# Unidade 3 - Controle de Qualidade Laboratorial (Interno e Externo), Regras de Westgard e Erros Analiticos

Modulo de Formacao Tecnica e Fundamentacao Cientifica - Acervo Integrativia.


Introducao Geral a Unidade

O estudo de Controle de Qualidade Laboratorial (Interno e Externo), Regras de Westgard e Erros Analiticos na disciplina de Introducao ao Laboratorio Clinico e Fase Pre-Analitica estabelece as bases conceituais, metodologicas e praticas indispensaveis para a formacao e atuacao tecnica do profissional biomedico e de saude, integrando a fundamentacao cientifica aos protocolos laboratoriais, interpretacao analitica e conduta clinica integrada.


2 O pH do sangue humano de um indivíduo saudável situa-se na faixa

de 7,35 a 7,45. Para manter essa faixa de pH, o organismo utiliza vários tampões, sendo que o principal tampão do plasma sanguíneo consiste de ácido carbônico e íon bicarbonato. A concentração de íons bicarbonato é aproximadamente vinte vezes maior que a concentração de ácido carbônico, com a maior parte do ácido na forma de CO2 dissolvido. O equilíbrio químico desse tampão pode ser representado pela equação: CO2(g) + H2O(l) ↔ H2CO3(aq) ↔ H+ (aq) + HCO3(aq) Analise as afirmações seguintes: I- Quando uma pequena quantidade de base entra em contato com uma solução-tampão, os íons hidróxido reagem com o ácido do tampão, não alterando praticamente o pH dessa solução. II- Quando a concentração de íons bicarbonato no sangue aumenta, o pH também aumenta. III- Quando a concentração de CO2 no sangue aumenta, o pH diminui.

São CORRETAS as afirmações: a) ( ) I, apenas. b) ( ) II, apenas. c) ( ) III, apenas. d) ( ) I e II, apenas. e) ( ) I, II e III.

3 A faixa de tamponamento do tampão Tris-H+ é 7,3 - 9,3. Imagine que esse

tampão foi utilizado para preparar um meio de cultura para o crescimento de uma bactéria. O pH inicial do meio de cultura era 8,0. Sabe-se que durante o crescimento das bactérias há produção de ácidos. Você acha que o tampão Tris-H+ evitará alterações no pH do meio, independentemente da concentração de H+ liberada pela bactéria? Justifique sua resposta.

TÓPICO 2

TRANSMISSÃO DO IMPULSO NERVOSO

1 INTRODUÇÃO

2 SISTEMA NERVOSO

Antes de entrarmos de fato no funcionamento da célula vamos relembrar conceitos do sistema nervoso. Ele é dividido em sistema nervoso central (SNC) e sistema nervoso periférico (SNP), que corresponde, respectivamente, ao encéfalo e à medula espinhal para o processamento e integração das informações no primeiro e no segundo aos nervos e gânglios responsável pela interface realizada entre o ambiente e o sistema nervoso central (AIRES, 2018).

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TÓPICO 2 | TRANSMISSÃO DO IMPULSO NERVOSO

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Na porção fi nal do axônio visualizamos o terminal axonal, uma ramifi cação que tem a estrutura em bulbos e que irá se conectar com o neurônio seguinte nos dendritos para então realizar a sinapse. Logo, vamos falar um pouco mais das sinapses, mas antes disso, vamos ver as células da glia, muito importantes para garantir o bom funcionamento dos neurônios (FOX, 2007). FIGURA 10 – REPRESENTAÇÃO DAS CÉLULAS DA GLIA FONTE: https://pt.khanacademy.org/science/biology/human-biology/neuron-nervoussystem/a/overview-of-neuron-structure-and-function. Acesso em: 16 out. 2019. Falando rapidamente sobre cada uma das células da glia, temos os astrócitos, que desempenham diversas funções, sendo a principal delas a sustentação dos neurônios. A micróglia são células pequenas que possuem a função fagocitária do SNC, assim como possuem a capacidade de secretar citocinas que auxiliam na regulação do processo imune, removendo restos celulares (GUYTON; HALL, 2006). As células ependimárias são células colunares, dispostas lado a lado, unidas por desmossomos e possuem microvilos, encontradas revestindo as cavidades cerebrais (ventrículos) e a porção central da medula espinhal. As células são ciliadas, pois através dos cílios é possível facilitar o movimento do líquido cefalorraquidiano. Células gliais satélites não possuem função bem defi nida ainda, acredita-se que por se encontrarem corpos de neurônios no sistema nervoso periférico ofereçam proteção as células (REECE et al., 2015).

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3 NEURÔNIOS SENSORIAIS

Primeiramente, os neurônios podem ser divididos em três classes ao longo do nosso sistema nervoso: os sensoriais, que possuem a função de levar informações para o SNC tanto interna quanto externa ao corpo (por exemplo, se você está com frio os neurônios na terminação da pele responsáveis por captar este estímulo vão levar a informação até o SNC); os motores, responsáveis por levar a informação dos músculos ao SNC; os interneurônios, presentes apenas no SNC e são responsáveis pelo processamento da informação recebida, por exemplo, por neurônios sensoriais (BARRET et al., 2014). Sendo assim, os neurônios sensoriais transmitem a informação, porém eles não conseguem realizar esta interpretação apenas transmitem o impulso sem saber ao que se relaciona. Ao pisar em um prego, os neurônios na sola do pé captam essa compressão e perfuração do tecido, enviando a informação até os interneurônios, estes vão processar a informação no SNC levando a interpretação da dor (GUYTON; HALL, 2006).

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TÓPICO 2 | TRANSMISSÃO DO IMPULSO NERVOSO

Os neurônios são divididos conforme a sua especialização. Iniciaremos pelos mecanorreceptores, responsáveis por captar estímulos mecânicos, como uma compressão ou estiramento do receptor ou dos tecidos adjacentes. Exemplos: receptores tendinosos de Golgi (localizados nos tendões) e corpúsculos de Pacini (localizados no tecido conjuntivo); os termorreceptores possuem como função detectar as alterações de temperatura, ainda se diferenciam de acordo com a temperatura, sendo o Corpúsculo de Ruffini para o calor e Corpúsculo de Krause para o frio, ambos na pele; os nociceptores relacionados com as sensações de dor, detectando danos teciduais, físicos ou químicos; os receptores eletromagnéticos presentes na retina dos olhos para detectar a luz; e os quimiorreceptores que vão detectar estímulos que compõe a “parte química” do corpo, como o paladar (boca), o olfato (nariz) e a quantidade de oxigênio no sangue (artérias). Exemplos: botões gustatórios e os olfatórios (AIRES, 2018). Recomenda-se a leitura do Capítulo 8 do livro Fisiologia Médica de Ganong. FONTE: BARRET, Kim E. Fisiologia Médica de Ganong. 24. ed. Porto Alegre: AMGH Editora, 2014. ESTUDOS FUTUROS

4 POTENCIAL DE AÇÃO

Depois de vermos como funciona a captação dos estímulos para levar a informação até o SNC através de diferentes tipos de neurônios que processam esta informação, como essa informação é passada de neurônio a neurônio? Já comentamos que os neurônios têm eletricidade, e é a partir desta habilidade das células que será possível conduzir informações de estímulos, através de propagação de impulsos elétricos. Esses impulsos elétricos percorrem ao longo de todo o axônio, onde a célula possui cargas elétricas e essas podem ser invertidas, todo esse processo vai ocorrer devido à troca de íons (sódio – Na e Potássio – K) ao longo da membrana (MOURAO; ABRAMOV, 2017). Se considerar necessário, releia o Tópico 2 da Unidade 2 deste livro que aborda o transporte de membranas. NOTA

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4.1 PROPAGAÇÃO DO POTENCIAL DE AÇÃO

Para ser possível o desencadeamento do potencial de ação, é necessário que a célula se encontre em seu estado de repouso, após esta célula receber um estímulo com a intensidade necessária resultará no potencial de ação, que se propaga devido à inversão de cargas na membrana do axônio denominada de despolarização, uma vez que a inversão ocorre a voltagem da membrana precisa voltar ao seu repouso, e esse novo evento na membrana da célula é chamado de repolarização. Ao realizar a repolarização, a célula tem a característica de passar do limiar de repouso e sofrer uma hiperpolarização, a maneira de restabelecer a quantidade de íons tanto interna como externamente será através da bomba de sódio e potássio, já discutida anteriormente. Para entendermos melhor como isso funciona, vamos analisar a figura seguinte (BARRET et al., 2014).

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TÓPICO 2 | TRANSMISSÃO DO IMPULSO NERVOSO

5 SINAPSE

Já sabemos como a informação se propaga ao longo do axônio. E agora, o que ocorre quando essa informação chega ao final do axônio no terminal axonal? Essa informação deve ser passada adiante para o próximo neurônio ou para uma célula efetora? Esse processo de comunicação entre um neurônio e outro, ou entre um neurônio e uma célula efetora, é chamado de sinapse. Estas sinapses podem ser, em casos especiais, passadas diretamente entre dois neurônios que possuem contato entre eles (junção comunicante) ou então, ao chegar o potencial de ação no terminal axonal (pré-sináptica) liberam vesículas contendo neurotransmissores químicos que levam a informação para o próximo neurônio (pós-sináptico). Temos então duas formas de realizar as sinapses, uma elétrica e outra de forma química (FOX, 2007). FIGURA 15 – REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DAS SINAPSES ELÉTRICA E QUÍMICA FONTE: <http://www.uel.br/laboratorios/lefa/aulasfisiogeral/SISTEMANERVOSOPARTE2sinapse. pdf>. Acesso em: 16 out. 2019.

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5.1 SINAPSE ELÉTRICA

As sinapses elétricas ocorrem em menor quantidade no organismo, porém estão presentes em um órgão vital, o coração. A sinapse elétrica ocorre devido ao neurônio pré-sináptico e o pós-sináptico estarem unidos através de junções comunicantes (gap junctions). Estas garantem a passagem da informação de forma rápida e sem interrupções, qualidades que são extremamente necessárias para o funcionamento do miocárdio (músculo que compõe o coração) proporcionando a contração rítmica de células musculares (FOX, 2007). FIGURA 16 – ESTRUTURA DAS JUNÇÕES COMUNICANTES FONTE: Fox (2007, p. 166) Segundo Fox (2007, p. 166), na explicação da figura anterior: As junções comunicantes são canais cheios de água nos quais os íons podem passar de uma célula à outra. Isso permite que impulsos sejam conduzidos diretamente de uma célula à outra. Cada junção comunicante é composta por proteínas conexinas. Seis proteínas conexinas de uma membrana plasmática alinham-se com seis proteínas conexinas de outra membrana plasmática para formar uma junção comunicante. A vantagem da sinapse elétrica é devido a sua rapidez no transporte da informação, além de permitir a atividade em sincronia de um grupo de células.

5.2 SINAPSE QUÍMICA

A sinapse química ocorre devido à liberação de neurotransmissores químicos. Diferente da sinapse elétrica, o local onde ocorre a transmissão da informação, dos neurônios pré-sináptico para o pós-sináptico, não possuem contato entre eles, sendo separados por um espaço chamado de fenda sináptica (BARRET et al., 2014).

TÓPICO 2 | TRANSMISSÃO DO IMPULSO NERVOSO

O terminal axonal dos neurônios pré-sinápticos possui vesículas sinápticas, local onde ficam armazenados os neurotransmissores químicos. Essas vesículas são liberadas na fenda quando houver o estímulo, e a mesma consegue atingir a fenda através do processo de exocitose. Ao neurônio receber um estímulo que gere um potencial de ação, quando este chegar no terminal axonal vai liberar a quantidade de vesículas necessárias para passar adiante a informação (AIRES, 2018).

A despolarização ou hiperpolarização do neurônio pós-sináptico irá depender da liberação de neurotransmissores pelo neurônio pré-sináptico. Na célula pré-sináptica, no local da sinapse, existe uma maior concentração de mitocôndrias, as quais são responsáveis pela alta atividade metabólica da célula, além das vesículas de neurotransmissores. O fenômeno da despolarização induz à fusão da vesícula de neurotransmissor a membrana da célula para sua liberação da fenda sináptica. A célula pós-sináptica irá receber o neurotransmissor e através da ligação do neurotransmissor a seus receptores específicos na membrana, ocorrerão reações metabólicas na célula gerando a resposta desejada (GUYTON; HALL, 2006). FIGURA 17 – EVENTOS DA TRANSMISSÃO DE SINAL NA SINAPSE QUÍMICA FONTE: <http://www.uel.br/laboratorios/lefa/aulasfisiogeral/SISTEMANERVOSOPARTE2sinapse. pdf>. Acesso em: 16 out. 2019.

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A vantagem da sinapse química é que, devido ao fato dela ocorrer mediante a liberação do neurotransmissor químico, a informação pode ser controlada ou modulada, diferente da sinapse elétrica, em que o sinal não é modulável. A desvantagem, por sua vez, é devido ao processo como um todo, a sua resposta é mais lenta. Mas, lembre-se que mesmo sendo considerada lenta, tem duração de milissegundos (FOX, 2007). A modulação de resposta da sinapse química é ligada também à variedade de neurotransmissores, conforme alguns exemplos a seguir: TABELA 3 – EXEMPLOS DE NEUROTRANSMISSORES DE ACORDO COM A SUA NATUREZA QUÍMICA FONTE: http://lab-siviero.icb.usp.br/biocel/modulos/ultraestrutura-das-sinapses/. Acesso em: 16 out. 2019. Ao estudarmos e entendemos como a informação é passada através de neurotransmissores, podemos entender como algumas drogas ou medicamentos podem agir na sinapse, por exemplo, bloqueando os receptores para não receber neurotransmissores específicos. Neste link https://learngendev.azurewebsites.net/content/addiction/mouse/ você poderá interagir e aprender sobre os diversos efeitos sobre as drogas no cérebro, além de perceber como elas afetam as sinapses no SNC em camundongos. ESTUDOS FUTUROS

TÓPICO 2 | TRANSMISSÃO DO IMPULSO NERVOSO

6 ESTÍMULO SENSORIAL – VISÃO

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7 ESTÍMULO SENSORIAL – AUDIÇÃO

RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • O sistema nervoso é dividido em sistema nervoso central e periférico. • A sistema nervoso depende de células especializadas para realizar as suas funções, sendo a principal célula estudada o neurônio. • A divisão do neurônio em dendritos, corpo, axônio e terminal axonal leva as informações de impulsos nervosos para células vizinhas. • Os neurônios sensoriais são responsáveis pelos estímulos externos que recebemos através do sistema nervoso periférico que será enviado para interpretação do sistema nervoso central. • O potencial de ação ocorre através de um estímulo externo. • A sinapse elétrica é mediada através de cargas elétricas, muito comum no coração. • A sinapse química é a informação mediada através de neurotransmissores, como a adrenalina, que irá modelar respostas através da interpretação das substâncias químicas. • O estímulo sensorial da visão ocorre através do estímulo dos bastonetes e cones presentes nos olhos, estes que irão interpretar as ondas de cores. • A audição ocorre através do estímulo produzido pelos ossículos presentes na orelha média/interna que vibram e levam as informações até o encéfalo.

1 Utilizando a imagem como base da propagação do potencial de ação,

examine a lista de eventos que ocorrem durante a propagação de um impulso nervoso e selecione a alternativa que apresente a sequência temporal correta para estes eventos. FONTE: https://www.sobiologia.com.br/conteudos/FisiologiaAnimal/nervoso4.php. Acesso em: 16 out. 2019. I- O impulso chega ao neurônio. II- Neurotransmissores são liberados pelas extremidades do axônio. III- Ocorre a repolarização. IV- Ocorre a despolarização. V- O impulso propaga-se pelo axônio. a) ( ) V - III - I - IV - II. b) ( ) I - IV - V - III - II. c) ( ) I - IV - III - II - V. d) ( ) II - I - IV - III - V. e) ( ) II - III - I - IV - V.

Analise o gráfi co e descreva o que ocorre nas numerações indicadas de 1 a 9 durante o potencial de ação. FONTE: <https://www.researchgate.net/fi gure/Figura-2-Ciclo-de-eventos-que-ocorrem-nageracao-do-potencial-de-acao-1-Potencial-de_fi g1_236809603> Acesso em: 16 out. 2019.

3 Observe as imagens a seguir e marque a alternativa CORRETA:

a) ( ) I. Olho normal; II. Olho com miopia; III. Olho com hipermetropia; b) ( ) I. Olho com hipermetropia; II. Olho normal; III. Olho com miopia; c) ( ) I. Olho com miopia; II. Olho com hipermetropia; III. Olho normal; d) ( ) I. Olho com miopia; II. Olho normal; III. Olho com hipermetropia; e) ( ) I. Olho normal; Olho com hipermetropia; III. Olho com miopia.

4 Leia as afi rmativas e relacione as colunas:

I- Imagine que você está fazendo um leve carinho em sua mãe. Aquela sensação causada pelo toque leve é percebida na ponta dos dedos através do:

II- Ao colocar a mão em uma panela, por exemplo, logo percebemos se ela está quente ou fria. A percepção de calor pelo tato é possível graças ao: III- Você está lendo um livro distraído e seu colega está chamando, mas você não escutou. Então ele chega e dá um beliscão em seu braço, essa ação é percebida pelo: IV- Durante a noite houve uma grande queda nas temperaturas, você acorda tremendo de frio para se cobrir, você sentiu o frio graças ao: ( ) Corpúsculo de Krause ( ) Corpúsculo de Pacini ( ) Corpúsculos de Ruffini ( ) Corpúsculos de Meissner A sequência CORRETA é: a) ( ) IV, III, II, I. b) ( ) IV, II, III, I. c) ( ) III, IV, II, I. d) ( ) II, III, IV, I.

TÓPICO 3

ELETRODOS NOS EXAMES

1 INTRODUÇÃO

Acabamos de estudar no Tópico 2 como ocorre a propagação da informação elétrica através das células. Devido à propagação estar ligada com trocas de íons, ocorrem fenômenos com eletricidade. Assim, possuímos exames que são capazes de verificar os impulsos elétricos e traduzir estas informações em exames de grande utilidade na clínica médica. O exame mais conhecido é o eletrocardiograma, exame no qual é possível registrar a atividade elétrica do coração, sendo realizado através de um método não invasivo e com eletrodos na superfície do corpo, os quais registram essas informações. Contudo, antes de falarmos sobre o exame, você sabe como funciona o batimento cardíaco do coração? Vamos começar por esse tema antes de falarmos do exame em si, se você compreendeu a propagação do potencial de ação ficará muito fácil de ver como ocorre o impulso elétrico no coração.

2 IMPULSO ELÉTRICO NO CORAÇÃO

Para relembrarmos, o coração é um órgão oco, composto por quatro cavidades sendo elas, os átrios direito e esquerdo e os ventrículos direito e esquerdo. A estrutura muscular do coração é espessa, cerca de 1 a 2 cm, composta por músculo estriado cardíaco. As estruturas responsáveis pelo direcionamento do sangue dentro do órgão são um conjunto de válvulas intercavitárias, além de tecido excito-condutor que conduz o impulso elétrico por todo o órgão ditando o funcionamento mecânico do coração (SHERWOOD, 2011).

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TÓPICO 3 | ELETRODOS NOS EXAMES

O feixe de His permeia o septo interventricular, ou seja, o músculo que separa os dois ventrículos (direito e esquerdo). Ao se ramificar pelas paredes dos ventrículos, os ramos de His recebem uma nova nomenclatura – são as fibras de Purkinje –, que penetram nos ventrículos exercendo a função de comandar as contrações ventriculares (WIDMAIER et al., 2017). Resumindo, temos quatro eventos no batimento cardíaco acontecendo em pares: 1 e 2) contração atrial ou sístole atrial e relaxamento do ventrículo ou diástole ventricular; 3 e 4) contração ventricular ou sístole ventricular e relaxamento atrial ou diástole atrial (SHERWOOD, 2011). Além de todo o processo de potencial de ação já estudado temos agora, agindo concomitantemente com a bomba de sódio e potássio, o transporte de cálcio, que vai exercer controle sobre a contração das células do coração, com o aumento da concentração de cálcio no seu interior maior a força de contração (SHERWOOD, 2011).

3 ELETROCARDIOGRAMA (ECG)

O eletrocardiograma (ECG) poderá realizar a leitura dos pulsos elétricos através da colocação correta dos eletrodos no paciente, qualquer erro no posicionamento dos mesmos inviabilizará a interpretação do exame. São posicionados 10 eletrodos para realizar a leitura das 12 derivações do ECG. Os eletrodos são divididos em precordiais, posicionados no peito do paciente e periféricos, como o nome já diz são posicionados em pernas e braços (WIDMAIER et al., 2017).

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3.1 PRINCÍPIOS DO ECG

TÓPICO 3 | ELETRODOS NOS EXAMES

3.2 INTERPRETAÇÕES DO ECG

Caro acadêmico, agora você sabe que a contração será uma onda ascendente e o relaxamento uma onda descendente, vamos ver como isso estará representando no gráfi co de ECG? No exame cada ciclo cardíaco será representando por três principais ondas distintas, a onda P, o complexo QRS e a onda T. Lembrando que essas ondas não são os potenciais de ação e sim a representação dos efeitos causados pelo potencial em todo o músculo cardíaco (WIDMAIER et al., 2017). FIGURA 23 – ONDAS DO ELETROCARDIOGRAMA NORMAL FONTE: <https://www.researchgate.net/publication/259841876_ESTUDO_DA_VARIABILIDADE_DA_ FREQUENCIA_CARDIACA_EM_EXERCICIO_PROGRESSIVO_MAXIMO>. Acesso em: 16 out. 2019. Ao analisar os eventos do eletrocardiograma começamos pela onda P, representando a contração, ou seja, a despolarização atrial. A disseminação da contração ventricular, ou seja, a despolarização ventricular é representada pelo complexo QRS. A condução de impulso pelos ventrículos cria uma diferença de potencial que gera uma curva ascendente que retornara a base quando o ventrículo se encontrar despolarizado. E, por último, a onda T que representa o relaxamento, ou seja, a repolarização ventricular (WIDMAIER et al., 2017). Entre esses três eventos você não acha que pode estar faltando algum? Sim, o relaxamento ou repolarização atrial que deveria estar presente logo após a sua contração, porém na imagem, ao mesmo tempo em que o átrio está relaxando, o ventrículo está contraindo. Assim, a representação da contração ventricular se sobrepõe ao relaxamento atrial, este último fi cando “mascarado” pelo complexo QRS. (FOX, 2007) Não é intenção neste tópico realizar todas as interpretações relacionadas ao ECG, mas sim, entender que a geração do impulso elétrico pode ser captada por aparelhos específi cos e gerando informações úteis para a clínica médica.

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Para visualizar de uma forma divertida algumas das diversas variações presentes no ECG decorrentes de patologias, assista: https://www.youtube.com/results?search_ query=ecg+dance. DICAS

4 ELETROENCEFALOGRAMA (EEG)

4.1 PRINCÍPIOS DO EEG

Existem diversos tipos de equipamentos para realizar o EEG, mas todos possuem o mesmo princípio, utilizados eletrodos ligados diretamente a superfície da cabeça com o auxílio de um gel condutor de eletricidade. Em equipamentos mais modernos, pode-se encontrar uma touca com eletrodos previamente posicionados. Todos os sinais recebidos por esses eletrodos são transmitidos para uma caixa de eletrodos seguindo para o aparelho que realizará a amplificação desses sinais. A amplificação além de aumentar os sinais que são recebidos, ajuda a neutralizar possíveis interferentes neste exame e auxiliam na escolha da faixa de frequência a ser utilizada (WIDMAIER et al., 2017).

O exame pode ser feito em etapas, pois como realiza a captação elétrica espontânea, pode ser feito analisando o paciente em momento de vigília, sono e em provas de ativação para aumentar a sensibilidade do exame e fornecer o máximo de informações possíveis (FOX, 2007).

TÓPICO 3 | ELETRODOS NOS EXAMES

4.2 INTERPRETAÇÕES DO EEG

RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • O batimento cardíaco ocorre devido à propagação do potencial de ação recebido pelo órgão, passando pelas estruturas presentes no coração e nas cavidades. • O batimento cardíaco se resume a 1 - contração atrial, 2 – relaxamento do ventrículo, 3 – relaxamento do átrio e 4 – contração do ventrículo. • O eletrocardiograma é a tradução do batimento cardíaco sendo registrados os eventos através de pulsos elétricos gerados. • P é a leitura da contração átrio, complexo QRS contração ventricular e a onda T relaxamento ventricular. • O exame de eletroencefalograma é a representação de manifestações bioelétricas na cavidade craniana por pulsos elétricos gerados no encéfalo. • As principais ondas identificadas no exame eletroencefalograma são as delta, teta, alfa e beta.

1 O eletrocardiograma é um dos exames mais comuns da prática cardiológica.

2 Quando o coração recebe um impulso elétrico para realizar as suas

contrações ocorre uma série de eventos e ativações de estruturas para propagar o pulso. De acordo com os seus conhecimentos obtidos nesta unidade, assinale a alternativa que segue cronologicamente os eventos: I- Ramificações pelas paredes dos ventrículos as fibras de Purkinje, penetram nos ventrículos exercendo a função de comandar as contrações ventriculares. II- O nodo atrioventricular (AV) localizado no assoalho do átrio direito, ocorre uma fração de segundos de pausa para impedir que as duas cavidades contraiam juntas, o átrio e o ventrículo, III- O estímulo chega ao nodo sinoatrial (SA) ou nodo sinusal, localizado na porção antero-superior direita do coração, próximo ao encontro da veia cava direita com o átrio direito. IV- O feixe de His permeia o septo interventricular, ou seja, o músculo que separa os dois ventrículos (direito e esquerdo). a) III, II, IV e I. b) II, III, I e IV c) III, I, IV e II d) II, III, I e IV e) III, IV, II e I

3 O EEG é um exame que analisa a atividade elétrica cerebral espontânea,

captada através da utilização de eletrodos colocados sobre o couro cabeludo. Como a atividade elétrica espontânea está presente desde o nascimento, o EEG pode ser útil em todas as idades, desde recém-nascidos até pacientes idosos. O objetivo desse exame é obter registro da atividade elétrica cerebral para o diagnóstico de eventuais anormalidades dessa atividade. a) Suspeitas de alterações da atividade elétrica cerebral e dos ritmos cerebrais fisiológicos. b) Epilepsia ou suspeita clínica dessa doença. c) Pacientes com alteração da consciência. d) Avaliação diagnóstica de pacientes com outras doenças neurológicas (ex: infecciosas, degenerativas) e psiquiátricas. e) Todas as alternativas acima podem se utilizar do EEG para elucidar diagnósticos.

TÓPICO 4

LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA

1 INTRODUÇÃO

O setor de hematologia dentro das análises clínicas vai realizar o estudo das células sanguíneas, tanto as da série vermelha como as da série branca. Neste tópico não vamos ter a intenção de interpretar as patologias detectadas neste setor, mas sim o que precisamos para iniciar as avaliações sanguíneas. Antes de sabermos patologias, é necessário ter o entendimento da composição e origem do sangue, assim como diferenciar as células presentes no sangue, entender a finalidade da técnica do esfregaço sanguíneo, onde podemos avaliar individualmente as células no microscópio. Dessa maneira, você estará preparado para no futuro ter um melhor entendimento do funcionamento e a finalidade deste setor nas análises clínicas. Vamos começar nossos estudos pelas células que compõe nosso sangue.

2 COMPOSIÇÃO DO SANGUE

O sangue é considerado um tecido conjuntivo, devido à presença de matriz sanguíneo separando em elementos figurados (células presentes suspensas) e o plasma (MARTY; MARTY, 2015). FIGURA 25 – COMPOSIÇÃO SANGUÍNEA FONTE: Marty e Marty (2015, p. 12)

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TÓPICO 4 | LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA

3 ORIGEM DAS CÉLULAS SANGUÍNEAS

E de onde se originam todas as células sanguíneas? A formação das células sanguíneas se chama hematopoiese. Durante a fase fetal o saco vitelínico é responsável pela produção das primeiras células sanguíneas, ainda durante a fase fetal o baço e o fígado assumem a produção das células sanguíneas de forma temporária. Assim que o feto completa de 3 a 4 meses o timo e o baço iniciam a produção de leucócitos. A medula óssea assume a responsabilidade de produção das células sanguíneas após o nascimento. Na medula óssea surgem 2 tipos células: as linfoides e as mieloides, como representados no esquema abaixo (FREITAS; GONÇALVES, 2015).

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4 MORFOLOGIA DAS CÉLULAS SANGUÍNEAS

Como descrito anteriormente, através da morfologia das células podemos observar características distintas de cada tipo celular (MARTY; MARTY, 2015). GURA 28 – CARACTERÍSTICAS DOS LEUCÓCITOS GRANULÓCITOS E AGRANULÓCITOS FONTE: Marty e Marty (2015, p. 17)

TÓPICO 4 | LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA

4.1 SÉRIE VERMELHA/ERITRÓCITOS

4.2 SÉRIE BRANCA/LEUCÓCITOS E PLAQUETAS

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5 AMOSTRA BIOLÓGICA

Como visto anteriormente na unidade 2 deste livro, no tópico 3, existem diferentes formas de coletar o sangue, quando se refere aos seus preservantes e anticoagulantes (HOFFBRAND; MOSS, 2018). O mais comum para a realização de hemograma, sendo esse o principal exame realizado neste setor, o sangue é coletado em tubos que possuem o anticoagulante EDTA (do inglês Ethylenediamine tetraacetic acid) em português ácido etilenodiamino tetra-acético. O EDTA é um composto de função quelante, função essa que visa retirar os íons de Ca+, impedindo a agregação das plaquetas o que acaba evitando a cascata de coagulação. Evitando a coagulação do sangue, principalmente a série vermelha pode ser analisada em sua totalidade sem interferentes (MARTY; MARTY, 2015).

6 ESFREGAÇO SANGUÍNEO

O esfregaço sanguíneo é um ótimo parâmetro para ser analisado durante a realização de um hemograma, através da técnica de esfregaço é possível ver as células individualmente e realizar uma análise mais acurada do hemograma, ou até mesmo após utilizar equipamentos automatizados realizar a leitura da lâmina para confirmar possíveis alterações. Sendo um processo tão importante é preciso que a técnica seja bem aplicada (SILVA; NETO, 2017).

TÓPICO 4 | LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA

6.1 TÉCNICA/COLORAÇÃO

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TÓPICO 4 | LABORATÓRIO DE HEMATOLOGIA

6.2 LEITURA DO ESFREGAÇO SANGUÍNEO

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7 EQUIPAMENTOS AUTOMATIZADOS

RESUMO DO TÓPICO 4 Neste tópico, você aprendeu que: • O sangue é composto por células que compõem o grupo dos leucócitos, plaquetas e as hemácias, todos imersos no plasma. • A hematopoese é a formação das células sanguíneas que, na vida adulta, são produzidas na medula óssea. • As células da série vermelha/eritrócitos não possuem núcleo, pois no espaço está presente a hemoglobina que realiza o transporte de O2. • As células da série branca/leucócitos são divididas em granulócitos, neutrófilos, basófilos e eosinófilos, além dos agranulócitos, os monócitos e linfócitos. • Para realização do hemograma, a coleta sanguínea deve ser feita em tubo com EDTA, que é um quelante de cálcio para impedir a coagulação, preservando as células para análise. • O esfregaço sanguíneo é realizado com uma gota de sangue passada em uma lâmina para posterior coloração e análise da morfologia das células presentes no sangue. • A coloração do esfregaço sanguíneo tem a função de evidenciar as estruturas celulares para melhor visualização dos detalhes.

1 Com o conhecimento que você acabou de adquirir sobre as células que

2 As hemácias são células que compõe o tecido sanguíneo e constituem a série

3 A hematologia é a ciência que estuda o sangue e os tecidos formadores de

células sanguíneas, como também as doenças primárias do sangue e dos tecidos hematopoiéticos. O hemograma é um conjunto de testes laboratoriais que avalia quantitativa e qualitativamente os elementos celulares do sangue e constitui um dos exames mais solicitados ao laboratório clínico. Atualmente, a contagem e análise das células sanguíneas pelos laboratórios são realizadas por equipamentos ou contadores automáticos de células. Em relação ao aparelho de cito de células, avalie as afirmativas: I- A citometria de fluxo fornece o número de células sanguíneas, porém não identifica cada tipo celular. II- A citometria de fluxo utiliza o princípio da difração da luz, as células sanguíneas ao ser interceptadas pelo feixe de luz dispersam a luz. A quantidade de luz dispersa é coletada por sensores e é característica de cada célula. Portanto, a quantidade de luz dispersa por uma hemácia não é a mesma do que aquela dispersa por um leucócito. III- A citometria de fluxo realiza a contagem de células sanguíneas apenas pela cor de cada célula ao passar no aparelho. a) ( ) Somente a I e II estão corretas. b) ( ) Somente a II está correta. c) ( ) Somente a III está correta. d) ( ) Estão todas corretas. e) ( ) Estão todas incorretas.

TÓPICO 5

LABORATÓRIO DE IMUNOLOGIA

1 INTRODUÇÃO

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Compreenderemos os princípios nos quais os exames deste setor se baseiam. Vamos começar com um pouco da história da imunologia (FREITAS; GONÇALVES, 2015).

2 HISTÓRIA DA IMUNOLOGIA

TÓPICO 5 | LABORATÓRIO DE IMUNOLOGIA

3 SISTEMA IMUNOLÓGICO

3.1 CÉLULAS QUE PARTICIPAM DO SISTEMA

IMUNOLÓGICO A resposta imunológica é composta por uma variedade de células e moléculas, como acabamos de ver no Tópico 4. No sistema imune veremos essas células atuando para garantir a saúde do corpo. Nas células de origem mieloide, vamos encontrar os macrófagos, assim denominados aqui pois já não estarão mais presentes na circulação sanguínea e sim no local do tecido que estará sinalizando para o envio dessas células. Células dendríticas que sinalizam os antígenos (corpo estranho) para que os linfócitos neutralizem. Dentre os granulócitos teremos ainda toda a linhagem de neutrófilos, eosinófilos, basófilos e mastócitos, este último originário do primeiro e se diferenciam pela sua localização nos tecidos (PLAYFAIR; CHAIN, 2013). A linhagem linfoide se refere aos linfócitos, que na imunidade são divididos em T e B. São células de reconhecimento específico de antígenos presentes no organismo, os linfócitos B, que possui origem na medula óssea. Quando ativados pelo sistema imune, ocorre sua proliferação e diferenciação em plasmócitos, células que possuem a função de secretar os anticorpos (FORTE, 2015). Os linfócitos T podem ainda se diferenciar em citotóxicos ou auxiliares, que possuem a função de eliminar células alteradas e sinalizar a ativação de outras células como os linfócitos B, respectivamente (SILVA, 2014).

4 NATUREZA DOS ANTÍGENOS

Antígeno é qualquer substância composta por célula, vírus, fungo ou líquidos biológicos, reconhecidos pelo nosso organismo como agentes estranhos e que tem a capacidade de induzir a produção de um anticorpo. A imunogenicidade e antigenicidade são duas propriedades dos antígenos que dizem respeito a indução de especificidade na resposta imune e a forma como podem interagir com os linfócitos B e T previamente sensibilizados (PLAYFAIR; CHAIN, 2013).

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5 IMUNIDADE NATURAL/INATA

6 IMUNIDADE ADQUIRIDA

É a imunidade que se baseia na atuação dos linfócitos T e B, devido a serem células específicas que se ligam conforme os epítopos dos antígenos (figura anterior). A resposta é específica e pode reagir de diversas maneiras de acordo com o tipo de agente presente e a necessidade do organismo (SILVA, 2014).

TÓPICO 5 | LABORATÓRIO DE IMUNOLOGIA

7 AMOSTRAS BIOLÓGICAS

Como vimos as células pesquisadas no sistema imune estão presentes no sangue, sendo assim a maioria dos exames do setor de imunologia utiliza o soro, que nada mais é do que a coleta de sangue total, sem anticoagulante. Desta maneira, o sangue coletado realiza a cascata de coagulação e o que sobra no seu sobrenadante possui todos componentes necessários para a pesquisa, ou seja, anticorpos (FORTE, 2015). Vale ressaltar que qualquer técnica que for ser realizada em laboratório se faz necessário a leitura da “bula”, ou seja, a recomendação do fabricante dos reagentes para o teste em questão. Além do exame que vamos comentar logo em seguida – realizado com sangue total pois faremos pesquisa de hemácias e precisaremos delas para demonstração –, existem outros tipos de amostras que podem ser utilizadas como, por exemplo, para pesquisa de rotavírus pode ser realizado através de amostras de fezes (FORTE, 2015).

8 TÉCNICAS UTILIZADAS

No setor de imunologia, podemos utilizar algumas técnicas diferentes para cada tipo de exame, porém todos terão como base a interação de antígenos e anticorpos em sua técnica.

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8.1 METODOLOGIAS COM REAGENTES NÃO

MARCADOS Todas as metodologias utilizadas no setor de imunologia terão o objetivo de encontrar antígenos ou anticorpos presentes na amostra. Quando falamos de reagentes não marcados ocorre com a ligação do anticorpo alterando o estado físico do antígeno através da aglutinação ou precipitação (SILVA, 2014). O exemplo clássico é da verificação da tipagem sanguínea em lâmina, utilizando-se da aglutinação. A reação direta ocorre nos eritrócitos, pois o reagente possui microesferas de látex ligadas ao seu anticorpo que reagiram com os antígenos ligados a superfície das hemácias. Sim, temos antígenos em nossas hemácias, você já ouviu falar que transfusão sanguínea com fator ABO errado pode ser fatal? É justamente pela presença de antígenos e anticorpos específicos das hemácias como a figura 35 está representando (SILVA, 2014). FIGURA 35 – REPRESENTAÇÃO DOS GRUPOS SANGUÍNEOS COM SEUS ANTÍGENOS E ANTICORPOS FONTE: https://saude.rs.gov.br/upload/arquivos/carga20190507/03150754-conceitos-basicosem-imunohematologia.pdf. Acesso em: 17 out. 2019. Existem diversos kits comerciais para a realização da prova, um exemplo é através de três reagentes conhecidos como Anti-A, Anti-B e Anti Rh, ou seja, os reagentes são compostos por anticorpo A, anticorpo B e anticorpo para o fator Rh (+/-) (FORTE, 2015).

TÓPICO 5 | LABORATÓRIO DE IMUNOLOGIA

A técnica é simples e consiste em pegar uma lâmina de vidro e colocar três gotas de sangue, lado a lado, pingar sobre cada gota de sangue os reagentes citados acima, naquela ordem. Misturar o reagente com o sangue e em poucos segundos começarão a ser percebidas alterações nas gotas, como a formação de grumos avermelhados, devido à aglutinação das hemácias. A figura a seguir permite a visualização dos possíveis resultados (FORTE, 2015). FIGURA 36 – REPRESENTAÇÃO DE TESTE DE TIPAGEM SANGUÍNEA FONTE: <http://www1.pucminas.br/imagedb/documento/DOC_DSC_NOME_ ARQUI20140131095549.pdf>. Acesso em: 17 out. 2019. Para interpretar esses resultados, lembre-se de que o antígeno possui seus epítopos, que são regiões especificas que se ligam aos anticorpos. Como nossas hemácias possuem antígenos em sua superfície, em contato com anticorpos diferentes de nossa circulação sanguínea, irão se ligar, pois o anticorpo irá interpretar como sendo um “agente estranho” essa hemácia que necessita ser eliminada (SILVA, 2014). Devido a esta ação é que a transfusão sanguínea não pode ocorrer com tipos sanguíneos diferentes. Imagine você com tipo sanguíneo B, ou seja, sua hemácia possui o antígeno B e na circulação sanguínea só estão presentes os anticorpos A. Um não irá agredir o outro, pois não possuem especificidade. No momento que entrar em contato com hemácias A o anticorpo presente na circulação sanguínea irá se ligar a essas células promovendo sua lise (quebra) (SILVA, 2014). Devido a estas características que pessoas com o sangue O, uma hemácia sem antígenos, só podem receber sangue O, pois na sua circulação sanguínea existem anticorpos A e B, qualquer hemácia que for encontrada com um desses antígenos será destruída. Diferente de pessoas com o sangue AB que não possuem anticorpos circulantes na corrente sanguínea (SCUTTI, 2016).

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Um teste de aglutinação passiva que podemos citar de exemplo é o VDRL (triagem para sífilis). Veja como realizar a técnica: https://www.youtube.com/ watch?v=4v2gH5vWvGE. DICAS

8.2 METODOLOGIAS COM REAGENTES MARCADOS

São testes que como o nome indica possui algum tipo de marcação para evidenciar as ligações que vão ocorrer, podem ser marcados através de componentes radioativos, enzimático, fluorescente ou quimioluminescente (SILVA, 2014). Ensaios com marcadores radioativos são testes que vão utilizar o anticorpo conjugado com um radioisótopo que irá evidenciar a ligação, este teste possui a desvantagem de expor seus profissionais a radiação. Nas reações enzimáticas o exame mais conhecido é o ELISA (sigla em inglês Enzyme Linked Immunosorbent Assay) pois ocorrerão ligações entre antígenos e anticorpos e através de uma reação enzimática conjugada a complexos imunes, ocorrerá mudança na coloração da amostra, possibilitando a quantificação (FORTE, 2015). É possível realizar o teste ELISA de diversas formas, a mais comum é a forma indireta, na qual a reação ocorre em uma placa que contém aderido ao fundo um antígeno, em seguida adiciona-se o soro sanguíneo, que está sendo realizado o exame. A reação irá ocorrer caso haja anticorpo presente nesta amostra que poderá se ligar ao antígeno aderido na placa. Até aqui a reação básica ocorreu. Para então a reação enzimática estar presente é necessário acrescentar um anticorpo conjugado com uma enzima e em seguida uma substância química que irá reagir com o substrato presente neste segundo anticorpo. Desta maneira, a reação enzimática terá acontecido e ocorrerá mudança de coloração (FORTE, 2015). FIGURA 37 – REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DO MÉTODO ELISA INDIRETO FONTE: https://www.biomedicinapadrao.com.br/2010/05/elisa.html. Acesso em: 17 out. 2019.

TÓPICO 5 | LABORATÓRIO DE IMUNOLOGIA

RESUMO DO TÓPICO 5 Neste tópico, você aprendeu que: • A resposta imunológica é composta por uma variedade de células e moléculas.

• A linhagem linfoide se refere aos linfócitos. Na imunidade, são divididos em T e B • Antígeno é qualquer substância composta por célula, vírus, fungo ou líquidos biológicos, reconhecidos pelo nosso organismo como agentes estranhos e que têm a capacidade de induzir a produção de um anticorpo. • É a imunidade que se baseia na atuação dos linfócitos T e B, devido a serem células específicas que se ligam conforme os epítopos dos antígenos. • Técnicas utilizadas com reagentes não marcados seriam a aglutinação e a precipitação. • A realização da tipagem sanguínea através da aglutinação ou precipitação proporciona verificar o tipo sanguíneo do sistema ABO e o Fator Rh. • Técnicas utilizadas com reagentes marcados são testes que possuem algum tipo de marcação, evidenciando as ligações.

1 Em uma tipagem sanguínea houve aglutinação ao se misturar o sangue

pesquisado nos campos identificados como anti-AB e anti-Rh. Determine o tipo sanguíneo e faça um esquema explicando a reação ocorrida.

2 Represente de forma esquemática a técnica de ELISA indireto.

3 O setor de imunologia possui técnicas imunológicas que se baseiam em

ligações entre antígenos-anticorpo para reconhecimento específico, esses imunodiagnósticos, podem ser realizados através de algumas técnicas. De acordo com as técnicas de imunodiagnósticos avalie a veracidade (V) e a falsidade (F) das afirmativas a seguir e assinale a alternativa com a sequência CORRETA. ( ) Uma das técnicas do setor de imunologia é a aglutinação, que se baseia na interação de anticorpos com antígenos presentes em partículas insolúveis, que podem estar cobertas com látex. ( ) A técnica conhecida como ELISA tem o princípio de ligação antígenoanticorpo detectáveis através de reações enzimáticas, por isso a técnica é conhecida como teste imunoenzimático. ( ) A técnica de quimioluminescência é baseada na emissão de luz proveniente das reações químicas de oxidação. ( ) Quando se utiliza a técnica de citometria de fluxo no setor de imunologia, utiliza-se a imunofluorescência para marcar os antígenos nas células. Quando as células passam pelo aparelho, ele identifica através da intensidade de fluorescência emitida por cada célula. a) ( ) V, F, F e V. b) ( ) V, V, V e F. c) ( ) F, V, V e F. d) ( ) V, V, V e V. e) ( ) V, V, F e V.

TÓPICO 6

LABORATÓRIO DE MICROBIOLOGIA

1 INTRODUÇÃO

Em nosso último laboratório vamos estudar a microbiologia, como o nome já diz se refere ao estudo de estruturas pequenas, ou seja, os microrganismos, que são formas de vida que não são vistas a olho nu e analisadas através do microscópio. Neste grupo dos microrganismos estão incluídos as bactérias, vírus, fungos e príons. Especificamente neste tópico daremos ênfase a uma técnica muito simples, porém de grande utilidade clínica, pois em um mundo em que as bactérias se tornam a cada dia mais resistentes, este muitas vezes é o primeiro exame de triagem possível se realizar. Vamos compreender qual o princípio de um teste tão simples, com significados tão importantes e que se baseia apenas na composição da parede celular das bactérias. Mas antes de entendermos esta técnica, vamos ver resumidamente como surgiu a microbiologia?

2 HISTÓRIA DA MICROBIOLOGIA

A microbiologia teve seu início em 1665, quando Robert Hooke visualizou pela primeira vez a fatia de uma cortiça, observando um emaranhado de estruturas, as quais denominou de célula. Por volta de 1673, Antoni Van Leeuwenhoek, cientista holandês, construiu o primeiro microscópio e auxiliou no seu aprimoramento. Passado um tempo e com inúmeros experimentos demonstrando a geração espontânea da vida, em 1745 John Needham fez mais experimentos a fim de fortalecer ainda mais a teoria da geração espontânea (BARBOSA; GOMEZ; TORRES, 2018). Apenas em 1861, o cientista francês Louis Pasteur derrubou definitivamente a teoria da geração espontânea com um experimento relativamente simples. Até o momento, acreditava-se que ao despejar um caldo nutritivo e o deixasse em repouso, ali seria gerada vida espontaneamente. Porém, Louis Pasteur ao despejar um caldo nutritivo em um frasco e este mesmo frasco teve seu gargalo esticado e, no fogo feito uma curva com o mesmo, este mesmo recipiente com o caldo foi fervido e esterilizado. Feito isso, o caldo nutritivo se manteve livre de microrganismos, pois não teve contato com o oxigênio (BARBOSA; GOMEZ; TORRES, 2018).

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Em 1876, o médico bacteriologista alemão Robert Koch comprovou pela primeira vez que os microrganismos são capazes de gerar patologias, sendo o primeiro agente patogênico comprovado o antraz. Alguns anos após, em 1882, Koch descobriu o bacilo da tuberculose, que até hoje é chamado de Bacilo de Koch (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).

3 CARACTERÍSTICAS DE FUNGOS E VÍRUS

4 CARACTERÍSTICAS DAS BACTÉRIAS

TÓPICO 6 | LABORATÓRIO DE MICROBIOLOGIA

5 NORMAS DE TRABALHO EM LABORATÓRIO DE

MICROBIOLOGIA Devido ser um setor no qual se trabalha com agentes com potencial de infecção elevado, é necessário se tomar certos cuidados dependendo dos microrganismos manipulados. Começamos pelo nível de biossegurança 1, que se refere a laboratórios utilizados para o ensino nos quais são manipulados microrganismos de classe de risco 1, microrganismos desta classe os que não compõe os riscos 2, 3 e 4. Mesmo assim, são necessários os usos de EPIs e boas práticas de uso dos laboratórios (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).

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6 AMOSTRAS BIOLÓGICAS

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7 TÉCNICA DE COLORAÇÃO DE GRAM

Essa coloração foi descrita em 1884 por Cristian Gram na Dinamarca e é uma técnica muito simples de coloração das bactérias. Com esta coloração é possível separarmos as bactérias em dois grandes grupos: bactérias gramnegativas e bactérias gram-positivas. Utilizando apenas o princípio da diferença na composição parede celular (BARBOSA; GOMEZ; TORRES, 2018). As bactérias gram-positivas possuem em sua parede celular, como principal componente, o peptidioglicano. Porém, em uma camada bem espessa, cerca de 20 a 50nm, outro componente presente na parede celular é o ácido teicoico, que aumentam a rigidez da membrana e responsáveis pela especificidade antigênica (BARBOSA; GOMEZ; TORRES, 2018). As bactérias gram-negativas têm a parede celular mais complexa, a maior externa. Assim, a camada de peptidioglicano é mais delgada nas gram-negativas e com presença de lipídeos, também não possui contato com a parte externa devido à presença dessa membrana externa (SALVATIERRA, 2014). A coloração é composta por quatro reagentes: corante violeta genciana, lugol, álcool e fucsina. No primeiro momento se utiliza o corante de violeta genciana, devido à composição da parede celular de ácido teicóico nas bactérias gram-positivas, após o contato com o violeta genciana formam um complexo de coloração intensa azul, diferente do que irá ocorrer nas bactérias gram-negativas (SALVATIERRA, 2014). O segundo passo é a utilização do lugol, uma forma diluída de iodo que tem a função de ser um mordente, ou seja, vai fixar a coloração da violeta genciana. Essa propriedade irá favorecer as células gram-positivas, pois as mesmas já impregnaram com o primeiro corante e este vai reforçar fixando o mesmo (ENGELKIRK; ENGELKIRK 2017). Como terceiro passo temos o álcool absoluto, que vai proporcionar um descoramento desta lâmina, lavando o excesso do primeiro corante que não formou o complexo azul intenso. Ou seja, o que formou o complexo ficará na lâmina, pois foi fixado com o lugol e não vai ser descorado, já as bactérias que até o momento não formaram este complexo vão receber o álcool para lavar e tirar o corante que está por cima da lâmina (SALVATIERRA, 2014). O último corante é a fucsina, as bactérias gram-positivas já foram coradas, fixadas e estão prontas, já as bactérias gram-negativas acabaram de ser lavadas e estão sem cor nenhuma, sendo assim este corante irá corá-las (BARBOSA; GOMEZ; TORRES, 2018). Dessa maneira, o resultado será tom roxo ou azulado para bactérias grampositivas e rosa ou avermelhado para gram-negativas.

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8 TÉCNICA DE ZIEHL-NEELSEN

É utilizada para a coloração de bactérias que são conhecidas como bactérias álcool-ácido resistes (BAAR), sendo uma delas o bacilo de Koch. Devido a esta resistência, a coloração de Gram não tem bons resultados para esta bactéria (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). FIGURA 41 – PASSO A PASSO COLORAÇÃO DE ZIEHL NEELSEN FONTE: <https://irp-cdn.multiscreensite.com/28e05dfd/files/uploaded/micro_ab_ exames2018uva.pdf>. Acesso em: 17 out. 2019.

TÓPICO 6 | LABORATÓRIO DE MICROBIOLOGIA

Ao realizar essa coloração no primeiro passo da fucsina e no momento de aquecer a lâmina, é importante que não ocorra a fervura do corante. Devido ao aquecimento da fucsina, todas as estruturas presentes na lâmina serão coradas, o calor permite que o corante penetre em todas as estruturas, pois inativa a barreira lipídica (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). No momento do segundo passo, a utilização do álcool ácido, é o momento da descoloração, para retirar todo o excesso de fucsina da lâmina. Como descrito, a fucsina irá corar tudo, assim precisamos limpar esta lâmina para ficar corado com a fucsina apenas as bactérias de estudo. Como o nome delas já diz, são álcoolácido resistentes, o descorante afetara todas as estruturas menos as bactérias classificadas como BAAR, pois o descorante não vai reagir (SALVATIERRA, 2014). O corante azul de metileno serve para contra corar as demais estruturas da lâmina. No final do processo, visualizam-se as bactérias álcool-ácido resistentes na coloração rosa ou avermelhada e todas as demais estruturas em azul (SALVATIERRA, 2014).

9 MEIOS DE CULTURA

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Os mais usados são o teste indireto, especialmente para detectar anticorpos; e o teste sanduíche, para identificar principalmente antígenos. No teste de ELISA indireto, utiliza-se uma placa de poliestireno de 96 poços como meio sólido para receber amostras de antígenos para os quais se deseja saber se há produção de anticorpos no soro. Após um tempo para incubaçã o, a placa é lavada para eliminar os antígenos que não se ligaram a ela. Em seguida, essa placa recebe uma soluçã o proteica, para que as regiões às quais os antígenos não se ligaram sejam bloqueadas. A soluçã o proteica aplicada pode ser de gelatina, caseína, albu- mina ou leite desnatado. Posteriormente, uma amostra de soro contendo anticorpos primários é colocada na placa e, depois da incubaçã o, procede-se com a lavagem novamente para eliminar os anticorpos livres que não se ligaram aos antígenos fixados na placa. Então a placa recebe outra amostra de soro, agora contendo anticorpos secundários marcados específicos para os anticorpos primários. A marcaçã o é feita com enzimas, que podem ser a fosfatase alcalina ou a peroxidase. Por fim, o substrato da enzima é adicionado à placa e, conforme a enzima o converte no pro- duto colorido, é possível detectar presença do antígeno por meio de um aparelho chamado espectrofotômetro. Esse aparelho tem capacidade de absorbância de comprimentos de onda que se encontram no intervalo entre 340 e 650 nm e faz a leitura da intensidade da luz colorida (densidade óptica) que é emitida da reaçã o. Os resultados obtidos permitem inferir sobre a concentraçã o de anticorpos (e de anticorpos marcados) presentes na placa, pois a intensidade luminosa é diretamente proporcional a essa concentraçã o. LEITURA COMPLEMENTAR

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1 A coloração de Gram recebeu este nome em homenagem a seu descobridor,

o médico dinamarquês Hans Cristian Joaquim Gram. Em 1884. Gram observou que as bactérias adquiriram cores diferentes, quando tratadas com diferentes corantes. Isso permitiu classificá-las em dois grupos distintos: as que ficavam roxas/azuladas e as que ficavam vermelhas/rosadas. Sabendo deste princípio, qual a base da coloração de Gram: a) ( ) A parede celular de bactérias Gram-positivas atua como uma barreira à extração do complexo cristal-violeta com o iodo pelo álcool, devido à espessura de sua parede. b) ( ) A parede celular de bactérias Gram-negativas atua como uma barreira à extração do complexo cristal-violeta com o iodo pelo álcool, devido à espessura de sua parede. c) ( ) A parede celular de bactérias Gram-positivas se cora com a Fucsina devido a sua parede ser mais espessa e absorver mais este corante. d) ( ) Não há formação do complexo cristal-violeta com o iodo em bactérias Gram-positivas. e) ( ) Todas estão corretas. Tendo o texto como referência e considerando os múltiplos aspectos relacionados, julgue a seguinte afirmativa: A existência de indivíduos coinfectados assintomáticos é um exemplo de como tem sido difícil elucidar os mecanismos de adaptação que favorecem o paradigma da coadaptação e da coexistência entre homem e micróbio. a) ( ) CERTO b) ( ) ERRADO

3 No setor de microbiologia clínica a técnica de gram tem importância clínica

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