina, opsonina, fixadora de complemento Proteína plasmática Associa-se as colectinas ou ficolinas e MASP1 e cliva C4 Lectina ligadora de manose Aglutina, opsonina, fixadora de complemento Lectina da família das colectinas L-ficolina Aglutina, opsonina, fixadora de complemento Proteína secretada por macrófagos ativados
O fragmento C3b opsoniza patógenos que são reconhecidos por esses receptores de superfície, e assim promovem a fagocitose. A resposta inflamatória, por sua vez, ocorre devido as porções C3a e C5a do sistema complemento, que são anafilatoxinas, ou seja, ativam mastócitos e neutrófilos para os locais de infecção promovendo a inflamação. Finalmente, a lise celular ocorre através da formação das proteínas C5-C9 que irão formar o MAC na superfície do micro-organismo, assim destruindo a parede do patógeno (WOOD, 2013). FIGURA 27 – FUNÇÕES DO SISTEMA COMPLEMENTO FONTE: Abbas (2015, p. 661) É importante saber que apesar da sua importância, o sistema complemento deve ser regulado para evitar danos às células e tecidos normais do nosso corpo. Segundo Wood (2013), a regulação do sistema complemento ocorre em dois níveis: (1) regular a quantidade de atividade do complemente; (2) regular o local de atividade do sistema complemento. Por exemplo, se o local de ativação do complemento é a superfície de um micro-organismo, é importante que os componentes da ativação do complemento não se espalhem para células vizinhas. A regulação do complemento é mediada por diversas proteínas circulantes e de membrana celular. No Quadro 8, podemos observar alguns reguladores da ativação do sistema complemento.
QUADRO 8 – REGULADORES DA ATIVAÇÃO DO SISTEMA COMPLEMENTO Receptor Interage com Função Inibidor de C1 (C1 INH) C1r, C1s Inibidor da serinoprotease; liga-se a C1r e C1s e os dissocia de C1q Fator I C4b, C3b Serinoprotease; cliva C3b e C4b usando o Fator H, MCP, C4BP ou CR1 como cofatores Fator H C3b Liga-se a C3b e desloca Bb. Cofator para a clivagem de C3b mediada pelo Fator I Proteína ligadora de C4 C4b Liga-se a C4b e desloca C2. Cofator para a clivagem de C4b mediada pelo Fator I Proteína cofatora de membrana (MCP, CD46) C3b, C4b Cofator para a clivagem de C3b e de C4b mediadas pelo Fator I Fator de aceleração do decaimento (DAF) C4b2a, C3bBb Desloca o C2a de C4b e Bb de C3b (dissociação da C3-convertase) CD59 C7, C9 Bloqueia a ligação de C9 e evita a formação do MAC. FONTE: Adaptado de Abbas (2015) Deficiência do sistema complemento
As deficiências genéticas das proteínas do complemento e de proteínas reguladoras são as causas de várias doenças humanas. Foram descritas deficiências herdadas e espontâneas em muitas das proteínas do complemento em humanos. Foram descritas deficiências genéticas em componentes da via clássica, incluindo C1q, C1r, C4, C2 e C3. As deficiências em componentes da via alternativa, incluindo properdina e Fator D, resultam em aumento da suscetibilidade à infecção por bactérias piogênicas. Também foram descritas deficiências em componentes da via terminal do complemento, incluindo C5, C6, C7, C8 e C9; o único problema clínico consistente nesses pacientes é uma propensão para infecções disseminadas por bactérias do gênero Neisseria, incluindo Neisseria meningitidis e Neisseria gonorrhoeae, indicando que a lise bacteriana mediada pelo complemento é particularmente importante para a defesa contra esses organismos (ABBAS, 2015). NOTA
5 COMPLEXO DE HISTOCOMPATIBILIDADE
Antígeno leucocitário humano (hla)
O MHC humano foi descoberto através de pesquisas em indivíduos que receberam múltiplas transfusões de sangue e pacientes que receberam transplantes de rim continham anticorpos que reconheciam células dos doadores de sangue ou de rins e que as mulheres multíparas tinham anticorpos circulantes que reconheciam células leucócitos humanos (HLA) (leucócitos, porque os anticorpos foram testados pela ligação a leucócitos de outros indivíduos e antígenos, porque as moléculas eram reconhecidas por anticorpos). O HLA é muito importante para os transplantes, pesquisas realizadas em camundongos, demonstraram que a herança de determinados alelos HLA é um dos principais determinantes da aceitação ou rejeição de enxertos. ANTÍGENO LEUCOCITÁRIO HUMANO INTERESSANTE FONTE: Adaptado de Abbas (2015)
RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • Os anticorpos são proteínas circulantes produzidas pelos linfócitos B, mais especificamente, pelos plasmócitos em resposta à exposição a estruturas estranhas conhecidas como antígenos. • A estrutura do anticorpo é simétrica e composta de duas cadeias leves idênticas e duas cadeias pesadas idênticas. • As imunoglobulinas ou anticorpos, possuem dois componentes principais um conhecido como região variável (Fab), encarregada de ligar-se ao epítopo antigênico (função de reconhecimento dos antígenos). • A outra região do anticorpo é conhecida como região constante (Fc), utilizada para ligar-se ao complemento, aos fagócitos, às células NK e a outros elementos (função efetora). • Quando um antígeno entra no organismo, acaba se deparando com numerosos linfócitos B, cada qual com anticorpos diferentes e seus sítios de reconhecimento específicos e próprios. IgM, IgG, IgD, IgA e IgE.Cada classe de imunoglobulina irá desempenhar uma função no nosso organismo. • O primeiro contato com o antígeno podemos denominar de Resposta primária. • Quando o corpo entra em contato com o mesmo antígeno, a resposta será muito mais rápida e intensa (resposta secundária). • O sistema complemento é um dos principais mecanismos efetores da imunidade humoral e é também um importante mecanismo efetor da imunidade inata, esse sistema consiste em um conjunto de proteínas séricas e de superfície celular que interagem uma com as outras, de maneira regulada e eficiente, com a finalidade de eliminar micro-organismos. • O sistema complemento possui três principais funções: primeiro, promover a fagocitose dos micro-organismos sobre os quais o complemento é ativado; segundo; estimular a resposta inflamatória; e terceiro, induzir a lise de microorganismos através da formação do MAC.
• O complexo principal de histocompatibilidade (MHC) são proteínas especializadas e essas moléculas se encontram na superfície das células; • O MHC possui três principais funções no sistema imunológico: (1) participam da resposta imune, ligando-se a peptídeos reconhecidos pelos linfócitos T; (2) estão envolvidos na rejeição no caso de; (3) algumas doenças possuem marcadores envolvidos com o MHC, pré-disposição a doenças autoimunes.
(APC) é: a) ( ) Porção Fc. b) ( ) Porção Fab. c) ( ) Cadeia leve. d) ( ) Receptor de manose.
2 Com relação aos anticorpos, podemos afirmar que as regiões:
a) ( ) Fab ligam-se a antígenos. b) ( ) Fab ativam mecanismos efetores. c) ( ) Fc bloqueiam toxinas. d) ( ) Fc bloqueiam micro-organismos.
3 Classifique como verdadeiras (V) ou falsas (F) as afirmativas em relação as
imunoglobulinas e assinale a alternativa CORRETA: ( ) A IgA secretora é o principal anticorpo protetor da mucosa de uma criança de 5 meses amamentada somente com leite materno. ( ) A IgM é o principal anticorpo sérico de um paciente ao entrar em contato com o bacilo tetânico, um ano após reforço da vacina antitetânica. ( ) A IgA está envolvida nas alergias respiratórias, como asma. ( ) A IgG heteróloga é o anticorpo que predomina no sangue do recémnascido. Assinale a sequência CORRETA: a) ( ) F – V – V – F. b) ( ) V – F – F – V. c) ( ) F – V – F – V. d) ( ) V – F – F – V.
4 Na via de ativação do complemento conhecido como via da lectina, a lectina
de ligação à manose (MBL) liga-se a qual estrutura? a) ( ) A resíduos de manose, promovendo uma sequência à da via alternativa do complemento. b) ( ) A anticorpos, promovendo uma ativação semelhante à ativação proposta pela via clássica. c) ( ) Ao Lipopolissacarídio (LPS) bacteriano, promovendo uma ativação duradoura e autoestimulante. d) ( ) A resíduos de manose, promovendo uma ativação em cascata semelhante à via clássica.
5 O sistema complemento auxilia na resposta imunológica por:
I- Mediar os processos inflamatórios. II- Atrair células fagocíticas. III- Ativar células fagocíticas. Estão CORRETAS as afirmativas: a) ( ) I e II. b) ( ) I e III. c) ( ) II e III. d) ( ) I, II e III.
6 Escolha a alternativa que melhor completa, respectivamente, as lacunas do texto:
Quando dizemos que as proteínas que entram no citoplasma das células são provenientes de micro-organismos fagocitados, ou produzidas por patógenos, como vírus, e os peptídeos produzidos são transportados para o retículo endoplasmático, estamos nos referindo à via de MHC Classe __________; e o complexo peptídeo-MHC é reconhecido pelos linfócitos __________. a) ( ) I, TCD8. b) ( ) II, TCD8. c) ( ) II, TCD4. d) ( ) I, TCD4.
7 Sobre o sistema do complemento, responda:
a) O que diferencia a ativação do sistema do complemento da via clássica para a via alternativa? b) Cite as funções do sistema complemento?
TÓPICO 3
PROPRIEDADES GERAIS DA IMUNIDADE ADAPTATIVA
1 INTRODUÇÃO
2 IMUNIDADE CELULAR E MOLECULAR
2.1 ATIVAÇÃO DOS LINFOCITOS T – IMUNIDADE CELULAR
Você deve se perguntar, por que precisamos ativar os linfócitos T? Respondendo a esta dúvida, precisamos ativar as células T para gerar um pool (conjunto) de linfócitos T virgens que dará origem a muitas células efetoras funcionais capazes de eliminar o antígeno. Além disso, a ativação de células T gera células de memória que duram anos e que estão sempre preparadas para reagir rapidamente contra aquele antígeno específico caso ele seja reintroduzido no organismo (ABBAS, 2015).
TÓPICO 3 | PROPRIEDADES GERAIS DA IMUNIDADE ADAPTATIVA
citocinas que têm diversas atividades biológicas. Mais adiante, iremos abordar as funções específicas da célula TCD4+. A IL-2, estimula a sobrevivência, proliferação e diferenciação de células T ativadas por antígeno, é necessária para a sobrevivência e o funcionamento das células T reguladoras (células responsáveis pelo equilíbrio e manutenção do sistema imunológico) (ABBAS, 2015). As células TCD4+ possuem subtipos de células, e cada subtipo secretam um conjunto de citocinas, os quais irão provocar reações diferentes de defesa. Agora iremos aprender quais são esses subtipos de células TCD4+ e suas atuações no sistema imunológico. de TH1, TH2 e TH17, e essas células funcionam na defesa do hospedeiro contra diferentes tipos de agentes patogênicos infecciosos e estão envolvidas em diferentes tipos de lesões de tecidos em doenças imunológicas (Figura 33). As citocinas produzidas na resposta imune inata ou adaptativa aos antígenos promovem a diferenciação das Células TCD4+ virgens em células TH1, Th2 ou TH17. Esse processo de diferenciação é chamado de polarização da célula T, e podemos dividir em três etapas: (1) indução: ocorre a transcrição do gene específico da citocina da diferenciação na direção de cada subtipo; (2) comprometimento estável: os genes que codificam as citocinas de cada se tornam mais acessíveis para a transcrição; (3) amplificação: cada subtipo de células efetoras diferenciadas promove seu próprio desenvolvimento e podem suprimir o desenvolvimento de outros subtipos. A diferenciação de cada subtipo é induzida pelos tipos de patógenos que cada subtipo possa combater melhor (ABBAS, 2015). FIGURA 33 – PROPRIEDADES DOS SUBGRUPOS TH1, TH2, TH17 FONTE: Abbas (2015, p. 506)
TH1: a diferenciação da célula TH1 é induzida principalmente pelas citocinas IL-12 e IFN-γ, em resposta a micro-organismos que ativam as células dendríticas, macrófagos, e células NK. Essas citocinas irão ativar os fatores de transcrição T-bet, STAT1 e STAT4, para que ocorra a diferenciação em TH1. A célula TH1 tem como principal função ativar macrófagos para ingerir e destruir micro-organismos, mas também tem como função a estimulação para a produção de anticorpos que irão opsonizar micro-organismos para que ocorra a ativação do complemento (Figura 34). Cada citocina secretada pelas células TH1 irá desempenhar uma função dentro da resposta imunológica. (ABBAS, 2015). O IFN-γ ativa os macrófagos para que aumentem a fagocitose, e, consequentemente, a morte celular, essa citocina também ativa as células B, para que possam produzir anticorpos que atuarão na opsonização de micro-organismos, ativando o sistema complemento e a fagocitose. FIGURA 34 – DESENVOLVIMENTO DA CÉLULA TH1 E SUAS FUNÇÕES FONTE: Adaptado de Abbas (2015) TH2: a diferenciação das células TH2 é induzida pela IL-4 produzido por mastócitos, eosinófilos e basófilos, células TCD4+. A IL-4 irá ativar os fatores de transcrição STAT 6, que induz expressão de GATA3. As células TH2 estimulam as reações que servem para erradicar infecções por helmintos mediadas por IgE, mastócitos e eosinófilos, e também tem atuação em casos de alergias, observe a Figura 35 (ABBAS, 2015). Cada citocina secretada pelas células TH2, irá
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desempenhar uma função na resposta imunológica. A IL-4 irá ativar as células B para que produzam anticorpos que atuaram na degranulação dos mastócitos; A IL-4, juntamente com a IL-13, ativarão o aumento da secreção de muco intestinal e peristaltismos, é um mecanismo de defesa para tentar expulsar o hemilto; A IL-5 ativa os eosinófilos, que irão atuar na eliminação dos helmintos; A IL-4 com a IL10, ativarão os macrófagos para trabalharem na reparação tecidual. FIGURA 35 – DESENVOLVIMENTO DA CÉLULA TH2 E SUAS FUNÇÕES FONTE: Adaptado de Abbas (2015) TH17: a diferenciação das células TH17 é estimulado pelas citocinas IL6, IL-1, TGF-β e IL-23, produzidas por células dendríticas fagocitaram certas bactérias e fungos. Essas citocinas ativarão os fatores de transcrições RORγt e STAT3. A IL-23 é responsável pela sobrevida da célula TH17. A principal função efetora das células TH17 é induzir a inflamação neutrofílica, que serve para destruir bactérias e fungos extracelulares (WOOD, 2013). Observe a Figura 36, nela podemos observar como ocorre a diferenciação em TH17 e suas funções. Cada citocina secretada pelas células TH17, irão desempenhar uma função na resposta imunológica. A IL-17 irá ativar outras citocinas que atuarão na resposta inflamatória do tecido, recrutando mais locais para o local da inflamação; e a IL22 tem como função aumento o poder da barreira epitelial.
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2.2 ATIVAÇÃO DOS LINFOCITOS B – IMUNIDADE HUMORAL
A imunidade humoral é mediada por anticorpos, produzidos por células B, abordaremos agora os eventos celulares e moleculares da resposta imune humoral, particularmente os estímulos que induzem a proliferação e a diferenciação de células B; e como esses estímulos influenciam o tipo de anticorpo produzido. Segundo ABBAS (2015), a ativação de células B resulta em sua proliferação, o que leva à expansão clonal dessas células, seguida por sua diferenciação e culminando na geração de plasmócitos secretores de anticorpos e em células B de memória. O tipo e a quantidade de anticorpos produzidos pelos plasmócitos após a ativação dos linfócitos B variam de acordo com o tipo de antígeno que induz a resposta imune, o envolvimento ou não de células T, a exposição prévia ou não ao antígeno e o local anatômico no qual ocorre a ativação.
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A resposta imunológica do hospedeiro tem demonstrado ser capaz de promover a proteção contra a infecção por B. pertussis, desempenhando papel importante no controle e colonização do patógeno. Por outro lado, quando a resposta não é eficiente, a colonização da bactéria potencializa-se em seu hospedeiro, e este tipo de infecção está associada aos altos índices de mortalidade. Os diferentes tipos de micro-organismos, por exemplo, bactérias, fungos, vírus entre outros, por sua vez, são combatidos por diferentes componentes da resposta imune. Nesse caso, associam-se linhas de defesa responsáveis por suprimir a infecção causada por esses patógenos: imunidade inata, adaptativa celular ou humoral (MACHADO et al., 2004). Com base no aumento do número de casos da doença que desafia o cenário vacinal do país, comumente evidenciado pelos elevados índices epidemiológicos significativos, a presente revisão bibliográfica objetivou descrever os mecanismos efetores da resposta imunológica do hospedeiro, bem como os mecanismos de evasão da resposta imune pela B. pertussis. Para tanto, realizou-se buscas bibliográficas em plataformas digitais na internet, tais como: Science Direct, Bireme, Lilacs e plataforma CAPES, que permitiram a seleção e análise dos artigos referente à proposta de estudo. Não houve restrições de cronologia e idioma de publicação. As estratégias utilizadas para inclusão dos artigos neste estudo foram artigos originais e de revisão, publicados nas versões inglês e português, disponíveis por completo nas bases eletrônicas. O critério de exclusão utilizado foi para artigos incompletos. [...] FONTE: ARAÚJO T. M. S. de; ARAÚJO, T. M. S. de; BARBOSA, K. L. Mecanismos efetores da resposta imune na infecção por Bordetella Pertussis. Arq. Cienc. Saúde UNIPAR, Umuarama, v. 23, n. 2, p. 145-153, maio/ago. 2019. Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.
• A imunidade humoral é mediada por anticorpos secretados, produzidos por células B.
1 Marque a alternativa INCORRETA:
a) ( ) As células B de memória vivem por longos períodos, recirculam nos gânglios linfáticos e baço e respondem rapidamente a exposições subsequentes a antígenos e com secreção de Acs de alta afinidade. b) ( ) Na resposta primária dos anticorpos o pico de resposta é menor, mas com uma afinidade maior os Acs. c) ( ) A resposta secundária dos anticorpos é provocada quando o mesmo antígeno estimula células B de memória. d) ( ) As repostas das células B a antígenos polissacarídicos não necessitam da ativação inicial de linfócitos T.
2 Marque a alternativa INCORRETA:
3 A Interleucina-2 tem uma função muito importante na resposta imunológica?
a) ( ) Ativação dos Linfócitos B e diferenciação em plasmócitos. b) ( ) Proliferação e diferenciação de células T efetoras e de memória. c) ( ) Induz a diferenciação da célula TCD4+ em célula Th1. d) ( ) Induz a diferenciação da célula T em efetora TCD8.
4 Em relação à resposta imunológica a agentes infecciosos, assinale a afirmativa
INCORRETA: a) ( ) Nas infecções bacterianas, a fagocitose e o sistema complemento têm importante papel na eliminação dos micro-organismos. b) ( ) A opsonização é um eficiente mecanismo de defesa das bactérias. c) ( ) A resposta imunológica celular às infecções virais depende de células que possuem antígenos de classe I do MHC. d) ( ) Nas infecções parasitárias causadas por helmintos, há um aumento na secreção de anticorpos da classe IgE que estariam relacionados com a imunidade protetora.
célula Th1 de uma Th2: a) ( ) A célula Th1 expressa a molécula CD8, enquanto Th2 expressa CD4. b) ( ) O conjunto de citocinas produzidas por células Th1 e Th2 é diferente, ocorrendo (entre outras citocinas) produção de IL-4 pela Th2 e Interferon gama pela Th1. c) ( ) A célula Th2 é importante para ativação de macrófagos, já que secreta grande quantidade de IL-5. d) ( ) A célula Th1 é necessária para a produção de IgE, já que secreta grandes quantidades de interferon gama.
6 O diagrama a seguir mostra as citocinas envolvidas na diferenciação de
células TCD4 helper (A, B, C) e a citocina principal produzida pela Th (D, E, F). Correlacione as citocinas com os rótulos da tabela a seguir: Descreva as Citocinas correspondentes as letras:
A:
B:
C:
D: E:
F: 7 (UNICAMP/SP) Notícias recentes veiculadas pela imprensa informam que o surto de sarampo foi devido à diminuição do número de pessoas vacinadas nos últimos anos. As autoridades sanitárias também atribuíram o alto número de crianças com sarampo com menos de um ano, ao fato de muitas mães nunca terem sido vacinadas contra o sarampo. FONTE: https://www.professor.bio.br/search.asp?search=vacina. Acesso em: 13 de mar. 2020. a) Se a mãe já foi vacinada ou já teve sarampo, o bebê fica temporariamente protegido contra a doença? Por quê? b) Por que uma pessoa que já teve sarampo ou foi vacinada fica permanente imune a doença? De que forma a vacina atua no organismo?