# Unidade 3 - Virus Oncogenicos, Hepatites Virais, Retrovirus (HIV) e Diagnostico Molecular
Modulo de Formacao Tecnica e Fundamentacao Cientifica - Acervo Integrativia.
Introducao Geral a Unidade
O estudo de Virus Oncogenicos, Hepatites Virais, Retrovirus (HIV) e Diagnostico Molecular na disciplina de Micologia e Virologia Clinica estabelece as bases conceituais, metodologicas e praticas indispensaveis para a formacao e atuacao tecnica do profissional biomedico e de saude, integrando a fundamentacao cientifica aos protocolos laboratoriais, interpretacao analitica e conduta clinica integrada.
2 Na maioria dos casos, a transmissão desses vírus ocorre pela via fecal-oral, por meio de alimentos
ou água contaminados.
3 Na maioria dos casos, a transmissão desses vírus ocorre pela mordida de um animal infectado.
FONTE: Levinson (2016, p. 249) O principal objetivo do vírus é se reproduzir. Somente dessa forma serão mantidos na natureza, se puderem ser transmitidos de um hospedeiro para outro, da mesma espécie ou não. A transmissão dos vírus na natureza pode ocorrer de maneira horizontal, de um indivíduo para outro da mesma espécie ou não, ou vertical, da mãe para o embrião/feto durante a gestação ou durante o nascimento (SANTOS; ROMANOS; WIGG, 2015). Os vírus podem ser transmitidos de maneiras distintas através de várias portas de entradas no ser humano. Pessoa a pessoa diretamente de um indivíduo infectado para um hospedeiro suscetível por meio de contato sexual, saliva, contato direto com pele infectada (sangue) ou indiretamente por fômites (objetos) ou perdigotos (aerossóis de secreções respiratórias ou saliva); contaminação oral fecal através da ingestão de água ou alimentos contaminados; placenta, parto ou amamentação; picada de insetos, mordida de animais (SANTOS; ROMANOS; WIGG, 2015; LEVINSON, 2016). Prezado acadêmico do curso de Nutrição: estudaremos sobre as doenças virais veiculadas através dos alimentos no Tópico 3, deste livro. ESTUDOS FUTUROS
TÓPICO 1 — CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS VÍRUS
Para garantir os efeitos da infecção viral na célula do hospedeiro, é necessário que pelo menos três requisitos sejam atendidos: o inóculo viral deve ser suficiente para iniciar a infecção; as células no sítio inicial da infecção devem ser acessíveis, suscetíveis e permissivas ao vírus; e os mecanismos de defesa local do hospedeiro devem estar ausentes ou ineficientes (SANTOS; ROMANOS; WIGG, 2015). Muitas infecções virais são subclínicas, ou seja, assintomáticas; uma doença pode ser causada por diferentes vírus; um único vírus pode causar diferentes doenças; a doença não tem relação com a morfologia do vírus; e a evolução de uma doença depende de fatores virais e do hospedeiro, tais quais a genética de ambos (BROOKS et al., 2014; FRANÇA; LEITE, 2018). Um vírus pode permanecer em equilíbrio com o hospedeiro por um longo período, geralmente anos, sem causar doença. Os herpes-vírus humanos podem permanecer nas células hospedeiras por toda a vida do indivíduo. Esse tipo de infecção é conhecido como infecçã o latente e um exemplo clássico é a infecção de pele causada por um Simplexvirus, que resulta no herpes labial. Esse vírus habita as células nervosas do hospedeiro e só desencadeia os sintomas (lesão labial) quando for ativado por febre ou queimaduras de sol. Outro exemplo de vírus lactente é o vírus da catapora (do gênero Varicellovirus) que normalmente é contraído na infância e na vida adulta pode levar ao desenvolvimento do herpes zoster (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). O termo infecção aguda indica a produção rápida de vírus, seguida da resolução e eliminação rápida da infecção pelo hospedeiro. Essas infecções são relativamente passageiras e, em um hospedeiro saudável, as partículas virais e as células infectadas são completamente eliminadas pelo sistema imunológico em poucos dias. No entanto, são frequentemente associadas a grandes epidemias, afetando milhões de indivíduos anualmente, como a dengue e a gripe (SANTOS; ROMANOS; WIGG, 2015). Outra forma de infeção viral é a persistente ou infecçã o viral crônica, que se desenvolve gradualmente durante um longo período. Em geral, as infecções virais persistentes são fatais. Um exemplo é o vírus do sarampo que é responsável por uma forma rara de encefalite, denominada panencefalite esclerosante subaguda, vários anos após causar o sarampo. Uma infecçã o viral persistente é aparentemente distinta de uma infecçã o viral latente, porque na maior parte dos casos os vírus infecciosos são detectados de modo gradual durante um longo período, em vez de aparecerem de repente (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). A transformação celular é um tipo especial de infecção persistente. Uma célula infectada com certos vírus de DNA e alguns retrovírus pode exibir propriedades de crescimento alteradas e começar a proliferar mais rapidamente que células não infectadas. Esse padrão de infecção persistente causa alteração no comportamento da célula que leva à transformação celular, podendo progredir para o câncer. Exemplos de vírus oncogênicos (cancerígenos) incluem
Adenoviridae, Herpesviridae, Poxviridae, Papovaviridae e Hepadnaviridae. Entre os papovavírus, o papilomavírus causa câncer uterino (cervical). Quase todos os casos de cânceres cervical e anal são causados pelo papilomavírus humano (HPV, de human papilloma-virus). Uma vacina contra quatro tipos de HPV é recomendada para crianças de 11 e 12 anos de idade (SANTOS; ROMANOS; WIGG, 2015; TORTORA; FUNK; CASE, 2017).
A principal forma de profilaxia (prevenção) de infecções virais é por meio de vacinas, que têm o objetivo de utilizar a resposta imunológica do hospedeiro para evitar a ocorrência de doenças virais. No entanto, para algumas doenças virais, existem fatores que podem dificultar o desenvolvimento de vacinas. Entre eles, podemos citar a presença de diversos sorotipos (como é o caso dos rinovírus), a ocorrência de um grande número de reservatórios animais (como é o caso influenza), a integração do DNA viral no cromossomo do hospedeiro (como ocorre nos retrovírus) e a infecção de células do sistema imunológico do hospedeiro (como o HIV) (FRANÇA; LEITE, 2018). Existem várias formas profiláticas gerais para prevenir as viroses, como higienizar frequentemente as mãos, usar antissépticos após entrar em contato com várias pessoas, evitar o compartilhamento de utensílios domésticos, como talheres, evitar o contato direto com pessoas contaminadas, entre outros. Além disso, formas específicas de prevenção contra determinadas doenças virais incluem prevenir-se sabendo da forma de transmissão, como o uso de repelentes para prevenir doenças virais transmitidas por mosquitos, uso de preservativo para doenças sexualmente transmitidas e evitar o consumo de alimentos crus sem higienização, que podem transmitir doenças virais entéricas (FRANÇA; LEITE, 2018). Aprofunde seus estudos sobre as infecções virais de transmissões respiratória, fecal-oral e parenteral relacionadas à assistência à saúde através da leitura do módulo 9. FONTE: BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Microbiologia Clínica para o Controle de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde. Módulo 9: Infecções virais/Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Brasília: Anvisa, 2013. Acesse: https://www20.anvisa.gov.br/ segurancadopaciente/index.php/publicacoes/item/infeccoes-virais. DICAS
Neste tópico, você aprendeu que: RESUMO DO TÓPICO 1 • Os vírus possuem um único tipo de ácido nucleico (DNA ou RNA) e um envoltório proteico, algumas vezes coberto por um envelope composto de lipídeos, proteínas e carboidratos. • Os vírus são parasitos intracelulares obrigatórios devido ao fato de ter apenas um tipo de ácido nucleico. Sua multiplicação depende da síntese proteica da célula. • O tamanho da partícula viral é determinado por microscopia eletrônica e varia de 20 a 1.000 nm de comprimento. • O espectro de hospedeiros refere-se aos tipos de células hospedeiras em que um vírus pode se multiplicar. A maioria dos vírus infecta somente tipos específicos de células em uma espécie de hospedeiro. • O envoltório proteico que envolve o ácido nucleico do vírus é chamado de capsídeo que é composto por subunidades, os capsômeros, que podem ser formados por proteínas de um único tipo ou de diversos tipos. • O capsídeo de alguns vírus é envolto por um envelope consistindo em lipídeos, proteínas e carboidratos. • Alguns envelopes são cobertos por complexos de carboidratos e proteínas, chamados de espículas. • Taxonomia dos vírus: a classificaçã o dos vírus é baseada no tipo de ácido nucleico, na estratégia de replicação e na morfologia. • Os nomes das famílias virais terminam em viridae; os nomes dos gênero terminam em vírus. • Os vírus só se multiplicam em células vivas. Os vírus que se multiplicam mais facilmente são os bacteriófagos. • Os testes sorológicos são os mais frequentemente utilizados na identificação dos vírus. • Para um vírus se multiplicar, ele deve invadir uma célula hospedeira e direcionar a maquinaria metabólica do hospedeiro para produzir enzimas e outros componentes virais.
• Patogênese viral é definida como o processo de infecçã o do hospedeiro pelo agente viral. • Uma infecçã o viral latente é aquela em que o vírus permanece dentro da célula hospedeira por longos períodos, sem produzir uma infecção. • As infecções virais persistentes são processos patológicos que se estendem por um longo período, sendo geralmente fatais. • Os vírus capazes de produzir tumores são denominados vírus oncogênicos. • A vacinação é o método mais eficiente na prevenção das infecções virais. Várias vacinas estão disponíveis para diferentes agentes virais.
1 Estudos recentes vêm mostrando a importância dos vírus como causadores
3 De forma geral, os vírus penetram nos organismos pelo contato com as
células nas superfícies do corpo. Os sítios de entrada comumente utilizados por vírus incluem as mucosas dos sistemas respiratório e urogenital, a conjuntiva, o trato gastrointestinal e a pele (SANTOS; ROMANOS; WIGG, 2015). Quando a transmissão dos vírus ocorre de forma vertical? Assinale a alternativa CORRETA.
a) ( ) É a transmissão de um animal para o humano. b) ( ) É a transmissão de mãe para o feto ou o embrião. c) ( ) É a transmissão de um vetor para o hospedeiro. d) ( ) É a transmissão de pai para filho. e) ( ) É a transmissão via respiratória.
1 INTRODUÇÃO
Olá, acadêmico, seja bem-vindo ao Tópico 2 da unidade final deste livro didático. O aprendizado tem sido muito rico até aqui, não é? Conforme exposto no início da unidade, neste momento, discutiremos sobre a virologia, a ciência que estuda os vírus e as patologias oriundas de uma infecção. Para iniciarmos esse tema, neste tópico, estudaremos dois vírus muitos importantes na atualidade, o Papiloma vírus (HPV) e o vírus da imunodeficiência humana (HIV), os quais causam patologias importantes e têm atenção do Ministério da Saúde.
Preparado? Então, vamos lá!
TÓPICO 2 —
PAPILOMAVÍRUS HUMANO E VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA
2 PAPILOMAVÍRUS HUMANO (HPV)
acelerada, induzidas pelas oncoproteínas do vírus (E1 a E7, L1, L2 e LCR), gerando um processo neoplásico benigno que, se não detectado, pode evoluir para um processo neoplásico maligno (ROSA et al. 2009; LIBERA et al., 2016).
2.1 CARACTERIZAÇÃO DO VÍRUS
2.2 TRANSMISSÃO VIRAL
Sabe-se que o HPV penetra na célula do hospedeiro, quando há microlesões nas células basais do epitélio escamoso no colo do útero, por exemplo, liberando seu DNA, replicando-se e podendo permanecer em estado latente por vários
TÓPICO 2 — PAPILOMAVÍRUS HUMANO E VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA
anos, sem provocar manifestações clínicas ou subclínicas (LIBERA et al., 2016). A transformação na malignidade e aquisição da infecção cervical apenas pelo HPV não é isolada, é necessário que as mulheres apresentem uma história natural da doença, como diagnóstico de lesões precursoras de baixo grau e, ainda assim, uma pequena percentagem persiste e evolui para câncer. O risco de evolução para o câncer está associado ao número de parceiros sexuais, idade da primeira relação sexual e comportamento sexual dos parceiros masculinos (ROSA et al., 2009).
2.3 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS E PREVENÇÃO DO CÂNCER
DE COLO UTERINO As lesões causadas pelo HPV, caro acadêmico, desenvolvem-se em tamanho variado, sendo que em mulheres podem ser encontradas no colo do útero, vagina, vulva, região pubiana, perianal e ânus. As lesões são exofíticas ou verrugas, mais conhecidas como condilomas acuminados e, popularmente, apelidadas de “aspecto de couve-flor” ou "crista de galo", na Figura 2, você pode identificar melhor essas características. Em homens, as regiões mais acometidas são o pênis, bolsa escrotal, região pubiana, perianal e ânus (LIBERA et al., 2016). Sabe-se ainda que a infecção por HPV está associada a uma ampla gama de patologias, bem como lesões intraepiteliais escamosas de baixo grau (LSIL) e lesões intraepiteliais escamosas de alto grau (HSIL), importantes precursores do câncer e carcinoma invasivo (BURD; DEAN, 2016). FIGURA 2 – LESÃO COM ASPECTO DE “COUVE FLOR” OU “CRISTA DE GALO” FONTE: https://bit.ly/3e2psAE. Acesso em: 30 ago. 2020. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o uso da vacina contra o HPV, prioritariamente para a população feminina com idade entre 9 a 14 anos, antes de se tornarem sexualmente ativas. Duas vacinas foram aprovadas no Brasil em 2014, ambas contêm a proteína L1 do capsídeo viral dos dois vírus mais comumente envolvidos nos cânceres cervicais: HPV16 e o HPV18. O esquema vacinal recomendado é de duas doses com espaçamento de seis meses entre a primeira e a segunda dose (CARVALHO et al., 2019; ROSA et al., 2019).
2.4 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
Você já deve ter ouvido falar no exame citopatológico, não é mesmo? Também conhecido como Papanicolau ou preventivo, esse exame é o meio mais adequado, simples e barato para o rastrear um câncer cervical. É realizado através de um esfregaço ou raspado de células esfoliadas do epitélio cervical e vaginal, tendo seu valor tanto para prevenção quanto para diagnóstico de lesões pré-neoplásicas, influenciando na redução da incidência do câncer e de sua morbimortalidade (LIBERA et al., 2016).
3 VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA (HIV)
TÓPICO 2 — PAPILOMAVÍRUS HUMANO E VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA
3.1 CARACTERIZAÇÃO DO VÍRUS
a transcriptase reversa e uma protease que cliva as poliproteínas virais após sua liberação. O gene env codifica a gp 160, uma glicoproteína percursora que é clivada para formar as duas glicoproteínas transmembrana e de superfície: gp120 e gp41, as quais têm como principal função mediar a entrada do HIV na célula hospedeira. Os demais genes regulatórios são importantes para o ciclo viral e patogênese (LEVINSON, 2010; ROSA; SILVA; HORA, 2016). Caro acadêmico, lembre-se que o vírion é uma partícula viral completa. Dessa forma, quando o vírus não está em atividade, ou seja, fora da célula hospedeira, é designado como vírion. NOTA
3.2 TRANSMISSÃO
O HIV infecta inicialmente o trato genital através das células dendríticas (células de Langerhans) que revestem boa parte das mucosas e, posteriormente, liga-se aos linfócitos T (CD4) conseguindo adentrar à célula, ocorrendo a transcrição do RNA em DNA através da enzima transcriptase reversa. Após a transcrição, o genoma do vírus começa a fazer parte do DNA da célula hospedeira, a qual perde sua função de combater antígenos. Um indivíduo infectado pelo HIV pode produzir até 10 bilhões de novos vírions a cada dia (LEVINSON, 2010; SANTANA; SILVA; PEREIRA, 2019). A transmissão do HIV ocorre, basicamente, por transferência de sangue contaminado e contato sexual desprotegido. Pode ocorrer a transmissão perinatal da mãe infectada ao neonato através da placenta, durante o nascimento ou pela amamentação (transmissão vertical). Estudos afirmam que 50% das infecções neonatais acontecem durante o parto, e as restantes dividem-se de uma maneira equivalente entre a transmissão placentária e pela amamentação (LEVINSON, 2010). Há fatores de risco associados aos mecanismos de transmissão do HIV, como o tipo de prática sexual. O risco de transmissão sexual aumenta com a prática do sexo anal, na presença de úlceras genitais e quando o estado da imunodeficiência do transmissor é mais avançado. Dentre os demais fatores de risco estão as relações sexuais desprotegidas, a utilização de sangue ou seus derivados não testados ou tratados adequadamente, recepção de órgãos não testados, a reutilização de seringas e agulhas, bem como seu compartilhamento, acidente ocupacional durante a manipulação de instrumentos perfurocortantes contaminados com sangue e secreções de pacientes, gestação de mulheres HIV positivo (RACHID; SCHECHTER, 2017).
TÓPICO 2 — PAPILOMAVÍRUS HUMANO E VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA
3.3 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
As manifestações clínicas da infecção por HIV podem ser divididas em três estágios: estágio precoce agudo, estágio intermediário latente e estágio tardio de imunodeficiência. No estágio agudo (2-4 semanas após a infecção), há intensa viremia e sintomas similares à mononucleose, com febre, letargia, faringite e linfadenopatia generalizada. Os anticorpos contra o HIV surgem tipicamente neste período, visto que o número de células CD4 ainda se encontra normal. A incapacidade de detectar anticorpos antes desse período pode resultar em exames sorológicos falso-negativos, ou seja, o indivíduo encontra-se infectado, mas os anticorpos estão em níveis tão baixos que não são detectáveis (LEVINSON, 2010). Após o contato inicial com o vírus pode ocorrer uma estabilidade viral que representa a quantidade de vírus produzidos, isto é, a carga viral. Quanto maior a carga viral ao final da infecção inicial, maior a chance de o indivíduo progredir para AIDS sintomática. No estágio intermediário, há um período latente que pode perdurar por anos, no qual o paciente se mostra assintomático, com baixa viremia ou ausência dela, porém há liberação de HIV pelas células dos linfonodos. O último estágio corresponde à AIDS, configurando um ambiente propício para infecções oportunistas (LEVINSON, 2010). Doenças oportunistas são infecções que acometem o organismo humano devido ao sistema imunológico estar comprometido e não conseguir criar anticorpos suficientes para combater patógenos (SANTANA; SILVA; PEREIRA, 2019). As duas manifestações oportunistas mais características do HIV/AIDS são pneumonia por Pneumocystis carinii e sarcoma de Kaposi. No entanto, são várias as infecções que podem ocorrer, como infecções virais causadas por herpes simples, herpes zoster, citomegalovírus; infecção por fungos como aftas causadas por Candida albicans, meningite criptocóccica e histoplasmose; infecção por protozoários, como toxoplasmose e criptosporidiose, e infecções bacterianas causados por Mycobacterium avium-intracellulare e Mycobacterium tuberculosis (SANTANA; SILVA; PEREIRA, 2019).
3.4 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
Os testes comumente utilizados no diagnóstico da infecção por HIV são os imunoensaios (IE). Os testes rápidos são IE simples de detecção para anticorpos contra HIV, os quais utilizam amostras de sangue obtidas por uma punção capilar, sendo o resultado disponibilizados em minutos (BRASIL, 2018b). Após o resultado, em caso positivo, é necessário a realização de outros testes para a confirmar o resultado (SANTANA; SILVA; PEREIRA, 2019). As quatro gerações de IE descritas até o momento estão representadas como testes imunoenzimáticos do tipo ELISA (do inglês Enzyme-Linked Immunosorbent Assay). O diagnóstico em ambiente laboratorial é realizado por meio de um teste sensível (IE), seguido por um segundo teste mais específico (molecular), a fim de eliminar um resultado falso-reagente (BRASIL, 2018b).
RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • A classificação dentro de uma mesma espécie de HPV é baseada na homologia de seu genoma. Sendo assim, pequenas variações no seu genoma originam diferentes tipos de HPV. • O HPV 16 e 18 são os mais prevalentes nos casos de câncer cervical invasivo, compreendendo uma porcentagem de 70% do total dessas neoplasias. • Os papilomavírus (PVs) são pequenos vírus não envelopados, de 55 nm de diâmetro e simetria icosaédrica, pertencem a família Papillomaviridae, que infectam principalmente epitélios estratificados da pele e mucosas. • Papanicolau ou preventivo continua sendo o exame mais adequado, simples e barato para o rastrear um câncer cervical. • As lesões pelo HPV são caracterizadas por lesões exofíticas ou verrugas, mais conhecidas como condilomas acuminados e popularmente apelidadas de “aspecto de couve-flor ou "crista de galo". • Existem dois tipos identificados desse agente infeccioso causador da AIDS, o HIV 1 e 2. HIV-1 possui ampla distribuição mundial e o HIV-2 é endêmico na África Ocidental e menos virulento. • A AIDS é considerada a quarta principal causa de morte do mundo, perdendo apenas para doença cardíaca isquêmica, doença cerebrovascular e doença aguda do trato respiratório inferior. • O HIV é o considerado retrovírus da família Retroviridae, do subgrupo dos lentivírus humano. • O HIV infecta inicialmente o trato genital através das células dendríticas (células de Langerhans) que revestem boa parte das mucosas e posteriormente se liga aos linfócitos T (CD4). • O diagnóstico mais precoce da infecção pelo HIV é a associação de um IE de 4ª geração como teste inicial (detectam simultaneamente antígeno e anticorpo) e um teste molecular (TM) como teste complementar para amostras reagentes no teste inicial.
• A manifestação clínica da infecção por HIV pode ser dividida em três estágios: um estágio precoce agudo, um estágio intermediário latente e um estágio tardio de imunodeficiência. • As duas manifestações oportunistas mais características do HIV/AIDS são pneumonia por Pneumocystis e sarcoma de Kaposi.
1 “O Papiloma Vírus Humano (HPV) é um vírus capaz de provocar lesões na pele e mucosas, sendo essas infecções frequentes e quase sempre regridem naturalmente. Há mais de cem tipos de HPV, sendo que quarenta podem contaminar o trato ano-genital. O HPV também pode ser classificado como de baixo risco oncogênico e alto risco oncogênico” (LIBERA et al., 2016, p. 138). Com relação a essa afirmação, quais os dois vírus mais comuns nos cânceres cervicais? a) ( ) HPV26 e HPV16. b) ( ) HPV6 e HPV11. c) ( ) HPV16 e HPV18. d) ( ) HPV16 e HPV11.
2 O número de novas infecções por HIV está aumentando em cerca de 50
oportunistas em razão do ataque do vírus ao sistema imunológico. O vírus a) ( ) linfócitos B. b) ( ) linfócitos T CD4. c) ( ) linfócitos NK. d) ( ) linfócitos T CD8.
4 Comportamentos de risco relacionados à transmissão do HIV podem ter
outros efeitos negativos na saúde, como problemas de abuso de drogas e outras infecções sexualmente transmissíveis ou transmitidas pelo sangue, como hepatite B ou C, que podem aumentar a mortalidade não relacionada ao HIV. No que se refere à transmissão do vírus da Imunodeficiência Humana, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) É de transmissão exclusivamente sexual. b) ( ) Somente é transmitido entre indivíduos do mesmo sexo ou usuários de drogas. c) ( ) A fase aguda corresponde ao período em que são identificadas as diversas infecções oportunistas. d) ( ) O aparecimento de infecções oportunistas e neoplasias é definidor da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS).
1 INTRODUÇÃO
Os herpesvírus pertencem à ordem Herpesvirales, família Herpesviridae e são associados a infecções em diferentes espécies animais. O Vírus Herpes Simples (HSV) foi o primeiro herpesvírus humano a ser disseminado em populações humanas e é a espécie viral mais estudada em todo o mundo (ROCHA, 2016). Os herpesvírus são uma família de vírus comuns, persistindo latentemente no hospedeiro após a infecção primária e reativando periodicamente com a diminuição da imunidade (FORBES et al., 2018). A família Herpesviridae ainda é subdividida em três subfamílias: subfamília Alphaherpesvirinae, gênero Simplexvirus tendo os vírus herpes simples 1 e 2 (HSV-1 e HSV-2) como representantes (ABRAHÃO; POIAN; ALVES, 2010; TRABULSI; ALTERTHUM, 2015); assim como as subfamílias Betaherpesviridae e Gammaherpesviridae, sendo integrantes destas o citomegalovírus (CMV) e o Epstein-Barr (EBV), respectivamente (ABRAHÃO; POIAN; ALVES, 2010). Neste tópico, concentraremo-nos apenas no papel da infecção pelo HSV-1 e HSV-2, respectivamente.
TÓPICO 3 —
HERPESVÍRUS
2 HERPESVÍRUS HUMANO TIPOS 1 E 2
O HSV-1 promove uma infecção altamente contagiosa e vitalícia, com alta prevalência e rápida aquisição durante a infância. O vírus é tipicamente transmitido através do contato com herpes labial ou através do contato com secreções orais durante a eliminação assintomática, como quando as crianças compartilham utensílios ou comida (AYOUB; CHEMAITELLY; RADDAD, 2019). Os humanos são os únicos reservatórios da infecção por HSV-1 e HSV-2, esses vírus nunca são eliminados do organismo, o maior reservatório são as pessoas infectadas na forma latente. ATENCAO
2.1 CARACTERIZAÇÃO DO VÍRUS
A partícula viral completa do HSV-1 mede cerca de 150 nm, possui envelope no qual estão inseridas as glicoproteínas virais e algumas proteínas, conforme demonstra a Figura 4. O vírion HSV-1 maduro é composto por um grande genoma de DNA envolto em um capsídeo de proteína icosadeltaédrica, finalmente, um envelope composto por cerca de 12 glicoproteínas diferentes, incluindo gB, gC, gD, gH e gL, necessárias para a entrada viral na célula. A interação das glicoproteínas com receptores da superfície celular facilita a fusão do envelope do vírion com a membrana plasmática da célula hospedeira, causando a penetração do capsídeo no citoplasma. O capsídeo é então transportado para a membrana nuclear para o desnudamento e liberação do DNA do HSV-1 para o núcleo. (KOUJAH; SURYAWANSHI; DEEPAK, 2019). FIGURA 4 – ESTRUTURA DO VÍRUS DA HERPES FONTE: Rocha (2016, p. 179)
TÓPICO 3 — HERPESVÍRUS
2.2 TRANSMISSÃO
A infecção primária por HSV-1 ou HSV-2 resulta na replicação do vírus e no estabelecimento de latência que dura toda a vida do hospedeiro (KOUJAH; SURYAWANSHI; DEEPAK, 2019), sendo sua transmissão dependente de contato íntimo e pessoal entre um indivíduo suscetível e um indivíduo excretando o vírus. Ambos os vírus têm afinidade por queratinócitos durante a entrada inicial e estabelecem uma infecção primária no epitélio, que é seguida por infecção latente nos neurônios (CHODKOWSKI et al., 2018). Após a infecção da orofaringe, causada pelos HSV-1, o gânglio trigêmeo fica colonizado e abriga os vírus latentes (KOUJAH; SURYAWANSHI; DEEPAK, 2019). A infecção pelo HSV-2 é consequência da transmissão por contato sexual. Os vírus replicam-se na pele genital, perigenital ou anal, colonizando o gânglio sacral (TRABULSI; ALTERTHUM, 2015). Já foi constatado que, através do sexo oral com a pessoa infectada pelo HSV-1, é possível a transmissão desse vírus como IST, neste caso, a latência do HSV-1 é estabelecida nos gânglios dos nervos lombossacros (ABRAHÃO; POIAN; ALVES, 2010). As mulheres são mais suscetíveis à infecção que os homens e, em 70% dos casos, a transmissão ocorre através de um indivíduo assintomático. A infecção pelo HSV-2, por ser ulcerativa, é associada ao risco aumentado de infecção pelo HIV e pelo Vírus Linfotrópico Humano (HTLV) (TRABULSI; ALTERTHUM, 2015).
2.3 MANIFESTAÇÃO CLÍNICA
2.4 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
O isolamento do vírus continua sendo o método de diagnóstico definitivo, mas a detecção molecular do DNA viral, através da PCR, tem sido bastante utilizada. Na ausência do isolamento do vírus, o exame citológico das células do cérvix pode ser utilizado no diagnóstico presuntivo. A lâmina deve ser corada pelos métodos de Papanicolaou, Giemsa ou Wright e observado ao microscópio
TÓPICO 3 — HERPESVÍRUS
para detecção de inclusões intranucleares ou células gigantes multinucleadas (TRABULSI; ALTERTHUM, 2015). Os testes sorológicos mais utilizados são imunofluorescência e ELISA (TRABULSI; ALTERTHUM, 2015). A sorologia é especialmente importante quando manifestações são atípicas em pacientes imunocomprometidos, isso guiará a profilaxia antiviral contra HSV recorrente nesses indivíduos (LEVIN; WEINBERG; SCHMID, 2020).
1 Descreva o mecanismo de latência do HSV.
2 Com relação ao HSV-1 e HSV-2, classifique V para as sentenças verdadeiras
3 No que refere à estrutura do Vírus da Herpes, assinale a alternativa
1 INTRODUÇÃO
TÓPICO 4 —
HEPATITES VIRAIS
2 HEPATITE A
O vírus da hepatite A (HAV) pertence à família Picornaviridae e é classificado no gênero Hepatovirus (RANDAZZO; SÁNCHEZ, 2020). Esse vírus tem a capacidade de sobreviver em superfícies fora do corpo humano (meses), tolerar um pH baixo e resistir ao calor, característica essa que explica o fácil meio de transmissão e as históricas epidemias relatadas (THUENER, 2017). Uma vez dentro do hospedeiro humano, o vírus pode sobreviver no estômago devido a sua tolerância ao pH baixo, após, os vírions alcançam o fígado pelo sistema porta e se replicam dentro dos hepatócitos. O vírus é então excretado nos canais biliares, atingindo o intestino por meio da bile, onde, finalmente, é eliminado nas fezes. Apesar da possibilidade de existência de replicação extrahepática, o HAV é um vírus de órgão-específico e a patogenia relacionada à infecção está praticamente restrita ao fígado (THUENER, 2017; BRASIL, 2018b).
Esse vírus não é capaz de causar hepática crônica, no entanto, pode causar insuficiência hepática aguda, a qual pode ser fatal (RANDAZZO; SÁNCHEZ, 2020). A OMS estimou que, em 2016, 7.134 pessoas morreram de HAV em todo o mundo (representando 0,5% da mortalidade devido a hepatite viral) (OMS, 2017). Tanto a higiene adequada quanto a diminuição do número de hospedeiros e reservatórios disponíveis através da vacinação são fatores-chave para diminuindo da incidência de infecção por HAV (THUENER, 2017).
2.1 CARACTERIZAÇÃO DO VÍRUS
O HAV é um pequeno vírus, de 27-32 nm de diâmetro (Figura 6), possui um capsídeo sem envelope, em formato icosaédrico, composto por proteínas estruturais VP1, VP2 e VP3. O genoma é constituído por RNA de fita simples, sendo a estrutura antigênica do capsídeo altamente conservada, havendo apenas um sorotipo de HAV humano (BRASIL, 2018b; RANDAZZO; SÁNCHEZ, 2020). FIGURA 6 – ESTRUTURA DO VÍRUS DA HEPATITE A FONTE: Adaptada de https://bit.ly/3e9celO. Acesso em: 14 ago. 2020.
2.2 TRANSMISSÃO
TÓPICO 4 — HEPATITES VIRAIS
2.3 MANIFESTAÇÃO CLÍNICA
Na maioria dos casos, a hepatite A é autolimitada e de caráter benigno, sendo que a insuficiência hepática aguda grave ocorre em menos de 1% dos casos (BRASIL, 2018b). A infecção, quando ocorre em crianças menores de seis anos, está frequentemente associada a quadro clínico pouco sintomático ou assintomático e resulta no desenvolvimento de imunidade protetora por toda a vida (PATTERSON; ABDULLAHI; HUSSEY, 2019). Já a infecção em indivíduos com mais de 50 anos evolui de forma mais grave e sintomática, ocorrendo icterícia em mais de 70% dos pacientes (BRASIL, 2018b). Os sintomas comuns associados à infecção aguda pelo HAV são perda de apetite, febre, dor de cabeça, náusea, diarreia, desconforto abdominal, anorexia, mialgia, urina de cor escura e icterícia (RANDAZZO; SÁNCHEZ, 2020).
2.4 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
O diagnóstico da infecção pelo HAV é realizado por meio de IE que detectam anticorpos contra o vírus em amostras de soro. A detecção de anticorpos do tipo IgM sugere uma infecção recente, entre cinco e dez dias após a infecção, e mantém-se presente por um período entre quatro e seis meses após o contato com o vírus (BRASIL, 2018b). Os anticorpos IgG, por sua vez, aparecem dentro de 2-3 meses após a infecção e persistem por um longo período, conferindo imunidade protetora contra infecções futuras (PATTERSON; ABDULLAHI; HUSSEY, 2019). FIGURA 7 – CURSO SOROLÓGICO DA INFECÇÃ O PELO VÍRUS DA HEPATITE A (HAV) FONTE: Adaptada de Ministério da Saúde (2018b)
3 HEPATITE B
As infecções pelo vírus da hepatite B (HBV) têm distribuição mundial. As vias de transmissão e a resposta à infecção variam conforme a idade do paciente em que ocorre a infecção, sendo que a maioria dos infectados durante a infância desenvolve infecção crônica (TRABULSI; ALTERTHUM, 2015).
3.1 CARACTERIZAÇÃO DO VÍRUS
O HBV é um vírus DNA de fita dupla, classificado na família Hepadnaviridae, gênero Orthohepadnavirus, espécie Hepatitis B virus (TRABULSI; ALTERTHUM, 2015). A partícula viral mede de 40 a 45 nm de diâmetro, o caracterizando como o menor vírus de material genético DNA conhecido. A molécula de DNA é em padrão circular parcial (incompleta) e dupla. São vírus envelopados, contendo um nucleocapsídeo icosaédrico, os quais se replicam nos hepatócitos e causam disfunção do fígado (TRABULSI; ALTERTHUM, 2015; THUENER, 2017). O HBV foi identificado em 1965 por Baruch Blumberg, que lhe rendeu o Prêmio Nobel (HU; PROTZER; SIDDQUI, 2019). A infecção induz à superprodução de proteínas virais e em pacientes infectados são identificados três antígenos (Ag) principais: um Ag associado ao envelope viral e designado como antígeno de superfície ou antígeno Austrália (HBsAg), o Ag associado ao core viral (capsídeo – HBcAg) e antígeno E (HBeAg) produzido a partir da proteína E presente no vírus (ROCHA, 2016).
TÓPICO 4 — HEPATITES VIRAIS
3.2 TRANSMISSÃO
A transmissão do HBV se dá por via percutânea ou permucosa, sendo transmitido quando o sangue, sêmen ou fluídos vaginais de um indivíduo infectado entram no organismo de uma pessoa não infectada, pode ocorrer ainda a transmissão vertical da mãe para o filho durante a gestação e/ou o parto (ROCHA, 2016; BRASIL, 2018b). Atualmente, a transmissão da hepatite B via transfusão sanguínea é rara, devido à implementação de testes nos hemocentros, diminuindo assim a incidência de infecções transmitidas em indivíduos que receberam transfusão de hemoderivados (THUENER, 2017; BRASIL, 2018b). Os grupos de risco incluem usuários de drogas injetáveis, profissionais da saúde, pacientes transplantados, hemofílicos e filhos de mães infectadas (ROCHA, 2016).
3.3 MANIFESTAÇÃO CLÍNICA
A infecção por HBV durante a primeira infância tem um risco superior a 90% de causar hepatite crônica, sendo responsável pelo maior número de portadores crônicos, apesar da disponibilidade de uma vacina profilática eficaz (HU; PROTZER; SIDDQUI, 2019). A vacina HBV recombinante consiste na montagem da pequena proteína do envelope do HBV para formar o HBsAg (HU; PROTZER; SIDDQUI, 2019). A vacina é a principal medida profilática para o controle da hepatite B e sua administração ocorre em três doses: a primeira, no nascimento; a segunda, no primeiro mês de vida; e a terceira, aos seis meses (ROCHA, 2016). A infecção crônica é definida pela presença continuada do HBsAg no soro de um indivíduo por um período superior a seis meses. IMPORTANTE
3.4 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
Atualmente, o ELISA é mais utilizado para o diagnóstico de antígenos e anticorpos para o HBV, por ser altamente sensível e específico (TRABULSI; ALTERTHUM, 2015). O diagnóstico de hepatite B aguda é baseado na detecção de HBsAg e anti-HBc IgM (anticorpo IgM para o core), enquanto o HBeAg e o DNA do HBV são marcadores de replicação viral ativa (KARNSAKUL; SCHWARZ, 2017). O anti-HBs é um anticorpo protetor que irá neutralizar o vírus, geralmente, este marcador é verificado ao avaliar a imunização ou infecção anterior ao HBV. O anticorpo produzido contra o core do vírus (anti-HBc) indica infecção, porém não determina se a infecção é aguda ou crônica. Portanto, o anti-HBc só é positivo em pacientes que foram expostos naturalmente ao HBV e torna-se visível após o período de incubação, geralmente no início dos sintomas permanecendo positivo por toda a vida (THUENER, 2017). O teste de laboratório essencial para entender o status da hepatite B de um paciente é o HBsAg. Se este teste for positivo, o paciente está atualmente infectado com HBV, também indica que o paciente é uma fonte de infecção. Devido ao fato de o HBsAg ser um marcador de infecção atual, sabe-se que um HBsAg positivo sempre será acompanhado por um anti-HBc positivo. Além disso, sabe-se que neste caso o valor do anti-HBs será negativo inicialmente, porque o anti-HBs é um anticorpo protetor e um marcador de imunidade (THUENER, 2017). A seguir, uma tabela ilustrativa que irá lhe auxiliar na interpretação nos resultados sorológicos para hepatite B:
TÓPICO 4 — HEPATITES VIRAIS
TABELA 1 – INTERPRETAÇÃ O DOS PRINCIPAIS MARCADORES SOROLÓGICOS PARA HEPATAITE B FONTE: Adaptada de Ministério da Saúde (2018b) A persistência do HBsAg por mais de seis meses indica um portador de HBV ou progressão para Hepatite B crônica. Durante a fase inicial da hepatite B crônica, o HBeAg e os altos níveis séricos de DNA do HBV são marcadores da replicação (KARNSAKUL; SCHWARZ, 2017), depois de um HBsAg positivo, a próxima etapa é determinar se o paciente tem um quadro agudo ou infecção crônica por HBV. O anti-HBs é um marcador de proteção; portanto, quando somente ele está presente o paciente foi vacinado e está protegido de infecções futuras. IMPORTANTE
4 HEPATITE C
O vírus da hepatite C (HCV) é o principal agente etiológico de hepatite crônica, infectando apenas humanos e atingindo as células do fígado, sendo uma das principais causas de morte relacionada ao fígado e, em muitos países, a principal razão para um transplante do órgão. O HCV evita a imunidade inata e adaptativa, estabelecendo infecções crônicas em 70% dos casos. Se não tratados, 20% dos pacientes desenvolvem cirrose hepática e uma fração desses evolui para carcinoma hepatocelular (PIETSCHMANN; BROWN, 2019).
4.1 CARACTERIZAÇÃO DO VÍRUS
O HCV é um vírus RNA de fita positiva pertencente à família Flaviviri dae, gênero Hepacivirus, cuja única espécie é Hepatitis C virus. As partículas virais esféricas têm 50 nm de diâmetro e contêm um envelope lipoproteico. O vírion consiste em pelo menos três proteínas: a proteína C (core- p-19) do nucleocap sídeo e duas glicoproteínas do envelope E1 (gp31) e E2 (gp70) (TRABULSI; ALTERTHUM, 2015).
TÓPICO 4 — HEPATITES VIRAIS
4.2 TRANSMISSÃO
O HCV é transmitido quase exclusivamente pela exposição parenteral a sangue, sendo o período de incubação do vírus em média sete semanas, podendo variar de duas a 26 semanas. As infecções podem variar desde subclínicas até fulminantes (TRABULSI; ALTERTHUM, 2015). A transmissão sexual é pouco frequente, menos de 1% em parceiros estáveis e ocorre, principalmente, em pessoas com múltiplos parceiros e com prática sexual de risco (sem uso de preservativo), sendo que a coexistência de alguma IST constitui um importante facilitador dessa transmissão (BRASIL, 2018b).
4.3 MANIFESTAÇÃO CLÍNICA
A infecção pelo HCV é normalmente assintomática. Quando presentes, os sintomas clínicos são semelhantes aos das demais hepatites virais e variam de subclínicas a fulminantes. Não há vacinas contra o HCV, o controle é feito por medidas de prevenção da transmissão (TRABULSI; ALTERTHUM, 2015; ROCHA, 2016).
4.4 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
Os ensaios sorológicos são os mais utilizados, no entanto, esses testes são incapazes de detectar a infecção logo no início. Esse período é chamado de janela imunológica ou janela diagnóstica e pode ser reduzido usando ensaios que detectam diretamente o antígeno HCV. Uma vez que a exposição ao HCV é estabelecida, o teste para infecção HCV virêmica é realizado por meio da detecção do RNA usando testes de ácido nucleico quantitativos, qualitativos ou antígeno central do HCV (EASTERBROOK et al., 2017).
O Fluxograma a seguir (Figura 11), preconizado pelo Ministério da Saúde emprega um IE capaz de detectar o anticorpo contra o HCV, como teste de triagem, e um teste de detecção direta do HCV (HCV RNA ou HCV-Ag), como teste complementar, usados sequencialmente. FIGURA 11 – FLUXOGRAMA DO DIAGNÓSTICO DE HEPATITE C EM ADULTOS FONTE: Brasil (2018b, p. 80)
5 HEPATITES D e E
O agente etiológico da hepatite D necessita para sua replicação, da infecção concomitante com o vírus da hepatite B. É classificado no gênero Deltavirus, espécie Hepatitis delta virus. Os vírions são esféricos (36 a 43 nm), envelopados e contêm as três proteínas do envelope do vírus HBV, sendo o seu genoma uma única molécula de RNA de fita simples. O agente delta causa uma forma grave de hepatite, através da superinfecção de portadores crônicos do vírus da hepatite B ou de coinfecção simultânea com hepatite B e agente delta (TRABULSI; ALTERTHUM, 2015). FIGURA 12 – ESTRUTURA DO VÍRUS DA HEPATITE D FONTE: https://bit.ly/35O9O86. Acesso em: 14 ago. 2020.
TÓPICO 4 — HEPATITES VIRAIS
hepatite não A e não B de transmissão entérica, hoje reconhecida como hepatite E. O vírus da hepatite E (HEV) é atualmente classificado na família Hepeviridae, gênero Hepevirus, espécie Hepatitis E virus. São vírus pequenos (27 a 34 nm), não envelopados, com simetria icosaédrica e genoma RNA de fita simples (TRABULSI; ALTERTHUM, 2015; ROCHA, 2016). FIGURA 13 – ESTRURA DO VÍRUS DA HEPATITE E FONTE: Adaptada de <http://www.aids.gov.br/sites/default/files/media/pagina/2020/57825/ hepatitee.jpg>. Acesso em: 14 ago. 2020. O HEV afeta principalmente indivíduos entre 15 a 45 anos, sendo transmitido pela via fecal-oral, por meio de água e alimentos contaminados (ROCHA, 2016). O vírus tem distribuição mundial, mas a doença é quase confinada em regiões onde a contaminação da água potável é comum. A maioria dos surtos de hepatite E ocorreu após chuvas fortes, inundações e contaminação do sistema de captação de água por esgoto (TRABULSI; ALTERTHUM, 2015). Os principais sintomas da doença são caracterizados por icterícia, anorexia, hepatomegalia, náuseas, vômito e febre (ROCHA, 2016).
1 As hepatites têm grande impacto na vida do paciente, quando se trata da
hepatite B o caso agrava ainda mais. O diagnóstico dessa patologia pode se dar através de diferentes testes, contudo, a busca por antígenos e anticorpos ainda é a mais usada devido à facilidade de realização, alta especificidade e sensibilidade, bem como o baixo custo. Baseado em seu conhecimento sobre os antígenos e anticorpos que são identificados reagente na infecção aguda por HBV, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) HBsAg, HBeAg e Anti-HBc IgM. b) ( ) HBsAg, Anti-HBc IgM e Anti-HBc IgG. c) ( ) HBsAg, anti-HBS e Anti-HBc IgM. d) ( ) HBeAg, anti-HBS e Anti-HBc total.
2 As hepatites estão entre as patologias mais frequentes no mundo todo,
de modo geral, têm afinidade pelas células do fígado e variam no grau de gravidade da infecção. “A história das hepatites virais remonta vários milênios. Informações contidas na literatura chinesa já faziam referência à ocorrência de icterícia entre sua população há mais de cinco mil anos. Surtos de icterícia foram relatados na Babilônia há mais de 2.500 anos. Escritos de Hipócrates, que viveu provavelmente 300 a 400 anos antes de Cristo, revelam historicamente que: a icterícia seria provavelmente de origem infecciosa e o problema poderia estar no fígado; o acúmulo de líquido no abdome (ascite) poderia ser causado por alguma doença crônica nesse órgão” (FONSECA, 2010, p. 322). Com relação a esse trecho e no conhecimento prévio sobre a família e gênero do HAV, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Família Hepadnaviridae, gênero Orthohepadnavirus. b) ( ) Família Flaviviridae, gênero Hepacivirus. c) ( ) Família Picornaviridae, gênero Hepatovirus. d) ( ) Família Flavivirideae, gênero Alphavírus.
3 A vacina é a principal medida profilática para o controle da hepatite B. Sua
administração ocorre em três doses: a primeira, no nascimento; a segunda, no primeiro mês de vida; e a terceira, aos seis meses (ROCHA, 2016). Com relação aos anticorpos a seguir, qual é considerado um marcador de imunidade para o HBV? a) ( ) Anti-HBc total. b) ( ) Anti-HBs. c) ( ) Anti-HBc IgM. d) ( ) Anti-HBc IgG.
1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico, chegamos ao tópico em que abordaremos os dois principais vírus capazes de causar doença respiratória grave. As infecções pelo vírus da gripe causam morbidade e mortalidade anuais substanciais em humanos em todo o mundo (WALAZA et al., 2019). Mais recentemente, deparamo-nos com uma pandemia, a da COVID-19, que permanece sendo um problema significativo para a saúde global, economia e sociedade. Ambas podem causar pneumonia, porém uma diferença importante entre COVID-19 e pneumonia associada à influenza sazonal é a gravidade potencial da doença, mesmo em adultos jovens sem comorbidades (CEVICK; BAMFORD; HO, 2020).
TÓPICO 5 —
INFLUENZA E CORONAVÍRUS
2 INFLUENZA
A gripe, também conhecida como influenza, é altamente contagiosa e causa epidemias sazonais e pandemias imprevisíveis. Esse padrão epidemiológico da influenza é baseado em vários fatores, como a natureza mutável das propriedades antigênicas do vírus, o poder de transmissibilidade do vírus e a suscetibilidade da população (MOGHADAMI, 2017).
2.1 CARACTERIZAÇÃO DO VÍRUS
Os vírus da influenza pertencem à família Orthomyxoviridae, os três gêneros Influenzavirus de maior interesse clínico contêm uma espécie cada, respectivamente Influenza A virus (FLUAV), Influenza B virus (FLUBV) e Influenza C virus (FLUCV). A maioria das epidemias e surtos de gripe são causados pelos tipos A e B, com o tipo C sendo geralmente responsável por sintomas respiratórios superiores leves esporádicos (AARTJAN; VELTHUIS, 2016).
2.2 TRANSMISSÃO
O vírus influenza é transmitido de pessoa a pessoa por gotículas respiratórias produzidas quando a paciente tosse ou espirra. O contato próximo (<1 metro) é frequentemente necessário para se infectar. Os indivíduos geralmente se recuperam após alguns dias, mas a gripe pode causar complicações e até mesmo levar à morte – especialmente em grupos de alto risco, como mulheres grávidas e aqueles com um estado de imunodeficiência subjacente (AARTJAN; VELTHUIS, 2016).
TÓPICO 5 — INFLUENZA E CORONAVÍRUS
2.3 MANIFESTAÇÃO CLÍNICA
Os sintomas iniciam abruptamente após um período de incubação de 1 a 2 dias. Os sintomas são sistêmicos e consistem em sensação de febre, calafrios, dor de cabeça, mialgia severa, mal-estar e anorexia. Esses sintomas são geralmente acompanhados por manifestações de doenças do trato respiratório, como tosse seca, secreção nasal e dor de garganta (MOGHADAMI, 2017). FIGURA 15 – PRINCIPAIS SINTOMAS DA INFLUENZA FONTE: https://bit.ly/3jEXvjF. Acesso em: 30 ago. 2020. A complicação mais importante e comum da influenza é a pneumonia, principalmente em indivíduos de alto risco. A doença ocorre após o curso típico da gripe com uma rápida progressão de febre, dispneia, tosse, cianose e dificuldade para respirar. Além de seus efeitos respiratórios, o vírus pode exercer efeitos em outros sistemas, como músculo esquelético, cardíaco e neurológico. Miocardite e pericardite constituem complicações incomuns, mas significativas, da gripe sazonal ou pandêmica (MOGHADAMI, 2017). Embora as vacinas contra os vírus influenza A e B estejam disponíveis, a proteção que oferecem é limitada pela variação antigênica nas glicoproteínas do envelope (HA e NA) das cepas do vírus influenza (AARTJAN; VELTHUIS, 2016).
2.4 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
3 CORONAVÍRUS
A doença COVID-19 é causada pelo vírus SARS-COV-2, o qual representa o agente causador de uma doença potencialmente fatal que é de grande preocupação para a saúde pública global (ROTHAN; BYRAREDDY, 2020). Em 7 de janeiro de 2020, os pesquisadores isolaram um novo coronavírus, SARSCoV-2, de pacientes com pneumonia confirmada na cidade de Wuhan, capital da província de Hubei, de onde se espalhou rapidamente pela China. Após infectar e causar a morte de milhares de pessoas na China, o vírus se espalhou, atingindo a Itália, outros países europeus e os EUA, com o número de novos casos confirmados aumentando a cada dia. O crescimento acelerado da doença fez com que a OMS declarasse a doença como uma pandemia devido seu poder de infecção generalizada e alta taxa de contágio em todo o mundo (JIANG et al., 2020; PASCARELLA et al., 2020).
3.1 CARACTERIZAÇÃO DO VÍRUS
SARS-CoV-2 é membro da família Coronaviridae, pertence ao gênero Betacoronavirus com dois vírus altamente patogênicos, o SARS-CoV e o MERSCoV. O SARS-CoV-2 é um vírus de RNA de fita simples (+ ssRNA) envelopado e de sentido positivo, com um diâmetro de 80-120 nm (HARAPAN et al., 2020). As quatro proteínas estruturais são glicoproteína de superfície (S), a proteína da membrana (M), a proteína do envelope (E) e a proteína do nucleocapsídeo (N), as quais são essenciais para a montagem e infecção da célula pelo SARS-CoV-2 (HARAPAN et al., 2020; LI et al., 2020). FIGURA 16 – ESTRUTURA DO VÍRUS SARS-CoV-2 FONTE: https://bit.ly/31VoxNt. Acesso em: 30 ago. 2020.
TÓPICO 5 — INFLUENZA E CORONAVÍRUS
3.2 TRANSMISSÃO
Com base no grande número de pessoas infectadas que foram expostas ao mercado de animais úmidos na cidade de Wuhan, onde animais vivos são vendidos rotineiramente, sugere-se que esta seja a provável origem zoonótica da COVID-19. A transmissão de pessoa para pessoa foi considerada o principal modo de transmissão e ocorre principalmente por contato direto ou por meio de gotículas que se espalham pela tosse ou espirro de um indivíduo infectado (RO THAN; BYRAREDDY, 2020). Notavelmente, o trato respiratório não é a única via de transmissão, visto que o contato próximo também é uma fonte de transmissão do SARS-CoV-2. O SARS-CoV-2 pode ser transmitido através do contato direto ou indireto com as membranas mucosas dos olhos, boca ou nariz, existindo tam bém a possibilidade de transmissão de aerossol em um ambiente relativamente fechado com exposição contínua a altas concentrações (LI et al., 2020).
3.3 MANIFESTAÇÃO CLÍNICA
O SARS-CoV-2 primeiro infecta predominantemente as vias aéreas e se liga à enzima conversora de angiotensina 2 (ACE2) nas células epiteliais alveolares, induzindo a liberação de potentes citocinas pró-inflamatórias, sendo a “tempestade de citocinas” o mecanismo postulado para danos aos órgãos (JIANG et al., 2020). Na literatura, relata-se que pacientes infectados com SARS-CoV-2 têm níveis plasmáticos mais elevados de citocinas pró-inflamatórias, incluindo IL1β, IL-2, IL7, TNF-α, GSCF, MCP1 do que em adultos saudáveis, as quais estão associadas a inflamação pulmonar e lesão pulmonar grave. Os sintomas surgem após um período de incubação de aproximadamente 5 dias, sendo o período do início dos sintomas até a morte entre 6 a 41 dias, com mediana de 14 dias. Esse período depende da idade do paciente e do estado de seu sistema imunológico (HARAPAN et al., 2020). Os sintomas mais comuns no início da COVID-19 são febre, tosse e fadiga, enquanto outros sintomas incluem produção de expectoração, dor de cabeça, hemoptise, diarreia e dispneia. Além disso, com base nos resultados de radiografias de tórax, alguns casos mostram um infiltrado no lobo superior do pulmão que está associado ao aumento da dispneia com hipoxemia (diminuição das concentrações de oxigênio no sangue) (ROTHAN; BYRAREDDY, 2020). Embora a lesão pulmonar grave tenha sido descrita em todas as idades, em alguns indivíduos de alto risco, como idosos ou pessoas afetadas por comorbidades, o vírus tem maior probabilidade de causar pneumonia intersticial grave, síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) e subsequente insuficiência de múltiplos órgãos, responsáveis por insuficiência respiratória aguda grave e altas taxas de mortalidade (PASCARELLA et al., 2020).
A incidência de infecção por SARS-CoV-2 é observada com mais frequência em pacientes adultos do sexo masculino, com a idade média dos pacientes entre 34 e 59 anos. O SARS-CoV-2 também tem maior probabilidade de infectar pessoas com comorbidades crônicas, como doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e diabetes (HARAPAN et al., 2020). Vários esforços para desenvolver vacinas estão em andamento, a OMS estima que levará 18 meses para que as vacinas para COVID-19 estejam disponíveis. Atualmente, a maioria dos tratamentos é sintomática e de suporte, embora tratamentos anti-inflamatórios e antivirais tenham sido empregados (JIANG et al., 2020).
3.4 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
A detecção rápida e precisa de SARS-CoV-2 é essencial para controlar o surto de COVID-19. A detecção de ácido nucléico é um dos principais métodos de diagnóstico laboratorial. A PCR quantitativa com transcrição reversa (RT-qPCR) é uma tecnologia de diagnóstico biológico molecular baseada em sequências de ácido nucleico. Através da utilização de amostras de swab nasal, aspirado traqueal ou lavado broncoalveolar (LBA), a especificidade deste teste parece ser muito alta, embora possa haver resultados falso‐positivos devido à contaminação do swab, especialmente em pacientes assintomáticos (PASCARELLA et al., 2020; LI et al., 2020). Métodos baseados em anticorpos para detectar a soroconversão no soro ou plasma com base em ensaios imunoenzimáticos do tipo (ELISA), imunofluo rescência indireta ou neutralização de vírus foram relatados. Como a sorocon versão ocorre relativamente tarde na infecção, os testes rápidos de anticorpos têm um papel limitado no diagnóstico de infecção aguda, portanto o RT-qPCR continua sendo o padrão de referência (CEVICK; BAMFORD; HO, 2020).
TÓPICO 5 — INFLUENZA E CORONAVÍRUS
LEITURA COMPLEMENTAR O SURTO DO SARS-COV-2: O QUE NÓS SABEMOS RESUMO Existe um surto mundial atual do novo coronavírus – COVID-19 (doença do coronavírus 2019; patógeno denominado SARS-CoV-2; anteriormente 2019nCoV), o qual se originou em Wuhan na China e que agora se espalhou para seis continentes, incluindo 66 países, a partir da meia-noite do dia 2 de março de 2020. Os governos estão sob crescente pressão para impedir que o surto se transforme em uma emergência de saúde global. Nesse estágio, preparação, transparência e compartilhamento de informação são cruciais para fazer avaliações de risco e iniciar atividades de controle do surto. Essas informações devem incluir relatos dos locais de surto e de laboratórios que colaboram com a investigação. Esse artigo reúne e consolida a epidemiologia, manifestações clínicas, diagnóstico, tratamentos e prevenções desse novo tipo de coronavírus. Palavras-chave: Coronavírus. SARS-CoV-2. COVID-19. Epidemiologia. Características clínicas. Diagnóstico. Tratamentos. Estratégias de manejo. INTRODUÇÃO Coronavírus (CoVs), uma grande família de vírus de RNA de fita simples, pode infectar animais e seres humanos, causando doenças respiratórias, gastrointestinais, hepáticas e neurológicas. Como os mais conhecidos vírus de RNA, os CoVs são divididos em quatro gêneros: alfacoronavírus, beta-coronavírus, gama-coronavírus e delta-coronavírus. Até o presente momento, seis coronavírus humano (HcoVs) foram identificados, incluindo os alfa-CoVs HCoVs-NL63 e HCoVs-229E e os beta-CoVs HCoVs-OC43, HCoVs-HKU1, síndrome respiratória aguda grave-CoV (SARS-CoV), e a síndrome respiratória do Oriente Médio-CoV (MERSCoV). Novos coronavírus parecem emergir periodicamente em humanos, principalmente devido à alta prevalência e vasta distribuição de coronavírus, à ampla diversidade genética e à frequente recombinação de seus genomas, e ao aumento das atividades de interface humano-animal. No final de dezembro de 2019, várias autoridades locais de saúde relataram sobre grupos de pacientes com pneumonia de causa desconhecida, os quais estavam epidemiologicamente ligados ao mercado de frutos do mar em Wuhan, na província de Hubei, China. O patógeno, um novo coronavírus (SARS-CoV-2), foi identificado por hospitais locais utilizando o mecanismo de vigilância para “pneumonia de etiologia desconhecida”, a qual foi estabelecida durante o surto de SARS em 2003 com o objetivo de viabilizar a identificação oportuna de novos patógenos. Em 30 de janeiro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o COVID-19 como uma “emergência de saúde pública de importância internacional”. A
pandemia está crescendo rapidamente. Pesquisamos literaturas associadas sobre o CoVID-19 para resumir a epidemiologia, características clínicas, diagnóstico e tratamentos e prevenções da infecção por SARS-CoV-2. EPIDEMIOLOGIA ESCOPO DO SURTO DE INFECÇÃO DO COVID-19
Desde dezembro de 2019, múltiplos casos de pneumonia inexplicável foram sucessivamente relatados em alguns hospitais na cidade de Wuhan com histórico de exposição ao grande mercado de frutos do mar na cidade de Wuhan, na província de Hubei, China. Foi confirmado ser uma infecção respiratória aguda causada por um novo coronavírus. Até o momento, essa doença se propagou rapidamente de Wuhan para outras áreas da China e outros 66 países. E, então, casos agrupados e casos confirmados sem história de viagem a Wuhan surgiram conforme o avanço da doença. Além disso, casos confirmados sem uma exposição clara ao mercado de frutos do mar de Wuhan se espalharam em muitos países estrangeiros. De acordo com a Comissão Nacional de Saúde da República Popular da China, a partir da meia-noite de 2 de março de 2020, um total de 80.302 casos de COVID-19 na China foram confirmados em 31 províncias (regiões autônomas e municípios) e Culturas de Produção e Construção de Xinjiang, incluindo Hong Kong, Macao e Taiwan. Até o momento foram contabilizadas 2.947 (3,66%) mortes, 30.095 casos ainda internados (sendo 6.806 casos graves), 47.260 (58,85%) casos liberados do hospital, além de 587 casos suspeitos. Vale mencionar que até agora, as províncias de Tibet e Qinghai não têm pacientes infectados pelo novo coronavírus. A partir de 11 de fevereiro, um total de 1.715 profissionais de saúde haviam sido infectados, dentre eles cinco morreram, com uma taxa bruta de fatalidade de casos de 0,3%. O número de casos confirmados ultrapassou a SARS em 2003. Internacionalmente, foram reportados casos confirmados em 66 países e seis continentes e em um cruzeiro Diamond Princess. Fora da China, um total de 10.415 casos de COVID-19 foram registrados de 66 países, com 168 mortes. As epidemias na República da Coreia, Itália, Irã e Japão tornaram-se a maior preocupação da OMS. De acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC), na última avaliação de risco diária do COVID-19, em 2 de março, o surto foi classificado a um nível de risco de moderado a elevado. A taxa de mortalidade dos casos atualmente reportados na China é menor do que 4%, o que implica que, até agora, esse novo coronavírus não parece causar as altas taxas de mortalidade anteriormente observadas em SARS-CoV e MERSCoV, 10% e 37%, respectivamente. De acordo com dados mais recentes, um total de 36.167 casos foi registrado em Hubei, China, o que fornece uma taxa de ataque acumulado (CAA – cumulated attack rate) de 0,11% (a população de residentes permanentes de Hubei é de aproximadamente 59.170.000). Entretanto, quando comparado ao vírus influenza da pH1N1, o qual compartilha a mesma rota de transmissão, possui um CAA 50 vezes maior, esses dados mostram a importância das intensas medidas de quarentena e distanciamento social adotadas pelo governo de Hubei.
TÓPICO 5 — INFLUENZA E CORONAVÍRUS
HOSPEDEIRO E RESERVATÓRIO Animais selvagens e morcegos são considerados como os hospedeiros reservatórios naturais e desempenham um papel crucial na transmissão de vários vírus, incluindo Ebola, Nipah, coronavírus e outros. SARS-CoV-2 é o sétimo membro da família coronavírus, o qual está o beta-CoV com mais de 70% de similaridade na sequência genética com o SARS-nCoV. Assim como SARSCoV, MERS-CoV, e muitos outros coronavírus, o SARS-CoV-2 provavelmente se originou em morcegos, porém isso requer confirmação adicional em relação à pneumonia causada pelo SARS-CoV-2 ser transmitida diretamente de morcegos ou através de um hospedeiro intermediário. Pesquisa recente descobriu que o vírus é 96% idêntico ao nível de todo o genoma em comparação com o coronavírus do morcego, o que significa que os morcegos são os hospedeiros mais possíveis para o SARS-CoV-2. Além disso, Ji e colegas demonstraram a cobra como possível reservatório do vírus para infecção humana. Zhu et al. indicaram que morcegos e visons (semelhante a uma doninha) podem ser dois potenciais reservatórios do novo coronavírus, enquanto os visons podem ser os hospedeiros intermediários do vírus. Subsequentemente, estudos tem mostrado que pangolins (semelhante a um tamanduá, mas com escamas) são potenciais hospedeiros intermediários, mas no geral, hospedeiros intermediários podem ter múltiplos hospedeiros. Para muitos vírus, uma das principais etapas no processo de emergência é passagem de animais para humanos. Assim, identificar a fonte do vírus ajudará a controlar sua disseminação. ROTA DE TRANSMISSÃO Chan e seus colegas reportaram um caso de cinco pacientes em uma família, o que confirmou a transmissão pessoa a pessoa do COVID-19. Autoridades de saúde identificaram evidências de transmissão por uma cadeia de 4 “componentes” (uma pessoa que, originalmente, contraiu o vírus de uma fonte não humana e infectou mais alguém, o qual infectou outro indivíduo, que, então, infectou outro indivíduo), sugerindo a sustentação da transmissão de humano para humano. Até o presente, as principais fontes de infecção eram pacientes com pneumonia infectados pelo SARS-CoV-2. A transmissão de gotículas respiratórias é a principal rota de transmissão, e pode ser transmitido através de gotículas presentes no ar e contato. Contudo, nós também deveríamos atribuir importância para casos assintomáticos, os quais podem desempenhar um papel crítico no processo de transmissão. Recentemente, o novo coronavírus foi detectado nas fezes de pacientes confirmados em Wuhan, Shenzhen e até no primeiro caso dos Estados Unidos, indicando que o vírus pode se replicar e existir no trato digestivo, sugerindo a possibilidade de transmissão fecal-oral, mas não é certo que comer comidas contaminadas com o vírus causa infecção e transmissão. Também há observações de os vírus nas fezes podem ser retransmitidos por formações em aerossol de gotículas contendo vírus, o que requer maiores investigações. Até o momento, não há evidências de transmissão por aerossóis da COVID-19. A OMS também acredita que maiores evidências são necessárias para avaliar a possibilidade de transmissão por aerossóis. Ademais, foi relatado que
uma mãe foi diagnosticada com um novo tipo de pneumonia por coronavírus, e o recém-nascido era positivo para ácido nucleico viral em swabs de faringe depois de 30 horas de nascimento, sugerindo que o novo tipo de coronavírus pode causar infecção neonatal através de transmissão da mãe para a criança, o que, com certeza, precisa ser confirmado por mais estudos científicos. A OMS publicou sua estimativa de R0 sendo 2,0- 2,5, usando informações recentes. Li et al. analisaram dados dos primeiros 425 casos confirmados em Wuhan e descobriram que o R0 seria 2,2, sem especificar seu método de modelagem. Jonathan Read e seus colegas da Universidade de Lancaster usaram um modelo determinista de transmissão de metapopulação – SuscetívelExposto-InfectadoRecuperado (SEIR) – para determinar o R0 em torno de 3,1. Majumder e seus colegas usaram o modelo de Decaimento de Incidência e Ajuste Exponencial (IDEA) para estimar o R0 em 2,0-3,3 (o estudo ainda não foi publicado). Recentemente, um grande grupo de pesquisadores de diversos institutos, liderados por Jianhong Wu da Universidade de York, propôs um modelo determinista compartimental SEIR mais geral usando mais parâmetros, e chegou a um número muito maior de R0 de 6,47. Uma pesquisa recente sobre o surto no navio de cruzeiro Diamond Princess, em fracas situações de intervenção e condições de quarentena, mostrou que o R0 era de 2,28, e se reduzisse o R0 em 25% e 50%, os casos acumulados estimados seriam reduzidos de 1.514 para 1.081 e 758, também provaram que medidas intensas de quarentena e distanciamento social deveriam ser tomadas para controlar o surto. As estimativas do surto do SARS-CoV em 2003 reportaram um R0 de 3,0, significando que o SARS-CoV-2 tem uma habilidade similar de se espalhar ao SARS-CoV, ou maior capacidade de propagação que o SARS-CoV, de forma que o surto de SARS-COV-2 causou mais de 90.000 casos em 66 países por todo o mundo em menos de dois meses, que é o período do surto do SARS-COV. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Uma grande variedade de manifestações clínicas é vista nos pacientes com SARS-CoV-2, de doença leve, moderada à grave e rapidamente progressiva e fulminante. E a maioria dos pacientes com SARS-CoV-2 era normal e leve, e sua mortalidade era mais baixa que SARS-CoV e MERS-CoV. PERÍODO DE INCUBAÇÃO Em publicações recentes, o período médio de incubação da COVID-19 foi um pouco diferente. Wang et al., com 138 casos, relataram que as durações médias dos primeiros sintomas até dispneia, admissão em hospital, e Síndrome Angústia Respiratória Severa (SARS) eram de cinco dias (variação de 1-10), sete dias (variação de 4-8) e oito dias (variação de 6-12), respectivamente. E, de acordo com Li et al., com 425 casos confirmados, instruiu que o período médio de incubação era de 5,2 dias (intervalo de confiança [IC] de 95%, 4,1 a 7,0), com o percentil 95 da distribuição em 12,5 dias. Nos estágios iniciais, a epidemia dobrou
TÓPICO 5 — INFLUENZA E CORONAVÍRUS
O achado de imagem varia com a idade do paciente, status de imunidade, estágio da doença no momento da varredura, doenças subjacentes e intervenções medicamentosas. Exame radiológico de tórax: na fase inicial dos casos de pneumonia, as imagens do tórax mostram múltiplas pequenas sombras irregulares e alterações intersticiais, preferencialmente na periferia pulmonar. Casos graves podem se desenvolver para opacidade bilateral múltipla em vidro fosco, sombras de infiltração e consolidação pulmonar, sendo o derrame pleural pouco frequente. As lesões pulmonares são mostradas mais claramente pela TAC de tórax do que pelo exame radiográfico, incluindo opacidade em vidro fosco e consolidação segmentar bilateral nos pulmões, especialmente na periferia pulmonar. Em crianças com infecção grave, múltiplas lesões lobares podem estar presentes em ambos os pulmões. Um estudo de tomografias computadorizadas de 21 pacientes com infecção por SARS-CoV-2 mostrou três (21%) sem alterações, 12 (57%) apenas com opacidade em vidro fosco e seis (29%) com opacidade em vidro fosco e consolidação no exame. Outro estudo de 41 pacientes com infecção confirmada por SARS-CoV-2 foi relatado como tendo envolvimento pulmonar bilateral em radiografias de tórax. No geral, os achados de imagem relatados para CoVID-19 são semelhantes aos relatados com SARS e MERS, não surpreendendo, pois os vírus responsáveis também são coronavírus. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
Deve ser distinguido, principalmente, de outros vírus conhecidos da pneumonia, como vírus influenza, vírus parainfluenza, adenovírus, vírus sincicial respiratório, rinovírus, SARS-CoV etc.; e de pneumonia por micoplasma, pneumonia por clamídia e pneumonia bacteriana. Além disso, deve
TÓPICO 5 — INFLUENZA E CORONAVÍRUS
ser diferenciado de doenças não infecciosas, como vasculite, dermatomiosite e pneumonia em organização. Então, o diagnóstico laboratorial é necessário. A identificação de COVID-19 inclui principalmente isolamento de vírus e detecção de ácido nucleico viral. De acordo com os postulados tradicionais de Koch, o isolamento de vírus é o “padrão ouro” para o diagnóstico de vírus em laboratório. Uma variedade de amostras (como swabs, swabs nasais, extratos de nasofaringe ou de traqueia, escarro ou tecido pulmonar, sangue e fezes) devem ser retidos para testes de maneira oportuna, o que proporciona uma taxa mais alta de detecção positiva de amostras do trato respiratório inferior. FONTE: <http://www.toledo.ufpr.br/portal/wp-content/uploads/2020/03/O-surto-da-SARS-CoV -2-o-que-no%CC%81s-sabemos.pdf.pdf>. Acesso em: 1° set. 2020.
RESUMO DO TÓPICO 5 Neste tópico, você aprendeu que: • Os vírus da influenza pertencem à família Orthomyxoviridae, os três gêneros Influenzavirus de maior interesse clínico contêm uma espécie cada, respectivamente Influenza A virus (FLUAV), Influenza B virus (FLUBV) e Influenza C virus (FLUCV). • O vírus da influenza tipo A é subdividido em subtipos, H1N1 e H3N2, respectivamente são endêmicos em humanos, circulando constantemente na população e dando origem a surtos sazonais. • O vírus influenza é transmitido de pessoa a pessoa por gotículas respiratórias produzidas quando a paciente tosse ou espirra. O contato próximo (<1 m) é frequentemente necessário para se infectar. • A gripe geralmente começa com o início abrupto dos sintomas após um período de incubação de 1 a 2 dias. Os sintomas são sistêmicos e consistem em sensação de febre, calafrios verdadeiros, dor de cabeça, mialgia severa, malestar e anorexia. • A complicação mais importante e comum da influenza é a pneumonia, principalmente em indivíduos de alto risco. • SARS-CoV-2 é um membro da família Coronaviridae, pertence ao gênero Betaco ronavirus com dois vírus altamente patogênicos, o SARS-CoV e o MERS-CoV. • O SARS-CoV-2 pode ser transmitido através do contato direto ou indireto com as membranas mucosas dos olhos, boca ou nariz. Também existe a possibilidade de transmissão de aerossol em um ambiente relativamente fechado com exposição contínua a altas concentrações. • A PCR quantitativa com transcrição reversa (RT-qPCR) é uma tecnologia de diagnóstico biológico molecular baseada em sequências de ácido nucleico e se mostro efetiva no diagnóstico da COVID-19. • Os pacientes infectados com SARS-CoV-2 têm níveis plasmáticos mais elevados de citocinas pró-inflamatórias, incluindo IL1β, IL-2, IL7, TNF-α, GSCF, MCP1 do que em adultos saudáveis, mecanismo esse associado a inflamação pulmonar e lesão pulmonar grave.
• Embora lesão pulmonar grave tenha sido descrita em todas as idades, em alguns indivíduos de alto risco, como idosos ou pessoas afetadas por comorbidades, o vírus tem maior probabilidade de causar pneumonia intersticial grave, síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) e subsequente insuficiência de múltiplos órgãos.
1 Leia o trecho a seguir: “o H1N1, subtipo do vírus causador da gripe, foi
2 J.C.T, sexo masculino, 63 anos de idade, possui comorbidades como diabetes
3 Leia este trecho de uma reportagem: “pacientes com sequelas da Covid-19
podem receber atendimento de fisioterapia de graça em Balneário Camboriú, a sessões são oferecidas dentro da universidade para pessoas que ainda encontram dificuldades na mobilidade e na respiração” (BALANÇO GERAL ITAJAÍ, 2020). Com relação às sequelas causadas pela COVID-19, qual os mecanismos de ação estão associados à inflamação pulmonar e lesão pulmonar grave na infecção por SARS-CoV-2? FONTE: <https://ndmais.com.br/saude/atendimento-de-fisioterapia-e-de-graca-para-pacien tes-com-sequelas-da-covid-19/>. Acesso em: 19 out. 2020. a) ( ) Proteína do envelope (E). b) ( ) Glicoproteína spike. c) ( ) Enzima conversora de angiotensina 2 (ACE2). d) ( ) Citocinas pró-inflamatórias.
1 INTRODUÇÃO
A caxumba, rubéola e sarampo são infecções virais agudas, transmissíveis e contagiosas, sendo apenas a rubéola e o sarampo consideradas doenças exantemáticas. A caxumba não faz parte da lista de agravos de notificação compulsória, já o sarampo, a rubéola e a síndrome da rubéola congênita (SRC) fazem parte desta lista. O sarampo é uma doença de notificação compulsória desde 1968, enquanto a rubéola e a SRC entraram para a lista em 1996 (ENGLEITNER; MOREIRA, 2008).
TÓPICO 6 —
CAXUMBA, SARAMPO E RUBÉOLA
2 CAXUMBA
Também conhecida como parotidite epidêmica, é uma doença infectocontagiosa aguda, de caráter benigno e autolimitada. A prevalência da doença é maior na cidade em relação ao campo, pois na zona urbana há mais aglomeração de pessoas e isso facilita o contágio (ENGLEITNER; MOREIRA, 2008).
2.1 CARACTERIZAÇÃO DO VÍRUS
O vírus da caxumba é um dos mais pleomórficos da família Paramyxo viridae e gênero Rubulavirus, sendo encontradas partículas de 100 a 600 nm e formas filamentosas (TRABULSI, 2015).
2.2 TRANSMISSÃO
A porta de entrada do vírus da caxumba é a via respiratória. A transmissão ocorre em contato direto por meio de gotículas da saliva, sendo o período de contágio cerca de 48 horas antes da parotidite e durante sua manifestação, o que dura em torno de nove dias (ENGLEITNER; MOREIRA, 2008).
Durante o período de incubação de 16 a 18 dias, o vírus replica-se na mucosa do trato respiratório e dissemina-se para os linfonodos através da circulação sanguínea, provavelmente ligado às células T. Localizando-se na glândula parótida, o vírus infecta o epitélio do ducto, com descamação celular, edema intersticial e reação inflamatória local (TRABULSI, 2015). A manifestação da caxumba se dá mediante uma infecção generalizada, pois o vírus penetra pelas vias aéreas e depois replica-se no trato respiratório superior e nos gânglios linfáticos (ENGLEITNER; MOREIRA, 2008).
2.3 MANIFESTAÇÃO CLÍNICA
TÓPICO 6 — CAXUMBA, SARAMPO E RUBÉOLA
2.4 DIAGNÓSTICO E PREVENÇÃO
O diagnóstico da caxumba é realizado pelos sinais e sintomas clínicos, bem como pelo exame físico. Contudo, também pode ser realizado diagnóstico através de cultura celular, com vírus isolado da saliva, urina, líquor ou lavado de orofaringe (ENGLEITNER; MOREIRA, 2008). A profilaxia da caxumba é realizada pela vacina tríplice viral, a qual contém o vírus atenuado do sarampo, da rubéola e da caxumba; ou pela vacina tetravalente, na qual ainda é acrescentado o vírus atenuado da varicela (vírus Varicela‑Zoster) (SILVA; MATTER, 2020).
3 SARAMPO
A infecção pelo vírus do sarampo causa supressão imunológica transitória deixando o indivíduo mais suscetível a outras infecções (BRANCO; MORGADO, 2019). Em 2016, o Ministério da Saúde do Brasil recebeu da Organização PanAmericana da Saúde (OPAS), o certificado de erradicação do sarampo no Brasil. O país vivenciou novo surto da doença em 2018, com mais de 10 mil casos registrados, especialmente nos estados do Amazonas e Roraima. No período entre junho a agosto de 2019, foram 2.753 casos em todo o país, sendo 2.708 casos só no estado de São Paulo, o que fez com que o país perdesse a sua certificação. Esses novos casos podem ser explicados pelo fato de a Venezuela enfrentar um surto de sarampo desde julho de 2017. Além disso, a situação econômica e sociopolítica vivida pelo país causou um intenso movimento migratório que contribuiu para espalhar o vírus a outras áreas geográficas, em especial, o Brasil, que vem recebendo muitos imigrantes venezuelanos, o que explica o surto inicial em 2018 nos estados do Amazonas e Roraima, que fazem fronteira com a Venezuela (SOUZA; PEREIRA, 2020).
3.1 CARACTERIZAÇÃO DO VÍRUS
3.2 TRANSMISSÃO
A transmissão ocorre de pessoa a pessoa, por secreções nasofaríngeas expelidas na fala, tosse, espirro ou respiração (XAVIER; RODRIGUES; SANTOS, 2019). A porta de entrada da infecção é a via respiratória e a multiplicação inicial ocorre nas células do epitélio da traqueia e brônquios. A amplificação do vírus nos nódulos linfáticos regionais resulta no aparecimento da viremia e disseminação no organismo, infectando uma variedade de órgãos, principalmente órgãos linfoides (timo, baço, nódulos linfáticos, apêndice e tonsilas) (ALTERTHUM; TRABULSI 2015). Ao serem infectados pelo vírus do sarampo, os indivíduos adquirem imunidade permanente (ROCHA, 2016). NOTA
TÓPICO 6 — CAXUMBA, SARAMPO E RUBÉOLA
3.3 MANIFESTAÇÃO CLÍNICA
O sarampo é caracterizado por um período de incubação de 10 a 14 dias, por um período prodrômico de dois a oito dias com a presença de sintomas não específicos, como febre, coriza, tosse e conjuntivite, seguindo do aparecimento do exantema maculopapular, inicialmente na face e atrás das orelhas espalhando-se para o tronco e extremidades 3 a 4 dias após o início da febre, com duração de cerca de três dias (XAVIER; RODRIGUES; SANTOS, 2019). Período prodrômico é caracterizado por uma fase que precede o aparecimento dos sintomas de uma dada doença, geralmente inespecífica. NOTA Em alguns pacientes, os sinais de Koplik, caracterizado como sinal patognômico da doença (manchas brancas na mucosa bucal), aparecem 24-48 horas antes do surgimento do exantema (BRANCO; MORGADO, 2019). O período de maior contágio estende-se desde quatro a cinco dias antes do aparecimento das lesões cutâneas até três a quatro dias após. A melhora clínica ocorre em aproximadamente uma semana em casos não complicados (ALTERTHUM; TRABULSI, 2015). FIGURA 18 – CAMPANHA CONTRA O SARAMPO FONTE: https://bit.ly/34BHPcq. Acesso em: 17 ago. 2020.
3.4 DIAGNÓSTICO E PREVENÇÃO
O diagnóstico é basicamente clínico. No entanto, a análise laboratorial pode ser solicitada através do cultivo viral em linhagens celulares, extraído de amostras de secreção de nasofaringe ou sangue pela técnica da PCR, de preferência nos primeiros dias de aparecimento dos sintomas, antes que os anticorpos IgM sejam detectáveis. Os testes sorológicos utilizados geralmente são o ELISA, imunofluorescência direta ou inibição da hemaglutinação para detecção de anticorpos da classe IgM específica para vírus no plasma, tendo maior sensibilidade cerca de quatro dias após o surgimento do exantema (ROCHA, 2016; XAVIER; RODRIGUES; SANTOS, 2019). FIGURA 19 – EVOLUÇÃ O CLÍNICA E LABORATORIAL DO SARAMPO FONTE: Xavier, Rodrigues e Santos (2019, p. 399) A prevenção contra a ocorrência do sarampo ocorre por meio da vacinação, que segundo o esquema básico do calendário vacinal brasileiro, ocorre por meio da vacina tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba) aos 12 meses de idade e uma segunda dose da vacina tetra viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela) aos 15 meses de idade e está disponível pelo sistema único de saúde (SUS) (BRASIL, 2019).
4 RUBÉOLA
A rubéola é uma infecção viral sistêmica que geralmente é leve. Como você pode notar, é outro exemplo de vírus causador de doença exantemática. No entanto, a rubéola pode causar danos congênitos graves, conhecidos como síndrome da rubéola congênita (SRC), quando a infecção ocorre no início da gravidez (MAWSON; CROFT, 2019).
TÓPICO 6 — CAXUMBA, SARAMPO E RUBÉOLA
4.1 CARACTERIZAÇÃO DO VÍRUS
O vírus da rubéola pertence à família Togaviridae, gênero Rubivirus. Possui capsídeo, envelope e material genético de RNA. Por meio das glicoproteínas presentes no seu envelope, consegue se ligar às células do epitélio respiratório do hospedeiro, liberando seu capsídeo no citoplasma para o início da replicação viral (LIMA; LINHARES; ARAÚJO, 2019).
4.2 TRANSMISSÃO
O vírus afeta apenas seres humanos, sendo transmitido quando indivíduos sadios entram em contato direto com secreções respiratórias de pessoas infectadas, e esse contágio pode ocorrer mesmo em estágio subclínico da doença. É importante ressaltar que o período de incubação do vírus pode variar entre 14 a 21 dias, sendo observado como momento de maior transmissibilidade 7 dias antes e 7 dias após o surgimento do exantema característico da doença (LIMA; LINHARES; ARAÚJO, 2019).
4.3 DIAGNÓSTICO E PREVENÇÃO
O diagnóstico pode ser feito por meio do isolamento do vírus em amostras de nasofaringe, líquor, urina ou qualquer tecido do paciente. A sorologia pode ser realizada pela detecção de anticorpos IgM específicos (ROCHA, 2016), sendo essa técnica mais viável e utilizada (LIMA; LINHARES; ARAÚJO, 2019). Na SRC, os testes sorológicos se baseiam na identificação de imunoglobulinas do tipo IgG e IgM, que podem ser dosadas na gestante ou no feto (LIMA; LINHARES; ARAÚJO, 2019).
4.4 MANIFESTAÇÃO CLÍNICA
infecção, mais graves são as malformações observadas (MAWSON; CROFT, 2019). Dentre os danos observados no feto, temos perda de audição, doença cardíaca, retardo psicomotor, catara ou glaucoma, retinopatia, hepato e esplenomagalia (ROCHA, 2016). Quando a infecção ocorre no primeiro trimestre da gestação, causa ao feto vasculite generalizada, o que provoca uma morbidade significativa (LIMA; LINHARES; ARAÚJO, 2019).
1 O sarampo, desde tempos remotos, vem causando sérios danos aos indi
víduos, principalmente crianças as quais, antes do surgimento da vacina, eram acometidas pela doença até os cinco anos de idade (100%). Após o surgimento da vacina tríplice viral, na qual a imunidade contra o sarampo é uma das disponíveis, os casos caíram 99% rapidamente. Atualmente, com os movimentos antivacina, os casos de sarampo voltaram a aparecer na po pulação, conforme a reportagem a seguir. Baseado em seu conhecimento através do livro didático, como é o genoma dessa família de vírus? FONTE: <https://g1.globo.com/bemestar/noticia/2018/07/25/brasil-tem-822-casos-confir mados-de-sarampo-informa-ministerio.ghtml>. Acesso em: 19 out. 2020. FONTE: Adaptada de https://g1.globo.com/bemestar/noticia/2018/07/25/brasil-tem-822casos-confirmados-de-sarampo-informa-ministerio.ghtml. Acesso em: 19 out. 2020. a) ( ) DNA fita simples, contém transcriptase reversa. b) ( ) RNA fita simples polaridade positiva, sem polimerase. c) ( ) RNA fita simples polaridade positiva, contém RNA polimerase. d) ( ) RNA fita simples polaridade negativa, contém RNA polimerase. e) ( ) Duas cópias de DNA fita simples polaridade positiva, sem polimerase.
2 A.C.T, sexo feminino, 20 anos de idade, está grávida de 37 semanas de seu
primeiro filho e não realizou exames pré-natal. Ao dar entrada no Hospital com fortes contrações, ela foi levada à sala de parto e deu à luz ao seu bebê. O bebê, por sua vez, nasceu com retardo psicomotor e retinopatia, sugestivos de Síndrome da Rubéola Congênita (SRC). Para confirmar o achado no recém-nascido, qual imunoglobulina é dosada para o diagnóstico de Rubéola? a) ( ) IgG e IgM. b) ( ) Apenas IgM. c) ( ) IgA e IgE. d) ( ) Apenas IgG.
3 Leia o trecho a seguir e avalie a imagem: essa patologia inicia com a inalação
de gotículas de saliva. O vírus multiplica-se na mucosa do trato respiratório, dissemina-se para os linfonodos, provavelmente ligado às células T, com localização do vírus na glândula parótida, este infecta o epitélio do ducto, com descamação celular, edema intersticial e reação inflamatória local. Geralmente, o edema estende-se para a face e pescoço e compromete a drenagem linfática devido ao aumento das glândulas salivares. FONTE: https://bit.ly/2G8rEdd. Acesso em: 19 out. 2020. Baseado no texto, na imagem e no seu conhecimento sobre esta patologia, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Caxumba. b) ( ) COVID-19. c) ( ) Hipertireoidismo. d) ( ) Rubéola.
1 INTRODUÇÃO
O gênero Flavivirus consiste em mais de 70 vírus, muitos dos quais são patógenos humanos transmitidos por artrópodes (arboviroses) que causam uma variedade de doenças clínicas, variando de assintomática a doenças mais graves, incluindo encefalite e febre hemorrágica. A maioria das arboviroses são transmitidas através da picada de um vector de artrópode infectado, principalmente do gênero Aedes (Aedes aegypti e, em menor extensão, Aedes albopictus) e mosquitos Cluex. Alguns flavivírus podem causar doenças transmitidas por vetores globalmente significativas com um impacto substancial na saúde pública, como vírus da dengue (DENV) (BADAWI; VELUMMAILUM; RYOO, 2018). Junto aos vírus da dengue, o vírus Chikungunya tornou-se uma ameaça à saúde pública global, não apenas por causa da alta magnitude da epidemia, mas também porque pode produzir sintomas clínicos altamente debilitantes, incluindo dor intensa nas articulações que pode durar anos (DIAS; COSTA; CAMPO, 2018)
TÓPICO 7 —
FEBRE AMARELA, DENGUE E CHIKUNGUNYA
2 FEBRE AMARELA
A febre amarela é uma doença infecciosa não contagiosa causada por um arbovírus e endêmica apenas nas florestas tropicais do continente africano e da América Latina. O período mais comum da doença ocorre entre os meses de dezembro e maio, caracterizado pelo maior volume de chuvas no Brasil (LITVOC; NOVAES; LOPES, 2018). A doença é de notificação compulsória, mesmo na simples suspeita. Cerca de 80% dos casos são do sexo masculino, na faixa etária de 15 a 35 anos, o que reflete um maior grau de exposição às florestas. Atualmente, a transmissão para humanos está ligada ao ciclo selvagem, que tem macacos como reservatórios e mosquitos dos gêneros Haemagogus (Haemagogus janthinomys e Haemagogus leucocelaenus) e Sabethes (Sabethes chloropterus e Sabethes albiprivus) como vetores (LITVOC; NOVAES; LOPES, 2018).
2.1 CARACTERIZAÇÃO DO VÍRUS
O agente etiológico da febre amarela (Yellow Fever Virus) pertence à família Flaviviridae, gênero Flavivirus. Os vírions são esféricos, com 40-60 nm de diâmetro e contêm capsídeo, seu genoma é constituído por RNA de fita simples (ALTERTHUM; TRABULSI, 2015). A glicoproteína E na superfície do vírus é responsável pela fixação, montagem, fusão e imunogenicidade do vírion na célula hospedeira (RIBEIRO JUNIOR et al., 2018). FIGURA 20 – ESTRUTURA DO VÍRUS DA FEBRE AMARELA FONTE: https://repositorio.uniceub.br/jspui/bitstream/235/11654/1/21386095.pdf. Acesso em: 23 ago. 2020.
TÓPICO 7 — FEBRE AMARELA, DENGUE E CHIKUNGUNYA
2.2 TRANSMISSÃO
A febre amarela urbana está associada à participação do vetor Aedes aegypti, presente em várias cidades brasileiras (LITVOC; NOVAES; LOPES, 2018). Sob o ponto de vista epidemiológico, divide-se a febre amarela em duas formas: rural e urbana, que diferem entre si quanto à natureza dos transmissores, dos hospedeiros vertebrados e o local de ocorrência (Figura 21) (VASCONCELOS, 2003). Não há casos urbanos nas Américas desde 1954 (LITVOC; NOVAES; LOPES, 2018). FIGURA 21 – CICLOS DE TRANSMISSÃO DA FEBRE AMARELA FONTE: https://bit.ly/34BNAXA. Acesso em: 19 out. 2020. Quando um mosquito fêmea infectado se alimenta de sangue, ele inocula cerca de 1.000 a 100.000 partículas de vírus na pele do hospedeiro. No local da inoculação, o vírus se replica nas células dendríticas da epiderme e se dissemina para os linfonodos regionais através dos canais linfáticos (RIBEIRO JUNIOR et al., 2018).
2.3 MANIFESTAÇÃO CLÍNICA
2.4 DIAGNÓSTICO E PREVENÇÃO
A febre amarela é difícil de diagnosticar, especialmente durante os estágios iniciais nos quais 90% dos casos são assintomáticos. A doença pode ser detectada por meio de sorologia ou PCR. A primeira amostra deve ser coletada após o quinto dia de sintomas e uma segunda, coletada em 14 a 21 dias da coleta inicial. Em casos graves, pode haver leucocitose acentuada, aminotransferases significativamente elevadas e alteração dos fatores de coagulação. Ambos os níveis de creatinina e ureia podem aumentar e sua piora se correlaciona com a deterioração da condição do paciente. A urinálise pode mostrar bilirrubinúria, hematúria e proteinúria acentuadas, com valores acima de 500 m/100 mL de urina (RIBEIRO JUNIOR et al., 2018). A confirmação do diagnóstico é feita por método de amplificação molecular do vírus no sangue. A partir do dia 5, a sorologia (detecção de IgM e IgG, específica para febre amarela) é recomendada (LITVOC; NOVAES; LOPES, 2018). A prevenção é baseada no uso da vacina contendo o vírus vivo atenuado da cepa 17D, desenvolvida em 1937 por Max Theiler, virologista que recebeu o Prêmio Nobel de Medicina em 1951. A vacina é considerada segura e altamente eficaz (90% e 98% após 10 dias). Desde 2013, a OMS revisou a necessidade de repetir doses adicionais a cada 10 anos. Atualmente, apenas uma única dose é indicada ao longo da vida (LITVOC; NOVAES; LOPES, 2018).
3 DENGUE
A dengue está disseminada por todos os trópicos, sendo a transmissão fortemente influenciada pela chuva, temperatura, urbanização e distribuição do principal mosquito vetor Aedes aegypti (GUZMAN; GUBLER; IZQUIERDO, 2016). A dengue constitui a virose humana mais difundida no mundo, assim, com a inexistência de vacina eficaz, a transmissão da doença só pode ser reduzida por meio do controle populacional do mosquito (BIASSOTI; ORTIZ, 2017). A dengue é uma doença de notificação compulsória semanal, conforme Portaria nº 204 do Ministério da Saúde, de fevereiro de 2016. Todos os casos suspeitos devem ser notificados para que sejam investigadas a origem da doença (Local provável de infecção – LPI), a existência de outros casos na área, verificando, por exemplo, moradia, trabalho e escola do doente (circulação viral), assim como a presença dos vetores (Manual Vigilância e Controle do Aedes aegypti, 2019).
3.1 CARACTERIZAÇÃO DO VÍRUS
O agente etiológico da dengue também pertence à família Flaviviridae, gênero Flavivirus. Existem quatro sorotipos: DENV1, DENV2, DENV3 e DENV4 (HASAN; JAMDAR; ALALOWI, 2016). Os quatro sorotipos são partículas virais esféricas envelopadas com um diâmetro de aproximadamente 40 a 60 nm (GUZMAN; GUBLER; IZQUIERDO, 2016).
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O genoma de cada sorotipo compreende aproximadamente 11 kb de RNA de fita simples de sentido positivo que codifica dez proteínas. As três proteínas estruturais codificadas pelo genoma são a proteína da membrana (M), a proteína do envelope (E) e a proteína do capsídeo (C); as proteínas não estruturais (NS) são NS1, NS2A, NS2B, NS3, NS4A, NS4B e NS5 (GUZMAN; GUBLER; IZQUIERDO, 2016). FIGURA 22 – ESTRUTURA VIRAL DO VÍRUS DA DENGUE FONTE: <http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/dengue%20 diagnostico_1253553071.bmp>. Acesso em: 28 ago. 2020.
3.2 TRANSMISSÃO
3.3 MANIFESTAÇÃO CLÍNICA
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3.4 DIAGNÓSTICO
O diagnóstico clínico da dengue pode ser desafiador, dependendo muito do estágio do processo de infecção. Um número reduzido de leucócitos (leucopenia), acompanhado por um número reduzido de contagem de plaquetas (trombocitopenia) e a acidose metabólica são as alterações iniciais nos exames laboratoriais (HASAN; JAMDAR; ALALOWI, 2016). Dentre os exames específicos, os testes sorológicos para pesquisa de anticorpos configuram-se como os mais rápidos e mais utilizados (BIASSOTI; ORTIZ, 2017).
O teste NS1 permite a detecção qualitativa da proteína NS1 no soro ou no plasma humano. É um teste descartável, que utiliza imunocromatografia de fluxo lateral (BIASSOTI; ORTIZ, 2017), no qual a proteína viral NS1 é um alvo diagnóstico ideal porque é secretada por células infectadas e encontrada em altos níveis circulantes no sangue de indivíduos infectados, podendo ser detectada desde o início dos sintomas até nove dias ou mais após o início da doença (MULLER; DEPELSENAIRE; YOUNG, 2017). Os ensaios de inibição da hemaglutinação (HI) juntamente à ELISA de captura de anticorpos IgM e IgG provaram ser os métodos de diagnóstico sorológico mais úteis para a detecção de DENV de rotina (MULLER; DEPELSENAIRE; YOUNG, 2017). Métodos baseados em PCR fornecem diagnóstico rápido durante a fase aguda da doença. Uma grande vantagem das técnicas baseadas em PCR é que o RNA viral pode ser detectado desde o início da doença e é sensível, específico, rápido e mais barato do que os métodos de isolamento de vírus. Embora os métodos baseados em PCR sejam rápidos e precisos, eles requerem um laboratório com equipamento especializado e equipe treinada para realizar a análise (MULLER; DEPELSENAIRE; YOUNG, 2017). A seguir, temos um quadro que mostra de forma resumida exames específicos para o diagnóstico da dengue: QUADRO 1 – DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DA DENGUE FONTE: Adaptado de Dive (2019)
4 CHIKUNGUNYA
A Chikungunya é uma doença causada pela infecção viral pelo vírus chi kungunya (CHIKV) que é transmitido a humanos por mosquitos infectados do gê nero Aedes. Os dois principais vetores do CHIKV são Aedes aegypti e Aedes albopictus (mosquito tigre asiático), porém, outras espécies de mosquitos foram descritas como vetores. Com as mudanças climáticas, a globalização e o plane jamento urbano irrestrito afetando muitas áreas, o CHIKV representa um risco significativo para a saúde pública de muitos países (MASCARENHAS et al., 2018).
TÓPICO 7 — FEBRE AMARELA, DENGUE E CHIKUNGUNYA
4.1 CARACTERIZAÇÃO DO VÍRUS
O vírus CHIKV, um alfavírus transmitido por mosquitos que pertence à família Togaviridae, possui como genoma RNA de fita positiva e consiste em cinco proteínas estruturais; E1, E2, E3, C (proteína da cápside), 6K e quatro proteínas não estruturais; proteínas não estruturais 1 (nsP1), 2 (nsP2), 3 (nsP3) e 4 (nsP4) (MASCARENHAS et al., 2018). A partícula viral é esférica, aproximadamente 70 nm em diâmetro e circundado por um envelope composto por uma bicamada lipídica (CUNHA; TRINTA, 2018). FIGURA 25 – ESTRUTURA VIRAL DO VÍRUS DA CHIKUNGUNYA FONTE: Adaptada de https://bit.ly/3jCRuUA. Acesso em: 29 ago. 2020.
4.2 TRANSMISSÃO
O CHIKV é transmitido aos humanos por mosquitos de o gênero Aedes spp, particularmente Aedes aegypti, que é um dos vetores de mosquito mais eficientes para arbovírus. Esta eficiência é devida a este gênero ser altamente antropofílico e viver próximo aos humanos. Após a picada de mosquito, o vírus entra na pele e na corrente sanguínea, replicando-se e disseminando-se aos tecidos como o fígado, músculos, articulações, baço, nódulos linfáticos e cérebro (CASTRO; LIMA; NASCIMENTO, 2016).
4.3 MANIFESTAÇÃO CLÍNICA
4.4 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
O diagnóstico laboratorial da infecção por CHIKV é com base no isolamento viral, identificação de RNA viral através de técnicas moleculares, como a transcrição reversa (RT), PCR em tempo real e detecção de anticorpos IgM e IgG por meio de testes sorológicos incluindo (ELISA) e/ou testes imunocromatográficos. O isolamento viral deve ser realizado usando amostras coletados em ou antes de aproximadamente o oitavo dia de infecção. Os testes sorológicos permitem a detecção de IgM a partir do quinto dia após o sintoma início e detecção de IgG apenas alguns dias depois (CUNHA; TRINTA, 2018).
lipoproteico (capsídeo) e é transmitido por artrópodes. Geralmente, causa uma condição assintomática, contudo, na forma mais grave da doença, os pacientes relatam febre alta, dor abdominal, desidratação, prostração e vômito. O fígado é o alvo primário do vírus. Com base no exposto e no seu conhecimento correspondente à família e gênero do vírus, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Família Flaviviridae, gênero Flavivirus. b) ( ) Família Hepadnaviridae, gênero Orthohepadnavirus. c) ( ) Família Flaviviridae, gênero Hepacivirus. d) ( ) Família Togaviridae, gênero Flavivirus.
2 M.C.T, sexo feminino, 45 anos de idade, é empresária em Blumenau e viajou
3 Conforme relatado no livro didático, a dengue se constitui na virose humana
mais difundida no mundo, pois com exceção da Europa, ocorre em todos os continentes tropicais e subtropicais que possibilitam o desenvolvimento do seu vetor. Baseado em seu conhecimento, como pode ser feito o diagnóstico laboratorial da dengue?
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