# Unidade 1 - Micologia Medica: Micoses Superficiais, Cutaneas, Subcutaneas e Sistemicas
Modulo de Formacao Tecnica e Fundamentacao Cientifica - Acervo Integrativia.
Introducao Geral a Unidade
O estudo de Micologia Medica: Micoses Superficiais, Cutaneas, Subcutaneas e Sistemicas na disciplina de Micologia e Virologia Clinica estabelece as bases conceituais, metodologicas e praticas indispensaveis para a formacao e atuacao tecnica do profissional biomedico e de saude, integrando a fundamentacao cientifica aos protocolos laboratoriais, interpretacao analitica e conduta clinica integrada.
1 INTRODUÇÃO.....................................................................................................................................3
2 REINO FUNGI......................................................................................................................................4
3 IMPORTÂNCIA DOS FUNGOS......................................................................................................7
4 FUNGOS DE INTERESSE CLÍNICO...............................................................................................9
5 CARACTERÍSTICAS CELULARES DOS FUNGOS...................................................................10
6 PAREDE CELULAR ..........................................................................................................................12
7 MEMBRANA PLASMÁTICA..........................................................................................................13
8 CÁPSULA.............................................................................................................................................13
9 METABOLISMO ...............................................................................................................................14
RESUMO DO TÓPICO 1.....................................................................................................................16
TÓPICO 2 — BIOLOGIA DOS FUNGOS........................................................................................19
1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................19
2 CRESCIMENTO FÚNGICO.............................................................................................................19
3 FUNGOS FILAMENTOSOS............................................................................................................20
4 CLASSIFICAÇÕES DAS HIFAS.....................................................................................................21
5 FUNGOS LEVEDURIFORMES.......................................................................................................23
6 FUNGOS DIMÓRFICOS..................................................................................................................25
7 CARACTERÍSTICAS DA REPRODUÇÃO FÚNGICA..............................................................26
8 REPRODUÇÃO ASSEXUADA........................................................................................................27
9 REPRODUÇÃO SEXUADA.............................................................................................................31
RESUMO DO TÓPICO 2.....................................................................................................................34
TÓPICO 3 — TÉCNICAS LABORATORIAIS EM MICOLOGIA...............................................37
1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................37
2 COLETA DE MATERIAL..................................................................................................................38
3 PROCEDIMENTOS DE COLETA ..................................................................................................39
3.1 LESÕES CUTÂNEAS....................................................................................................................39
3.2 LESÕES EM PELOS E CABELOS................................................................................................40
3.3 LESÕES DE UNHAS.....................................................................................................................41
3.4 URINA ...........................................................................................................................................42
3.5 REGIÃO GENITAL.......................................................................................................................42
3.6 SANGUE E ASPIRADO DE MEDULA ÓSSEA........................................................................42
3.7 ABSCESSO E ESCARRO..............................................................................................................42
3.8 LÍQUIDOS (LÍQUOR, PLEURAL, PERITONEAL) E BIÓPSIAS............................................43
4 EXAME DIRETO................................................................................................................................43
5 CULTURA............................................................................................................................................46
6 IDENTIFICAÇÃO DOS FUNGOS.................................................................................................48
7 MICROCULTIVO...............................................................................................................................50
8 TESTES ADICIONAIS......................................................................................................................51
LEITURA COMPLEMENTAR............................................................................................................54 RESUMO DO TÓPICO 3.....................................................................................................................57 REFERÊNCIAS.......................................................................................................................................59
UNIDADE 2 — MICOLOGIA CLÍNICA..........................................................................................61
TÓPICO 1 — MICOSES SUPERFICIAIS.........................................................................................63
1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................63
2 MICOSES SUPERFICIAIS...............................................................................................................63
2.1 TINEA NIGRA................................................................................................................................64
2.2 PITRIASIS VERSICOLOR............................................................................................................66
2.3 PIEDRA BRANCA........................................................................................................................71
2.4 PIEDRA NEGRA...........................................................................................................................74
RESUMO DO TÓPICO 1.....................................................................................................................77
TÓPICO 2 — MICOSES CUTÂNEAS...............................................................................................81
1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................81
2 MICOSES CUTÂNEAS.....................................................................................................................81
2.1 EPIDERMOPHYTON sp...............................................................................................................83
2.2 MICROSPORUM SP.....................................................................................................................85
2.3 TRICHOPHYTON sp.....................................................................................................................88
2.4 CANDIDÍASE CUTÂNEA...........................................................................................................97
RESUMO DO TÓPICO 2...................................................................................................................102
TÓPICO 3 — MICOSES SUBCUTÂNEAS.....................................................................................105
1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................105
2 MICOSES SUBCUTÂNEAS ..........................................................................................................105
2.1 ESPOROTRICOSE.......................................................................................................................106
2.2 CROMOBLASTOMICOSE.........................................................................................................108
2.3 LOBOMICOSE.............................................................................................................................111
2.4 MICETOMAS EUMICÓTICOS.................................................................................................113
RESUMO DO TÓPICO 3...................................................................................................................115
TÓPICO 4 — MICOSES SISTÊMICAS..........................................................................................119
1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................119
2 MICOSES SISTÊMICAS ..............................................................................................................119
2.1 PARACOCCIDIOIDOMICOSE.................................................................................................120
2.2 COCCIDIOIDOMICOSE............................................................................................................122
2.3 HISTOPLASMOSE......................................................................................................................124
2.4 BLASTOMICOSE.........................................................................................................................125
RESUMO DO TÓPICO 4...................................................................................................................128
TÓPICO 5 — MICOSES OPORTUNISTAS...................................................................................131
1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................131
2 MICOSES OPORTUNISTAS.........................................................................................................131
2.1 CANDIDÍASE..............................................................................................................................132
2.2 CRIPTOCOCOSE.........................................................................................................................133
2.3 ASPERGILOSE.............................................................................................................................135
2.4 ZIGOMICOSES............................................................................................................................137
2.5 FUSARIOSE..................................................................................................................................139
LEITURA COMPLEMENTAR..........................................................................................................141 RESUMO DO TÓPICO 5...................................................................................................................148 REFERÊNCIAS.....................................................................................................................................150
UNIDADE 3 — VIROLOGIA CLÍNICA.........................................................................................153
TÓPICO 1 — CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS VÍRUS........................................................155
1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................155
2 CARACTERÍSTICAS GERAIS .....................................................................................................155
3 ESTRUTURA VIRAL.......................................................................................................................159
3.1 PRINCIPAIS ESTRUTURAS VIRAIS........................................................................................159
3.2 MORFOLOGIA GERAL.............................................................................................................162
4 TAXONOMIA VIRAL.....................................................................................................................164
4.1 CULTIVO E IDENTIFICAÇÃO DOS VÍRUS..........................................................................165
5 MULTIPLICAÇÃO VIRAL.............................................................................................................166
6 PATOGENIA, PREVENÇÃO E CONTROLE..............................................................................169
RESUMO DO TÓPICO 1...................................................................................................................173
TÓPICO 2 — PAPILOMAVÍRUS HUMANO E VÍRUS DA
IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA........................................................................177
1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................177
2 PAPILOMAVÍRUS HUMANO (HPV).........................................................................................177
2.1 CARACTERIZAÇÃO DO VÍRUS.............................................................................................178
2.2 TRANSMISSÃO VIRAL ............................................................................................................178
2.3 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS E PREVENÇÃO DO CÂNCER DE COLO UTERINO....179
2.4 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL..........................................................................................180
3 VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA (HIV).............................................................180
3.1 CARACTERIZAÇÃO DO VÍRUS.............................................................................................181
3.2 TRANSMISSÃO...........................................................................................................................182
3.3 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS.................................................................................................183
3.4 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL..........................................................................................183
RESUMO DO TÓPICO 2...................................................................................................................185
TÓPICO 3 — HERPESVÍRUS...........................................................................................................189
1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................189
2 HERPESVÍRUS HUMANO TIPOS 1 E 2.....................................................................................189
2.1 CARACTERIZAÇÃO DO VÍRUS ............................................................................................190
2.2 TRANSMISSÃO...........................................................................................................................191
2.3 MANIFESTAÇÃO CLÍNICA.....................................................................................................191
2.4 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL..........................................................................................192
RESUMO DO TÓPICO 3...................................................................................................................194
TÓPICO 4 — HEPATITES VIRAIS..................................................................................................197
1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................197
2 HEPATITE A .....................................................................................................................................197
2.1 CARACTERIZAÇÃO DO VÍRUS ............................................................................................198
2.2 TRANSMISSÃO...........................................................................................................................198
2.3 MANIFESTAÇÃO CLÍNICA.....................................................................................................199
2.4 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL..........................................................................................199
3 HEPATITE B......................................................................................................................................200
3.1 CARACTERIZAÇÃO DO VÍRUS ............................................................................................200
3.2 TRANSMISSÃO...........................................................................................................................201
3.3 MANIFESTAÇÃO CLÍNICA.....................................................................................................201
3.4 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL..........................................................................................202
4 HEPATITE C......................................................................................................................................204
4.1 CARACTERIZAÇÃO DO VÍRUS ............................................................................................204
4.2 TRANSMISSÃO...........................................................................................................................205
4.3 MANIFESTAÇÃO CLÍNICA ....................................................................................................205
4.4 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL..........................................................................................205
5 HEPATITES D e E ............................................................................................................................206
RESUMO DO TÓPICO 4...................................................................................................................208
TÓPICO 5 — INFLUENZA E CORONAVÍRUS............................................................................211
1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................211
2 INFLUENZA .....................................................................................................................................211
2.1 CARACTERIZAÇÃO DO VÍRUS.............................................................................................211
2.2 TRANSMISSÃO...........................................................................................................................212
2.3 MANIFESTAÇÃO CLÍNICA ....................................................................................................213
2.4 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL..........................................................................................213
3 CORONAVÍRUS...............................................................................................................................214
3.1 CARACTERIZAÇÃO DO VÍRUS.............................................................................................214
3.2 TRANSMISSÃO ..........................................................................................................................215
3.3 MANIFESTAÇÃO CLÍNICA.....................................................................................................215
3.4 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL..........................................................................................216
LEITURA COMPLEMENTAR..........................................................................................................217 RESUMO DO TÓPICO 5...................................................................................................................224
TÓPICO 6 — CAXUMBA, SARAMPO E RUBÉOLA...................................................................229
1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................229
2 CAXUMBA ........................................................................................................................................229
2.1 CARACTERIZAÇÃO DO VÍRUS.............................................................................................229
2.2 TRANSMISSÃO...........................................................................................................................229
2.3 MANIFESTAÇÃO CLÍNICA ....................................................................................................230
2.4 DIAGNÓSTICO E PREVENÇÃO.............................................................................................231
3 SARAMPO ........................................................................................................................................231
3.1 CARACTERIZAÇÃO DO VÍRUS ............................................................................................232
3.2 TRANSMISSÃO ..........................................................................................................................232
3.3 MANIFESTAÇÃO CLÍNICA.....................................................................................................233
3.4 DIAGNÓSTICO E PREVENÇÃO.............................................................................................234
4 RUBÉOLA..........................................................................................................................................234
4.1 CARACTERIZAÇÃO DO VÍRUS ............................................................................................235
4.2 TRANSMISSÃO...........................................................................................................................235
4.3 DIAGNÓSTICO E PREVENÇÃO.............................................................................................235
4.4 MANIFESTAÇÃO CLÍNICA.....................................................................................................235
RESUMO DO TÓPICO 6...................................................................................................................237
TÓPICO 7 — FEBRE AMARELA, DENGUE E CHIKUNGUNYA.............................................241
1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................241
2 FEBRE AMARELA ...........................................................................................................................241
2.1 CARACTERIZAÇÃO DO VÍRUS.............................................................................................242
2.2 TRANSMISSÃO ..........................................................................................................................243
2.3 MANIFESTAÇÃO CLÍNICA.....................................................................................................243
2.4 DIAGNÓSTICO E PREVENÇÃO.............................................................................................244
3 DENGUE............................................................................................................................................244
3.1 CARACTERIZAÇÃO DO VÍRUS ............................................................................................244
3.2 TRANSMISSÃO...........................................................................................................................245
3.3 MANIFESTAÇÃO CLÍNICA ....................................................................................................246
3.4 DIAGNÓSTICO ..........................................................................................................................247
4 CHIKUNGUNYA..............................................................................................................................248
4.1 CARACTERIZAÇÃO DO VÍRUS ............................................................................................249
4.2 TRANSMISSÃO...........................................................................................................................249
4.3 MANIFESTAÇÃO CLÍNICA.....................................................................................................249
4.4 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL..........................................................................................250
RESUMO DO TÓPICO 7...................................................................................................................251 REFERÊNCIAS.....................................................................................................................................253
TÓPICO 1 – CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS FUNGOS
TÓPICO 2 – BIOLOGIA DOS FUNGOS
TÓPICO 3 – TÉCNICAS LABORATORIAIS EM MICOLOGIA
frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
TÓPICO 1 —
CARACTERÍSTICAS GERAIS DO FUNGOS
1 INTRODUÇÃO
Falar em fungos nos remete a uma das áreas da Microbiologia e nos faz pensar em cogumelos dos mais diferentes tipos, tamanhos e cores, como podemos observar na Figura 1. No entanto, os cogumelos visíveis são apenas uma pequena parte deste Reino que contém mais de 100.000 espécies descritas e estima-se a possibilidade de mais de 1,5 milhões de espécies. A maioria dos fungos são microscópicos (com 1 μm ou mais de diâmetro) e estão presentes no solo terrestre e em vegetação em decomposição (MADIGAN et al., 2016). FIGURA 1 – COGUMELO DA ESPÉCIE AMANITA MUSCARIA FONTE: https://image.shutterstock.com/image-photo/autumn-time-mushrooms-this-one600w-1542867884.jpg. Acesso em: 22 jul. 2020.
A micologia compreende um vasto campo de estudo, envolvendo microrganismos conhecidos como fungos e leveduras. Neste tópico, você terá uma visão geral das características desses seres vivos. Os fungos representam um grupo diversificado de organismos ubíquos, ou seja, organismos que estão presentes em praticamente todos os lugares, ar, solo, água, vegetação e organismo de diversos animais, incluindo o homem. O principal objetivo dos fungos é degradar matéria orgânica, causando a decomposição e degradação de alimentos, ou até mesmo acometendo os seres vivos e, eventualmente, causando patologias ou a sua morte (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). Considerados “lixeiros do mundo”, os fungos desempenharem um papel importante no contexto ecológico pois degradam todo tipo de matéria orgânica, gerando substrato que favorece o crescimento de plantas. Já no contexto econômico, os fungos, principalmente as leveduras, são aplicados em várias áreas, na produção de alimentos, na fitoterapia, agricultura, biotecnologia, farmácia, entre outras (MURRAY; ROSENTHAL; PFALLER, 2009).
2 REINO FUNGI
TÓPICO 1 — CARACTERÍSTICAS GERAIS DO FUNGOS
organismos descritos são catalogados a partir de uma hierarquia decrescente nesta sequência: reino, filo, classe, ordem, gênero, família, espécie (Figura 3) (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017; FRANÇA; LEITE, 2018). FIGURA 3 – HIERARQUIA TAXONÔMICA PARA AGRUPAMENTO DAS ESPÉCIES USANDO O FUNGO SACCHAROMYCES CERAVISIAE COMO EXEMPLO FONTE: Adaptada de https://image.shutterstock.com/image-vector/classification-systemvector-illustration-labeled-600w-1548369536.jpg. Acesso em: 22 jul. 2020. Como vimos, a classificação dos microrganismos está em constante atualização, pois novas espécies são catalogadas ou novas informações surgem, fazendo necessária a reclassificação. Por muito tempo, o Reino Fungi foi dividido em quatro filos, sendo eles Zygomycota, Basidiomycota, Ascomycota e Deuteromycota (“fungos imperfeitos”). Houve uma nova classificação, realizada por Hibbett et al. (2007), que define o Reino Fungi em sete filos: 1. Microsporidia (parasitas unicelulares endobióticos). 2. Chytridiomycota (quitrídios). 3. Blastocladiomycota (fungos saprófitas).
TÓPICO 1 — CARACTERÍSTICAS GERAIS DO FUNGOS
3 IMPORTÂNCIA DOS FUNGOS
TÓPICO 1 — CARACTERÍSTICAS GERAIS DO FUNGOS
A cerveja é a bebida alcóolica mais conhecida e consumida no Brasil. Ela é produzida em escala artesanal ou industrial, independente da forma de produção três ingredientes são básicos e estão presentes em todas as cervejas, são eles: o malte, o extrato de lúpulo e as leveduras. São elas as responsáveis pelo processo de fermentação do malte e da produção do álcool presente na bebida, duas espécies de leveduras são utilizadas a Saccharomyces cerevisiae ou a Saccharomyces uvarum. Ao redor do mundo, existem diversos tipos de cervejas (Lager, Pilsen, Bock, Mild etc.), com variadas formas de produção, o que todas elas têm em comum? Leveduras. Ein Prosit as leveduras! (P&Q ENGENHARIA JR., 2020). IMPORTANTE
4 FUNGOS DE INTERESSE CLÍNICO
Durante muito tempo o estudo de fungos patogênicos não foi uma prioridade dentro das ciências médicas. A história da micologia médica humana é extremamente recente, foi apenas no início do século XX que Sabouraud deu início à micologia dermatológica ao publicar, em 1910, um livro especializado nas lesões de pele causadas pelos fungos, que ele denominou de tineas. Entre os anos de 1930 e 1940 surge conceito de micose doença e micose infecção, relacionando as doenças com seus agentes etiológicos. Mais tarde, por volta de 1950, surgiu o interesse por infecções micóticas ocasionais, hoje conhecidas como micoses oportunistas, quadros de infecções que ocorriam em pacientes que estavam sob tratamento farmacológico para outra doença, mas que muitas vezes causavam um desequilíbrio imunológico, abrindo portas para que os fungos que até então era apenas saprófitas, se tornassem agressores do organismo (FRANÇA; LEITE, 2018; MEZZARI; FUENTEFRIA, 2012). Apenas nas últimas três décadas que os fungos emergiram como causas principais de doenças humanas, especialmente entre aqueles indivíduos imunocomprometidos ou que estão hospitalizados por complicações de graves doenças crônicas. Entre esses grupos de pacientes, os fungos atuam como patógenos oportunistas, causando considerável morbidade e mortalidade (MADIGAN et al., 2016). O aumento nas infecções fúngicas pode ser atribuído ao número em constante crescimento de pacientes imunocomprometidos, incluindo pacientes transplantados, indivíduos com AIDS, com câncer sob tratamento quimioterápico, bem como indivíduos hospitalizados com outras doenças graves e submetidos ao tratamento com corticoides e vários procedimentos invasivos (FRANÇA; LEITE, 2018; MEZZARI; FUENTEFRIA, 2012). De acordo com a classificação taxonômica dos fungos, é possível observar no Quadro 1, os principais patógenos dentro de cada um dos filos descritos, bem como o tipo de micose que cada um deles causa. Cada uma dessas micoses será estudada com detalhes na Unidade 2.
QUADRO 1 – CLASSIFICAÇÃO DE ALGUNS FUNGOS PATOGÊNICOS FILO PATÓGENOS TIPO DE MICOSE Zigomiceto Rhizopus sp. Sistêmica Mucor sp. Sistêmica Ascomiceto Aspergillus sp. Sistêmica Histoplasma sp. Sistêmica Microsporum sp. Cutânea Trichophyton sp. Cutânea Anamórficos Epidermophyton sp. Cutânea Sporothrix schenkii sp. Subcutânea Coccidioides sp. Sistêmica Candida albicans Cutânea, mucocutânea e sistêmica Basidiomiceto Cryptococcus neoformans Sistêmica Malassezia sp. Cutânea FONTE: Adaptado de Tortora, Fuke e Case (2017, p. 366)
5 CARACTERÍSTICAS CELULARES DOS FUNGOS
Diferentemente das bactérias, os fungos são seres eucariontes que assim como as células animais possuem carioteca, ou seja, responsável por separar o material genético do citoplasma. O material genético dos eucariontes é em formato cromossômico e fica contido dentro do núcleo (Figura 6). Diferentemente das bactérias, que são procariontes, o material genético que além de ser circular, também está disperso pelo seu citoplasma. Dessa forma, o fator determinante para diferenciar um ser eucarioto de um procarioto é a presença da carioteca (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017; MADIGAN et al., 2016).
TÓPICO 1 — CARACTERÍSTICAS GERAIS DO FUNGOS
6 PAREDE CELULAR
TÓPICO 1 — CARACTERÍSTICAS GERAIS DO FUNGOS
7 MEMBRANA PLASMÁTICA
8 CÁPSULA
Essa estrutura de natureza polissacarídea está na porção mais externa da célula fúngica e envolve a parede celular. A cápsula auxilia o fungo na sua aderência ao tecido que ele infecta, armazena água e nutrientes, além de fornecer proteção ao fungo. A cápsula age nos fungos como um fator de virulência, apesar de poucos fungos possuírem essa estrutura, ele é de extrema importância principalmente do ponto de vista de diagnóstico (Figura 10) (MADIGAN et al., 2016; MEZZARI; FUENTEFRIA, 2012).
9 METABOLISMO
TÓPICO 1 — CARACTERÍSTICAS GERAIS DO FUNGOS
Sob o ponto de vista metabólico, os fungos são bioquimicamente versáteis, produzindo metabólitos primários (por exemplo: ácido cítrico, etanol e glicerol), assim como metabólitos secundários (por exemplo: antibióticos e aflatoxinas). Devido à produção destes metabólitos primários, os fungos são utilizados na indústria para produção de combustível do tipo etanol para os veículos, produção de cervejas, queijos entre outros produtos. No setor de laticínios, os fungos que se destacam são do gênero Penicillium sp. que são utilizados na produção de queijos, diversificando-os pelos sabores particulares que seus metabólitos produzem. São os conhecidos como: Camembert, Roquefort e Gorgonzola. Já como metabólitos secundários podemos citar como exemplos de alguns antibióticos, a seguir a estão listados os antibióticos e seus respectivos fungos produtores (Quadro 2) (MURRAY; ROSENTHAL; PFALLER, 2009). QUADRO 2 – PRINCIPAIS METABÓLITOS SECUNDÁRIOS PRODUZIDOS POR FUNGOS GRISEOFULVINA Penicillium griseofulvi PENICILINA Penicillium notadum TERRAMICINA Streptomyces rimosus NEOMICINA Streptomyces fradii AUREOMICINA Streptomyces aureofaciens ESTREPTOMICINA Streptomyces griseus ANFOTERICINA B Streptomyces nodosus FONTE: Adaptado de Murray, Rosenthal e Pfaller (2009)
1 Fungos são seres heterotróficos, dessa forma não são capazes de produzir o
2 O fermento biológico, o mofo que ataca os alimentos e os cogumelos
comestíveis são organismos que pertencem ao Reino Fungi. Com relação a este grupo de organismos, analise as sentenças a seguir: I- Todos são clorofilados. II- Nutrem-se por digestão extracorpórea, liberando enzimas digestivas. III- São eucariontes, unicelulares ou multicelulares. IV- Se alimentam apenas matéria morta. V- Possuem parede celular de quitina. VI- Alguns dos subprodutos são antibióticos.
Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) I, III, VI e V. b) ( ) II, III, V e VI. c) ( ) II, III e IV. d) ( ) II e V. e) ( ) I e IV.
3 Durante muito tempo os fungos foram classificados como vegetais.
Entretanto, eles foram considerados diferentes, sobretudo pela ausência de: a) ( ) Núcleo celular. b) ( ) Citoplasma. c) ( ) Membrana plasmática. d) ( ) Mitocôndrias. e) ( ) Clorofila.
4 As alternativas representam atividades que alguns fungos podem realizar,
EXCETO: a) ( ) Promover decomposição de matéria orgânica. b) ( ) Produzir amido para fabricação de fécula. c) ( ) Auxiliar na fabricação de pães macios. d) ( ) Produzir álcool no processo da fermentação da cevada. e) ( ) Produzir antibióticos para controle de doenças.
TÓPICO 2 —
BIOLOGIA DOS FUNGOS
1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico, os fungos emergiram nas duas últimas décadas como causas principais de doenças humanas, especialmente entre aqueles indivíduos que estão imunocomprometidos ou hospitalizados com graves doenças de base. Eles atuam como patógenos oportunistas, causando considerável morbidade e mortalidade, o aumento nas infecções fúngicas pode ser atribuído ao crescente número de pacientes imunocomprometidos. Com o aumento no número de caso em que os fungos passam de saprófitas a oportunistas, o diagnóstico correto de gênero e espécie passa a ser fundamental para o sucesso da recuperação do paciente. No momento de realizar o diagnóstico de infecções fúngicas, todas as propriedades relacionadas às espécies de fungos são determinantes para auxiliar o profissional na identificação. Desse modo, o estudo das características citológicas, morfológicas estruturais vegetativas, reprodutivas e patogênicas dos fungos, muitas vezes, é fundamental para o reconhecimento do patógeno. Neste tópico, você aprenderá as principais características dos fungos, caracterizando seus tipos de reprodução e explicando a sua importância para os seres humanos e para o interesse clínico.
2 CRESCIMENTO FÚNGICO
3 FUNGOS FILAMENTOSOS
Os fungos filamentosos são organismos multicelulares que consistem ramificadas e se alongam em suas extremidades através de um processo conhecido como extensão apical. Esse tipo de crescimento inicia-se no centro da colônia e é direcionado para as bordas, assim como ocorre na colônia, também ocorre nas lesões (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017; ZAITZ, 2010). As hifas se mantêm unidas para produzir uma estrutura semelhante a um tapete denominado micélio (Figura 11) (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
TÓPICO 2 — BIOLOGIA DOS FUNGOS
4 CLASSIFICAÇÕES DAS HIFAS
TÓPICO 2 — BIOLOGIA DOS FUNGOS
5 FUNGOS LEVEDURIFORMES
TÓPICO 2 — BIOLOGIA DOS FUNGOS
6 FUNGOS DIMÓRFICOS
7 CARACTERÍSTICAS DA REPRODUÇÃO FÚNGICA
Fungos podem se reproduzir de duas formas, a forma sexuada como os animais e a forma assexuada, assim como as bactérias. A forma assexuada pode ocorrer por três formas distintas: 1. Crescimento das hifas. 2. Produção de esporos. 3. Brotamento do blastoconídeo.
Os fungos podem combinar as formas de reprodução como forma de ga rantir a sobrevivência da espécie. O crescimento das hifas é a forma de reprodução e desenvolvimento dos fungos filamentosos na matriz orgânica que ele se encon tra. No entanto, os fungos filamentosos também realizam a produção de esporos, que serão importantes na disseminação do fungo em outras matrizes orgânicas. Os esporos são o produto de ambas as formas de reprodução, quando o fungo produz esporos sexuados a forma é denominada teleomorfo, e a forma que produz esporos assexuados é denominada anamorfo. São estruturas resistentes às condições adversas e permanecem em estado de latência (dormência) até que as condições ambientais sejam favoráveis para o seu desenvolvimento. Esse é o modo mais comum de reprodução entre os fungos patogênicos, na reprodução assexuada os esporos são obtidos por mitose. A reprodução sexuada, por outro lado, ocorre também pela produção de esporos, porém esses esporos são sexuados. Nesse tipo de reprodução ocorre a fusão dos núcleos dos esporos de duas linhagens de uma mesma espécie. Esse tipo de reprodução contribui com a recombinação genética, promovendo
TÓPICO 2 — BIOLOGIA DOS FUNGOS
a evolução das espécies, entretanto, é uma forma de reprodução rara entre os fungos. A maior parte dos fungos de interesse biomédico se reproduzem de forma assexuada, mas por que será que isso acontece? Caro acadêmico, quando os fungos estão dispersos no meio ambiente é mais provável que eles encontrem outros fungos da mesma espécie, porém de cepas diferentes para realizar a troca dos gametas. Nessa troca que ocorre na reprodução sexuada, os gametas diferentes são combinados e assim é possível garantir a variabilidade da espécie. No entanto, quando os fungos estão causando doença no ser humano, geralmente estamos lidando com apenas uma cepa de uma espécie de fungo. Considera-se que, no corpo humano, aquele fungo não encontrará o local ideal para a troca de gametas, ou seja, o fungo só tem uma escolha a reprodução assexuada. Portanto, todos os fungos isolados de espécimes clínicas provenientes de pacientes realizarão apenas a reprodução assexuada. Como a maioria dos fungos que causam doenças em humanos realizam reprodução assexuada, focaremos nossos estudos nessa classe. Tendo em vista que as características das hifas foram discutidas anteriormente neste tópico, estudaremos a formação dos esporos e do brotamento. ESTUDOS FUTUROS
8 REPRODUÇÃO ASSEXUADA
Prezado acadêmico, como vimos anteriormente, a reprodução assexuada é mais comum durante o processo de infecção nos humanos. A reprodução assexuada é denominada anamórfica ou imperfeita e ocorre através da produção de esporos. A produção de esporos será a principal forma de reprodução assexuada que auxiliarão na identificação fúngica. Portanto, podemos classificar os esporos de acordo com a forma que eles são gerados. Quando eles são formados e ficam envoltos por uma bolsa, são os chamamos de esporangiósporos ou endosporos. Já os esporos que são gerados de forma livre, ou seja, sem a bolsa, são chamados de conídios ou ectosporos (Figura 19) (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017; MURRAY; ROSENTHAL; PFALLER, 2009). de esporgângio, essa estrutura tem a função de manter os esporos unidos até a maturação estar completa e, então, liberá-los todos de uma vez no ambiente. Da que será responsável pela formação da columela na porção distal. Será a partir da columela que os esporangiósporos serão formados (Figura 19a) (MURRAY; ROSENTHAL; PFALLER, 2009).
TÓPICO 2 — BIOLOGIA DOS FUNGOS
O conidióforo pode ser simplesmente uma hifa especializada em da qual os conídios se implantam nas suas extremidades, encontrado, por exemplo, no gênero Sporothrix sp. (Figura 20a). Os conidióforos também podem ser mais desenvolvidos e formar um complexo aparelho produtor de conídios, como acontece com o conidióforo em forma de cabeça do gênero Aspergillus sp. (Figura 20b) ou em forma de pincel do gênero Penicillium sp. (Figura 20c). FIGURA 20 – DIFERENTES TIPOS DE CONIDÍOFOROS FONTE: A autora Os fungos produzem diferentes estruturas de reprodução assexuada, saber todas essas diferenças nos auxilia a diferenciar os gêneros. Essa é uma análise extremamente importante do ponto de vista biomédico, pois são essas estruturas reprodutoras que nos auxiliam no laboratório clínico a identificar corretamente às espécies de fungos patogênicos e diferenciar daqueles que não são. Reprodução e o tipo de esporos formados são ferramentas importantes na diferenciação dos fungos dentre os filos. A observação das estruturas reprodutivas é realizada em microscópio, sendo apenas os esporos assexuados identificados dessa forma. IMPORTANTE
Além das classificações de conídios que vimos até agora, caro acadêmico, eles ainda podem ser classificados de acordo com a forma como são produzidos: artroconídios, clamidoconídios ou blastoconídios. Os artroconídios são esporos que se formam pelo simples desmembramento das hifas septadas (Figura 21a). Os clamidoconídios caracterizam-se por serem arredondados e com parede celular espessa, o que confere resistência ao calor e à dessecação (Figura 21b). Os blastoconídios, por sua vez, são esporos formados por brotamento, que também pode ser conhecido como gemulação, sendo normalmente encontrada nas leveduras (Figura 21c). O micélio gemulante ou pseudomicélio das leveduras é produzido através da reprodução assexuada baseada em blastoconídios. FIGURA 21 – DIFERENTES TIPOS DE CONÍDEOS FONTE: A autora No brotamento, a célula parenteral forma um broto (protuberância em sua superfície externa), que se alonga, e o núcleo da célula parenteral divide-se, ficando um núcleo na célula parenteral e outro no broto. A parede celular se reorganiza para que o broto possa desprender-se. Pela observação dos elementos fúngicos em microscopia eletrônica, é possível identificar a cicatriz de brotamento na parede da célula parental (Figura 22). Quando o broto não se separa, há a formação de uma pseudo-hifa, e o conjunto de pseudo-hifas forma um pseudomicélio. Essa característica pode ser uma forma que os fungos utilizam para invadir os tecidos, como é o caso do fungo Candida albicans, que faz parte da microbiota humana, em seu processo infeccioso.
TÓPICO 2 — BIOLOGIA DOS FUNGOS
9 REPRODUÇÃO SEXUADA
Acabamos de ver alguns tipos de esporos que se formam por via assexuada, ainda existem outros tipos, entretanto, mencionamos apenas aqueles que aparecem com mais frequências nas infecções micológica. Apesar de em um contexto de infecção a reprodução sexuada ser mais importante no diagnóstico, devemos citar alguns esporos que se formam por via sexuada. A reprodução sexuada também é denominada telemórfica ou perfeita.
Os esporos sexuados são estruturas haploides, quando dois esporos gerando uma célula diploide que, a partir da fusão, gerará uma recombinação de genes e um novo ser. Essas estruturas são importantes pois caracterizam as diversas classes da divisão dos Eumicetos. Assim, a classe dos zigomicetos produzem os esporos sexuados chamados de zigosporo. Os zigomicetos são fungos filamentosos, exemplo é o Rhizopus stolonifer, o conhecido mofo preto do pão. Os esporos assexuais do Rhizopus sp. são esporangiósporos e realizam a parte da reprodução assexuada do fungo, como vimos anteriormente. No caso da reprodução sexuada, os zigosporos são um esporo grande no interior de uma parede espessa. A fase sexuada inicia-se quando hifas de duas cepas diferentes entram em contato uma com a outra e então os gametas se formam nas extremidades das hifas. Da união das hifas ocorre o processo chamado de plasmogamia, onde zigoto então forma-se o esporângio que liberará uma nova recombinação de esporangiósporos ao ambiente (Figura 23). FIGURA 23 – CICLO DE VIDA DE UM ZIGOMICETO: REPRODUÇÃO SEXUADA E ASSEXUADA FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 335)
TÓPICO 2 — BIOLOGIA DOS FUNGOS
Os ascomicetos incluem fungos com hifas septadas e algumas leveduras. Seus esporos assexuais normalmente são conídios produzidos em longas cadeias a partir do conidióforo, conforme estudamos anteriormente. O processo da reprodução sexuada inicia-se basicamente como nos zigomicetos. A hifas do micélio vegetativo se formam, e nas suas extremidades os gametas haploides são gerados. Os gametas quando se encontram no processo de plasmogamia, se fundem através da cariogamia. Do processo da fusão dos gametas são formados os ascósporos. Um ascósporo se origina da fusão do núcleo de duas células que podem ser morfologicamente similares ou diferentes. Esses esporos recombinados sofrem consequentes mitoses e, por fim, são liberados dos sacos que também são chamados de ascos. Ao serem liberados, quando caem em locais propícios eles se desenvolvem através do brotamento das hifas, e a partir de então o ciclo recomeça (Figura 24). FIGURA 24 – CICLO DE VIDA DE UM ASCOMICETO: REPRODUÇÃO SEXUADA E ASSEXUADA FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 336)
1 As hifas em conjunto formam micélios, que dão corpo e forma ao fungo.
2 A avaliação das hifas no setor de microbiologia do laboratório de análises
clínicas é fundamental para a classificação e direcionamento dos testes seguintes para a elaboração do laudo, sendo esse conhecimento crucial ao biomédico. Leia as duas afirmativas a seguir: I- Hifas verdadeiras são as que crescem a partir da germinação de um esporo e se mantem sem interrupções, formando uma estrutura afilada e alongada. PORQUE II- As pseudo-hifas são aquelas estruturas que crescem por gemulações ou brotamentos sucessivos e permanecem conectadas umas às outras apesar de serem células separadas. Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As duas afirmativas estão corretas, mas a segunda não complementa a primeira. b) ( ) As duas afirmativas estão erradas e ambas se complementam. c) ( ) A afirmativa I está errada, mas a afirmativa II está correta. d) ( ) A afirmativa I está correta, mas a afirmativa II está errada. A segunda afirmativa não complementa a primeira. e) ( ) As duas afirmativas estão corretas e a segunda complementa a primeira.
3 Alguns fungos possuem a capacidade de produzir gametas com paredes
resistentes e capazes de dar origem a outro indivíduo. Essa estrutura, produzida pelos fungos filamentosos, geralmente é levada pelo vento e garante uma maior distribuição do fungo. De acordo com a sua formação, armazenamento e liberação, essas células podem receber nomes diferentes, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Fiálide e columela. b) ( ) Artroconídios e blastoconídios. c) ( ) Esporos e esporângios. d) ( ) Conidióforo e conídios. e) ( ) Conídios e esporângios.
4 Dependendo da localização das hifas, elas desempenham papéis diferentes
estão aderidas ao meio de cultura e as hifas que produzem as estruturas de reprodução? a) ( ) Septada e cenocítica. b) ( ) Hialina e demáceas. c) ( ) Aéreas e vegetativa. d) ( ) Vegetativas e aéreas. e) ( ) Filamentoso e levedura.
TÓPICO 3 —
TÉCNICAS LABORATORIAIS EM MICOLOGIA
1 INTRODUÇÃO
2 COLETA DE MATERIAL
TÓPICO 3 — TÉCNICAS LABORATORIAIS EM MICOLOGIA
De acordo com a Anvisa (2004), a coleta das amostras deve seguir alguns direcionamentos para que a análise seja mais assertiva: • Coletar a amostra após assepsia e colocá-la em recipiente estéril e vedado (>2 ml ou 0,5 cm³). • Os swabs utilizados em coletas de amostras de ouvido, nasofaringe e orofaringe, secreção vaginal ou lesões abertas devem ser em tubo de transporte específico contendo salina para manter a viabilidade da amostra. • O ideal é que as amostras sejam coletas antes do início de uma terapia antifúngica, principalmente para lesões cutâneas de pele e unhas. • A amostra deve ser identificada com nome do paciente, número de registro hospitalar (em caso de internação), tipo de amostra e data da coleta. • Em pacientes imunodeprimidos a análise deve ser realizada em 2 ou 3 amostras coletadas em dias consecutivos. • Os materiais sabidamente contaminados, como urina, fezes, pus, secreções de lesões ou trato respiratório, devem ser enviados em recipiente contendo gelo, em até 2h. • Liquor e líquidos cavitários devem ser enviados imediatamente após a coleta e mantidos em temperatura ambiente. • Sangue e punção de medula óssea são exceções pois devem semeados diretamente após a coleta, em frascos de meio de cultura líquido ou bifásico (líquido sobre sólido), para evitar coagulação.
Veremos, a seguir, os procedimentos de coleta adequados para cada tipo de amostra.
3 PROCEDIMENTOS DE COLETA
As orientações em relação ao processamento das amostras, conforme a ANVISA, variam de acordo com o tipo de amostras. Para isso, é necessário que se tenha volume de amostra suficiente e que a coleta e o transporte tenham sido realizados em condições ideais. A fase pré-analítica, nesse caso, é fundamental para que a visualização do agente infectante seja realizada. Seguindo as recomendações da ANVISA, cada amostra deverá ser coletada de uma forma específica (BRASIL, 2004).
3.1 LESÕES CUTÂNEAS
Deve-se realizar assepsia com álcool 70% nas bordas da lesão onde a amostra será coletada, deixar o álcool secar. Em seguida, realiza-se um raspado das bordas ativas da lesão, com auxílio de uma lâmina ou um bisturi estéril, na direção da pele sadia (Figura 25). Conservar o material coletado em recipientes estéreis como entre duas lâminas ou placa de Petri (BRASIL, 2004).
3.2 LESÕES EM PELOS E CABELOS
Em lesões do couro cabeludo, barba ou outros locais onde haja grande concentração de pelos, deve-se arrancar os fios com pinça e raspar as escamas com lâmina ou bisturi estéril (Figura 26). Deve-se verificar se existem nódulos endurecidos aderido aos fios, nesse caso, deve-se cortar os fios que apresentem tais lesões. Deve-se conservar a amostra em recipiente estéril até o seu processamento (BRASIL, 2004).
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3.3 LESÕES DE UNHAS
Antes de realizar a coleta, o paciente deverá ser orientado que ele precisará cortar a unha e deve estar sem esmalte no momento da coleta. No momento da coleta a primeira etapa consiste em remover todo o excesso de material da parte espessa da unha. Raspar a pele no limite entre a unha lesada e a sadia (Figura 27), após deve-se colocar este material entre lâminas e vedá-las com fita adesiva (BRASIL, 2004). FIGURA 27 – COLETA DE MATERIAL UNGUEAL: ÁREA DE TRANSIÇÃO ENTRE A REGIÃO INFECTADA E SADIA FONTE: Zaitz (2010, p. 8)
Dados na literatura descrevem que material obtido de raspagem da pele, de unhas e os pelos podem manter-se viáveis até 12 meses, quando mantidos à temperatura ambiente e com queratina suficiente para sua sobrevivência. IMPORTANTE
3.4 URINA
A amostra de urina mais indicada para o diagnóstico de micoses no trato urinário é obtida através de sondas ou citoscopia. No entanto, quando essa prática não for possível de ser realizada, e visando evitar ao máximo a contaminação com microrganismos presentes nas áreas adjacentes, deve-se realizar a limpeza prévia da região perineal com água e sabão, desprezar o primeiro jato de urina da manhã, e colher o jato intermediário (3 a 5 ml) de urina em recipiente estéril (BRASIL, 2004).
3.5 REGIÃO GENITAL
A coleta da região genital irá ocorrer da mesma forma que ocorre a coleta do preventivo. Em secreção vaginal ou endocervical, deve-se introduzir o espéculo para visualizar o fundo de saco vaginal e o endocérvice. A coleta da secreção vaginal ou endocervical poderá ser realizada com swab estéril. Após a coleta, deve-se colocar o swab em slaina e essa amostra deverá ser processada o mais rápido possível (BRASIL, 2004).
3.6 SANGUE E ASPIRADO DE MEDULA ÓSSEA
Antes de iniciar a coleta deve-se realizar a assepsia do local da punção e, após, coletar cerca de 5 a 6 ml de sangue venoso, o qual deverá ser acondicionado imediatamente em frasco contendo meio de cultura (hemocultura). Uma gota de material deve ser distendida em uma lâmina de microscopia, para coloração de Giemsa (BRASIL, 2004).
3.7 ABSCESSO E ESCARRO
A amostra deve ser colhida, de preferência, por aspiração com seringa e agulha estéril (Figura 28). Em caso de lesão exposta (aberta), limpar o local com gaze esterilizada e a seguir, colher o material com swab. É importante, após a coleta manter o swab umedecido em salina estéril e enviar ao laboratório, quando a coleta for realizada fora do ambiente laboratorial (BRASIL, 2004).
TÓPICO 3 — TÉCNICAS LABORATORIAIS EM MICOLOGIA
3.8 LÍQUIDOS (LÍQUOR, PLEURAL, PERITONEAL) E BIÓPSIAS
A coleta de líquidos deve ser realizada após assepsia rigorosa do local da punção e após procede-se com a coleta de cerca de 5 a 10 mL do líquido em tubo de ensaio estéril. Para a realização de análise de tecidos através de biópsia, colher após assepsia e utilizando instrumentos estéreis, o material desejado e aloca-lo em recipiente estéril, com salina. Não se deve adicionar nenhum líquido fixador ou conservante (BRASIL, 2004).
4 EXAME DIRETO
A identificação das espécies fúngicas requer uma série de etapas para o diagnóstico clínico. A primeira etapa consiste na realização de um dos testes mais baratos e fáceis de serem realizados no laboratório clínico: o exame direto. Também conhecido como micológico direto ou exame à fresco, é a técnica mais amplamente utilizada e ela revelará se existem estruturas que indiquem a presença de fungos no material coletado (ZAITZ, 2010). O micológico direto é um importante exame de rastreamento e sugere-se que ele seja realizado mesmo que não exista indicação médica, pois ele auxiliará no diagnóstico.
Várias amostras clínicas podem ser analisadas por meio deste exame, como escamas de pele, pelos, unhas, secreção, pus, crostas, biopsia, líquor, urina e escarro. É extremamente útil no diagnóstico das micoses superficiais, cutâneas e subcutâneas. A identificação ocorre a partir de uma avaliação microscópica, utilizando lâmina e lamínula. As amostras que são consideradas espessas, como: pele, unha, pelos, secreções, crostas e biópsias deverão ser posicionadas entre lâmina e lamínula com uma gota de um agente clarificante. A utilização deste clarificante serve basicamente para deixar a amostras mais transparente para que então possamos visualizar as estruturas fúngicas. Para essas amostras espessas é utilizada a solução de hidróxido de potássio (KOH) a 20%.
Já no caso das amostras que não são espessas como urina, sangue, líquor e escarro, o exame direto poderá ser realizado apenas entre lâmina e lamínula, sem a necessidade do KOH 20%. Apenas em casos de a amostra de escarro ser muito espessa, o KOH poderá ser utilizado. Para uma visualização melhor das estruturas fúngicas, a lâmina pode ser levemente aquecida sob um bico de Bunsen ou pode-se aguardar entre cinco a dez minutos antes da análise em microscópio. O microscópio é ajustado para observação nas objetivas de 10x ou de 40x. Algumas estruturas fúngicas podem ser observadas neste teste como as leveduras, hifas, artroconídios e entre outras. Mais comumente são observadas hifas hialinas (Figura 29a), bem como estruturas especializadas podem ser observadas (Figura 29b). FIGURA 29 – EXAME MICOLÓGICO DIRETO: (A) HIFAS HIALINAS E (B) CORPOS FUMAGÓIDES FONTE: Zaitz (2010, p. 9)
TÓPICO 3 — TÉCNICAS LABORATORIAIS EM MICOLOGIA
Além da análise a fresco com o KOH, também é possível realizar a coloração das amostras, podem ser usadas as colorações com nanquim (Figura 30), Gram (Figura 31), Leishman, entre outras. O profissional biomédico deverá identificar todas as culturas positivas relevantes e emitir o resultado mais acurado possível. Muitas vezes, o exame microscópico direto da cultura é suficiente para direcionar as medidas de controle da infecção, outras vezes somente a identificação do fungo pode orientar adequadamente a conduta clínica (BRASIL, 2013; ZAITZ, 2010). FIGURA 30 – MICOLÓCIGO DIRETO SOBRE FUNDO NEGRO FORMADO PELA TINTA NAQUIM – CRYPTOCOCCUS SP. FONTE: Brasil (2013, p. 17) FIGURA 31 – AMOSTRA DE SECREÇÃO VAGINAL CORADA COM A COLORAÇÃO DE GRAM E VISUALIZADAS EM OBJETIVA DE 100X FONTE: https://bit.ly/3fP2PyK. Acesso em: 22 jul. 2020.
5 CULTURA
Caro acadêmico, após a realização do exame micológico direto, a técnica do cultivo em ágar poderá ser usada para isolamento do agente etiológico. No entanto, a cultura apenas deverá ser realizada caso haja indicação médica, caso contrário, você realizará um exame e gastará reagentes que não foram solicitados na requisição. Para realizar a cultura, a amostra deverá ser semeada em movimentos de meios sólidos de cultura. Em alguns casos pode ser utilizada a técnica de diluições seriadas da amostra e seguido do plaqueamento. Para isolamento de fungos a partir de qualquer tipo de amostra devem ser utilizados meios não seletivos, ou seja, que permitam crescimento rápido (< de 7dias) de fungos patogênicos, tanto as leveduras quando os filamentosos (Quadro 3). O ágar mais utilizado no laboratório de micologia é o ágar Sabouraud dextrose (ASD), ele é relativamente mais barato que os demais e permitir o crescimento de todos os fungos de interesse médico (BRASIL, 2013). Entretanto, outros meios de cultura podem ser utilizados para o crescimento de fungos, como o ágar batata PDA (do inglês, Potato Dextrose Agar) e o ágar infusão de coração cérebro BHI (do inglês, Brain-Heart Infusion). QUADRO 3 – PROCEDIMENTOS LABORATORIAIS DE ACORDO COM CADA TIPO DE AMOSTRA AMOSTRA EXAME MICROSCÓPICO MEIO DE CULTURA Pele, pelos e unhas KOH 20% ASD e BHI Pus e secreções KOH 20% e GRAM ASD e BHI Urina a fresco e GRAM ASD Swab (mucosas) GRAM ASD e BHI Escarro a fresco, Nanquim e GRAM ASD e BHI Sangue e Medula óssea GIEMSA BHI ou ASD bifásico Liquor GIEMSA e tinta Nanquim ASD FONTE: Adaptado de Brasil (2013, p. 22)
TÓPICO 3 — TÉCNICAS LABORATORIAIS EM MICOLOGIA
6 IDENTIFICAÇÃO DOS FUNGOS
TÓPICO 3 — TÉCNICAS LABORATORIAIS EM MICOLOGIA
7 MICROCULTIVO
Caso a análise da macroscopia e microscopia da colônia não sejam suficientes para a determinação da espécie ou do gênero do fungo, uma das alternativas que pode ser empregada é o microcultivo. Também conhecida como cultivo em lâmina, essa técnica é utilizada para estudo dos aspectos microscópicos característicos com as hifas vegetativas, as hifas aéreas e os esporos de reprodução assexuada. A técnica consiste em uma placa de petri úmida, contendo algodão com água estéril, além de uma lâmina de microscópio colocada sobre uma base que a deixe sem contato direto com o fundo
TÓPICO 3 — TÉCNICAS LABORATORIAIS EM MICOLOGIA
da placa. Um pequeno quadrado (1 cm²) de ágar batata é posicionado sobre a lâmina, onde o fungo a ser identificado será semeado (Figura 34). Uma lamínula estéril é colocada sobre o bloco de ágar após a semeadura do fungo. A placa de microcultivo é então incubada, a 25 °C para fungos filamentosos e a 36 °C para leveduras. Após ser observada o crescimento satisfatório do fungo, a lamínula é retirada com cuidado do ágar e posiciona em uma nova lâmina, contendo uma gota de lactofenol azul de algodão e submetida à pesquisa de conídios do fungo através da microscopia óptica (ZAITZ, 2010; BRASIL, 2013). FIGURA 34 – CULTIVO EM LÂMINA PARA PROVA DE FORMAÇÃO DE CONÍDIOS FONTE: Brasil (2013, p. 30) No microcultivo, avalia-se a capacidade de produção de hifas/pseudohifas. Desse modo, a presença de hifas hialinas, ramificadas e sem fragmentação, é sugestiva do gênero Candida sp. e se, além disso, desenvolver clamidósporos (células de reserva), em adição ao tubo germinativo positivo, é identificada como Candida albicans. A presença de hifas hialinas ramificadas que podem se fragmentar em esporos, denominados artroconídios, indica espécies dos gêneros Geotrichumsp. e Trichosporon sp. Assim, gêneros tais como Cryptococcus sp., Rhodotorula sp., Geotrichum sp. e Trichosporon sp. também podem, na maioria das vezes, serem identificados apenas por sua morfologia característica. O restante dos gêneros e a classificação em espécies, porém, necessita de provas bioquímicas e biológicas para sua identificação. Assim, para fungos filamentosos e leveduras os testes são diferentes, veremos alguns deles a seguir.
8 TESTES ADICIONAIS
Algumas provas biológicas podem ser empregadas a fim de identificar o perfil nutricional, avaliação sorológica, estrutura antigênica e biologia molecular podem ser utilizadas como recursos para o resultado diagnóstico. Um desses tes tes é a prova do tubo germinativo, utilizado para identificação de Candida albicans. Prova do tubo germinativo é realizada a partir de uma alçada da colônia isolada que será inoculada em um tubo de ensaio contendo 0,5 mL de soro humano. Essa suspensão deve ser incubada a 37 °C durante período máximo de três horas. Esse prazo é importante e não deve ser ultrapassado pois, após esse período,
TÓPICO 3 — TÉCNICAS LABORATORIAIS EM MICOLOGIA
LEITURA COMPLEMENTAR ISOLAMENTO E SELEÇÃO DE FUNGOS PRODUTORES DE LIPASES COM BASE NA ATIVIDADE LIPÁSICA E NO POTENCIAL HIDROLÍTICO SOBRE ÓLEO COMESTÍVEL DE SOJA E ESCUMA DE CAIXA DE GORDURA Celson Rodrigues Sérvio Túlio Cassini Paulo Wagner Antunes Regina Pinho Keller Ricardo Franci Gonçalves Em muitos municípios as águas fluviais são contaminadas com grandes quantidades de lipídeos (gorduras, óleos e graxas). Tais lipídios são oriundas de algumas indústrias, como em refinarias de óleos comestíveis, frigoríficos, curtumes e indústrias de laticínios, resultando em prejuízos ao sistema de tratamento de água e acarretando na elevação dos custos. Existem diversas técnicas que podem ser aplicadas para melhorar a eficiência do tratamento de águas residuais oleosas, como a implementação de caixas de gordura, flotadores, adição de álcalis ou utilização de enzimas como as lipases. As lipases podem aumentar significativamente a eficiência do processo de tratamento dos resíduos reduzindo os impactos ambientais gerados sobre os recursos hídricos. Elas atuam na interface orgânica-aquosa catalisando as reações de hidrólise de triglicerídeos, podem ser aplicadas no pré-tratamento hidrolítico de efluentes oleosos e na etanólise enzimática de óleos e graxas residuais para a produção de biodiesel. Entretanto, as lipases industriais comercializadas possuem preço elevado, o principal fator limitante para expansão de sua utilização. Os fungos, dentre os microrganismos, são fontes preferenciais de lipases para uso comercial, pois geralmente as enzimas produzidas pelos fungos são secretadas para o meio extracelular, facilitando assim a sua obtenção. Por serem de fácil manipulação e de crescimento rápido, utilizar fungos poderá reduzir os custos no processo de lipólise. O uso de biomassa fúngica como biocatalisadora lipásica representa uma atraente abordagem para o tratamento de águas residuais oleosas e produção de biodiesel, a partir de óleos e graxas residuais, devido a sua maior estabilidade, possibilidade de reuso e baixo custo.
TÓPICO 3 — TÉCNICAS LABORATORIAIS EM MICOLOGIA
RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. • Um diagnóstico micológico fidedigno depende muito das informações passadas aos pacientes, da coleta realizada da forma a obter a maior quantidade e amostra possível e que as técnicas de leitura e cultura devem respeitar as condições de crescimentos dos fungos pesquisados. • Existem critérios bem estabelecidos quanto à qualidade das amostras para análise micológica, bem como os critérios de exclusão deverão ser empregados para pedir recoleta do material biológico e determinar essa rejeição é uma atribuição do profissional biomédico. • Para cada sítio anatômico existe um protocolo de coleta que deverá rigorosamente ser seguido para evitar contaminações e coletas de material inadequado. • Existem técnicas simples e fácies de serem executadas, como o micológico direto e existem técnicas mais laboriosas como o microcultivo, o profissional biomédico deverá seguir as técnicas de acordo com a solicitação médica, fazendo sempre o possível para realizar o diagnóstico preciso.
• A identificação dos fungos é baseada nas suas características de colônias que são denominadas macromorfologias, e características microscópicas denominadas micromorfologias.
1 Para um diagnóstico micológico correto, alguns critérios de rejeição das
amostras devem ser adotados a fim de evitar erros analíticos. As afirmações a seguir representam situações em que as amostras devem ser rejeitas, EXCETO: a) ( ) Não apresente a identificação correta do paciente como: nome, idade e sexo. b) ( ) Não estiver acompanhada da requisição médica. c) ( ) Paciente não estar em jejum de 8 horas. d) ( ) A amostra ter sido coletada em frasco não estéril ou não adequado. e) ( ) Se o paciente tiver feito uso de antifúngico antes da coleta.
2 O diagnóstico micológico é realizado através da análise das estruturas
fúngicas provenientes da lesão, existem diversas técnicas que podem ser aplicadas com o intuito de chegar na correta espécie do fungo patogênico. Sobre a técnica mais sensível para a identificação de micromorfologia dos fungos, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Cultura em Ágar Fubá. b) ( ) Micológico direto com KOH. c) ( ) Coloração de gram da amostra. d) ( ) Microcultivo. e) ( ) Microscopia da colônia.
3 Quando estamos diante de uma levedura, a microscopia da colônia pode não
ser a ferramenta ideal para diferenciar os fungos. Existem testes adicionais que podem ser realizados com o objetivo de chegar na espécie do fungo, como acontece com as bactérias. Podem ser realizados testes de assimilação de carboidratos, perfuração de pelo ou formação de tubo germinativo. Esse último é um importante teste realizado para diferenciação de espécies do gênero Candida. Com relação a única espécie que produz tubo germinativo ao ser incubada com soro humano durante 3 horas a 37 ºC, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Candida albicans. b) ( ) Candida tropicalis. c) ( ) Candida glabrata. d) ( ) Candida dublinensis. e) ( ) Candida krusei.
REFERÊNCIAS BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Detecção e identificação dos fungos de importância médica. 2004. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/ servicosaude/microbiologia/mod_7_2004.pdf. Acesso em: 19 set. 2020. BROOKS G. F. et al. Microbiologia Médica de Jawetz, Melnick e Adelberg. 26. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. CHROMAGAR. CHROMagar: Instructions for use. 2019. Disponível em: https:// www.chromagar.com/fichiers/1578481405NT_EXT_001_V9.0.pdf. Acesso em: 19 set. 2019. FRANÇA, F. S.; LEITE, S. B. Micologia e virologia. Porto Alegre: SAGAH, 2018. HIBBETT, D. S. et al. A Higher-level Phylogenetic Classification of the Fungi. Mycological Research. v. 111: 509-547, 2007. LEVINSON, W. Microbiologia médica e imunologia. Porto Alegre: AMGH, 2011. LORON, C. C. et al. Early fungi from the Proterozoic era in Arctic Canada. Nature. v. 570, 232-35, 2019. MADIGAN, M. T. et al. Microbiologia de Brock. 14. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016. MEZZARI, A.; FUENTEFRIA, A. M. Micologia no laboratório clínico. Barueri: Manole, 2012. MURRAY, P. R.; ROSENTHAL, K. S.; PFALLER, M. A. Microbiologia médica. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. OLIVEIRA, J. C. de. Tópicos em micologia médica. 2014. Disponível em: https:// controllab.com/pdf/topicos_micologia_4ed.pdf. Acesso em: 10 nov. 2020. P&Q ENGENHARIA JR. Produção de cerveja: etapas, características e a química da cerveja. 2020. Disponível em: https://bit.ly/35Ca5uJ. Acesso em: 17 set. 2020. TORTORA, J. G.; FUNKE, R. B.; CASE, L. C. Microbiologia. 12. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. WIGHTMAN et al. In Candida albicans, the Nim1 kinases Gin4 and Hsl1 negatively regulate pseudohypha formation and Gin4 also controls septin organization. JBC, v. 164, n. 4, 2004. ZAITZ, C. et al. Compêndio de micologia médica. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010.
TÓPICO 1 – MICOSES SUPERFICIAIS
TÓPICO 2 – MICOSES CUTÂNEAS
TÓPICO 3 – MICOSES SUBCUTÂNEAS
TÓPICO 4 – MICOSES SISTÊMICAS
TÓPICO 5 – MICOSES OPORTUNISTAS
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
1 INTRODUÇÃO
TÓPICO 1 —
MICOSES SUPERFICIAIS
2 MICOSES SUPERFICIAIS
• Tinea Nigra. • Pitiriasis versicolor. • Piedra branca. • Piedra preta.
2.1 TINEA NIGRA
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2.2 PITRIASIS VERSICOLOR
A pitiriasis versicolor, também conhecida como tinha versicolor, é infecção fúngica superficial de pele, caracterizada por lesões hipocrômicas ou hipercrômicas causadas por Malassezia sp. que são leveduras lipofílicas (TRABULSI; ALTERTHUM, 2015).
TÓPICO 1 — MICOSES SUPERFICIAIS
TÓPICO 1 — MICOSES SUPERFICIAIS
Para realizar o diagnóstico, deve-se fazer a coleta por descamação das bordas da lesão, a lâmpada de Wood pode ser utilizada para auxiliar esse processo. No caso desta micose, o micológico direito é a forma mais fácil e precisa de concluir um diagnóstico. Para tal, o material coletado é colocado entre lâmina e lamínula e clarificada com KOH 20% (ZAITZ, 2010).
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2.3 PIEDRA BRANCA
TÓPICO 1 — MICOSES SUPERFICIAIS
2.4 PIEDRA NEGRA
TÓPICO 1 — MICOSES SUPERFICIAIS
A microscopia da colônia revela hifas septadas, acastanhadas, grossas, irregulares e numerosos clamidoconídios intercalares (Figura 18). Eventualmente, podem ser observados ascos se a lâmina for confeccionada com material do centro da colônia. FIGURA 18 – MICROSCOPIA DA COLÔNIA DE Piedraia hortae FONTE: https://phil.cdc.gov//phil_images/20030129/30/PHIL_3057_lores.jpg. Acesos em: 18 set. 2020.