# Unidade 1 - Fundamentos da Resposta Imune e Metodologias Imunodiagnosticas

Modulo de Formacao Tecnica e Fundamentacao Cientifica - Acervo Integrativia.


Introducao Geral a Unidade

O estudo de Fundamentos da Resposta Imune e Metodologias Imunodiagnosticas na disciplina de Imunologia Clinica e Diagnostico Sorologico estabelece as bases conceituais, metodologicas e praticas indispensaveis para a formacao e atuacao tecnica do profissional biomedico e de saude, integrando a fundamentacao cientifica aos protocolos laboratoriais, interpretacao analitica e conduta clinica integrada.


1 INTRODUÇÃO........................................................................................................3

2 CONCEITOS EM IMUNOLOGIA BÁSICA................................................................3

2.1 RESPOSTA INATA...................................................................................................................6

2.1.1 Barreiras físicas.............................................................................................................6

2.1.2 Barreiras químicas.......................................................................................................7

2.1.3 Fagócitos........................................................................................................................7

2.1.4 Processo inflamatório.................................................................................................7

2.1.5 Sistema complemento ..............................................................................................7

2.2 RESPOSTA IMUNE ADAPTATIVA....................................................................................... 8

3 INTRODUÇÃO AOS ENSAIOS IMUNOLÓGICOS. ..................................................9

RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................... 14

TÓPICO 2 — COMPREENDENDO AS DINÂMICAS SOBRE DOENÇAS

REUMÁTICAS......................................................................................17

1 INTRODUÇÃO.......................................................................................................17

2 ETIOPATOGENIA DAS DOENÇAS REUMÁTICAS................................................17

3 OSTEOARTRITE.................................................................................................. 18

4 ARTRITE REUMATOIDE (AR).............................................................................. 19

5 FEBRE REUMÁTICA............................................................................................23

RESUMO DO TÓPICO 2. .........................................................................................26

TÓPICO 3 — MARCADORES DE DOENÇAS REUMÁTICAS....................................29

1 INTRODUÇÃO......................................................................................................29

2 PROTEÍNA C-REATIVA.......................................................................................29

3 FATOR REUMATOIDE..........................................................................................32

4 ANTIESTREPTOLISINA O...................................................................................34

RESUMO DO TÓPICO 3. .........................................................................................36

TÓPICO 4 — METODOLOGIAS UTILIZADAS PARA INVESTIGAÇÃO

DE DOENÇAS REUMÁTICAS.............................................................39

1 AGLUTINAÇÃO EM LÁTEX..................................................................................39

2 NEFELOMETRIA.................................................................................................. 41

3 TURBIDIMETRIA.................................................................................................42

LEITURA COMPLEMENTAR.................................................................................. 44 RESUMO DO TÓPICO 4.......................................................................................... 51 REFERÊNCIAS.......................................................................................................53

PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL........................................................57

TÓPICO 1 — DEMANDAS IMUNOLÓGICAS E A IMPORTÂNCIA DO

ACOMPANHAMENTO IMUNOLÓGICO NO PERÍODO PRÉ-NATAL......59

1 INTRODUÇÃO......................................................................................................59

2 GONADOTROFINA CORIÔNICA HUMANA.......................................................... 61

2.1 DOENÇA TROFOBLÁSTICA GESTACIONAL...................................................................64

RESUMO DO TÓPICO 1...........................................................................................66

TÓPICO 2 — TOXOPLASMOSE...............................................................................69

1 INTRODUÇÃO......................................................................................................69

2 TOXOPLASMOSE. ...............................................................................................69

2.1 CICLO BIOLÓGICO............................................................................................................... 70

2.2 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS.............................................................................................72

2.3 LABORATÓRIO CLÍNICO NA TOXOPLASMOSE.............................................................74

2.3.1 Infecção recente........................................................................................................75

2.3.2 Transição imunológica.............................................................................................76

2.3.3 Infecção latente ou crônica...................................................................................76

RESUMO DO TÓPICO 2. .........................................................................................79

TÓPICO 3 — CITOMEGALOVÍRUS E RUBÉOLA..................................................... 81

1 INTRODUÇÃO...................................................................................................... 81

2 CITOMEGALOVÍRUS........................................................................................... 81

2.1 LABORATÓRIO CLÍNICO APLICADO AO CITOMEGALOVÍRUS...................................83

3 RUBÉOLA........................................................................................................... 84

3.1 LABORATÓRIO CLÍNICO APLICADO À RUBÉOLA........................................................86

RESUMO DO TÓPICO 3. .........................................................................................88

TÓPICO 4 — METODOLOGIAS UTILIZADAS PARA DIAGNÓSTICO E

PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL........................................................ 91

1 INTRODUÇÃO...................................................................................................... 91

2 IMUNOCROMATOGRAFIA................................................................................... 91

2.1 FLUXO LATERAL................................................................................................................. 92

2.2 DUPLA MIGRAÇÃO OU DUPLO PERCURSO (DPP)..................................................... 93

2.3 IMUNOCONCENTRAÇÃO ................................................................................................. 93

3 ENSAIO IMUNOENZIMÁTICO (ELISA)................................................................96

4 ENSAIO IMUNOENZIMÁTICO DE MICROPARTÍCULAS. .................................. 101

5 HEMAGLUTINAÇÃO..........................................................................................103

LEITURA COMPLEMENTAR.................................................................................104 RESUMO DO TÓPICO 4........................................................................................109 REFERÊNCIAS..................................................................................................... 113

UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES...................117

TÓPICO 1 — SÍFILIS...............................................................................................119

1 INTRODUÇÃO.....................................................................................................119

2 SÍFILIS................................................................................................................119

3 LABORATÓRIO CLÍNICO NO DIAGNÓSTICO E ACOMPANHAMENTO DA

SÍFILIS...............................................................................................................123

3.1 TESTES NÃO TREPONÊMICOS........................................................................................123

3.1.1 Floculação: VDRL......................................................................................................125

3.1.2 Ensaio RPR................................................................................................................129

3.2 TESTES TREPONÊMICOS............................................................................................... 130

3.2.1 Imunofluorescência indireta – FTA-Abs............................................................ 130

3.2.2 Teste treponêmico imunoenzimático – ELISA.................................................132

RESUMO DO TÓPICO 1.........................................................................................136

TÓPICO 2 — SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA

(SIDA OU AIDS)................................................................................139

1 INTRODUÇÃO....................................................................................................139

2 VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA (HIV)..............................................140

3 LABORATÓRIO CLÍNICO NO DIAGNÓSTICO E ACOMPANHAMENTO

DO HIV/AIDS.....................................................................................................144 RESUMO DO TÓPICO 2. ........................................................................................151

TÓPICO 3 — HEPATITES VIRAIS..........................................................................153

1 INTRODUÇÃO....................................................................................................153

2 HEPATITES VIRAIS...........................................................................................153

3 LABORATÓRIO CLÍNICO NO DIAGNÓSTICO E ACOMPANHAMENTO

DAS HEPATITES VIRAIS................................................................................... 157

3.1 HEPATITE A........................................................................................................................ 158

3.2 HEPATITE B....................................................................................................................... 158

3.3 HEPATITE C....................................................................................................................... 159

3.4 HEPATITE D....................................................................................................................... 159

3.5 HEPATITE E....................................................................................................................... 160

RESUMO DO TÓPICO 3. ........................................................................................161

TÓPICO 4 — CORONAVÍRUS................................................................................165

1 INTRODUÇÃO....................................................................................................165

2 CORONAVÍRUS. ................................................................................................165

2.1 SARS-COV-1.......................................................................................................................167

2.2 SARS-CoV-2..................................................................................................................... 169

3 O LABORATÓRIO CLÍNICO NO DIAGNÓSTICO E ACOMPANHAMENTO

DE SARS-COV-1 E SARS-COV-2...................................................................... 173

3.1 DETECÇÃO DE ANTÍGENO PARA SARS-COV – IMUNOCROMATOGRAFIA

DE FLUXO............................................................................................................................174

3.2 DETECÇÃO DE ANTICORPOS PARA SARS-COV – ELISA........................................179

RESUMO DO TÓPICO 4........................................................................................ 181

TÓPICO 5 — LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO................................................185

1 INTRODUÇÃO....................................................................................................185

2 LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO. ................................................................185

3 LABORATÓRIO CLÍNICO NO DIAGNÓSTICO DO LÚPUS..................................188

3.1 ANTICORPOS ANTINUCLEARES (ANA/FAN)..............................................................188

LEITURA COMPLEMENTAR..................................................................................191 RESUMO DO TÓPICO 5. .......................................................................................192 REFERÊNCIAS.....................................................................................................195

APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DE DOENÇAS REUMÁTICAS

Esta unidade está dividida em quatro tópicos. No decorrer dela, você encontrará

TÓPICO 1 – CONSIDERAÇÕES SOBRE IMUNOLOGIA CLÍNICA

TÓPICO 2 – COMPREENDENDO AS DINÂMICAS SOBRE DOENÇAS REUMÁTICAS

TÓPICO 3 – MARCADORES DE DOENÇAS REUMÁTICAS

TÓPICO 4 – METODOLOGIAS UTILIZADAS PARA INVESTIGAÇÃO DE DOENÇAS

REUMÁTICAS um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.

CONFIRA A TRILHA DA

CONSIDERAÇÕES SOBRE IMUNOLOGIA CLÍNICA

TÓPICO 1 —

1 INTRODUÇÃO

Entre os vários sistemas que possuímos, vamos destacar a importância do sistema imunológico e seu papel em todo nosso organismo. Qualquer pessoa que tenha tido o privilégio de ouvir o desempenho de uma brilhante orquestra executando uma sinfonia composta por um dos maiores maestros sabe que cada instrumento musical, cuidadosamente afinado, contribui para o som coletivamente harmonioso produzido pelos músicos. (COICO; SUNSHINE, 2010, p. 1). Em uma analogia com o corpo humano, podemos dizer que, para desfrutar de coisas simples, como assistir a um filme, existe uma “orquestra biológica” não apenas gigante, mas também bastante diversa, que, com uma sinergia singular, faz com que todos os sistemas funcionem de modo coordenado, 24 horas por dia, para manter a Nesse aspecto, para compreender as dinâmicas relacionadas à imunologia clínica, revisaremos alguns conceitos básicos sobre a imunologia, abordando os principais aspectos clínicos associados a esta disciplina.

2 CONCEITOS EM IMUNOLOGIA BÁSICA

O sistema imunológico tem como principal função proteger o organismo contra agressores externos. Para isso, conta com diferentes tipos celulares e moléculas mediadoras que atuarão de modo a manter o equilíbrio dos demais sistemas. Quando o corpo é exposto a algum tipo de microrganismo ou de um agente agressor que coloca em risco o equilíbrio – e, por conseguinte, a saúde – dos indivíduos, ocorre uma mobilização do sistema imune, no sentido de gerar uma resposta para eliminar o potencial agente de risco (LUNDY; FOX; GIZINSKI, 2015). As respostas desencadeadas pelo sistema imune ocorrem, ordenadamente, em quatro processos principais: • identificação de antígenos estranhos; • determinação do potencial prejudicial do agressor; • ativação de células e mediadores próprios para eliminar o agressor; • desenvolvimento da resposta efetora para eliminação do agente e restabelecimento do equilíbrio homeostático.

Para que todos esses passos sejam executados com sucesso, contamos com diferentes tipos celulares pertencentes ao sistema imune. A medula óssea é a fonte de origem de células-tronco hematopoiéticas pluripotentes, que, após sucessivas diferenciações, podem originar diferentes células com diferentes funções (Figura 1). FIGURA 1 – TIPOS DE CÉLULAS DO SISTEMA IMUNE E SUAS FUNÇÕES FONTE: Silverthorn (2017, p. 760)

Entre as funções descritas na Figura 1, podemos perceber que os linfócitos B secretam anticorpos. Afinal, o que são esses anticorpos? Os anticorpos são moléculas proteicas, classificadas como imunoglobulinas, que conseguem identificar agentes estranhos, presentes tanto na superfície de patógenos quanto em porções de toxinas produzidas por eles. Esses agentes estranhos são moléculas grandes que recebem o nome de antígenos. Assim, o anticorpo liga-se ao modelo de chave/fechadura estudado em enzimas (ABBAS; LICHTMAN; POBER, 2008). Essa ligação é muito importante na rotina laboratorial, uma vez que é justamente a ligação entre antígeno e anticorpo, ou seja, a formação desse imunocomplexo, o qual é base para diversos ensaios imunológicos, que veremos ao longo desta disciplina. FIGURA 2 – REAÇÃO ANTÍGENO ANTICORPO FONTE: https://www.fcav.unesp.br/Home/departamentos/patologia/HELIOJOSEMONTASSIER/aula-8interacao-ag-ac-testes-sorologicos-primarios-e-secundarios.pdf. Acesso em: 15 jan. 2021. O reconhecimento de potenciais agressores e a abordagem resolutiva, por parte das células e moléculas relacionadas ao sistema imune, podem ocorrer por intermédio de dois tipos diferentes de resposta: inata ou adaptativa (Figura 3), que trabalham de modo coordenado para neutralizar qualquer ameaça ao equilíbrio dos órgãos e tecidos (ABBAS; LICHTMAN; POBER, 2008). Epítopo Antígeno Anticorpo

2.1 RESPOSTA INATA

A resposta inata corresponde à primeira resposta do sistema imune diante de um dano tecidual. Trata-se de uma resposta rápida, composta por mecanismos que precedem a existência da infecção (ABBAS; LICHTMAN; POBER, 2008). O objetivo da imunidade inata é controlar e impedir o avanço da infecção, o que ocorre via ativação de mecanismos inespecíficos para o patógeno em questão. São exemplos desses mecanismos inatos: barreiras físicas, barreiras químicas, fagócitos, processo inflamatório e sistema complemento.

2.1.1 Barreiras físicas

• Junções intercelulares ocludentes – tornam as células epiteliais “seladas”, dificultando o acesso de invasores ao ambiente interno. • Muco – produzido pelas células mucosas presentes no trato respiratório, no trato gastrointestinal e no trato genital, trata-se de uma secreção glicoproteica. Sua função é recobrir as superfícies dos locais em que está presente, impedindo a invasão de microrganismos ao epitélio, uma vez que eles são aderidos ao muco. • Cílios – auxiliam na expulsão de agentes patogênicos, uma vez que sua movimentação impele o muco com potenciais agressores para fora do local em que estão presentes, por exemplo, o trato respiratório.

• Microbiota – presentes em boa parte das superfícies epiteliais, é composta por microrganismos não patogênicos, que auxiliam no combate a patógenos por competir pelos nutrientes disponíveis, além de produzir moléculas antimicrobianas. • Lágrimas e saliva – compostas por fosfolipase A e lisozima, moléculas com proprie­ dades antimicrobianas.

2.1.2 Barreiras químicas

O pH e as enzimas digestivas compõem uma barreira química que impede a proliferação de boa parte dos possíveis invasores no trato digestivo.

2.1.3 Fagócitos

2.1.4 Processo inflamatório

2.1.5 Sistema complemento

Além dos mecanismos e componentes do sistema inato descritos anteriormente, temos também o sistema complemento, que atua tanto na resposta inata quanto na resposta adquirida, é composto por 30 proteínas plasmáticas inativadas presentes na nossa corrente sanguínea. Sua ativação pode acontecer de três modos diferentes, chamados vias de ativação do sistema complemento:

2.2 RESPOSTA IMUNE ADAPTATIVA

A resposta imune adquirida, também conhecida como resposta imune especí­ fica, que, como o próprio nome revela, é uma resposta adquirida à medida que o orga­ nismo é exposto aos agressores. Assim, quando em contato com um novo patógeno, a imunidade adaptativa memoriza quais mecanismos específicos são mais eficazes para defender órgãos e tecidos contra o patógeno em questão. A especificidade dessa res­ posta é o que a torna tão eficaz, no que tange à proteção do organismo. Desse modo, diante de uma nova exposição ao agressor previamente “memorizado”, o sistema imune adaptativo já sabe os mecanismos necessários para eliminá-lo (LUNDY; FOX; GIZINSKI, 2015). O reconhecimento ocorre pela identificação dos antígenos específicos presentes na constituição de cada patógeno. Dessa forma, os linfócitos identificam esses antígenos, por meio de receptores de membrana capazes de realizar esse reconhecimento. A partir daí, é desencadeado um processo de multiplicação de células de defesa, que serão divididas em dois tipos: células efetoras, que farão a defesa contra o patógeno, e células de memória, que serão ativadas apenas quando houver uma segunda exposição ao mesmo patógeno (LUNDY; FOX; GIZINSKI, 2015).

3 INTRODUÇÃO AOS ENSAIOS IMUNOLÓGICOS

Após relembrar alguns conceitos importantes relacionados à imunologia, é importante entender alguns conceitos relacionados aos ensaios imunológicos. Você já parou para pensar como são realizados os testes que indicam se você está passando por um processo infeccioso e como o médico consegue, através de exames, saber se a vacina estimulou a produção de anticorpos suficientes para o proteger de um vírus ou se você está passando por um processo infeccioso recente? A chave para essas perguntas está relacionada ao tipo de reação que ocorre nas técnicas usadas em ensaios imunológicos: a interação entre antígeno e anticorpos. INTERESSANTE Os ensaios imunológicos são técnicas que determinam respostas imunes de anticorpos, antígenos ou linfócitos para detectar de forma exata a presença de agentes agressores no organismo. A base que fundamenta esses testes é a interação que ocorre entre antígeno e anticorpo, de modo que nós podemos utilizar como reagentes tanto anticorpos quanto antígenos e seus componentes. Por exemplo, quando você realiza uma técnica que busca identificar um determinado anticorpo, à composição do reagente utilizada para o teste será adicionado um antígeno, sendo esse tipo de teste classificado como ensaio direto. Por outro lado, quando o objetivo é identificar a presença de determinado antígeno o reagente deverá conter o anticorpo para esse antígeno, e esse teste será classificado como um ensaio indireto.

ESQUEMA DE DILUIÇÃO SERIADA FONTE: https://kasvi.com.br/preparo-de-solucoes-laboratorio-concentracao-fatordiluicao-seriada/. Acesso em: 14 jan. 2021. FONTE: Kasvi. Preparo de Soluções em Laboratório. 2018. Disponível em: https://kasvi. com.br/preparo-de-solucoes-laboratorio-concentracao-fator-diluicao-seriada/. Acesso em: 14 jan. 2021.

1 A imunologia é a ciência que estuda o sistema imune e, por conseguinte, todos os

seus mecanismos de defesa. Para que o sistema imune desenvolva sua função protetora, a atividade das células de defesa se faz essencial. Com relação às células com ação importante de defesa, assinale a alternativa INCORRETA: a) ( ) Célula NK. b) ( ) Linfócito B. c) ( ) Células da macroglia. d) ( ) Linfócito T.

2 Alguns componentes caracterizam a resposta imunológica inata. Quais são esses

componentes e as suas funções?

4 Explique a função do processo inflamatório no sistema imune.

COMPREENDENDO AS DINÂMICAS SOBRE DOENÇAS REUMÁTICAS

TÓPICO 2 —

1 INTRODUÇÃO

2 ETIOPATOGENIA DAS DOENÇAS REUMÁTICAS

Para isso, é necessário entender a fisiopatologia das principais doenças reumáticas em nível celular e molecular.

3 OSTEOARTRITE

cartilagem, cuja função é absorver o impacto gerado pelos movimentos que fazemos. Assim, quando um ginasta executa um salto e cai em pé, por exemplo, a cartilagem é um componente essencial para que o choque do solo com o pé do atleta não gere um evento doloroso considerável (SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA, 2019). Na osteoartrite, também conhecida como artrose, temos um processo degenerativo nas estruturas cartilaginosas. Com isso, os ossos perdem o revestimento cartilaginoso, o que os expõe diretamente aos impactos gerados pelos diversos tipos de movimentos que realizamos, e a estrutura óssea passa a ser comprometida pelo desgaste. Esse desgaste gera alterações nos ossos e conduz a formação de um processo inflamatório na membrana sinovial, que contribui para manifestação de dor ao realizar movimentos (SOHN et al., 2012). Lembre-se de que os ossos, ao contrário da cartilagem, são dotados de tecido nervoso e circulação sanguínea. Por isso, movimentos que normalmente seriam indolores passam a manifestar dor. ATENÇÃO O processo inflamatório que compõe a osteoartrite está associado à degene­ ração da cartilagem (Figura 7), que, quando rompida, libera elementos de sua matriz extracelular lesionada no líquido sinovial. O extravasamento de matriz extracelular (MEC) estimula a produção de elementos pró-inflamatórios no líquido sinovial, que podem, por sua vez, estimular a produção de enzimas que intensificam a degradação da cartilagem (REZEND; CAMPOS, 2013). O líquido chamado de sinovial está localizado no interior da cápsula articular, que reveste e protege a articulação, auxiliando no alívio do impacto entre os ossos. IMPORTANTE

4 ARTRITE REUMATOIDE (AR)

Como visto anteriormente, as manifestações clínicas extra-articulares representam um espectro de pior prognóstico dentro da artrite reumatoide, devido a sua potencial gravidade. Um elemento importante das manifestações clínicas extra-articulares é a presença do fator reumatoide, um tipo de anticorpo importante e que será mais bem abordado nas provas laboratoriais relacionadas às doenças reumáticas.

5 FEBRE REUMÁTICA

Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • As doenças reumáticas têm como componente comum o estabelecimento de um processo inflamatório. • A osteoartrite (artrose) é definida como um processo degenerativo nas estruturas cartilaginosas. Com isso, os ossos perdem esse revestimento cartilaginoso, o que os expõe diretamente aos impactos gerados pelos diversos tipos de movimentos que realizamos. • desgaste presente na osteoartrite gera alterações na estrutura óssea e leva à formação de um processo inflamatório na membrana sinovial. • Na artrite reumatoide, a membrana sinovial é afetada e, conforme progride, é possível observar um gradativo efeito de erosão e deformidade articular. • O avanço da artrite reumatoide dá origem ao pannus, caracterizado por hiperplasia e hipertrofia dos sinoviócitos, infiltrado inflamatório predominantemente de linfócitos, plasmócitos e macrófagos e intensa angiogênese. • A febre reumática é uma doença autoimune decorrente de uma infecção nas vias aéreas superiores causada por Streptococcus pyogenes. • Os eventos característicos relacionados à febre reumática estão associados ao estabelecimento de um quadro inflamatório que acomete diferentes órgãos, resultando em condições clínicas de maior complexidade, como valvulite, artrite e coreia. RESUMO DO TÓPICO 2

1 Na artrite reumatoide, ocorre a formação de um processo hiperplásico e hipertrófico

estabelecido nas células sinoviais que contêm infiltrado inflamatório e intensa angiogênese, o que o torna densamente vascularizado. Com relação ao termo que caracteriza essa descrição, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Sinoviose hiperplásica. b) ( ) Pannus. c) ( ) Deformação de boutonnière. d) ( ) Valvulite.

2 As doenças reumáticas possuem uma característica que permite a realização de

exames para compor diagnóstico e traçar prognóstico dessas doenças. Qual é essa característica? Justifique.

3 Os eventos característicos relacionados à febre reumática estão associados ao

estabelecimento de um quadro inflamatório que acomete diferentes órgãos e estruturas, resultando em condições clínicas de maior complexidade. Explique o papel do mimetismo molecular na febre reumática.

TÓPICO 3 —

MARCADORES DE DOENÇAS REUMÁTICAS

1 INTRODUÇÃO

2 PROTEÍNA C-REATIVA

A proteína C-reativa (PCR) foi descrita pela primeira vez na década de 1930. A indicação “C-reativa” foi dada, inicialmente, por ter sido identificada a sua reação com o polissacarídeo C da cápsula da bactéria Streptococcus pneumoniae em casos de pacientes com pneumonia pneumocócica. Após essa descoberta, novos estudos identificaram sua presença em outras condições clínicas. Isso fez com que a PCR se tornasse um exame amplamente utilizado, em função da variedade de doenças em que sua mensuração aparece alterada. Por isso, a PCR é classificada como inespecífica (CARVALHO et al., 2007). Dessa maneira, a detecção da PCR não é considerada patognomônica, ou seja, não é própria e característica de nenhuma doença específica. Acadêmico, a sigla PCR também pode surgir em textos com o significado de reação em cadeia da polimerase. Para diferenciálas, é necessário compreender que a proteína C-reativa é uma proteína de fase aguda inespecífica, visto que está presente em diversas patologias, enquanto a reação em cadeia da polimerase é uma técnica da biologia molecular que visa a amplificar o material genético – por isso, sugerimos que você revise o livro da disciplina de Biologia Molecular IMPORTANTE

A PCR é uma pentraxina (Figura 12) de origem hepática, que atua ligando-se a potenciais agressores, células em apoptose ou com alguma lesão, causando a sua destruição por intermédio da ativação de fagócitos e do sistema complemento. FIGURA 12 – ESTRUTURA MOLECULAR DA PROTEÍNA C-REATIVA FONTE: https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/creactive-protein-crp-human-moleculechemical-117136327. Acesso em: 5 fev. 2021. De acordo com Neto e Carvalho (2009, p. 416), “A PCR e a via clássica do complemento atuam em sintonia, promovendo a limpeza de células apoptóticas sem ocasionar lise celular”. Dessa forma, os mediadores pró inflamatórios dentro dessas células não são liberados, impedindo a intensificação da reação inflamatória presente. Ao longo deste livro, alguns termos serão recorrentes, por isso, vamos relembrar as diferenças entre os seguintes conceitos: • Análise qualitativa: indica se há ou não quantidade relevante do analito que está sendo investigado na amostra. O critério que estabelece se existe uma quantidade significativa do analito chama-se cut-off, que corresponde ao ponto de corte predeterminado. Nesse tipo de metodologia, não identificamos a concentração do analito. • Análise semiquantitativa: atribui-se valores às escalas qualitativas estabelecidas de acordo com cada técnica. Contudo, não necessariamente o número atribuído a cada descrição representa com exatidão a concentração presente. A função desse tipo de análise objetiva produzir resultados mais detalhados do que aqueles obtidos em análise qualitativas e não sugerir valores absolutos, como em análises quantitativas. IMPORTANTE

3 FATOR REUMATOIDE

O fator reumatoide (FR) é um autoanticorpo descrito inicialmente na década de 1940 por Waller Rose. A denominação FR se deve ao fato de que esses autoanticorpos foram identificados pela primeira vez em pacientes com artrite reumatoide. Após essa descoberta, novos estudos identificaram sua presença em outras condições clínicas. Assim, embora o nome remeta à artrite reumatoide, esse não é um marcador patognomônico para a doença. Apesar de não se tratar de um exame confirmatório para artrite reumatoide, ele faz parte das evidências clínicas que compõem o diagnóstico diferencial dessa doença. Em termos moleculares (Figura 13): O fator reumatoide (FR) é um auto-anticorpo que tem como alvo a região Fc de IgGs, ou seja, ele se liga em outros anticorpos e mais especificamente, na sua porção “Fc” (parte invariável dos anticorpos, que foi nomeada por se cristalizar em análises estruturais de anticorpos). A maioria dos FR são do isotipo IgM mas podem ser também IgA e IgG (MACEDO et al., 2016, p. 2).

4 ANTIESTREPTOLISINA O

A estreptolisina O é uma exotoxina (proteínas que podem ser produzidas por bactérias, capazes de gerar prejuízo a uma célula hospedeira) produzida por Streptococcus pyogenes. Quando ativada, tem ação hemolítica, ou seja, desencadeia a lise (quebra) das hemácias. É importante esclarecer que o que leva à ativação biológica dessa toxina bacteriana é a ausência de oxigênio (RACHID, 2003).

Como vimos, quando um patógeno invade o organismo, muitos eventos imunológicos ocorrem para culminar em sua eliminação, entre eles, temos a ativação dos linfócitos B. Após a infecção por S. pyogenes, anticorpos são produzidos pelos linfócitos B específicos para combater essa exotoxina, uma vez que essa molécula é imunogênica. Esses anticorpos são chamados de antiestreptolisina O (ASO ou ASLO) (RACHID 2003). Assim, análises que investigam a presença de ASO apontam a existência prévia de infecção estreptocócica. É comum que, em um primeiro momento, a dosagem sanguínea desse anticorpo esteja fortemente vinculada à investigação de febre reumática. Contudo, devemos lembrar que a ASO estará presente em qualquer manifestação clínica vinculada a infecções pela espécie S. pyogenes (GEERTS et al., 2011), como glomerulonefrite aguda, escarlatina, amigdalite, faringite (Figura 14), erisipela e sepse puerperal. FIGURA 14 – FARINGITE ESTREPTOCÓCICA FONTE: https://www.sanarmed.com/casos-clinicos-dor-de-garganta-ha-6-dias-ligas. Acesso em: 5 fev. 2021. É importante ressaltar que a presença de ASO pode permanecer na circulação sanguínea por semanas após o evento infeccioso. No Tópico 4, compreenderemos como esse analito pode ser dosado no laboratório.

Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • São as interações relacionadas aos componentes do sistema imune em resposta ao processo inflamatório que permitem as análises laboratoriais e, por conseguinte, a construção de diagnóstico e prognóstico das doenças reumáticas. • A proteína C-reativa é uma pentraxina produzida por células do fígado, que atua ligando-se a potenciais agressores, células em apoptose ou com alguma lesão, ativando sua destruição por intermédio da ativação de fagócitos e do sistema complemento.

• O fator reumatoide é um autoanticorpo, geralmente da classe IgM, que atua contra a fração Fc de um anticorpo IgG.

• Diferentes condições clínicas alteram os valores de fator reumatoide, o que o torna um marcador inespecífico.

• A estreptolisina O é uma exotoxina produzida por Streptococcus pyogenes.

• A ativação da estreptolisina O tem ação hemolítica, diante de condições de ausência de oxigênio.

• A antiestreptolisina O é o anticorpo produzido para neutralizar essa exotoxina

• A antiestreptolisina O não é um marcador patognomônico de febre reumática.

• A antiestreptolisina O estará presente em qualquer manifestação clínica vinculada a infecções por estreptococos do grupo A, não se restringindo apenas à febre reumática. RESUMO DO TÓPICO 3

2 Atualmente, a proteína C-reativa tem recebido maior destaque, devido às variadas

aplicações atribuídas principalmente ao âmbito hospitalar. Explique por que ocorre o aumento significativo de sua utilização com base nas características desse marcador.

3 O fator reumatoide não é um marcador patognomônico de artrite reumatoide.

Justifique essa afirmação.

TÓPICO 4 —

METODOLOGIAS UTILIZADAS PARA INVESTIGAÇÃO DE DOENÇAS REUMÁTICAS

1 AGLUTINAÇÃO EM LÁTEX

A técnica de aglutinação em látex é baseada nas reações de precipitação. Os imunoensaios, desenvolvidos pelo princípio das reações de precipitação, estão baseados na interação entre antígeno e anticorpo solúveis que produzem complexos insolúveis visíveis. A formação desses complexos visíveis é realizada a partir da utilização de partículas inertes (que não reagem quimicamente), como o látex. Em casos de técnicas que utilizam a aglutinação em látex, é possível realizar a análise qualitativa e semiquantitativa de marcadores imunológicos, como a PCR, o fator reumatoide e a ASO. De acordo com Voltarelli (2009, p. 78): Partículas de látex são esferas de poliestireno utilizadas como suportes na adsorção de proteína solúvel e antígenos polissacarídicos, funcionando como sistema indicador da reação antígeno-anticorpo. O teste pode ser empregado na pesquisa de antígenos ou anticorpos. A aplicação mais comum é na detecção de fator reumatoide IgM, dirigido contra isotipos de IgG, IgA1, IgM ou IgE. Com relação à possibilidade de esse tipo de teste ser usado tanto para pesquisa de antígenos quanto de anticorpos, fazemos referência a testes diretos (partículas de látex sensibilizadas com anticorpos – Figura 15) ou indiretos (partículas de látex sensibilizadas com antígeno). Assim, quando existe na amostra uma concentração mínima do marcador que está sob investigação, é possível observar a formação de pequenos grumos (imunocomplexos), resultantes da aglutinação. Caro acadêmico, lembre-se de que a concentração mínima que um ensaio é capaz de detectar é a sensibilidade desse teste. Portanto, quando as instruções do teste indicam um determinado valor de concentração do marcador como o valor da sensibilidade do teste, isso significa que aquela é a menor concentração que essa técnica é capaz de detectar. IMPORTANTE

2 NEFELOMETRIA

A nefelometria é uma técnica quantitativa utilizada para mensurar a concentração dos marcadores de doenças reumáticas. Para sua execução, é utilizado um nefelômetro, equipamento que mede a dispersão de luz gerada em soluções contendo imunocomplexos. O nefelômetro mensura a luz dispersa pelos imunocomplexos, pois possui, em sua estrutura, um detector posicionado em um ângulo de 70° em relação à fonte de luz. Segundo Voltarelli (2009, p. 76): Uma característica importante das soluções coloidais é a sua pronunciada dispersão da luz. Quando um feixe de luz incidente atravessa um meio contendo partículas, estas interferem com a passagem da luz, fazendo com que seja dispersa em todas as direções. Esse fenômeno, conhecido como efeito Tyndall, não altera o comprimento de onda da luz incidente e é independente do tipo de partícula.

3 TURBIDIMETRIA

O princípio do método turbidimétrico quantitativo para análise de marcadores de doenças reumáticas funciona, assim como na nefelometria, a partir da emissão de feixe de luz na amostra previamente preparada com reagente. Com a incidência desse feixe de luz, as partículas sólidas existentes no líquido refletem os raios luminosos. De acordo com Voltarelli (2014, p. 77): Esse teste está sujeito às mesmas condições dos sistemas nefelo­ métricos. O sinal de detecção é a absorbância e não a intensidade de luz dispersa. Não necessita de aparelhagem especial. As reações podem ser medidas em espectrofotômetros simples utilizados em bioquímica. Pode ser utilizada para medidas quantitativas de drogas ou biomarcadores no soro, plasma ou urina. Dessa forma, enquanto o nefelômetro mede a luz dispersa, a turbidimetria mede a luz absorvida (não dispersada) pela turbidez gerada pelos imunocomplexos formados na combinação entre amostra e reagente. Para medir a absorbância presente na reação entre amostra e reagente, o equipamento utilizado é o espectrofotômetro. Na turbidimetria, fatores pré-analíticos como hemólise, lipemia e concentrações elevadas de bilirrubina podem interferir na medida de marcadores de doença reumática. É

importante lembrar que existem diferentes kits reagentes no mercado para quantificação de marcadores de doenças reumáticas por essa metodologia. Portanto, outros possíveis interferentes relacionados a compostos que podem estar presentes na amostra de soro devem ser verificados nas instruções de uso do kit utilizado. Na leitura complementar, a seguir, veremos as provas laboratoriais que estão relacionadas ao diagnóstico dessas doenças, as principais metodologias utilizadas na rotina clínica e as possíveis interpretações dos resultados. NOTA

LEITURA COMPLEMENTAR O USO DE PROVAS DE ATIVIDADE INFLAMATÓRIA EM REUMATOLOGIA Nilton Salles Rosa Neto Jozélio Freire de Carvalho INTRODUÇÃO A resposta de fase aguda é um mecanismo fisiopatológico de defesa associado a estados inflamatórios que, apesar do nome já consagrado, ocorre tanto na inflamação aguda quanto na crônica. Caracteriza-se pelo aumento ou diminuição da concentração sérica de determinadas proteínas em decorrência de algum estímulo que ocasione injúria tecidual. Atualmente, opta-se por utilizar o termo biomarcador inflamatório ao se referir às proteínas envolvidas nessa resposta. Utiliza-se a análise dos biomarcadores de inflamação em doenças reumatológicas para a monitoração de atividade de doença – correlacionando com outros dados clínicos e laboratoriais – e para a diferenciação entre doença ativa e presença de infecções. Este artigo revisa o uso de provas de atividade inflamatória atualmente disponíveis no âmbito assistencial. HISTÓRICO Em 1930, pesquisadores descobriram uma proteína que reagia com o polissacarídeo C da cápsula de S. pneumoniae obtida do sangue de pacientes durante a fase aguda de pneumonia pneumocócica. A ela, deram o nome de proteína C-reativa (PCR). A partir de então, estudaram-se as alterações das proteínas plasmáticas em soro de pacientes agudamente enfermos devido a infecções. As proteínas encontradas nessas situações foram denominadas proteínas de fase aguda, e a reação inflamatória – ou resposta do organismo diante da lesão tecidual –, resposta de fase aguda. Posteriormente, verificou-se a presença dessas proteínas após outros eventos, como trauma, isquemia, neoplasia e reações de hipersensibilidade. Suas concentrações também se encontravam alteradas em estados inflamatórios crônicos. RESPOSTA DE FASE AGUDA A resposta de fase aguda caracteriza-se pela alteração na concentração sérica de certas proteínas após a injúria tecidual, algumas respondendo com elevação (biomarcadores positivos) e outras com diminuição (biomarcadores negativos) de

TABELA 1 – BIOMARCADORES INFLAMATÓRIOS POSITIVOS Sistema de Coagulação/Fibrinólise Fibrinogênio Plasminogênio Ativador de plasminogênio tecidual Uroquinase Proteína S Vitronectina Inibidor do ativador de plasminogênio tecidual 1 Sistema Complemento C3; C4; C9 Fator B Inibidor C1 (C1 INH) Proteína ligadora C4b Lectina ligadora de manose (MBL) Proteínas de Transporte Ceruloplasmina Haptoglobina Hemopexina Participantes da Resposta Inflamatória Fosfolipase A2 secretória (sPLA2-IIA) Proteína ligadora de lipopolissacarídeo (LPS) Antagonista do receptor de interleucina-1 (IL-1 RA) Fator estimulador de colônias – granulócitos (G-CSF) Antiproteases α1-Antiprotease α1-Antiquimiotripsina Inibidor da tripsina pancreática Inibidor da interalfatripsina suas concentrações. Essas proteínas terão funções pró e anti-inflamatórias e podem estimular ou inibir a produção umas das outras. Apesar da importância desse trabalho em conjunto, na prática clínica somente algumas dessas proteínas são utilizadas como marcadores, quer pela disponibilidade do método, quer pelo custo de sua determinação. Podem ser encontradas nas Tabelas 1 e 2 algumas das proteínas de fase aguda, divididas de acordo com sua função biológica original.

Adaptado para o português de Kushner e Gabay com permissão dos autores. Outros Proteína C-reativa (PCR) Proteína sérica amiloide A (SAA) α1-glicoproteína ácida (AGP) Fibronectina Ferritina Angiotensinogênio Proteína Ligadora do Retinol TABELA 2 – BIOMARCADORES INFLAMATÓRIOS NEGATIVOS Albumina Transferrina α2-HS glicoproteína Alfafetoproteína (AFP) Globulina ligadora de tiroxina Fator de crescimento insulina-símile-1 (IGF-1) Fator XII Adaptado para o português de Kushner e Gabay com permissão dos autores. Mudanças comportamentais e alterações fisiológicas, bioquímicas e nutricionais somam-se para completar a resposta de fase aguda. Alterações neuroendócrinas Uma das maiores características dessa fase é a presença de febre, uma resposta existente para promover um meio ótimo de funcionamento de enzimas e a estabilização de membranas celulares. Há indisposição e sonolência – medidas que reduzem o consumo energético do organismo. Modulando a resposta inflamatória, há aumento da secreção de hormônio liberador de corticotrofinas (CRH), hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) e cortisol, hormônio antidiurético (ADH) e catecolaminas; e diminuição do fator de crescimento similar à insulina do tipo 1 (IGF-1). Alterações hematopoéticas Em decorrência de inflamação, podemos encontrar leucocitose e trombocitose e, nos casos mais prolongados, anemia de doença crônica.

Alterações metabólicas Incluem-se perda muscular e balanço nitrogenado negativo, levando, em casos crônicos, à restrição de crescimento em crianças e à caquexia em adultos. Há diminuição da gliconeogênese e aceleração de osteoporose. Verificam-se aumento da lipogênese hepática e lipólise de tecido adiposo, assim como diminuição da atividade das lipoproteínas lipases muscular e adiposa, com o objetivo de, em casos de infecção, haver aumento da concentração de lipoproteínas, promovendo maior ligação à lipopolissacarídeo (LPS) e resultando em menor efeito tóxico para o organismo. Alterações hepáticas O fígado participa da produção e da liberação de muitas das proteínas relacionadas à resposta inflamatória. Fisiologicamente, há aumento de metalotioneína, óxido nítrico sintase, heme oxigenase, superóxido dismutase, inibidor tecidual de metaloproteinase-1 e redução da atividade fosfoenolpiruvato carboxiquinase. Alterações em outros constituintes do plasma Como controle das reações em andamento, há consumo de zinco, ferro e cobre e retinol plasmático e aumento de antioxidantes como glutationa. CLASSIFICAÇÃO Os biomarcadores da inflamação dividem-se em quatro grupos: • Proteínas de defesa do hospedeiro – participam do reconhecimento e eliminação de patógenos: proteína C-reativa, lectina ligadora de manose, proteína ligadora de lipopolissacarídeo, proteínas do complemento, fibrinogênio; • Inibidores de proteinases séricas – atuam na limitação do dano tecidual, neutralizando enzimas proteolíticas e metabólitos de oxigênio: α1-antiproteinase, α1antiquimiotripsina, α2-antiplasmina, inibidor do C1; • Proteínas de transporte com atividade antioxidante – responsáveis pela contenção da reação inflamatória e restauração da estrutura original lesada: ceruloplasmina, hemopexina, haptoglobina; • Outras – proteína sérica amiloide A (SAA), antagonista do receptor de IL-1, α1glicoproteína ácida, fosfolipase A2 secretória grupo IIA (sPLA2-IIA). Há diferenças significativas em termos de cinética, magnitude e duração de resposta entre os biomarcadores inflamatórios. A PCR e a SAA são detectadas a partir de quatro horas do insulto e têm pico de 24 a 72 horas, podendo chegar a mil vezes o valor normal. O fibrinogênio tem pico em sete a dez dias e eleva-se duas a três vezes o normal (Figura 1).

Apesar de sua função assemelhar-se à de anticorpos e participar da imunidade inata, não há descrição de estados deficientes de proteína C-reativa (PCR), o que, a princípio, deve ser incompatível com a vida. A ativação do complemento ocorre pela via clássica, por deposição dos fragmentos de C3 e C4 na PCR e no ligante, formação da C3 convertase clivando o C3 em C3a, uma anafilatoxina que induz a liberação de histamina de basófilos e mastócitos, e C3b, que atua como opsonina, atraindo fagócitos – macrófagos – ao local da inflamação. A ativação não converte C5, ou seja, não há amplificação dos efeitos pró-inflamatórios ou formação do complexo de ataque à membrana (CAM) diretamente pela PCR. A PCR e a via clássica do complemento atuam em sintonia, promovendo a limpeza de células apoptóticas sem ocasionar lise celular, minimizando a liberação de mediadores que aumentariam a reação inflamatória.5 É sabido que, na artrite reumatoide (AR), o complemento é ativado pela PCR, especialmente naqueles com maior atividade de doença, porém não está clara a participação da ativação do complemento na manutenção da reação inflamatória e destruição articular. A interação entre PCR e porção Fc de imunoglobulinas dá-se, em fagócitos, por meio de receptores FcγRI (CD64) e FcγRIIa (CD32), levando à indução de fagocitose e à secreção de citocinas pró-inflamatórias como interleucina (IL)-1 e fator de necrose tumoral (TNF)-α. Já em neutrófilos, a interação promove down-regulation da inflamação com inibição da resposta quimiotática, clivagem de L-selectina diminuindo a marginação de leucócitos e endocitose de receptores IL-6. Verifica-se, portanto, que a PCR tem funções pró e anti-inflamatórias. A determinação da PCR é mais sensível, avaliando uma resposta rápida por uma medida direta. Reflete, também, a extensão do processo inflamatório ou da atividade clínica, principalmente em infecções bacterianas (e não virais), reações de hipersensibilidade, isquemia e necrose tecidual. Podem-se encontrar valores discretamente elevados de PCR em obesidade, tabagismo, diabetes, uremia, hipertensão arterial, inatividade física, uso de anticoncepcionais orais, distúrbios do sono, álcool, fadiga crônica, depressão, envelhecimento, doença periodontal, entre outras situações. É também um marcador de aterosclerose, sendo um preditor de infarto do miocárdio, morte súbita ou acidente vascular encefálico e deve ter papel na patogênese da aterogênese. A metodologia amplamente utilizada é a imunonefelometria, que permite a liberação de resultados quantitativos, facilitando a interpretação clínica e permitindo o acompanhamento laboratorial de cada caso. A PCR também é importante como marcador de ativação endotelial e indutor de lesão vascular relacionada à inflamação, em especial em placas de ateroma. Pode ser utilizada como preditor de coronariopatias (angina e infarto do miocárdio), por acelerar o processo de aterosclerose. A denominação de PCR hipersensível, ou ultrassensível, diz respeito a métodos que possam detectar valores mais baixos (menor do que o percentil 97,5) do que os limites dos métodos usuais (menor do que percentil 90), ou

seja, exames mais sensíveis, que já identifiquem alterações inflamatórias em pacientes aparentemente saudáveis ou com fatores de risco conhecidos e permitam estimar o risco cardiovascular. Em pacientes com AR e lúpus eritematoso sistêmico (LES), a inflamação persistente, demonstrada por dosagens sequenciais de PCR, implica morbidade e mortalidade cardiovascular precoce. FONTE: Adaptado de ROSA NETO, N. S.; CARVALHO, J. F. O uso de provas de atividade inflamatória em reumatologia. Rev. Bras. Reumatol., v. 49, n. 4, p. 413-30, 2009. Disponível em: https://www.scielo.br/ pdf/rbr/v49n4/08.pdf. Acesso em: 18 dez. 2020.

Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • A técnica de aglutinação em látex é baseada nas reações de precipitação, os quais refletem a interação entre antígeno e anticorpos solúveis que produzem complexos insolúveis visíveis. • Técnicas que utilizam a aglutinação em látex permitem realizar análise qualitativa e semiquantitativa de marcadores imunológicos, como a proteína C-reativa, o fator reumatoide e a antiestreptolisina O. • O nefelômetro mede a luz dispersa pelos imunocomplexos a partir de um detector posicionado em um ângulo de 70° em relação à fonte de luz. • A nefelometria é uma metodologia rápida e precisa, principalmente quando os nefelômetros dispõem de dispositivos que subtraem interferentes. • A turbidimetria é uma metodologia que ocorre a partir da emissão de feixe de luz na amostra previamente preparada com reagente, que incide sob as partículas sólidas existentes no líquido e reflete os raios luminosos e o turbidímetro mede a luz absorvida. RESUMO DO TÓPICO 4

1 Existem alguns métodos quantitativos utilizados para mensurar marcadores de

doenças reumáticas. Explique a diferença entre a nefelometria e a turbidimetria.

2 O fator reumatoide é um marcador utilizado para diagnóstico e prognóstico de artrite

reumatoide, entre outras doenças. Para execução das metodologias de aglutinação em látex e nefelometria, temos a formação de uma solução com micropartículas capazes de dispersar luz e, com isso, permitir a análise desse analito. Sobre o tipo de solução utilizada nessas técnicas, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Solução coloidal. b) ( ) Solução ácida. c) ( ) Solução não inerte. d) ( ) Solução precipitadora.

3 Alguns interferentes podem interferir nos resultados obtidos pela técnica de

aglutinação em látex. Cite-os e explique por que eles podem ocorrer.

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APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL

Esta unidade está dividida em quatro tópicos. No decorrer dela, você encontrará

TÓPICO 1 – DEMANDAS IMUNOLÓGICAS E A IMPORTÂNCIA DO ACOMPANHAMENTO

IMUNOLÓGICO NO PERÍODO PRÉ-NATAL

TÓPICO 2 – TOXOPLASMOSE

TÓPICO 3 – CITOMEGALOVÍRUS E RUBÉOLA

TÓPICO 4 – METODOLOGIAS UTILIZADAS PARA DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO

PRÉ-NATAL um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.

CONFIRA A TRILHA DA

TÓPICO 1 —

DEMANDAS IMUNOLÓGICAS E A IMPORTÂNCIA DO ACOMPANHAMENTO IMUNOLÓGICO NO PERÍODO PRÉ-NATAL

1 INTRODUÇÃO

Sob o aspecto imunológico, a gestação é semelhante à invasão do organismo por um patógeno, pois, ao longo de 9 meses, o feto se nutre e cresce consideravelmente até estar apto a viver fora do ambiente que propiciou o seu desenvolvimento – afinal, se existe essa semelhança entre a gestação e um processo infeccioso, por que o sistema imune da gestante não ataca o feto? Neste tópico, veremos por que isso não ocorre. A ideia de que uma mulher tem a capacidade de gerar uma nova vida é vista como um milagre, que é resultado de diversas mudanças no corpo da gestante. Adaptações fisiológicas, anatômicas e endócrinas permitem que o feto se desenvolva em sua completude. Entretanto, algo também deveria acontecer no sistema imunológico da mãe, uma vez que as características genéticas do feto diferem das genéticas da mãe. Assim, ele deveria ser reconhecido pelo sistema imune como um agente agressor. Sabemos que, de alguma forma, o feto não é percebido dessa maneira pelo sistema imune. Isso acontece porque nós, mamíferos placentários, possuímos estruturas que protegem o desenvolvimento embrionário, do ponto de vista imunológico, como a decídua. Decídua é um nome que deriva do termo em latim deciduus, traduzido como “que se desprende”. Trata-se do endométrio do tecido gravídico, que possui funções relacionadas à composição estrutural e nutricional embrionária. No aspecto imunológico, Nancy et al. (2012) descobriram que a decídua é capaz de silenciar a expressão de genes responsáveis pela produção citocinas mediadoras de inflamação. Essas citocinas, por sua vez, atuam recrutando linfócitos T. Com o silenciamento desses genes, os linfócitos não recebem sinalização na decídua, o que impede que eles se acumulem nesta estrutura placentária. Essa descoberta indica que um dos mecanismos associados à imunotolerância materno-fetal permite que o feto se desenvolva sem ser atacado pelo sistema imune materno. Mesmo sabendo que a gestante é imunotolerante, e o feto não é visto como um “inimigo”, é importante tratarmos de outro assunto importante: o acompanhamento pré-natal.

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Compilação e Análise Científica

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