# Unidade 3 - Imunodeficiencias Primarias/Secundarias e Sorologia de Doencas Infecciosas

Modulo de Formacao Tecnica e Fundamentacao Cientifica - Acervo Integrativia.


Introducao Geral a Unidade

O estudo de Imunodeficiencias Primarias/Secundarias e Sorologia de Doencas Infecciosas na disciplina de Imunologia Clinica e Diagnostico Sorologico estabelece as bases conceituais, metodologicas e praticas indispensaveis para a formacao e atuacao tecnica do profissional biomedico e de saude, integrando a fundamentacao cientifica aos protocolos laboratoriais, interpretacao analitica e conduta clinica integrada.


2 Na técnica de VDRL, é indispensável a realização de testes com a amostra pura e com

a amostra diluída na proporção 1/8. Justifique esta afirmação.

3 A respeito dos testes treponêmicos, assinale a alternativa CORRETA:

a) ( ) São testes comumente utilizados para acompanhamento do tratamento para sífilis. b) ( ) São testes confirmatórios, que pesquisam anticorpos específicos para Treponema pallidum. c) ( ) São testes de triagem inespecíficos para Treponema pallidum. d) ( ) São os testes mais indicados para investigar reinfecções.

4 Por que são utilizados testes não treponêmicos para sífilis, apesar de sua

inespecificidade? Justifique sua resposta.

por diferentes manifestações clínicas. Sobre os estágios dessa doença, assinale a alternativa INCORRETA: a) ( ) Os dois primeiros estágios da doença são considerados os de maior chance de contágio. b) ( ) O terceiro estágio pode ser assintomático. c) ( ) Na sífilis secundária, a pele é acometida pelo surgimento de manchas. d) ( ) Na sífilis terciária, é possível observar a formação do cancro duro, correspondente a uma ferida indolor que surge no local da inoculação da bactéria.

SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA (SIDA OU AIDS)

TÓPICO 2 —

1 INTRODUÇÃO

No início da década de 1980, um dos primeiros registros do que, ao final do mesmo ano, seria definido pelo Center for Disease Control (CDC) como a síndrome da imunodeficiência adquirida (Sida ou, do inglês, Aids), resultante da infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), foi: Recentemente, tratamos vários homossexuais jovens, previamente sadios, com múltiplos episódios de pneumonia por Pneumocystis carinii, candidíase extensa de mucosa e infecções virais graves. As manifestações clínicas e os estudos da imunidade celular indicaram um grave defeito da função das células T. Esta síndrome representa uma deficiência imunológica potencialmente transmissível (GOTTLIEB et al., 1981, p. 444). Como podemos perceber, inicialmente, foi relatada como uma condição clínica restrita a indivíduos homossexuais do sexo masculino. Essa conclusão inicial estigmatizou a AIDS como uma doença relacionada a indivíduos homossexuais do sexo masculino e transmitida via contato sexual nos anos 1980 (CDC, 2020). Contudo, com a evolução dos conhecimentos adquiridos sobre a AIDS, essa informação inicial foi desmistificada. Isso porque foi observado que mulheres, recémnascidos filhos de gestantes com HIV e indivíduos que, independentemente da orientação sexual, compartilhavam agulhas para uso de drogas de abuso ou receberam doação de sangue contaminado também poderiam ser infectados pelo vírus HIV. Assim, foi possível compreender que, diferentemente das conclusões iniciais sobre a doença, além da via sexual a transmissão do HIV (Figura 10), poderia ocorrer por via vertical (mãe para filho) e via sanguínea (CDC, 2020).

2 VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA (HIV)

O HIV foi originado de um vírus presente em chimpanzés da África Central, chamado de vírus da imunodeficiência símia (SIV), e é provável que tenha sido transmitido aos humanos pelo contato com a carne de caça desses animais, bem como com o seu sangue infectado. O HIV é um retrovírus (vírus que armazena suas informações em formato de ácido ribonucleico-RNA e possui a enzima transcriptase reversa) pertencente à família Lentiviridae. Esta subfamília de vírus tem como características um longo período de incubação antes do estabelecimento de sinais e sintomas relacionados à doença, supressão imunológica e infecção de células sanguíneas e do sistema nervoso (FIOCRUZ; HOAGLAND, 2013).

Ao infectar um indivíduo, o HIV liga-se ao receptor CD4+, que está presente na membrana plasmática dos linfócitos T auxiliares (também conhecidos como linfócitos T-CD4+). A partir daí, ele utiliza a célula infectada para se reproduzir. A replicação do HIV tem início com a liberação do RNA viral dentro da célula infectada. Esse RNA é transcrever o RNA viral em DNA pró-viral. Uma vez sintetizado, o DNA pró-viral entra no núcleo da célula infectada e se integra ao DNA celular com o auxílio da enzima viral integrase. Posteriormente, a célula passa a produzir o RNA e as proteínas do HIV, que são importantes para a formação de novos virions (partícula viral completa que está estruturalmente intacta e é infecciosa) ainda imaturos. Os virions imaturos são convertidos em vírus HIV maduros, por ação das enzimas virais proteases, rompem a célula ao qual se originaram e invadem outra célula do hospedeiro, e, assim, o ciclo se reinicia (Figura 11). Ao utilizar os componentes celulares para sua replicação, o HIV destrói progressivamente os linfócitos. Os linfócitos atuam na defesa contra microrganismos patogênicos e células cancerígenas, por isso, com a redução dos linfócitos, o indivíduo infectado passa a ficar vulnerável a infecções oportunistas (infecções por microrganismos que, diante da vulnerabilidade imunológica do paciente, conseguem causar infecções generalizadas) (BRASIL, 2013). Muitas vezes, é desafiador compreender alguns processos biológicos, e um exemplo é o processo de replicação do HIV. Assim, assista à animação a seguir, que pode auxiliar no entendimento das etapas da replicação do HIV: https://www.youtube.com/watch?v=ZQ9amIhyZ48. IMPORTANTE É importante ressaltarmos que existem dois tipos de HIV: o HIV tipo 1 e o HIV tipo 2. O primeiro é um retrovírus mais disperso por todo o mundo, enquanto o segundo é o principal causador de infecções por HIV na região central da África. IMPORTANTE

3 LABORATÓRIO CLÍNICO NO DIAGNÓSTICO E

• Um teste rápido utilizando fluido oral seguido por um teste rápido utilizando sangue: neste fluxo de trabalho, também são utilizados 2 testes rápidos diferentes, em que um deles utilizamos amostra de fluido oral enquanto o segundo é realizado com amostra de sangue (Figura 14). Sua aplicação é indicada principalmente em ações e campanhas de testagem que ocorrem fora dos estabelecimentos de saúde. Este fluxograma é semelhante ao anterior, com a diferença de que um teste é realizado com fluído oral (BRASIL, 2018). FIGURA 14 – DOIS TESTES RÁPIDOS: UM UTILIZANDO A AMOSTRA DE FLUÍDO ORAL E OUTRO A AMOSTRA DE SANGUE FONTE: Brasil (2018, p. 74) sim sim Realizar Teste Rápido 1 (TR1-FO) Válido? não não Repetir Teste Rápido 1 (TR1-FO)1 Válido? não não Amostra Não Reagente para HIV3 Resultado Reagente? não não Válido? Válido? Resultado Reagente? Primeira discordância? Amostra Reagente para HIV2,4 Coletar uma amostra por punção venosa e encaminhá-la para ser testada com um dos fluxogramas definidos para laboratório. Realizar Teste Rápido 2 (TR2) Repetir Teste Rápido 2 (TR2)1 sim sim sim sim sim sim sim sim sim sim não não não não sim sim não não Amostra (Fluido Oral - FO) Amostra (Sangue)

Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • O vírus da imunodeficiência adquirida (HIV) ataca o sistema imunológico. Quando essa infecção não é tratada, passa a expressar um quadro conhecido como síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA ou AIDS). • HIV é um retrovírus (vírus que armazena suas informações em formato de ácido ribonucleico) pertencente à família Lentiviridae. Esta subfamília de vírus tem como características um longo período de incubação antes do estabelecimento de sintomas relacionados à doença, à supressão imunológica e à infecção de células sanguíneas e nervosas. • A progressão da infecção ocorre de tal forma que a quantidade de leucócitos fica muito baixa. A partir daí, diferentes manifestações clínicas passam a surgir configurando a síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS). • O princípio de ensaios sorológicos para HIV é voltado para detectar a presença de anticorpos específicos para o HIV. • As metodologias e fluxos de trabalho aplicados ao diagnóstico do HIV são implantados na rotina laboratorial seguindo orientações técnicas disponibilizadas pelo Ministério da Saúde, a partir do Manual Técnico para o Diagnóstico da Infecção pelo HIV, aprovado pela Portaria SVS/MS n° 29/2013. • Entre os principais fluxos de trabalho para diagnóstico de HIV, podemos destacar: dois testes rápidos realizados em sequência com amostras de sangue; um teste rápido utilizando fluido oral seguido por um teste rápido utilizando sangue; e a aplicação de um imunoensaio de quarta geração confirmado por teste molecular como metodologia complementar. RESUMO DO TÓPICO 2

1 Explique a diferença entre HIV e AIDS.

2 Sobre o vírus HIV, assinale a alternativa CORRETA:

a) ( ) Trata-se de uma doença que culmina com o estabelecimento de prejuízo hepá­ tico crônico. b) ( ) É sinônimo da síndrome da imunodeficiência adquirida. c) ( ) É responsável pelo estabelecimento da AIDS. d) ( ) É transmitida exclusivamente por via sexual.

3 A detecção de HIV é realizada por provas sorológicas classificadas em gerações. A

4 Sobre a evolução clínica que caracteriza o estabelecimento da AIDS, assinale a

alternativa CORRETA: a) ( ) O aumento progressivo de cópias dos linfócitos T-CD4+ precede o aparecimento de sintomas. b) ( ) O aumento progressivo da carga viral é o evento que precede o aparecimento de sintomas. c) ( ) A redução progressiva da carga viral é o evento que precede o aparecimento de sintomas. d) ( ) A manifestação de sintomas precede as alterações nos marcadores de carga viral.

5 Explique a importância do antígeno p24 relacionado ao HIV.

TÓPICO 3 —

HEPATITES VIRAIS

1 INTRODUÇÃO

2 HEPATITES VIRAIS

Hepatite é um termo que vem da palavra grega Hepar, que significa fígado. Associada ao sufixo “ite”, que refere a inflamação, indica que se trata de um processo inflamatório localizado no fígado. Este quadro inflamatório hepático pode ter diferentes causas, como: • doenças metabólicas; • doenças autoimunes; • uso excessivo de álcool; • substâncias tóxicas; • medicamentos; • infecção viral.

Nesse primeiro momento, abordaremos hepatites originadas por infecções virais. Trata-se de uma doença crônica causada por vírus hepatotrópicos, ou seja, vírus que tem maior afinidade pelos hepatócitos, células que formam o tecido hepático. Dividem-se em cinco tipos, nomeados de acordo com as cinco primeiras letras do alfabeto: • Vírus da hepatite A (HAV): vírus de RNA com capsídeos formados pelo antígenos HAVAg (Figura 16). É encontrado no sangue e nas fezes de indivíduos contaminados e tem como meio de transmissão a via oral-fecal. Assim, dissemina-se com facilidade quando um indivíduo ingere alimentos contaminados ou por contato próximo com pessoas contaminadas. Os sintomas da hepatite A incluem náusea, icterícia, dor estomacal e fadiga, e podem durar por até 2 meses. A vacinação é a melhor forma de prevenir a contaminação por HAV (BRASIL, 2015).

3 LABORATÓRIO CLÍNICO NO DIAGNÓSTICO E

3.1 HEPATITE A

Causada pelo vírus HAV, sua detecção ocorre por sorologia IgM e IgG para HAV. De 5 a 10 dias após infecção, o IgM anti-HAV passa a ser detectável, permanecendo assim por até meio ano após o momento da infecção. Após o término da fase aguda, é possível que este marcador se torne indetectável. No caso dos anticorpos IgG, uma vez reagente, este anticorpo permanecerá detectável ao longo de toda vida do paciente. Sua aplicabilidade está associada principalmente ao acompanhamento epidemiológico da doença (BRASIL, 2015).

3.2 HEPATITE B

QUADRO 3 – INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS SOROLÓGICOS PARA HEPATITE B Hepatite B: Interpretação dos resultados sorológicos Interpretação HBsAg HBeAg AntiHBc IgM AntiHBc IgG AntiHBe AntiHBs Incubação + - - - - - Fase aguda + + + + - - Fase aguda final ou hepatite crônica + + - + - - + - - + + - + - - + - - Início da fase convalescente - - + + - - Imunidade, infecção passada recente - - - + + + Imunidade, infecção passada - - - + - + ou Imunidade, resposta vacinal - - - - - + FONTE: https://www.biomedicinapadrao.com.br/2013/11/marcadores-sorologicos-da-hepatite-b.html. Acesso em: 15 fev. 2021.

3.3 HEPATITE C

O diagnóstico da hepatite C é realizado pela investigação de anticorpos antiHCV como metodologia de triagem. A presença de resultado reagente indica que, em algum momento, o paciente teve contato com o vírus. Esse marcador, contudo, não é capaz de especificar em qual fase (aguda ou crônica) da infecção o paciente se encontra (BRASIL, 2015).

3.4 HEPATITE D

A investigação de infecção por HVD é realizada pela dosagem de anticorpos totais anti-HVD (IgM e IgG juntos). É importante lembrar que, nesse caso, trata-se de um vírus que depende da presença do HVB para se reproduzir, seja via superinfecção ou coinfecção (BRASIL, 2015). A interpretação dos marcadores para hepatite B, em conjunto com os resultados da dosagem de anticorpos totais para HVD, permite diferenciar se o quadro do paciente é resultado de superinfecção ou coinfecção, conforme mostram os Quadros 3 e 4.

QUADRO 4 – RESULTADOS COMPATÍVEIS COM SUPERINFECÇÃO FONTE: A autora QUADRO 5 – RESULTADOS COMPATÍVEIS COM COINFECÇÃO FONTE: A autora Marcador Resultado HbsAg Reagente anti-HBc Reagente anti-HBc IgM Não reagente anti-HDV Reagente antiHBs Não reagente Marcador Resultado HbsAg Reagente anti-HBc Reagente anti-HBc IgM Reagente anti-HDV Reagente antiHBs Não reagente

3.5 HEPATITE E

A infecção pelo HVE é possível pela pesquisa de anticorpos anti-HVE IgM e anticorpos anti-HVE totais no soro do paciente, cuja presença de anticorpos IgM indica infecção recente e a presença de anticorpos totais indica exposição prévia ao HVE (BRASIL, 2015).

1 Com relação ao marcador indicativo de imunidade vacinal para hepatite B, assinale a

alternativa CORRETA: a) ( ) Anti-Hbs. b) ( ) Anti-Hbc. c) ( ) Anti-HVA. d) ( ) Anti-HVB.

2 Explique quais componentes permitem a detecção dos diferentes tipos de hepatites.

3 Explique a relação entre hepatite B e a hepatite D.

4 Considerando os marcadores de hepatite B aguda com a interpretação de cada

marcador, associe os itens, utilizando o código a seguir: I- HBsAg. II- Anti-HBc IgM. III- Anti-HBc total. IV- HBeAg. V- Anti-HBe. VI- Anti-HBs. ( ) Marcador de infecção recente, presente no soro até 8 meses após a infecção. ( ) Anticorpo que indica imunidade ao HBV. ( ) Sua presença indica estágio de alta infecciosidade. ( ) Representa contato prévio com o vírus. Está presente nas infecções agudas indicado pela presença de IgM e crônicas pela presença de IgG. ( ) Presente após desaparecimento do HBeAg, indica que a fase replicativa foi encerrada. ( ) Primeiro marcador a aparecer no curso da infecção pelo HBV. Assinale a alternativa que corresponde a sequência CORRETA: a) ( ) I – V – VI – IV – II – III. b) ( ) III – II – VI – V – IV. c) ( ) II – VI – IV – III – V – I. d) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores está correta.

5 Paciente do sexo feminino, 36 anos de idade, procura banco de sangue para fazer

doação de sangue. Os exames de triagem utilizados para avaliar se a paciente está apta a doação de sangue indicam alterações na sorologia para hepatite B. Com relação ao padrão de resultados em que o sangue doado poderá ser utilizado sem oferecer riscos para o paciente que receberá a transfusão sanguínea, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Anti-HBc total (-); HBsAg (-); Anti-HBs (+). b) ( ) Anti-HBc total (-); HBsAg (+); Anti-HBs (-). c) ( ) Anti-HBc total (-); HBsAg (-); Anti-HBs (-). d) ( ) Anti-HBc total (+); HBsAg (-); Anti-HBs (+).

TÓPICO 4 —

CORONAVÍRUS

1 INTRODUÇÃO

No final de 2019, a China foi marcada pela presença de uma pneumonia de origem desconhecida. Assim, em 31 de dezembro, as festividades de ano novo vieram acompanhadas da emissão de um alerta para Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre essa situação. A partir daí, teve início uma investigação para descobrir o agente causador dessa pneumonia que, em poucos dias, apontou ser um novo tipo de coronavírus. Esse relato sucinto é apenas uma fração do que, em 11 de março de 2020, seria declarado pelo Dr. Tedros Adhanom, diretor geral da OMS, como uma pandemia causada pelo novo coronavírus. A seguir, compreenderemos as características desses vírus e como o laboratório clínico pode auxiliar no diagnóstico desses agentes causadores de doenças.

2 CORONAVÍRUS

2.1 SARS-COV-1

Nesse contexto, a presença de citocinas, como fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), por exemplo, pode induzir à apoptose pneumócitos, e mediar a formação de fibrose no tecido pulmonar. Com a presença deste vírus na corrente sanguínea, ocorre infecção deste vírus em outros órgãos que contém receptores ECA2, o que intensifica rapidamente o processo inflamatório, gerando disfunção em diferentes órgãos (HE et al., 2006).

2.2 SARS-CoV-2

No que diz respeito ao potencial patogênico do SARS-Cov-2, Vaduganathan et al. (2020) apontam o impacto da infecção por SARS-Cov-2 no sistema reninaangiotensina. Assim como previamente descrito no SARS-CoV-1, a entrada do SARSCoV-2 ocorre pela ligação da proteína S, presente na superfície do vírus, com o receptor ECA2 presente nos pneumócitos tipo II. Com a entrada do vírus na célula, ocorre downregulation da expressão do receptor ECA2, por duas vias: pela destruição da célula que invadiu ou por estar ocupando o receptor ao ligar-se a ele. Com isso, a angiotensina II passa a ficar acumulada, e isso intensifica o agravamento da Covid-19, nome dado às manifestações clínicas que caracterizam a infecção por SARS-Cov-2 (Figura 22). Como resultado da interação do SARS-CoV-2 com as células-alvo, tem-se início a replicação ativa das partículas virais seguida das manifestações clínicas, como (CEVIK, 2020): • febre; • dor no corpo; • cefaleia; • fadiga; • dificuldades respiratórias; • disfunção olfatória (perda temporária do olfato e do paladar); • diarreia; • infarto do miocárdio. FIGURA 22 – INTERAÇÃO ENTRE O SARS-COV-2 E O SISTEMA RENINA-ANGIOTENSINA-ALDOSTERONA FONTE: https://pt.slideshare.net/flaviasmatos/doencas-pulmonares-difusas. Acesso em: 26 fev. 2021.

3 O LABORATÓRIO CLÍNICO NO DIAGNÓSTICO E

3.1 DETECÇÃO DE ANTÍGENO PARA SARS-COV –

3.2 DETECÇÃO DE ANTICORPOS PARA SARS-COV – ELISA

Conforme discutido na Unidade 2, trata-se de uma metodologia que detecta anticorpos específicos para diferentes doenças. No caso da SARS-CoV-2 não é diferente, uma vez que o ELISA é aplicado ao diagnóstico clínico de SARS-CoV pela detecção quantitativa de anticorpos produzidos em resposta à infecção por esse vírus. Os principais anticorpos investigados são IgM e IgG. No entanto, para que os resultados sejam fidedignos às condições imunológicas do paciente no momento da coleta, é importante atentar para o tempo decorrido entre o início dos sintomas e a coleta. O período para coleta, a partir do qual seria possível a detecção de anticorpos para SARSCoV-2, seria entre o 7º e o 10º dia após início dos sintomas. Assim, não é uma técnica útil para detecção de anticorpos nos estágios iniciais da infecção. De modo geral, o IgM é detectável mais cedo que o IgG (BRASIL, 2020).

Contudo, a presença de IgM e IgG simultaneamente na amostra não são confirmatórios para determinar que se trata de uma infecção recente, dado que os avanços tecnológicos permitiram a formulação de kits comerciais para esta técnica com maior sensibilidade (TAN et al., 2003; BRASIL, 2020). Quando a finalidade do teste for identificar a exposição anterior ao SARS-CoV-2, podem ser usados testes sorológicos para detecção de IgG ou IgM (para determinar se um indivíduo foi previamente infectado), do tipo imunocromatográfico ou ELISA, que poderá ser quantitativo, caso o título do anticorpo seja necessário. Caso os achados clínicos permitam, o indivíduo testado não exigiria quarentena e poderia se associar a indivíduos não infectados ou infectados com risco mínimo de transmissão ou nova infecção (BRASIL, 2020, p. 5).

• A compreensão do tempo de evolução clínica do paciente permite que as provas sorológicas sejam realizadas dentro dos períodos passíveis detecção de anticorpos IgM e IgG. • A detecção de antígeno deve ser realizada nos primeiros dias após o início dos sintomas.

1 Explique a função da proteína Spike na infecção por SAR-Cov-2.

2 Sobre a relação entre o receptor ECA2 e o coronavírus, assinale a alternativa CORRETA:

a) ( ) Este receptor pertence ao sistema-renina-angiotensina-aldosterona e está presente em diferentes órgãos vitais como pulmão, rins e coração. b) ( ) Trata-se de um receptor de baixa especificidade e capacidade de ligação para o SARS-Cov-2 em especial. c) ( ) O ECA2 é o marcador sorológico da Covid-19. d) ( ) O SARS-Cov-1 teve uma evolução mais branda pois os receptores ECA 2 estavam em número reduzido nas populações acometidas por esse vírus.

3 A detecção de infecção por SARS-Cov-2 pode ser realizada por diferentes metodologias

sorológicas. Cite quais são as principais metodologias utilizadas e quando o uso de cada uma delas é indicado.

LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO

TÓPICO 5 —

1 INTRODUÇÃO

2 LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO

Pacientes com lúpus alternam períodos em que expressam sinais e sintomas (exacerbações) a períodos assintomáticos (remissões). Os mecanismos específicos associados ao estabelecimento desta doença ainda não foram completamente esclarecidos. Contudo, sabe-se que é uma doença multifatorial, que depende de características genéticas, hormonais e ambientais que favoreçam seu estabelecimento. Dada a predominância do acometimento de pacientes do sexo feminino em idade fértil, acredita-se que o fator hormonal esteja relacionado ao estrogênio, uma vez que este hormônio está vinculado a redução da apoptose (morte programada) e atividade dos linfócitos B, o que resulta na produção contínua de autoanticorpos. Quanto aos fatores ambientais, a exposição solar tem grande influência na exacerbação do lúpus, uma vez que está associada a geração de uma resposta inflamatória, o que favorece a produção de interleucinas e fator de necrose tumoral. Com isso, linfócitos B autorreativos são estimulados a produzir anticorpos. Em se tratando de fatores genéticos, de acordo com SANARMED (2019, p. 1): Existe prevalência aumentada em parentes de primeiro grau e em gêmeos monozigóticos, 17 vezes e 29 vezes maior que população geral, respectivamente. A deficiência de componentes da via clássica do complemento como C1q (principal) e C4 conferem alta chance de desenvolver a doença. Também existe associação com HLA DR2 e DR3, além de outros polimorfismos genéticos (PTPN22, TREX 1, STAT 4, IFR5, TLR7, entre outros). FIGURA 28 – SINTOMAS PRESENTES NO LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO FONTE: <http://portaldonic.com.br/jornalismo/2019/11/25/lúpus -nao-tem-cura-mas-e-possivel-convivercom-ela/>. Acesso em: 27 fev. 2021.

3 LABORATÓRIO CLÍNICO NO DIAGNÓSTICO DO LÚPUS

3.1 ANTICORPOS ANTINUCLEARES (ANA/FAN)

A detecção de anticorpos antinucleares, também conhecida como fator antinuclear (FAN) é um método que utiliza como princípio a imunofluorescência indireta (abordada anteriormente) utilizado na investigação de lúpus por estar presente na corrente sanguínea de pacientes com doenças autoimunes sistêmicas associadas ao tecido conjuntivo (LARA; NEVES, 2004). Conforme indicado acima, o método mais empregado para a detecção de anticorpos antinucleares (ANA) ou FAN é a imunofluorescência indireta. Para investigação de anticorpos ANA ou do FAN, esta metodologia utiliza como substrato células da linhagem HEp-2, derivadas de tumor de células epiteliais humanas. A utilização destas células ocorre pois elas expressam maior parte dos antígenos de importância clínica para este tipo de investigação. Para ilustrar todas as etapas necessárias para execução da técnica de FAN, assista ao vídeo Técnica de FAN – Imunofluorescência Indireta, que pode auxiliar na visualização e compreensão de cada etapa. Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=fblyi4r-N7w. DICA

LEITURA COMPLEMENTAR VACINAS ANTICOVID: UM OLHAR DA SAÚDE COLETIVA Reinaldo Guimarães A abordagem de temas complexos Doenças de massa costumam ser complexas. No caso da pandemia pelo SARS-CoV-2, a complexidade foi agravada, em seu início, pelo desconhecimento quase completo das características do patógeno que a causava e das consequências disso. Na dimensão de sua biologia, as pistas existentes remetiam ao conhecimento de outros coronavírus já identificados que, ao fim e ao cabo, pouco ajudaram no manejo do novo organismo. Em sua fisiopatologia, o que se pensava ser uma enfermidade respiratória revelou-se uma condição sistêmica. No plano da abordagem clínica, mais surpresas com uma evolução heterodoxa na qual sintomas prodrômicos transformavam-se rapidamente em doença grave, sem que o bom estado geral dos pacientes fosse condizente com a gravidade de sua real função respiratória medida pelo oxímetro. No terreno epidemiológico, o acompanhamento do estado imunitário da população também surpreendeu pela pouca presença de portadores de anticorpos quando comparada com a experiência de outras epidemias virais e isso levanta atualmente intenso debate sobre os mecanismos imunológicos envolvidos na doença. No plano dos serviços de saúde, porque a velocidade do adoecimento e a gravidade de parte dos pacientes revelouse maior e mais intensa do que a organização ordinária deles estava preparada para suportar. Além dos serviços, a vida em sociedade, no campo do trabalho, do afeto, do lazer etc., foi também inesperadamente desorganizada, assim como a economia dos países, já bastante fragilizada antes mesmo da pandemia. Apesar de intensa, como veremos a seguir, os resultados da busca por medicamentos eficazes foram frustrantes até o momento. E agora temos uma corrida por uma ou mais boas vacinas. Uma lição deve ser tirada a partir da descrição feita acima. Não haverá apenas uma medida ou mesmo o ataque a uma das dimensões descritas acima que seja capaz de resolver, per se, o problema em seu conjunto. O seu enfrentamento deve ser organizado a partir de ações articuladas nas múltiplas dimensões apontadas. O corolário dessa assertiva é que uma ou mais boas vacinas serão importantíssimas para contribuir para enfrentar a COVID 19, mas é muito pouco provável que possam sozinhas resolver o problema em sua totalidade. Por outro lado, para que uma ou mais boas vacinas cumpram seu importante papel, serão necessárias várias etapas e vários aspectos intrínsecos e extrínsecos às mesmas que deverão ser estabelecidos antes que elas possam cumprir a sua missão. Este texto tem o objetivo de discutir a complexidade no campo das vacinas. FONTE: Adaptado de GUIMARÃES, R. Vacinas Anticovid: um Olhar da Saúde Coletiva. Ciênc. Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 25, n. 9, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S1413-81232020000903579&tlng=pt. Acesso em: 26 abr. 2021.

1 Sobre doenças autoimunes, assinale a alternativa CORRETA:

a) ( ) Doenças autoimunes são aquelas em que anticorpos são produzidos contra patógenos específicos. b) ( ) São todas as doenças em que os autoanticorpos estão ausentes. c) ( ) Nesse tipo de doença, o corpo perde a capacidade de diferenciar células saudáveis de células patogênicas. d) ( ) São doenças causadas estritamente por anticorpos lúpicos.

2 A exposição solar é um fator importante na exacerbação do lúpus. Justifique esta

afirmação.

3 Sobre o lúpus eritematoso sistêmico, assinale a alternativa INCORRETA:

4 Com relação ao lúpus eritematoso sistêmico, assinale a alternativa INCORRETA:

a) ( ) Trata-se de uma doença que ocorre com maior frequência em pacientes do sexo feminino. b) ( ) Períodos em que a doença está ativa são caracterizados pela ausência de sintomas, como inflamação renal, anemia, lesões cutâneas e dores articulares. c) ( ) É uma doença classificada como colagenose. d) ( ) É uma doença multissistêmica, autoimune e crônica, que alterna períodos sintomáticos com períodos assintomáticos.

5 Lúpus eritematoso sistêmico é uma doença autoimune do tipo colagenose. Explique

como ocorre o mecanismo imunológico que caracteriza o lúpus.

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