# Unidade 2 - Virologia Geral: Estrutura Viral, Replicacao e Virus Respiratorios/Entericos
Modulo de Formacao Tecnica e Fundamentacao Cientifica - Acervo Integrativia.
Introducao Geral a Unidade
O estudo de Virologia Geral: Estrutura Viral, Replicacao e Virus Respiratorios/Entericos na disciplina de Micologia e Virologia Clinica estabelece as bases conceituais, metodologicas e praticas indispensaveis para a formacao e atuacao tecnica do profissional biomedico e de saude, integrando a fundamentacao cientifica aos protocolos laboratoriais, interpretacao analitica e conduta clinica integrada.
2 Paciente do sexo feminino, 37 anos, branca, produtora rural de cana-de-
fragmentos de hifas e células leveduriformes alongadas. A cultura em ágar Sabouraud mostrou na macromorfologia colônias escuras, úmidas e pálidas. Na micromorfologia, havia presença de grande quantidade de hifas demáceas septada, conforme figura a seguir. FONTE: https://mycology.adelaide.edu.au/images/hortaea.jpg. Acesso em: 5 out. 2020. Com base nesse processo, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Piedraia hortae. b) ( ) Hortae werneckii. c) ( ) Malassezia furfur. d) ( ) Trichosporon sp. e) ( ) Aspergillus niger.
3 A micose Piedra branca é caracterizada pela presença de nódulos
esbranquiçados no comprimento de fios de cabelo ou pelo. A espécie mais comumente isolados dessas lesões é o fungo Trichosporon beigelli. Uma das formas de realizar o diagnóstico dessa micose, é através do exame micológico direto. Caso a solicitação médica peça cultura das lesões, como você classificaria as colônias desse fungo? a) ( ) Aveludada, umbilicada, opaca e enegrecida. b) ( ) Mucoide, elevada, úmida e laranja. c) ( ) Pastosa, cerebriformes, úmida e esbranquiçada. d) ( ) Cerosa, umbilicada, aveludada e marrom. e) ( ) Cerosa, cerebriforme, opaca e esbranquiçada.
1 INTRODUÇÃO
TÓPICO 2 —
MICOSES CUTÂNEAS
2 MICOSES CUTÂNEAS
TÓPICO 2 — MICOSES CUTÂNEAS
2.1 EPIDERMOPHYTON sp.
Acadêmico, o primeiro gênero que abordaremos é o Epidermophyton sp., considerado um dermatófito antropofílico, ou seja, causam sintomas apenas no homem, de distribuição cosmopolita (presente em todas as partes do mundo). Dentro desse gênero, apenas uma espécie tem sido relatada como causadora de doenças em humanos: o Epidermophyton floccosum. Trata-se de um fungo pé de atleta, as lesões geralmente são pruriginosas e descamativas (Figura 19) (ZAITZ, 2010; FRANÇA 2018). FIGURA 19 – TINEA CORPORIS NA REGIÃO AXILAR CAUSADA POR Epidermophyton floccosum FONTE: https://bit.ly/3kBK8li. Acesso em: 18 set. 2020.
TÓPICO 2 — MICOSES CUTÂNEAS
2.2 MICROSPORUM SP.
TÓPICO 2 — MICOSES CUTÂNEAS
2.3 TRICHOPHYTON sp.
TÓPICO 2 — MICOSES CUTÂNEAS
• T. rubrum. • T. mentagrophytes. • T. tonsurans. • T. schoenleinii. • T. verrucosum. Ainda existem outras espécies de Trichophyton sp. que são patogênicas aos humanos, no entanto, elas geralmente são raras e estão associadas a uma população específica. A identificação das espécies fúngicas podem ser realizadas através das características de macroscopia e microscopia de colônia, entretanto, em alguns casos, são necessários testes complementares, como perfuração do pelo, prova da urease e perfil nutricional. A seguir, discutiremos detalhadamente as espécies mais importantes destes gêneros (ZAITZ, 2010; MURRAY; ROSENTHAL; PFALLER, 2009). Caro acadêmico, começamos a diferenciação pela espécie Trichophyton rubrum, a mais frequentemente isolada de amostras clínicas humanas. É uma espécie antropofágica, ou seja, com a maior adaptação ao hospedeiro humano. Podendo causar tineas em todas as partes do corpo, desde Tinea capitis até onicomoicose (FRANÇA, 2018).
TÓPICO 2 — MICOSES CUTÂNEAS
TÓPICO 2 — MICOSES CUTÂNEAS
TÓPICO 2 — MICOSES CUTÂNEAS
TÓPICO 2 — MICOSES CUTÂNEAS
2.4 CANDIDÍASE CUTÂNEA
Algumas manifestações clínicas de candidíase cutaneomucosa como a candidíase orofaríngea e vulvo-vaginite, na maioria das vezes, são autolimitadas quando ocorrem em indivíduos imunocompetentes. As manifestações oportunistas mais graves que não são autolimitadas estão intimamente relacionadas a fatores de risco inerentes ao hospedeiro. Alguns desses fatores são predisposições intrínsecas como: a velhice, a gravidez, a prematuridade, o desenvolvimento de neoplasias, a presença de hemopatias, a AIDS entre outros. Já os fatores são extrínsecos podem ocorrer devido à antibioticoterapia prolongada, rompimento da barreira natural da pele ou mucosas por procedimentos cirúrgicos, uso de sondas e cateteres, bem como a diminuição dos mecanismos imunológicos, possibilitando a disseminação da infecção (MEZZARI; FUENTEFRIA, 2012; TRABULSI; ALTERTHUM, 2015).
TÓPICO 2 — MICOSES CUTÂNEAS
• Onicomicose: acomete tanto as unhas das mãos quanto as unhas dos pés. A lesão começa na porção proximal da unha e pode se estender ao redor do leito ungueal, causando a infecção dos tecidos periungueais. Esse processo tende a se cronificar, ocasionando distrofia da lâmina e hipertrofia das dobras ungueais laterais e proximal. As unhas se tornam ressecadas, sem brilho, espessas, endurecidas com modificação da coloração para castanho-amarelada ou amarelo-esverdeada (ZAITZ, 2010). FIGURA 40 – ONICOMICOSE POR Candida sp. CAUSANDO DISTROFIA DE LÂMINA UNGEAL FONTE: https://image.shutterstock.com/image-photo/toenail-fungus-isolated600w-499562575.jpg. Acesso em: 18 set. 2020. • Candidíase de área da fralda: é comum em crianças, causada pela dermatite por irritação devido ao contato da pele com a urina e as fezes. Lesões caracterizadas por eritema, pústulas e lesões papulosas satélites (Figura 41). É uma condição incômoda e dolorosa para a criança (ZAITZ, 2010). FIGURA 41 – CANDIDÍASE DE REGIÃO DE FRALDA EM LACTENTES FONTE:https://pediatriavirtual.com/assadura/. Acesso em: 18 set. 2020.
TÓPICO 2 — MICOSES CUTÂNEAS
RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • Lesões cutâneas afetam as camadas mais internas da pele e tendem a causar lesões mais complicadas e, geralmente, são múltiplas lesões. • Algumas micoses cutâneas são causadas por fungos específicos, como as candidíases, ao passo que as dermatofitoses podem ser causadas por diversas espécies diferentes. • Lesões similares podem ser causadas por fungos com características diferentes. • Para realizar o diagnóstico micológico, você precisará avaliar a característica da lesão, o crescimento da colônia e a microscopia da colônia. • Diferenciamos os fungos do mesmo gênero através das estruturas de reprodução formação de hifas. • A diferenciar os fungos de acordo com as características de macroscopia das colônias. • A identificação correta do fungo dependerá de uma coleta precisa do material biológico.
na região do couro cabeludo. Afirmou não ter aplicado pomadas, tam pouco estar fazendo uso de qualquer medicamento. A coleta foi realizada através de raspado de pele, com abundante descamação celular. A amos tra clínica fora processada para realização de exame direto com agente clarificante (KOH a 10 %) e semeada em meios apropriados para cultivo de fungos (Saboraud com e sem cloranfenicol). O exame micológico direto foi negativo, mas na cultura houve crescimento de colônias arenosas pu vurulentas, esbranquiçada, levemente elevada com reverso amarelo-claro a laranja. Com base no exame de micromorfologia, representado na figura a seguir, assinale a alternativa CORRETA do provável agente infeccioso: FONTE: https://mycology.adelaide.edu.au/descriptions/dermatophytes/microsporum/. Acesso em: 18 set. 2020. a) ( ) Trichophyton mentagrophytes. b) ( ) Microsporum gypseum. c) ( ) Microsporum canis. d) ( ) Trichophyton rubrum. e) ( ) Epidermophyton fluocossum.
2 O.M.N., 33 anos, apresentou infecção de couro cabeludo, altamente
Microscopicamente não são observados microconídios nem macroconídios, porém, veem-se numerosas hifas septadas e em bifurcação, associadas a “hifas em candelabro”. Na figura a seguir, é demonstrado um desenho com a morfologia típica do fungo. Com relação a esses dados e ao fungo isolado, assinale a alternativa CORRETA: FONTE: <https://mycology.adelaide.edu.au/descriptions/dermatophytes/trichophyton/ >. Acesso em: 18 set. 2020. a) ( ) Tricophyton mentagrophytes. b) ( ) Tricophyton violaceum. c) ( ) Tricophyton schoenleini. d) ( ) Tricophyton verrucosum. e) ( ) Piedraia hortae.
região interna das coxas, eritematosas, não purulentas, porém altamente pruriginosas. A mãe relatou uso de diversas pomadas, todas com substâncias antibacterianas, mas sem evolução clínica. O clínico solicitou exame micológico direto com cultura para fungos. Após coleta do material, iniciou tratamento com agentes antifúngicos tópicos, com rápida melhora e desaparecimento dos sintomas. O exame micológico direto apresentou células leveduriformes, com a presença de pseudo-hifas. No cultivo para fungos, houve rápido crescimento (três dias) de colônias esbranquiçadas e mucoides, com teste de tubo germinativo positivo. Com base no fundo causador das lesões, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Candida albicans. b) ( ) Microsporum gypseum. c) ( ) Staphylococcus aureus. d) ( ) Trichosporon sp. e) ( ) Malassezia furfur.
1 INTRODUÇÃO
TÓPICO 3 —
MICOSES SUBCUTÂNEAS
2 MICOSES SUBCUTÂNEAS
As lesões características de micoses subcutâneas se manifestam a partir do ponto de inoculação direta do fungo nas camadas mais profundas da pele, as inoculações ocorrem geralmente em decorrência de algum acidente com traumatismo. Os fungos causadores dessas lesões habitam o solo e os vegetais em decomposição (saprófitos) e são mais frequentes em locais de climas tropicais e subtropicais (MURRAY; ROSENTHAL; PFALLER, 2009; MEZZARI; FUENTEFRIA, 2012). A inoculação traumática do fungo geralmente vem acompanhada de al guma matéria orgânica ou solo, instalando-se na camada subcutânea da pele. É importante ressaltar que esses fungos não têm a capacidade de penetrar na pele íntegra, ou seja, o simples contato com esses fungos não causam lesões, eles preci sam ser inoculados de forma traumática (MADIGAN et al., 2016; FRANÇA, 2018).
Ao contrário das micoses superficiais, elas podem permanecer isoladas ou podem se espalhar para outros tecidos através da via linfática ou hematológica. Quando chegam na corrente sanguínea, elas deixam de ser micoses cutâneas e passam a ser micoses sistêmica, essa classificação discutiremos a diante, neste tópico. O fator ocupacional é muito presente nesse tipo de micose, pois acomete, sobretudo, floristas, jardineiros, fazendeiros, horticultores, feirantes, sendo as pessoas mais expostas a entrarem em contato com os agentes fúngicos (MEZZARI; FUENTEFRIA, 2012; FRANÇA; LEITE, 2018). As micoses que você estudará neste tópica são: • Esporotricose. • Cromoblastomicose. • Lobomicose. • Micetomas eumicóticos.
2.1 ESPOROTRICOSE
TÓPICO 3 — MICOSES SUBCUTÂNEAS
2.2 CROMOBLASTOMICOSE
TÓPICO 3 — MICOSES SUBCUTÂNEAS
TÓPICO 3 — MICOSES SUBCUTÂNEAS
2.3 LOBOMICOSE
TÓPICO 3 — MICOSES SUBCUTÂNEAS
2.4 MICETOMAS EUMICÓTICOS
RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • Lesões subcutâneas afetam as camadas mais profundas e que as lesões ocorrem após inoculação traumática do fungo, através de solo ou vegetação contaminada direto nas camadas profundas da pele. • As lesões são profundas, tendem a ser múltiplas, mas todas iniciam no local da inoculação traumática, por isso mãos e pés são os membros mais afetados. • Ao contrário das lesões que vimos até agora, essas são mais graves e podem se espalhar por outros tecidos através da circulação linfática. • Tecidos adjacentes, como músculo e ossos também podem ser afetados por alguns fungos. • As micoses subcutâneas podem ser classificadas como: esporotricose, cromoblastomicose, lobomicose e micetoma eumicótico. • Algumas dessas micoses são causadas por fungos específicos, como a esporotricose causada pelo Sporotrhix schenckiii, ao passo que a cromoblastomicose pode ser causada por diversas espécies diferentes. • A esporotricose é a micose que causa uma lesão ulcerada e segue os vasos linfáticos, causando diversas lesões a partir da inoculação inicial. • A cromoblastomicose ou doença de Pedroso e Lane causa lesões eritematosas e edemaciadas, comprometendo todo o membro infectado. • A lobomicose ou doença de Jorge Lobo é uma lesão benigna de formação de queloides e está geralmente associada aos lobos da orelha. • Os micetoma podem ser causadas por uma gama de diferentes fungos e causam lesões mais profundas e graves. Geralmente, aparecem nos pés e comprometem tecido muscular e ósseo.
1 Trata-se de um fungo dimórficos proveniente do solo e da vegetação em
decomposição. Gera uma infecção crônica subcutânea e caracterizada por lesões nodulares e ulcerativas que se desenvolvem ao longo dos vasos linfáticos que drenam o sítio primário da inoculação. As culturas em forma filamentosa crescem rapidamente e têm uma superfície membranosa rugosa que gradualmente se torna acastanhada, marrom ou escura. Microscopicamente, a forma de fungo filamentoso consiste em hifas estreitas, septadas e hialinas que produzem conídios ovais ou em “pétalas de margarida” na extremidade dos conidióforos. A esporotricose linfangítica classicamente aparece após o trauma local em uma extremidade. O local inicial da infecção aparece como um nódulo pequeno, que pode se ulcerar. Com relação ao agente etiológico dessa doença, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Cladophialophora carrionii. b) ( ) Alternaria sp. c) ( ) Sporothrix schenckii. d) ( ) Mycrosporum canis. e) ( ) Tricophyton tonsurans.
2 As
micoses subcutâneas são infecções fúngicas que acometem primariamente a pele e tecidos subcutâneos e, geralmente, desenvolvem-se após penetração do organismo na pele em local de pequenos traumas. Com relação às micoses subcutâneas, julgue os itens subsequentes: I- O diagnóstico da lobomicose é estabelecido pela identificação do fungo em exame direto. a) ( ) Certo. b) ( ) Errado. II- O S. schenckii causa uma lesão linfo cutânea com lesões múltiplas que seguem os casos linfáticos. a) ( ) Certo. b) ( ) Errado. III- O diagnóstico de cromoblastomicose é realizado ao ser visualizado conídios em forma de margarina na microscopia da colônia. a) ( ) Certo. b) ( ) Errado.
IV- Micetomas são micoses subcutâneas que causam lesões profundas em tecido muscular e ósseo, levando à degeneração dos membros. a) ( ) Certo. b) ( ) Errado.
3 Micose causada por um fungo demáceo caracterizado por pápulas
1 INTRODUÇÃO
TÓPICO 4 —
MICOSES SISTÊMICAS
2 MICOSES SISTÊMICAS
2.1 PARACOCCIDIOIDOMICOSE
TÓPICO 4 — MICOSES SISTÊMICAS
2.2 COCCIDIOIDOMICOSE
TÓPICO 4 — MICOSES SISTÊMICAS
Na microscopia da colônia filamentosa, são observadas a formação de hifas hialinas com numerosos artroconídios em forma de barril, que podem estar intercalados por células desprovidas de material citoplasmático. Os artroconídios são facilmente destacáveis do micélio aéreo, facilitando a dispersão pelo ar (MEZZARI; FUENTEFRIA, 2012).
2.3 HISTOPLASMOSE
TÓPICO 4 — MICOSES SISTÊMICAS
2.4 BLASTOMICOSE
TÓPICO 4 — MICOSES SISTÊMICAS
RESUMO DO TÓPICO 4 Neste tópico, você aprendeu que: • As micoses sistêmicas são classificadas de acordo com os agentes fúngicos: Paracoccidioides brasiliensis, Coccidioides immitis, Histoplasma capsulatum, e Blastomyces dermatitidis. • Todos os fungos desse grupo são dimórficos que utilizam o dimorfismo como fator de virulência para causar doença. • De uma forma geral, os fungos infectam primeiramente os pulmões gerando uma sintomatologia comum entre todas as infecções fúngicas, bem como outras infecções virais ou bacterianas. • A infecção por paracoco ocorre através da inalação dos conídios presentes no ambiente, que no pulmão se transformam em leveduras para potencializara infecção. • A infecção sistêmica por Coccidioides ocorre após a inalação dos artroconideos do fungo, causando incialmente uma pneumonia aguda que, por vezes, manifesta-se no corpo todo. • A Histoplasmose causa um quadro inicial pulmonar agudo, que, após um período de incubação de duas a três semanas, pode causar infecções sistêmica dissemiada por vários órgãos e lesões ulceradas nas mucosas. • Causada pelo fungo Blastomyces dermatitidis, a blastomicose é uma infecção inicialmente pulmonar que dissemina e causa várias manifestações clínicas.
2 A histoplasmose é uma doença fúngica pulmonar e sistêmica predominante
1 INTRODUÇÃO
TÓPICO 5 —
MICOSES OPORTUNISTAS
2 MICOSES OPORTUNISTAS
Os fungos causadores de micoses oportunistas apenas causarão doença em humanos que estão com o sistema imune comprometido, seja por uma imunodeficiência ou imunossupressão. A frequência dessas micoses oportunistas invasivas tem aumentado nas últimas décadas devido ao aumento de indivíduos com algum comprometimento imune, esse aumento também está associado a elevados índices de mortalidade (MURRAY; ROSENTHAL; PFALLER, 2009; TRABULSI; ALTERTHUM, 2015; FRANÇA; LEITE, 2018). Os fatores que predispõem às micoses oportunistas podem ser classificados em: fatores intrínsecos, ou seja, fatores do próprio hospedeiro como: neoplasias, diabetes, hemopatias diversas, síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) e todas as doenças que afetam a imunidade como a velhice, gravidez, prematuridade. Já no caso dos fatores extrínsecos, são aqueles em que o hospedeiro é exposto, como: antibioticoterapia, corticoidoterapia, transfusões e transplantes, hospitalização em centros de UTI e ambientes hospitalares contaminados (MURRAY; ROSENTHAL; PFALLER, 2009; TRABULSI; ALTERTHUM, 2015).
As infecções causadas por esses organismos variam desde a fungemia relacionada a cateteres e peritonite até infecções mais localizadas envolvendo pulmão, pele e seios paranasais e para a disseminação hematogênica muito extensa. Da longa lista de fungos oportunistas, destacam-se Candida sp., Criptococcus neoformans, Aspergillus sp., Mucor sp., Rhizopus sp. e Fusarium sp. O diagnóstico preciso das micoses oportunistas resulta no tratamento adequado e sobrevida do indivíduo infectado (MEZZARI; FUENTEFRIA, 2012).
2.1 CANDIDÍASE
As espécies de Candida sp. constituem o grupo mais importante de patógenos fúngicos oportunistas, é a quarta causa mais comum de infecções sanguíneas nosocomiais, ou seja, aquelas adquiridas durante o período de internação no hospital (MURRAY; ROSENTHAL; PFALLER, 2009; MEZZARI; FUENTEFRIA, 2012).
Todos os seres humanos podem ser portadores de uma ou mais espécies de Candida sp. em seu trato gastrointestinal, dessa forma, a fonte predominante da infecção causada por Candida sp. é o próprio paciente. Ou seja, o fungo que é normalmente comensal, aproveita-se da imunodepressão para estabelecer uma infecção, representando uma infecção endógena. Para isso, primeiramente é necessário que ocorra enfraquecimento da barreira do hospedeiro, como no caso da candidemia, deve ocorrer a transferência do fungo da mucosa gastrointestinal para a corrente sanguínea (MURRAY; ROSENTHAL; PFALLER, 2009; MEZZARI; FUENTEFRIA, 2012). No caso de transmissão exógena, a Candida sp. também pode ser responsável pelas infecções oportunistas. Essa transmissão pode ocorrer através do uso de soluções contaminadas, nutrição parenteral, transdutores de pressão vascular, válvulas cardíacas e córneas. Além da transmissão por produtos, os profissionais de saúde também podem ser veículos de transmissão entre os pacientes, especialmente no ambiente das unidades de terapia intensiva (MURRAY; ROSENTHAL; PFALLER, 2009). Entre as várias espécies de Candida sp. capazes de causar infecções humanas, a C. albicans predomina na maioria das infecções. As manifestações clínicas da candidíase podem variar de micose superficial até a disseminação hematogênica extensa. A candidíase de mucosa, também conhecida como “sapinho”, pode se limitar à região da orofaringe ou, em casos mais graves, estender-se para o esôfago e todo o trato gastrointestinal. As formas mais graves de candidíase são observadas geralmente em pessoas com imunossupressão local ou generalizada. A candidíase muco cutânea crônica é um quadro raro marcado por uma deficiência na capacidade de resposta dos linfócitos T. Esses pacientes sofrem de lesões muco cutâneas graves, deletérias e irreversíveis (MEZZARI; FUENTEFRIA, 2012; FRANÇA; LEITE, 2018).
TÓPICO 5 — MICOSES OPORTUNISTAS
A colonização da bexiga por Candida sp. pode ocorrer sem que o paciente apresente nenhum sintoma, a menos que um paciente precise usar um cateter de longa permanência e tenha diabetes. A colonização benigna desse órgão é mais comum nesses quadros, mas podem ocorrer quadros sintomáticos de uretrite ou cistite. A colonização hematogênica do rim pode resultar em abscesso renal, necrose papilar ou em “bola fúngica”, causando falência renal (ZAITZ, 2010). candidemia. Quando um paciente hospitalizado desenvolve candidemia, as consequências são graves, tem sido mostrado risco duas vezes maior de morte no hospital do que a disseminação de qualquer outro microrganismo. No sangue, a infecção por Candida sp. acaba envolvendo órgãos vitais como fígado, baço, rins, coração e cérebro. Sendo que a taxa de mortalidade atribuível ao processo infeccioso chega a 50% dos indivíduos (MURRAY; ROSENTHAL; PFALLER, 2009; MEZZARI; FUENTEFRIA, 2012). O diagnóstico laboratorial de candidíase envolve a busca do material clínico apropriado, seguido do exame microscópico direto da cultura conforme já discutimos no Tópico 2 desta unidade.
2.2 CRIPTOCOCOSE
TÓPICO 5 — MICOSES OPORTUNISTAS
2.3 ASPERGILOSE
A aspergilose é uma micose oportunista que engloba um espectro amplo de doenças causadas por fungos do gênero Aspergillus sp. Com mais de 300 espécies conhecidas os Aspergillus sp. são fungos de distribuição universal, no meio ambiente pode provocar reações alérgicas em hospedeiros sensíveis ou, então, doença pulmonar invasiva nos indivíduos imunocomprometidos. Cerca de 20 espécies foram relatadas causando doenças nos humanos, que pode ocorrer pela produção de toxinas, denominadas aflatoxinas, capazes de induzir processo carcinogênico. As principais espécies associadas são A. fumigatus, a mais comum isolada entre 75 a 85% dos casos, seguido do A. flavus contando com 5 a 10%, enquanto A. niger e A. terreus ficam entre 1,5 e 3% dos casos cada (MURRAY; ROSENTHAL; PFALLER, 2009; TRABULSI; ALTERTHUM, 2015). Devido à ubiquidade do fungo e à grande dispersão de pequenos conídios no ar em indivíduos saudáveis, o sistema imunológico consegue coordenar uma resposta celular fagocitando os conídios sem causar doença no hospedeiro. No entanto, a deficiência nessa resposta celular inata contra o fungo, permite que o fungo se instale no pulmão promovendo o desenvolvimento do aspergiloma (Figura 61). O aspergiloma é uma estrutura de proteção do fungo, onde ele se reproduz e forma uma massa miceliana compactada, também conhecida como bola fúngica (ZAITZ, 2010; TRABULSI; ALTERTHUM, 2015).
TÓPICO 5 — MICOSES OPORTUNISTAS
2.4 ZIGOMICOSES
Zigomicoses é o nome dado às doenças oportunistas causadas por fungos da classe dos Zigomicetos. Acadêmico, para essa micose é importante você relembrar a hierarquia da classificação taxonômica dos fungos. Nesta classe, os principais fungos patógenos aos humanos são divididos em duas ordens: Mucorales e Entomophthorales. A ordem Entomophthorales contém dois gêneros patogênicos aos humanos: Conidiobolus sp. e Basidiobolus sp. A micose causada pelos fungos desses gêneros geralmente é caracterizada pelo desenvolvimento de uma infecção granulomatosa crônica de tecidos subcutâneos. Entretanto, na ordem Mucorales, os gêneros patogênicos incluem: Rhizopus sp., Mucor sp., Absidia sp., Rhizomucor sp. Fungos dessa ordem tendem a causar micoses sistêmicas invasivas mais graves, sendo que entre eles, o gênero Rhizopus sp. é a causa mais comum das Zigomicoses no mundo (MURRAY; ROSENTHAL; PFALLER, 2009; TRABULSI; ALTERTHUM, 2015).
TÓPICO 5 — MICOSES OPORTUNISTAS
2.5 FUSARIOSE
TÓPICO 5 — MICOSES OPORTUNISTAS
TÓPICO 5 — MICOSES OPORTUNISTAS
MATERIAIS E MÉTODOS ORGANISMOS TESTADOS Foram investigados: uma cepa de referência de C. neoformans sorotipo A (ATCC 6352), uma de C. gattii sorotipo B (ATCC 32269) e 16 isolados clínicos, C. neoformans (n = 9) e C. gattii (n = 7). Os isolados clínicos foram identificados com base na quimiotipagem por semeadura em meio Canavanina-Glicina-Azul de bromotimol (CGB), fenotipicamente produtores de cápsula, urease e fenoloxidase, como descrito anteriormente por Silveira-Gomes et al. Estes foram recuperados de pacientes diagnosticados no período de 2005 a 2009, com base na revelação da cápsula polissacarídica do microrganismo utilizando tinta da China em amostras de líquido cefalorraquidiano. A distribuição de acordo com o gênero foi de 50% (8/16) para cada sexo, e a idade variou entre 8 e 56 anos. As leveduras foram isoladas e mantidas em ágar Sabouraud dextrose 2% (Difco, Detroit, Michigan) a 30 °C na micoteca do Laboratório de Micologia da Seção de Bacteriologia e Micologia do Instituto Evandro Chagas. PESQUISA DE ENZIMAS HIDROLÍTICAS A produção de fosfolipase foi verificada utilizando-se o método de semeadura em placa contendo ágar gema de ovo (peptona 1%, dextrose 3%, NaCl 5,7%, CaCl 0,06%, gema de ovo 1%, ágar 1,5%), de acordo com Price et al. O ensaio foi realizado a partir da incubação das placas de Petri a 30 °C, sendo a leitura conduzida após sete dias. A formação de uma zona branca de precipitação ao redor das colônias indica a produção de fosfolipase. A produção de proteinase foi determinada mediante semeadura dos isolados em meio contendo soro albumina bovina fração V (Sigma), conforme Menezes et al. Testes positivos foram observados a partir da formação de halos claros ao redor das colônias. Os índices de atividade foram obtidos com base na razão entre o diâmetro da colônia e o diâmetro da colônia adicionado da zona de precipitação (Pz). As atividades fosfolipase e proteinase foram determinadas de acordo com Price et al.: Pz = 1 indica atividade negativa; atividade enzimática positiva quando 0,64 < Pz < 1,0 e atividade enzimática fortemente positiva quando Pz ≤ 0,63. Todos os testes foram realizados em quatro replicatas e a média dos Pz obtida foi descrita como o resultado do teste. ATIVIDADE HEMOLÍTICA A produção de fator hemolítico foi avaliada empregando o método descrito por Noumi et al. O ensaio foi realizado mediante a inoculação de 10 µ L de suspensão de leveduras (escala 2 MacFarland) em pontos equidistantes de placas de Petri contendo meio Sabouraud-Sangue (peptona 1%, dextrose 2%, ágar 1,5%, sangue de carneiro 7%). As placas foram incubadas a 37 °C em jarra anaeróbica por 48 h. A presença do halo de hemólise ao redor do inóculo indica atividade hemolítica.
TÓPICO 5 — MICOSES OPORTUNISTAS
TÓPICO 5 — MICOSES OPORTUNISTAS
1 O diagnóstico laboratorial de micose é realizado com a visualização do
fungo nas amostras clínicas através do exame micológico direto, entretanto, em casos de suspeita de criptococose, é utilizado um corante diferente que tem como função possibilitar a visualização de uma estrutura fúngica particular deste fungo. Com relação ao corante e sua estrutura fúngica, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Azul de algodão para visualização de endosporos. b) ( ) Azul de metileno para evidenciar os septos. c) ( ) Azul de bromo cresol para visualização dos conídios. d) ( ) Tinta nanquim para evidenciar o espessamento da membrana plasmática. e) ( ) Tinta da china para visualizar a presença de cápsula.
2 A bola fúngica, também conhecida como aspergiloma, é uma estrutura
formada por uma massa miceliana de fungo que cresce no interior dos pulmões de indivíduos imunocomprometidos infectados por um fungo. Com relação a esse fungo, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Candida albicans. b) ( ) Criptococcus neoformans. c) ( ) Aspergillus fumigatus. d) ( ) Histoplasma capsulatum. e) ( ) Sporothrix schenckii.
3 Sobre a criptococose em pacientes imunodeprimidos, assinale a alternativa
REFERÊNCIAS ADAMSKI Z. et al. The First Non-African Case of Trichophyton rubrum var. raubitschekii or a Urease-Positive Trichophyton rubrum in Central Europe? Mycopathologia, v. 178, n. 01, p. 91-6, 2014. BRITO, A. C.; QUARESMA, J. A. S. Lacaziose (doença de Jorge Lobo): revisão e atualização* Lacaziosis (Jorge Lobo’s disease): review and update. Anais Brasileiros de dermatologia, v. 82, n. 05, p. 461-74, 2007. BROOKS, G. F. et. al. Microbiologia Médica de Jawetz, Melnick & Adelberg. 26. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. CORREIA, R. T. M., et al. Cromoblastomicose: relato de 27 casos e revisão da literatura. Anais Brasileiros de dermatologia, v. 85, n. 04, p. 448-54, 2010. DAMASCENO, L. S. et al. Mixed infection by Histoplasma capsulatum isolates with different mating types in Brazilian AIDS-patients. Revista do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo, v. 61, p. 1-10, 2019. DINIZ, L. M. Estudo de nove casos de tinha negra observados na Grande Vitória (Espírito Santo, Brasil) durante período de cinco anos. Anais Brasileiros de dermatologia, v. 78, n. 01, p. 160-2, 2012. FERREIRA, F. R. et al. Piedra Branca por Trichosporon ovoides no Sudeste do Brasil: Relato e Breve Revisão da Literatura. SPDV, v. 77, n. 02, p. 157-60, 2019. FRANÇA, F. S.; LEITE, S. B. Micologia e virologia. Porto Alegre: SAGAH, 2018. GARCIA, A. C. C. et al. Coccidioidomycosis and the skin: a comprehensive review. Anais Brasileiros de dermatologia, v. 90, n. 05, p. 610-21, 2015. GÓES, A. M., et al. Paracoccidioidomicose (doença de Lutz-Splendore-Almeida): etiologia, epidemiologia e patogênese. Revista médica de Minas Gerais, v. 24, n. 1, p. 61-6, 2014. LIMA, E.; NAGY, A. L. L.; ATHANAZIO, R. A. Aspergiloma pulmonar intraca vitário: aspectos endoscópicos. J. Bras. De Pneumologia, v. 41, n. 3, p. 285, 2015. MELO-MONTEIRO, C., et al. Kerion Celsi por Microsporum gypseum. Anais Brasileiros de dermatologia, v. 78, n. 3, p. 319-21, 2003. MEZZARI, A.; FUENTEFRIA, A. M. Micologia no laboratório clínico. Barueri: Manole, 2012.
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TÓPICO 1 – CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS VÍRUS
TÓPICO 2 – PAPILOMAVÍRUS HUMANO E VÍRUS DA
IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA
TÓPICO 3 – HERPESVÍRUS
TÓPICO 4 – HEPATITES VIRAIS
TÓPICO 5 – INFLUENZA E CORONAVÍRUS
TÓPICO 6 – CAXUMBA, SARAMPO, RUBÉOLA
TÓPICO 7 – FEBRE AMARELA, DENGUE E CHIKUNGUNYA
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
1 INTRODUÇÃO
TÓPICO 1 —
CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS VÍRUS
2 CARACTERÍSTICAS GERAIS
Como definimos um vírus? Os vírus foram originalmente diferenciados de outros agentes infecciosos por serem filtráveis e por serem parasitos intrace lulares obrigatórios isto é, eles necessariamente precisam de células hospedeiras vivas para a sua multiplicação (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). Entretanto, essas duas propriedades são compartilhadas por determinadas bactérias. Como diferenciar bactérias típicas, bactérias intracelulares e vírus? Veja a seguir!
Outro termo que aparece na literatura relacionado aos estudos dos vírus é a palavra vírion. Mas o que é um vírion? É uma partícula viral infecciosa com pleta, totalmente desenvolvida, composta por um ácido nucleico e envolta por um revestimento proteico que a protege do meio ambiente (BROOKS et al., 2014). Dessa forma, quando o vírus não está em atividade, isto é, no meio ambiente, fora de uma célula, é designado como vírion. Definição de Vírion: entidade viral completa e infecciosa (SANTOS; ROMANOS; WIGG, 2015). TABELA 1 – COMPARAÇÃO ENTRE VÍRUS E BACTÉRIAS FONTE: Tortora, Funke e Case (2017, p. 359) As características que realmente diferenciam os vírus dos outros organismos estão relacionadas à sua organização estrutural simples e aos mecanismos de multiplicação (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). Principais características dos vírus: • Contêm um único tipo de ácido nucleico, DNA ou RNA, nunca ambos. • Contêm um revestimento proteico (às vezes recoberto por um envelope de lipídeos, proteínas e carboidratos) que envolve o ácido nucleico. • Multiplicam-se no interior de células vivas utilizando a maquinaria sintética da célula. • Induzem a síntese de estruturas especializadas que podem transferir o ácido nucleico viral para outras células. Em função dessas características, os vírus podem ser classificados como seres vivos? Para responder, deve-se ter em mente, antes de tudo, o que é vida.
TÓPICO 1 — CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS VÍRUS
Alguns vírus podem ter receptores em quase todos os tecidos. Ex.: vírus que causa a doença do sarampo, atinge as células da nasofaringe, pulmão, sistema linfático, pele, tecido subcutâneo e sistema nervoso. Nesta disciplina, abordaremos, principalmente, os vírus que infectam seres humanos. Os vírus que infectam bactérias são chamados de bacteriófagos ou fagos. Fagoterapia é o tratamento de infecções bacterianas através da utilização de vírus (fagos) que infectam as bactérias que estão causando o processo infeccioso. A ideia de uma fagoterapia, utilizando bacteriófagos ou fagos para o tratamento de infecções bacterianas, já́ existe há cerca de 100 anos. Pesquisas recentes no entendimento das interações vírus-hospedeiro têm possibilitado novos estudos no campo da fagoterapia (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
TÓPICO 1 — CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS VÍRUS
3 ESTRUTURA VIRAL
Os vírus exibem muitas formas e tamanhos distintos. O conhecimento das estruturas virais é necessário para o entendimento da relação entre partículas virais com receptores de superfície e anticorpos neutralizantes (BROOKS et al., 2014).
3.1 PRINCIPAIS ESTRUTURAS VIRAIS
As principais estruturas que formam os vírus são: ácido nucleico viral, capsídeo, as proteínas virais e, para alguns vírus, o envelope. O nucleocapsídeo é a estrutura composta pelo ácido nucleico e pelas proteínas do capsídeo (BROOKS et al., 2014; LEVINSON, 2016; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
TÓPICO 1 — CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS VÍRUS
Capsídeo – é composto de pequenas subunidades proteicas denominadas capsômeros que se organizam de forma energeticamente favorável em torno do ácido nucleico, fornecendo proteção e rigidez. O arranjo dos capsômeros fornece à estrutura viral sua simetria geométrica (LEVINSON, 2016; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). Proteínas virais – realizam a proteção do genoma de DNA ou RNA viral da degradação por nucleasses. A interação entre os vírus e a células dos hospe deiros ocorre através da interação entre as proteínas virais e o receptor celular do hospedeiro, sendo o principal determinante da especificidade de hospedeiros e de órgãos/tecidos (LEVINSON, 2016; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). Proteínas virais externas são também antígenos importantes que induzem anticorpos neutralizantes e ativam células T citotóxicas para matar células infectadas por vírus. Em função destas proteínas surge o termo “sorotipo” que é usado para descrever uma subcategoria de vírus com base em seus antígenos de superfícies. Por exemplo, o vírus do sarampo possui um sorotipo, os poliovírus (doença poliomielite) possuem três sorotipos, e os rinovírus (resfriados) possuem mais de 100 sorotipos (LEVINSON, 2016). Dessa forma, podemos adquirir vários resfriados e apenas uma vez sarampo. Envelope – em alguns vírus, a capsídeo está envolta por um envelope formado de lipídios, proteínas e por subunidades, os carboidratos. Alguns envelopes são recobertos por complexos de proteínas e carboidratos chamados espículas (LEVINSON, 2016; TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). O envelope viral é adquirido no processo de replicação viral no momento que vírus deixa a célula hospedeira por meio de um processo denominado “brotamento”. O envelope da maioria dos vírus é derivado da membrana externa celular do hospedeiro. Em geral, a presença de um envelope confere instabilidade ao vírus. Vírus envelopados são mais sensíveis ao calor, dessecamento, detergentes e solventes lipídicos, como álcool e éter, do que os vírus com nucleocapsídeo não envelopado, que são compostos apenas por ácido nucleico e proteínas do capsídeo (LEVINSON, 2016). Os vírus transmitidos pela via fecal-oral (os que precisam sobreviver no ambiente) não possuem um envelope, isto é, são vírus com nucleocapsídeo não envelopado. Esse grupo inclui vírus como o vírus da hepatite A, poliovírus, vírus de Coxsackie, ecovírus, vírus Norwalk e rotavírus. Em contrapartida, vírus envelopados são mais comumente transmitidos por contato direto, como pelo sangue ou por transmissão sexual. Exemplos desses vírus incluem o vírus da imunodeficiência humana, o herpes-vírus simples do tipo 2 e os vírus das hepatites B e C (LEVINSON, 2016). IMPORTANTE
Príons – são partículas infecciosas compostas inteiramente por proteínas. Eles não possuem DNA nem RNA. São capazes de modificar outras proteínas celulares saudáveis em proteínas doentes (denominadas PrPS), fazendo o cérebro infectado tornar-se esponjoso e cheio de vacúolos. Causam doenças como a de Creutzfeldt-Jakob e kuru em seres humanos e a doença da vaca louca e paraplegia enzoótica em animais. Os príons são altamente resistentes à inativação por luz ultravioleta, calor e outros agentes. A destruição dessa proteína ocorre somente se o material contaminado for incinerado. Como resultado, tem sido inadvertida mente transmitido por hormônios de crescimento humano e instrumentos neuro cirúrgicos (SANTOS; ROMANOS; WIGG, 2015; LEVINSON, 2016).
3.2 MORFOLOGIA GERAL
TÓPICO 1 — CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS VÍRUS
4 TAXONOMIA VIRAL
Embora os primeiros estudos a respeito das viroses tenham começado no início do século XX, as evidências sobre a estrutura e composição dos vírus foram conhecidas somente por volta da década de 1930, devido ao aparecimento do microscópio eletrônico (SANTOS; ROMANOS; WIGG, 2015). Os vírus são classificados oficialmente de acordo com as normas do Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus (ICTV). Essa classificação deve basear-se nas seguintes características, de acordo com Santos, Romanos e Wigg (2015) e França e Leite (2018). • Morfologia: referente ao tamanho, forma, tipo de simetria estrutural do capsídeo, presença de glicoproteínas e presença de envelope. • Replicação e organização do genoma: dizem respeito ao tipo de ácido nucleico (DNA ou RNA), forma de replicação, tamanho do genoma, número de fitas (simples ou dupla), forma do ácido nucleico (linear ou circular), entre outras características relacionadas. • Propriedade das proteínas virais: relativa ao número, tamanho e atividade de proteínas estruturais e não estruturais, sequência de aminoácidos, tipos de modificações (fosforilação, metilação e glicosilação), estrutura tridimensional da proteína e atividades funcionais especiais.
TÓPICO 1 — CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS VÍRUS
• Propriedades de lipídeos e carboidratos: referem-se à composição e ao teor de lipídeos e carboidratos presentes. • Propriedades físico-químicas: referentes à massa molecular do vírion, densidade de flutuação, estabilidade e variações de pH e suscetibilidade a calor, íons divalentes, detergentes e radiação. • Propriedades antigênicas: referentes às relações sorológicas. • Propriedades biológicas: dizem respeito à variedade de hospedeiros naturais, modo de transmissão na natureza, distribuição geográfica, relações com vetores, patogenicidade, tropismos, patologias e histopatologias. As novas técnicas de sequenciamento de DNA permitiram que o Comitê Internacional de Taxonomia Viral começasse a agrupar os vírus em famílias com base em seu genoma e estrutura. O sufixo - vírus é usado para os gêneros, ao passo que as famílias de vírus recebem o sufixo -viridae, e as ordens, o sufixo - ales. No uso formal, os nomes das famílias e dos gêneros são usados da seguinte maneira: família Herpesviridae, gênero Simplexvirus, Human herpesvirus 2 (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). Uma espécie viral é um grupo de vírus que compartilham a mesma informação genética e o mesmo nicho ecológico. Dessa forma, as espécies virais são designadas por nomes descritivos informais, como vírus da imunodeficiência humana (HIV), e as subespécies (se existirem) são designadas com um número – HIV-1 (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
4.1 CULTIVO E IDENTIFICAÇÃO DOS VÍRUS
Os vírus são parasitas celulares obrigatórios e necessitam de uma célula viva hospedeira para se multiplicar e isso dificulta a sua detecção, quantificação e identificação. Desse modo, seu isolamento apenas é possível quando se utiliza um hospedeiro vivo, como a cultura de células, os animais de laboratório e os ovos embrionados. No entanto, os vírus cujos hospedeiros são as células bacterianas (bacteriófagos) multiplicam-se facilmente em culturas bacterianas facilitando a obtenção de conhecimento sobre a multiplicação viral (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). O principal problema relacionado ao cultivo celular é que a manutenção de linhagens celulares requer pessoal treinado, com experiência considerável e trabalhando em tempo integral. Devido a essas dificuldades, a maioria dos laboratórios hospitalares e muitos laboratórios estaduais de saúde pública não conseguem isolar e identificar vírus na prática clínica. Em vez disso, as amostras de soro ou tecido são enviadas para laboratórios de referência especializados nessas funções (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). As técnicas utilizadas para o diagnóstico laboratorial de uma virose podem ser realizadas com base em quatro parâmetros de acordo com Santos, Romanos e Wigg (2015):
• Isolamento e identificação do vírus. • Sorologia para detecção de antígenos e/ou anticorpos. • Detecção direta da partícula viral. • Amplificação de ácidos nucleicos virais. O método clássico empregado para a confirmação da infecção viral consiste no isolamento e posterior identificação do vírus, além da sorologia para detecção de anticorpos. Atualmente, a sorologia para detecção de antígenos e a detecção direta da partícula viral ou a amplificação de ácidos nucleicos virais têm sido, em muitos casos, úteis para confirmar a suspeita clínica (SANTOS; ROMANOS; WIGG, 2015). A seguir, estão listados métodos usados no diagnóstico das infecções virais. Testes de detecção de antígenos e ensaios de ácido nucleicos estão entre os testes mais comuns usados no diagnóstico laboratorial, uma vez que os resultados podem ser obtidos de forma rápida (BROOKS et al., 2014).
5 MULTIPLICAÇÃO VIRAL
Os vírus se multiplicam de uma forma diferente dos organismos celulares. Para a replicação, os vírus necessitam estar dentro de uma célula hospedeira e utilizam a maquinaria dessa célula para realizar a replicação e suprir suas necessidades energéticas (FRANÇA; LEITE, 2018). Etapas da replicação viral O ciclo explicativo viral pode ser dividido em sete eventos principais de acordo com Brooks et al. (2014), Santos, Romanos e Wigg (2015), Levinson (2016) e França e Leite (2018). a) Adsorção: fixação inicial no hospedeiro. Interação entre vírion e membrana do hospedeiro. A fixação ocorre através das espículas glicoproteicas dos envelopes virais (Exemplo: Hemaglutinina do HIV e da influenza) com os receptores do hospedeiro que são glicoproteínas, mas, em alguns casos, os vírus podem ligar-se a sequências de proteínas, como é o caso do picornavírus, ou a oligossacarídeos, como, por exemplo, os ortomixovírus e os paramixovíus (BROOKS et al., 2015).
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