# Unidade 2 - Protozoarios Teciduais e Hemoparasitas: Malaria, Chagas, Leishmaniose e Toxoplasmose

Modulo de Formacao Tecnica e Fundamentacao Cientifica - Acervo Integrativia.


Introducao Geral a Unidade

O estudo de Protozoarios Teciduais e Hemoparasitas: Malaria, Chagas, Leishmaniose e Toxoplasmose na disciplina de Parasitologia Clinica e Helmintologia Medica estabelece as bases conceituais, metodologicas e praticas indispensaveis para a formacao e atuacao tecnica do profissional biomedico e de saude, integrando a fundamentacao cientifica aos protocolos laboratoriais, interpretacao analitica e conduta clinica integrada.


2 Turistas em visita ao litoral nordestino brasileiro adentraram em rios de

água salobra e cachoeiras para se refrescarem do calor intenso que fazia, ao saírem, alguns reclamaram de coceira na pele, atribuída, pelo guia turís­ tico, à presença de alevinos e girinos nas águas. Após 2 meses, já em seus países, procuraram o serviço de saúde queixando-se de náuseas, vômitos e mal-estar generalizado. No diagnóstico parasitológico das fezes foram en­ contrados ovos de um verme e no exame de hemograma total foi detectado número elevado de um tipo de leucócito: os eosinófilos. Com base no caso exposto, qual foi o provável diagnóstico dos turistas doentes? a) ( ) Ancilostomose pela coceira na pele, eosinofilia e presença de ovos nas fezes. b) ( ) Esquistossomose pela epidemiologia característica, eosinofilia e ovos nas fezes. c) ( ) Ascaridíase pelos sintomas intestinais, eosinofilia e presença de ovos nas fezes. d) ( ) Estrongiloidíase pelos sintomas intestinais, coceira na pele, eosinofilia e ovos nas fezes. e) ( ) Teníase pelos sintomas intestinais e presença de ovos nas fezes.

3 A Taenia sp. é um platelminto parasita, cujo adulto vive no intestino do ser

REFERÊNCIAS BRASIL. Painel de informações sobre saneamento. 2016. Disponível em: https://bit. ly/34kBmkP. Acesso em: 14 out. 2020. CIMERMAN, B.; FRANCO, M. A. Atlas de parasitologia: artrópodes, protozoá­ rios e helmintos. São Paulo: Editora Atheneu, 2009. CIMERMAN, B.; CIMERMAN, S. Parasitologia humana e seus fundamentos ge­ rais. 2. ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2005. FERREIRA, M. U. Parasitologia contemporânea. Rio de Janeiro: Guanabara Koo­ gan, 2017. FREITAS, E. O. de; GONÇALVES, T. O. de F. Imunologia, parasitologia e hema­ tologia aplicadas à biotecnologia. São Paulo: Érica, 2015. IBGE. Indicadores sociodemográficos e de saúde no Brasil. 2015. Disponível em: https://bit.ly/30sNAH6. Acesso em: 14 jul. 2020. LEVENTHAL, R.; CHEADLE R. Parasitologia médica: texto e atlas. 4. ed. Editora Premier, 2000. MORAES, R. G. Parasitologia e micologia humana. 5. ed. Rio de Janeiro: Guana­ bara Koogan, 2008. NEVES, P. D. Parasitologia humana. 13. ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2016. NEVES, P. D. Parasitologia humana. 12. ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2011. REY, L. Parasitologia: parasitos e doenças parasitárias do homem nos trópicos ocidentais. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. REY, L. Bases da parasitologia médica. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010. TRATA BRASIL. Águas Subterrâneas e Saneamento Básico. 2016. Disponível em: https://bit.ly/3jqMF1g. Acesso em: 14 jul. 2020.

PROTOZOOLOGIA A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • identificar os principais flagelados, amebas e hemoparasitas cau­ sadores de enteroparasitoses, bem como seu ciclo biológico, epi­ demiologia, morfologia e patogenia; • possibilitar o desenvolvimento do raciocínio para a elaboração de medidas de profilaxia e informação a população contra as pa­ rasitoses; • fornecer condições para analisar e identificar, através da morfo­ logia, os parasitas causadores de problemas muito comuns em nosso meio; • entender as principais vias de transmissão de parasitoses, a fim de diminuir sua incidência na população através da informação.

TÓPICO 1 – ENTEROPARASITOSES CAUSADAS

POR FLAGELADOS

TÓPICO 2 – ENTEROPARASITOSES CAUSADAS

POR ENTAMOEBA HISTOLYTICA E

DEMAIS AMEBAS DE INTERESSE CLÍNICO

TÓPICO 3 – ENTEROPARASITOSES CAUSADAS

POR HEMOPARASITAS em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.

1 INTRODUÇÃO

TÓPICO 1 —

ENTEROPARASITOSES CAUSADAS POR FLAGELADOS Você sabe a diferença entre os termos heterotróficos e autotróficos? Eles são relacionados à forma de alimentação e de como os seres vivos obtêm energia para a sua sobrevivência. Os seres denominados autotrófos são capazes de produzir o seu próprio alimento, utilizando a luz (fotossíntese) ou energia química (quimiossíntese) para sua so­ brevivência. Já os organismos vivos chamados de heterotróficos se alimentam de outros seres vivos, como plantas e animais, um exemplo de organismo heterotrófico é o homem, e de um ser autotrófico temos as árvores. ATENCAO O termo protista deriva do grego e significa “primeiro de todos”, dando a ideia de que eles teriam sido os primeiros eucariontes a surgir no curso da evolução. O termo protozoário significa literalmente “os primeiros animais” e devido a isso foram classi­ ficados como se fossem “animais microscópicos” (NEVES, 2016). Os protozoários são

parasitas de seres humanos e que são facilmente encontrados parasitando e ocasionan­ do algum mal para o seu hospedeiro, por isso, serão estudados nessa unidade. Os protozoários podem ser encontrados nos mais variados meios, sob as mais diversas modalidades de vida. As espécies de vida livre são observadas nos mares, lagos, águas estagna­ das, infusões vegetais, esgoto, enfim, em todas as coleções de água onde se encontram substâncias que lhes sirva de alimento. Grande número deles vive associativamente com animais ou vegetais, ora como mutualistas, ora sob a condição de comen­ sais, ora, ainda, como parasitos (MORAES, 2008, p. 45). Acadêmico, temos a presença de muitos termos conceituais novos no decor­ rer desta disciplina, portanto, é importante deixarmos claro a diferença entre eles. Os ter­ mos mutualismo, comensalismo e parasitismo são utilizados para expressar a forma como ocorre a associações entre os seres vivos. Mutualismo: indica uma associação em que ambos os seres se beneficiam. Comensalismo: durante uma associação entre espécies, apenas uma se beneficia, porém, não ocorre prejuízo a outra parte não beneficiada. Parasitismo: trata-se de uma associação entre dois seres, no qual um tira “aproveito” ou “vantagem” sobre o outro, dele se nutre e retira os nutrientes para o seu desenvolvimento, ocasionando danos de grau variável ao seu hospedeiro (NEVES, 2016). IMPORTANTE A forma de multiplicação dos protozoários pode ser através da reprodu­ ção sexuada ou assexuada. A forma mais comum de reprodução é a bipartição ou cissiparidade (reprodução assexuada), em que uma célula mãe se diferencia em duas células filhas, dando continuidade à espécie. Os grupos de protozoários são classificados pelo seu modo de locomoção (Figura 1), eles podem se locomover por flagelos, cílios, pseudópodes ou microtúbulos (CIMERMAN; CIMERMAN, 2005).

TÓPICO 1 — ENTEROPARASITOSES CAUSADAS POR FLAGELADOS

Filo Subfilo Ordem Família Gênero Espécie (exem­ plo) Sarcomastigophora Mastigophora Kinetoplastida Trypanosomatidae Trypanosoma Leishmania T. cruzi L. infantum Diplomonadida Hexamitidae Giardia G. lamblia Trichomonadida Trichomonadidae Trichomonas T. vaginalis Sarcodina Amoebida Entamoebidae Acanthamobidae Entamoeba Acanthamoeba E. histolyca A. culbertsoni Schizopyrenida Schizopyrenidae Naegleira N. fowleri Apicomplexa Eucoccidiida Eimeridae Cyclospora C. cayetanensis Sarcocystidae Sarcocystis Toxoplasma Cytoisospora S. hominis T. gondii C. belli Cryptosporidiidae Cryptosporidium C. parvum Haemosporida Piroplasmida Plasmodiidae Babesidae Plasmodium Babesia P. falciparum B. microti Cilophora Kinetofragminophorea Trichostomatida Balantidiidae Balantidium B. coli Microspora Chytridiospsida Enterocytozoonidae Enterocytozoon E. bieunesi QUADRO 1 – CLASSIFICAÇÃO DOS PROTOZOÁRIOS DE IMPORTÂNCIA MÉDICA FONTE: NEVES (2016, p. 35)

TÓPICO 1 — ENTEROPARASITOSES CAUSADAS POR FLAGELADOS

Acadêmico, como foi anteriormente citado, existem muitas espécies de protozoários, porém a grande parte desses parasitas são comensais, ou seja, não causam problemas ao ser humano, por isso, vamos estudar com mais profundi­ dade os principais protozoários de interesse clínico que são rotineiramente en­ contrados nos exames de fezes e que podem ocasionar danos ao seu hospedeiro.

2 GIÁRDIA SP.

2.1 MORFOLOGIA

A morfologia da Giárdia sp. é bem simples por se tratar de um pequeno protozoário flagelado, existem duas formas evolutivas do parasita, os trofozoítos e os cistos, que podem ser identificadas através das características observadas na Figura 2, a qual temos a figura esquemática do parasita e a sua forma real encon­ trada no exame parasitológico de fezes. Acadêmico, tenha bastante paciência e atenção no decorrer dessa unidade, pois estamos estudando parasitas com estruturas morfológicas muito pequenas, bem diferentes dos que estudamos anteriormente. Então, muita atenção à morfolo­ gia do parasita, principalmente do cisto que é a estrutura rotineiramente encontra­ da na prática clínica do diagnóstico e no dia a dia do laboratório de parasitologia. É comum que apareça, em pelo menos, uma amostra do dia essa estrutura. FIGURA 2 – CISTO (1) E TROFOZOÍTO (2) DE GIÁRDIA LAMBLIA (1) (2) FONTE: Cimerman e Cimerman (2005, p. 29); Ferreira, Foronda e Schumaker (2003, p. 57) A forma trofozoíta é a estrutura parasitária encontrada durante a fase aguda da doença, quando o parasita está ocasionando sintomas. Possui uma ex­ tremidade anterior dilatada e a posterior afilada, assumindo uma forma topirifor­ me (em forma de pera ou de raquete), medindo 2,0u a 9,5u de comprimento por 5 a 15u de largura. Na parte ventral do parasita, encontra-se o disco suctorial que tem como função a fixação do parasita nas células epiteliais do intestino.

TÓPICO 1 — ENTEROPARASITOSES CAUSADAS POR FLAGELADOS

O axonema são duas formações lineares que divide o parasita ao meio, dan­ do sustentação ao corpo do parasita. Possui ainda dois núcleos ovoides, próximos do bleferoplasto de onde saem oito flagelos (anteriores, posteriores, ventrais e caudais) que são utilizados para a sua movimentação. Essa forma é encontrada apenas nas fezes líquidas, agudas ou diarreicas, encaminhadas em até 30 minutos ao laboratório para análise, pois esse é o tempo de vida do parasita fora do corpo do seu hospedeiro. Sua identificação só é possível se o exame direto for realizado em até 30 minutos após a evacuação ou através de coloração específica (CIMERMAN; CIMERMAN, 2005). O cisto é a forma morfológica responsável pela transmissão da parasitose, possui estrutura oval ou elipsoide, mede cerca de 12um de comprimento. Possui membrana dupla destacada, dois a quatro núcleos, a disposição dos núcleos pode ser irregular, ora os quatro núcleos reunidos perto de um dos polos, ora agrupados aleatoriamente nos dois extremos. O número de flagelos é variável e no seu inte­ rior existe a presença de dois corpos escuros ou crescentes de onde originarão os flagelos, e no centro do parasita é encontrado os corpos parabasais (que são estru­ turas em forma de “risco” dentro do corpo do parasita). São encontrados nas fezes formadas ou pastosas através da realização de técnicas parasitológicas (REY, 2018). Atenção acadêmico! Muitos resíduos encontrados nas fezes humanas são responsáveis pela incorreta identificação de trofozoítos e cistos de protozoários, o que é muito comum ocorrer no laboratório de parasitologia, principalmente com os sujeitos que não possuem experiência no diagnóstico parasitológico. Entre tais elementos, podem ser encontrados: fragmentos de alimentos, células vegetais, grãos de pólen, leucócitos, células de tecido animal, ácaros e seus ovos, e outros artefatos, por isso temos que tomar muito cuidado para não confundir essas estruturas com parasitas. Por isso, acesse o link e conheça alguns artefatos que possivelmente podem ser encontrados! FONTE: https://bit.ly/34xRaRA. Acesso em: 7 jul. 2020. ATENCAO

2.2 TRANSMISSÃO

A contaminação com os cistos do parasita ocorre de diferentes formas, como de pessoa a pessoa, por meio de mãos contaminadas, em locais com aglo­ meração (creches, enfermarias, bancos, entre membros de uma família ou onde há pouca preocupação com a higiene) ou através da ingestão de água sem trata­ mento, essa forma de contaminação é a mais frequente relacionada ao parasita, devido a sua via de disseminação mais comum ser através do veículo hídrico. Alimentos contaminados (frutas e verduras), mal lavadas ou higienizadas com água contaminada também transmite a parasitose (NEVES, 2011).

Neves (2016, p. 135), relata que “nos países em desenvolvimento, onde faltam condições básicas de saneamento e tratamento de água eficiente, a Giárdia é um dos principais agentes associados à veiculação hídrica”. Os cistos também podem ser transmitidos através do contato sexual oral-anal e do contato com animais domésticos, cães e gatos, portadores da parasitose ocasionada pela Giárdia lamblia. Os alimentos podem estar contaminados por cistos veiculados por moscas e baratas.O processo de cozimento mata os cistos da Giárdia sp., portanto, esse modo de transmissão é mais comum em alimentos crus ou contaminados. Sua variada fonte de contaminação se deve a capacidade deles de permanecer viáveis por meses em locais frescos, áreas úmidas, acessíveis aos humanos e animais domésticos, sendo, portanto, grandes veículos de disseminação dessa parasitose (NEVES, 2016).

2.3 CICLO BIOLÓGICO

O ciclo da giardíase é do tipo monoxênico, ou seja, direto, pois acontece em apenas um hospedeiro, conforme pode ser observado na Figura 3. A contami­ nação do hospedeiro ocorre com maior frequência pela ingestão de água conta­ minada, e com menor frequência através de alimentos ou fômites contaminados com cistos viáveis do parasito, em torno de dez a 100 cistos já são o suficiente para causar a infecção. Após esses cistos alcançarem o estômago, ocorre o desen­ cistamento, que nada mais é do que a liberação da estrutura trofozoíta de dentro da estrutura do cisto, isso ocorre devido ao meio ácido do estômago e termina no intestino, na localização do duodeno e jejuno. Em seguida ocorre a colonização no intestino delgado pelas formas trofozoítas e a reprodução por divisão binária, assim colonizam o intestino e se aderem à mucosa intestinal por meio do disco suctorial (FREITAS; GONÇALVES, 2015). Depois da intensa multiplicação, ainda no intestino, ocorre o encistamento do parasita, principalmente na região do ceco, pela influência do pH intestinal e con­ centração de sais biliares, esse encistamento ocorre como uma forma de proteção do parasita com o meio externo. Esse parasita é muito esperto, pois para que ele consiga sobreviver ao meio externo, obter alimentação e, principalmente, sobreviver a variações climáticas, ele assume a forma de cisto e só então é liberado para o meio externo com as fezes do seu hospedeiro, podendo sobreviver por até dois meses no meio ambiente, principalmente na água, podendo contaminar novamente a água e os alimentos que podem ocasionalmente serem ingeridos por um hospedeiro. Tanto os cistos quanto os trofozoítos podem ser encontrados nas fezes, porém os cistos possuem uma maior capacidade de sobreviverem fora do corpo do hospedei­ ro, já o trofozoíta possui um curto tempo de vida quando alcança o meio externo. Os cistos não são eliminados de forma contínua todos os dias nas fezes, existe um período de negativação (não liberação de cistos) que variam de sete a 14 dias, dependente do ciclo biológico da intensidade da infecção e multiplicação do parasita (NEVES, 2016).

TÓPICO 1 — ENTEROPARASITOSES CAUSADAS POR FLAGELADOS

2.4 SINTOMATOLOGIA

A maioria das infecções causadas por G. lamblia é assintomática. Os casos sintomáticos estão relacionados a diversos fatores que ainda não estão bem esclarecidos e estão relacionados com a cepa e o número de cistos ingeri­ dos, a resposta imunológica do indivíduo e, especialmente, a baixa acidez estomacal (acloria) (FREITAS; GONÇALVES, 2015, p. 68, grifo do autor). O sintoma mais presente em pacientes sintomáticos é a diarreia aquosa in­ tensa, alguns autores relatam que a diarreia é tão grave que o paciente sente uma dor abdominal aguda e acontece de forma rápida e intensa. A diarreia é do tipo aquosa, explosiva, de odor fétido, acompanhada de gases, com distensão e dores abdominais. Essa forma aguda tem duração de poucos dias, os seus sintomas iniciais podem ser confundidos com outras diarreias causadas por vírus e bactérias (NEVES, 2016). Em muitos casos, especialmente em crianças (na fase inicial da infecção) e no adulto com menor frequência (na fase prolongada), essa diarreia crônica pode oca­ sionar problemas de desenvolvimento e crescimento, e quando possuem doenças as­

sociadas como a de Crohn, celíaca e intolerâncias, elas podem potencializam os seus sintomas. Uma característica muito marcante do desenvolvimento desse parasita, é que durante a sua multiplicação no intestino delgado ele ocasiona o que se denomi­ na de “atapetamento intestinal”, o que isso significa? Significa que os trofozoítas do parasito se multiplicam e ficam aderidos à mucosa intestinal (um do lado do outro, formando um “tapete”), com isso, a absorção dos alimentos fica totalmente prejudi­ cada, pois a parede intestinal que é a responsável pela absorção não está disponível, mas totalmente coberta por estruturas parasitárias (NEVES, 2011).

2.5 PROFILAXIA E DIAGNÓSTICO

Os portadores assintomáticos de giardíase podem eliminar cistos nas fezes por até seis meses. Por conta desse grande período de eliminação, temos que tomar como medidas preventivas de higiene, a realização da ingestão de alimentos bem lavados e/ou cozidos, lavar as mãos antes das refeições e após o uso de sanitários, construção de fossas e redes de esgotos, bem como tratar as pessoas doentes. Como a água é uma das principais fontes de contaminação, o cuidado na ingestão de água de boa qualidade é essencial, devemos beber água filtrada e/ou fervida. Em estudos recentes, alguns filtros de barro e areia têm se mostrados eficazes na remoção dos cistos, pois temos que lembrar que os cistos são resistentes à cloração da água que é distribuída para a população, por isso todo o cuidado durante o consumo de água, lembre-se sempre de fervê-la, pois o parasita não resiste às altas temperaturas, isso vem se demonstrado de forma eficaz no combate a essa parasitose (NEVES, 2016). O diagnóstico consiste na realização do exame parasitológico de fezes. Em fe­ zes diarreicas espera-se encontrar o trofozoíto através da realização do exame direto a fresco, utilizando métodos de coloração como hematoxilina férrica ou tricômico, que são específicos para trofozoítas, vale lembrar que, para a realização desse exame, a amostra deve chegar e ser analisada em até 30 minutos após a evacuação. Para o exa­ me em fezes formadas, em que cistos predominam, temos a realização dos métodos de concentração, através da técnica de flutuação, devido à estrutura parasitária ser “leve”, lembre-se de que se trata de um protozoário, uma única célula realiza todas as funções do paciente, assim, os parasitas são leves e “flutuam” durante a realização da técnica, os mais utilizados são os métodos de Faust e Willis (FERREIRA, 2017).

TÓPICO 1 — ENTEROPARASITOSES CAUSADAS POR FLAGELADOS

Como os trofozoítos e, principalmente, os cistos de G. duodenalis são eli­ minados intermitentemente nas fezes, sugerem-se a coleta e o exame de pelo menos três amostras fecais, colhidas ao longo de uma semana, para aumentar a sensibilidade do exame parasitológico. Estima-se que a sensibilidade de um único exame de fezes esteja em torno de 60 a 80%, enquanto três exames seriados seriam capazes de detectar mais de 90% das infecções por G. duodenalis (FERREIRA, 2017, p. 66, grifo do autor). Existem outras formas de realizar o diagnóstico, por exemplo, por meio da realização de exames imunológicos através da metodologia do ELISA, em que buscamos a presença de anticorpos nas fezes do hospedeiro, ou através de exa­ mes mais invasivos como é o caso da sondagem duodenal, na qual, através de uma sonda introduzida no intestino do paciente, obtém-se material para a análi­ se. Ainda são métodos muito pouco difundidos e utilizados, devido à invasão e alto custo, mas quem sabe em um futuro próximo não sejam os melhores méto­ dos? Vamos aguardar (FREITAS; GONÇALVES, 2015). Acesse o vídeo no canal do YouTube e esclareça suas dúvidas sobre o protozo­ ário Giárdia sp. Esse vídeo nos traz, de uma forma ilustrativa e dialogada, as principais etapas do ciclo biológico dessa parasitose. Vamos embarcar nessa? FONTE: https://www.youtube.com/watch?v=3hXmjRCRbzU. Acesso em: 7 jul. 2020. DICAS

LEITURA COMPLEMENTAR Giardíase como causa pouco frequente de anemia ferropênica RESUMO A giardíase é uma infecção intestinal causada pelo protozoário Giárdia lam­ blia. Afeta principalmente crianças e imunocomprometidas. As manifestações clí­ nicas são variáveis, podendo traduzir-se por diarreia, má-absorção, por vezes com anemia ferropênica ou ser assintomática. Descrevemos um caso de uma paciente, 35 anos, ama em infantário, referenciada ao serviço de urgência por anemia (hemoglo­ bina 6,6g/dL, em análises realizadas por astenia e palidez com dois meses de evolu­ ção), sem perdas hemáticas visíveis e com amenorreia há oito meses. Analiticamente, destacava-se: anemia microcítica, hipocromica grave e ferropênica. Fez endoscopia digestiva alta e o exame histológico da mucosa duodenal, revelou arquitetura pre­ servada e infecção por Giárdia lamblia. Iniciou terapêutica com ferro e metronidazol, com melhoria clínica e laboratorial. Este caso pretende realçar a importância da giar­ díase no diagnóstico diferencial das síndromes de má-absorção intestinal. Palavras-chave: Anemia. Ferropênica. Giárdia sp. INTRODUÇÃO A giardíase é uma infecção intestinal causada pelo protozoário Giárdia lamblia (também conhecida por G. intestinalis ou G. duodenalis). A transmissão é fecal-oral, ha­ vendo por vezes surtos de infecção em infantários e centros de dia. É mais frequente em crianças e em doentes com síndrome imunodeficiência adquirida, deficit seletivo de IgA, fibrose cística e imunodeficiências humorais, por exemplo, imunodeficiência comum variável. A doença pode ser assintomática ou manifestar-se nas formas agudas por diarreia ou dor abdominal, e nas formas crônicas por distensão abdominal, ano­ rexia e má-absorção. A má-absorção, por sua vez, é uma causa frequente de anemia ferropênica, a par da ingestão inadequada de ferro e das perdas hemáticas. O diagnós­ tico de giardíase faz-se pela detecção de trofozoítos ou cistos de Giárdia nas fezes por microscopia direta, ou pela pesquisa de antígenos de Giárdia por ELISA (Enzyme-linked immunosorbent assay) ou por aspirado de líquido ou biópsia duodenal. O tratamento deve ser instituído em indivíduos sintomáticos e em porta­ dores assintomáticos, em que haja risco de transmissão a grávidas ou imunocom­ prometidos, sendo os fármacos de eleição o tinidazol ou o metronidazol. Descre­ vemos um caso de anemia ferropênica por giardíase, numa doente adulta. CASO CLÍNICO Paciente do sexo feminino, 35 anos, raça caucasiana, ama em infantário, referenciada pelo médico assistente ao serviço de urgência por anemia (hemoglo­

TÓPICO 1 — ENTEROPARASITOSES CAUSADAS POR FLAGELADOS

TÓPICO 1 — ENTEROPARASITOSES CAUSADAS POR FLAGELADOS

TÓPICO 1 — ENTEROPARASITOSES CAUSADAS POR FLAGELADOS

3 TRICHOMONAS SP.

menstruação, os fatores de virulência mediados pelo ferro contribuem para a exacerba­ ção dos sintomas, além disso, ele pode se revestir de proteínas plasmáticas do hospedeiro impedindo que o sistema imune reconheça o parasito como estranho, assim, são inúme­ ros os mecanismos utilizados pelo parasita para conseguir se desenvolver e multiplicar ocasionando uma patologia no seu hospedeiro (NEVES, 2016).

3.1 MORFOLOGIA

A única forma morfológica do parasita é o trofozoíto (Figura 4), ele sobre­ vive muito pouco tempo fora do trato gênito-urinário. Sua forma típica é alongada, ovoide ou piriforme, mede 10 a 30um de comprimento por 5 a 12 um de largura. Possui quatro flagelos livres (polo anterior, denominado canal periflagelar) que se dirigem para frente e um flagelo voltado para trás, denominado membrana ondu­ lante. O núcleo é grande, alongado e situado na metade anterior do corpo celular, no citoplasma encontram-se vacúolos, membranas do retículo endoplasmático e granulações. A presença de granulações é bem característica do parasita, porém, confunde a cabeça do examinador no momento do diagnóstico morfológico do pa­ rasita, vale ressaltar que isso acontece, porque durante a realização do exame, na busca da estrutura morfológica do Trichomonas, ele pode ser facilmente confundido com um leucócito, quando realizado o diagnóstico em preparações não coradas. Por isso, cuidado! Uma dica é: o Trichomonas estará em movimento (devido a sua membrana ondulante) no momento da realização do exame, já o leucócito estará parado, sem movimentos. Além disso, ainda possui o axóstilo: rígida e hialina for­ mada por microtúbulos que se projeta no centro do organismo para sustentação, a costa que circunda o citoplasma e o corpo parabasal (REY, 2018). A sua reprodução ocorre através da divisão binária, não se discute na lite­ ratura formas de multiplicação sexuada. Também não há formação de cistos para a propagação. As outras espécies do parasito possuem a morfologia do trofozoíta semelhante ao da espécie vaginalis, porém são muito raras de serem encontras e visualizadas, e por isso não serão tratadas nesse tópico (REY, 2010).

TÓPICO 1 — ENTEROPARASITOSES CAUSADAS POR FLAGELADOS

3.2 TRANSMISSÃO

A via de transmissão do parasita é através de Infecções Sexualmente Transmis­ síveis (IST), visto que, o protozoário não sobrevive fora do corpo humano, a menos que seja protegido contra a dessecação. A maioria das pessoas não sabe que está infectada com o parasita e, portanto, não são tratadas, disseminado ainda mais a parasitose. O homem é o principal transmissor da parasitose, devido aos sintomas não serem exacerbados no seu organismo e ficarem em forma de latência, ele não sabe que é portador do parasita, que se aloja facilmente na uretra, nas vesículas seminais e próstata, e durante a relação sexual desprotegida, dissemina a parasitose para outros indivíduos. A vagina da mulher é, geralmente, resistente às infecções e o desenvolvi­ mento da parasitose está envolvido com alterações de flora e pH vaginal (REY, 2010). O autor Neves, em 2011, relata outra forma de contaminação, que não é atra­ vés de relação sexual, e sim adquiridas através de fômites, mas o que seria isso? Você sabe? Então vamos lá! Fômites são utensílios de uso comum a mais de uma pessoa, ou seja, uma pessoa contamina­ da pode passar a parasitose para o utensílio e ele ser manipulado ou usado por outra pessoa, e essa passa a se contaminar e adquiri a parasitose. Exemplos de fômites transmissores de Tricho­ monas são: roupas de cama, assentos de vasos sanitários, artigos de toalete, instrumentos gine­ cológicos contaminados e roupas íntimas, sabe-se que nos dias atuais a transmissão não sexual é incomum e pode ser aceita para explicar casos de contaminação em crianças e virgens. NOTA O recém-nato também pode adquirir o parasita através de parto normal, se a mãe estiver contaminada e não ter realizado o devido tratamento, sendo que essa mani­ festação clínica da doença pode acontecer logo após o nascimento ou ainda no decorrer da vida do bebê. Dentre a porcentagem de contaminação temos valores para mulheres de 20-40%, homens de 10-15% e para bebês durante o parto: 5% (NEVES, 2016).

3.3 CICLO BIOLÓGICO

TÓPICO 1 — ENTEROPARASITOSES CAUSADAS POR FLAGELADOS

3.4 SINTOMATOLOGIA

3.5 PROFILAXIA E DIAGNÓSTICO

A profilaxia utilizada para esse parasita nem deveria ser discutida, visto que o hábito de usar preservativos deveria ser uma prática utilizada por todos, independente­ mente da idade, pois existem relatos de casos de tricomoníase em todas as faixas etárias (isso inclui os adolescentes, jovens e até idosos). O uso do preservativo é incontestável, durante todo o percurso sexual, visto que a transmissão ocorre pelo contato sexual.

TÓPICO 1 — ENTEROPARASITOSES CAUSADAS POR FLAGELADOS

Realize a leitura do artigo intitulado Epidemiologia de Trichomonas vagina­ lis em mulheres. Vale a leitura sobre um tema que está cada vez mais incidente na nossa população. Disponível em: https://bit.ly/30vTwPB. DICAS

2 A tricomoníase é causada por um protozoário parasita chamado Tricho­

monas vaginalis. A vagina é o local mais comum para essa infecção em mulheres, e a uretra (canal da urina) em homens. A vaginite por Tricho­ monas é uma infecção vaginal decorrente do protozoário Trichomonas va­ ginalis. A vaginite por Trichomonas costuma ser transmitida sexualmente. Ela pode causar um corrimento verde ou amarelo que pode ser abundante, ter odor fétido e ser acompanhado de coceira ou irritação. Sobre o exposto, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) O T. vaginalis é conhecido por se enquadrar como uma doença sexual­ mente transmissível. ( ) Existem alguns fatores que influenciam a parasitose, como alteração da flora bacteriana vaginal, aumento do pH maior que 5,0, fazendo com que ocorra com mais facilidade da instalação do parasita.

O número de doenças relacionadas à falta de saneamento básico adequado é crescente, desde bairros periféricos a condomínios. A contaminação pode acontecer por diversos fatores, mas o mais comum é pelo contato com es­ goto a céu aberto, água poluída, com urina, fezes humanas ou de animais, por bactérias ou vírus. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 1,5 milhão de crianças menores de 5 anos acabam morrendo por causa da doença relacionadas à falta de esgotamento sanitário. Em muitos lugares do Brasil a situação ainda é crítica, infelizmen­ te, mais de 100 milhões de brasileiros não possuem serviços de coleta de esgoto e tratamento de água, esse cenário é uma ameaça para qualidade de vida da população. O acesso ao saneamento básico, em especial aos servi­ ços de coleta e tratamento de esgoto, é urgente para diminuirmos o número de internações por diarreia no país. O saneamento ajuda também a melho­ rar a qualidade de vida da população e diminui os gastos com a internação. A Organização das Nações Unidas alerta que: esgoto a céu aberto é o prin­ cipal problema ambiental no Brasil. Os dejetos lançados indevidamente em fossas abertas, rios e lagos tornam-se a causa de doenças de importância para a saúde pública. Com relação à doença causada por protozoário que pode ter sua incidência aumen­tada pelo problema citado no texto, assinale a alternativa CORRETA. FONTE: https://bit.ly/3fglNyh. Acesso em: 28 jul. 2020. a) ( ) Tricomoníase. b) ( ) Malária. c) ( ) Giardíase. d) ( ) Febre amarela. e) ( ) Teníase.

1 INTRODUÇÃO

Estudaremos a seguir com maior propriedade a morfologia, o ciclo biológico, transmissão e a sintomatologia ocasionada pela Entamoeba histolytica e pelas demais amebas de interesse clínico. Vale ressaltar que é de extrema importância o conhe­ cimento, acerca dessas parasitoses, afim de realizar o diagnóstico da maneira mais precoce possível e para que a profilaxia seja eficaz ao meio que se encontra inserida.

TÓPICO 2 —

ENTEROPARASITOSES CAUSADAS POR ENTAMOEBA HISTOLYTICA E DEMAIS AMEBAS DE INTERESSE CLÍNICO

2 ENTAMOEBA HISTOLYTICA E DEMAIS AMEBAS DE INTERESSE

CLÍNICO A amebíase, amebose ou diarreia do viajante é o nome dado a patologia oca­ sionada pelo protozoário Entamoeba histolytica, considerado um problema de saúde pública que leva a óbito anualmente cerca de 100.000 pessoas, sendo a segunda causa de mortes por parasitoses. O elevado número de pessoas assintomáticas fez Brumpt, em 1925, sugerir a existência de outras espécies de amebas. De acordo com essa gran­ de variedade, trata-se de um parasita Cosmopolita, que varia de acordo com a região, no Sul e Sudeste do país a prevalência é em torno de 2,5 a 11%, na região amazônica atinge até 19% e nas demais regiões fica em torno de 10% (NEVES, 2016). A maioria das amebas são parasitas comensais: não causam efeitos noci­ vos óbvios ao hospedeiro, como o piolho. As amebas são protozoários com inú­ meros habitats, dentre os de vida livre, que causam patologias, temos a espécie Entamoeba histolytica, porém várias outras espécies foram descritas como parasitas naturais do homem, ditas como comensais, por exemplo: Entamoeba coli; E. díspar; E. hartmanni; E. gengivalis; Endolimax nana; e Iodamoeba butschlii. Outras espécies catalogadas que também são consideradas de vida livre e, ocasionalmente, cau­ sam problemas ao homem, temos as espécies de Acanthamoeba, Naegleria, porém são raras no Brasil. As amebas citadas se diferem pela morfologia, principalmente pelo tamanho e número de núcleos (CIMERMAN; CIMERMAN, 2005). Uma das características de locomoção desse parasito se dá por meio de pseudópodes, por se tratar de uma ameba, realiza movimentos ameboides, com o uso dos “falsos pés”, liberando enzimas (hialuronidase, proteases e mucopolissa­ carídeos) favorecendo a destruição do tecido. Sua membrana plasmática é constitu­ ída de carboidratos, lipídeos e proteínas. São anaeróbios toleram até 5% de oxigê­ nio. Sua adesão no tecido se deve a lectinas contidas na sua superfície (REY, 2018).

2.1 MORFOLOGIA

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2.2 TRANSMISSÃO

A forma de contágio com essa parasitose ocorre através da ingestão de cistos em alimentos mal higienizados ou lavados com água contaminada ou contaminados através de veículos, como patas de moscas e baratas, sendo os portadores assintomá­ ticos da parasitose, grandes veículos de sua disseminação. O consumo de água não tratada e contaminada por dejetos também facilita a contaminação (REY, 2010).

2.3 CICLO BIOLÓGICO

É do tipo monoxênico (Figura 9) e o cisto após ingerido passa por diver­ sas transformações da sua estrutura, de cisto para metacisto, trofozoítos e final­ mente pré-cistos. O ciclo inicia a partir da ingestão dos cistos através de água e alimentos contaminados. Os cistos passam pelo estômago, resistindo a ação do suco gástrico, chegam ao final do intestino delgado ou início do intestino grosso onde ocorre o desencistamento, com a saída do metacisto por meio de uma pe­ quena fenda na parede cística, em seguida, o metacisto sofre sucessivas divisões

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nucleares e citoplasmáticas dando origem a quatro e depois oito trofozoítos, esses migram para o intestino grosso, colonizando-se (NEVES, 2011). Através de mecanismos ainda desconhecidos, mas possivelmente relacio­ nados à ruptura do equilíbrio intestinal (baixa da imunidade local, alteração da flo­ ra intestinal, lesão da mucosa etc.) os trofozoítas tornam-se patogênicos e invadem a parede intestinal alimentando-se de células da mucosa e de hemácias. Em geral, ficam aderidos à mucosa do intestino, vivendo como um comensal, alimentando-se de detritos e bactérias. Sobre circunstâncias ainda não conhecidas, podem despren­ der da parede e na luz do intestino grosso se transforma em pré-cistos, em seguida secretam uma membrana cística e se transformam em cisto inicialmente mononu­ cleados. Através de divisões nucleares sucessivas se transformam em cistos tetra nucleares que são eliminados com as fezes normais ou formadas (NEVES, 2011). O trofozoíta coloniza o intestino grosso multiplicando-se por divisão bi­ nária e passa a viver como comensal. Ocorre a eliminação de cistos nas fezes de um paciente contaminado, essas fezes contaminam água e alimentos que são ingeridos por um novo hospedeiro, que realiza a ingestão de cistos maduros atra­ vés da água e alimentos (NEVES, 2011). É importante ressaltar que a patogenia da parasitose estará diretamente envolvida com o estado imunológico do paciente. Se o sistema imune do paciente estiver bom, o parasita volta a se encistar em pré-cisto, meta e cisto e vai nas fezes novamente contaminando o ambiente. Se o sistema imune estiver ruim devido a um desequilíbrio do pH ou da microbiota intestinal, ele tem a capacidade de perfurar a mucosa intestinal e alcançar a circulação sanguínea indo para fígado, pulmão e cérebro, ocasionando sérios danos ao seu hospedeiro (REY, 2018).

2.4 SINTOMATOLOGIA

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A colite desentérica amebiana é caracterizada por uma mucosa intestinal infla­ mada em que o paciente manifesta febre, dor abdominal prolongada, disenteria, dis­ tensão abdominal, flatulência, desidratação, cólicas intestinais e até casos de perfuração intestinal. A ameba possui uma inexplicável variabilidade quanto ao potencial patogê­ nico e diferença de virulência no que diz respeito a mudar de comensal para um agente agressivo. O início da invasão tecidual amebiana é resultante da quebra de equilíbrio parasita-hospedeiro, em favor do parasito; este fato parece estar ligado a diversos fato­ res: localização geográfica, raça, idade, resposta imune, estado nutricional, alcoolismo, clima, hábitos sexuais e, principalmente, flora bacteriana associada (MORAES, 2008). As lesões iniciais no intestino grosso multiplicam-se pela submucosa, ganhan­ do profundidade até atingirem o tecido muscular, produzindo necrose. Quando rom­ pem o equilíbrio parasito-hospedeiro, os trofozoítos invadem a submucosa intestinal multiplicando-se ativamente e podem, através da circulação porta, atingir outros ór­ gãos como o fígado, pulmão, rim, cérebro e pele causando a amebíase extraintestinal. A forma mais comum de amebíase extraintestinal é a amebíase pulmonar, a invasão torácica pode ocorrer via hematogênica ou hepatonefrítica, ocorrendo a ruptura do ab­ cesso hepático na cavidade pleural e peritoneal. Ocasiona sintomas como tosse com expectoração de material gelatinoso ora de coloração achocolatada ora avermelhada, febre, dor torácica, em casos de infecção bacterianas secundárias: secreção de aspecto amarelado. Os trofozoítos podem ocasionar a presença de “amebomas” que são mas­ sas de parasitas sobre um órgão que sofreram ação do sistema imune do hospedeiro, onde ocorreu intensa reação inflamatória e imunológica (NEVES, 2016). FIGURA 10 – ESTÁGIO EVOLUTIVO DA PATOLOGIA OCASIONADA PELA ENTAMOEBA HISTOLYTICA. FONTE: Ferreira (2017, p. 60)

2.5 PROFILAXIA E DIAGNÓSTICO

A profilaxia da amebíase em caráter definitivo, como também de todas as demais protozooses intestinais, depende das obras de engenharia sanitá­ ria relativas ao abastecimento da água e a canalização e tratamento de es­ gotos. Algumas medidas complementares podem ser preconizadas para a prevenção individual, doméstica ou de comunidades segregadas, como asilos, conventos, prisões, internatos e outras (MORAES, 2008, p. 81). Algumas medidas complementares que podem ajudar na profilaxia consistem em tratamento e higiene de mãos de manipuladores de alimentos, proteção de alimen­ tos contra poeira e vetores, higienizar os alimentos com substâncias amebicidas (como o permanganato de potássio ou iodo) e proteger, principalmente no meio rural, poços contra a água de enxurradas, devido à contaminação com águas de fossas (REY, 2010). O diagnóstico é difícil de ser realizado, primeiramente as alterações clínicas dos pacientes são comuns a várias doenças intestinais. Pode-se fazer o diagnóstico através de raios X, cintilografia, ultrassonografia e tomografia computadorizada. A retossigmóidoscopia é um importante método utilizado na visualização das ulcera­ ções, possibilitando a identificação do agente etiológico obtido do material das lesões. Além de exames imunológicos com a pesquisa de anticorpos no soro, imuno­ fluorescência ou PCR. O diagnóstico parasitológico é através da pesquisa dos trofozo­ ítos em fezes diarreicas, liquefeitas ou mucosanguinolentas ou através da pesquisa de cistos em fezes formadas ou pastosas, pela metodologia de Faust ou Willis. O exame do aspecto e da consistência de fezes é muito importante, principalmente se ela é disenté­ rica e contém muco e sangue, a realização do exame colhido em vários dias diferentes aumenta a probabilidade do encontro do parasita (CIMERMAN; CIMERMAN, 2005). Como forma de complementar o conteúdo estudado sobre amebíase, assista ao vídeo a seguir, além de ter um conteúdo expositivo, possui um resumo sobre as princi­ pais amebas de interesse clínico. Vale a pena o acesso! Disponível em: https://bit.ly/3jyleT7. DICAS

1 A parasitologia é a ciência que estuda os parasitos, seus hospedeiros e as

relações entre eles. Os parasitos são organismos que vivem em associação com outros hospedeiros, retirando deles os meios para sua sobrevivência, processo conhecido como parasitismo. Dentre os parasitos temos represen­ tantes dos protozoários (exemplo: Giárdia lamblia) e helmintos (exemplo: Ascaris lumbricoides). Em um laboratório de parasitologia clínica, em se tratando do exame parasitológico das fezes, deve-se fazer parte da rotina, além de técnicas gerais que identificam um maior número de espécies pa­ rasitárias possíveis, técnicas específicas para o atendimento de solicitação de possíveis suspeitas clínicas. Nesse contexto, caso a suspeita clínica seja Entamoeba coli ou Entamoeba histolytica e as fezes examinadas sejam de líquida ou semissólida, para possíveis encontros de cistos destes parasitos. Mediante o caso, responda: a) Indique as técnicas mais indicadas para o diagnóstico parasitológico. b) Qual é o método de transmissão desses parasitas? c) Descreva a morfologia dos parasitas encontrados.

2 As amebas podem ser de vida livre, comensais ou parasitas. A maioria é

de vida livre e podem ser encontradas em água doce e salgada. As comen­ sais podem viver no corpo humano sem causar prejuízos, como a Entamo­ eba gengivalis, que vive na boca e a Entamoeba coli, que habita o intestino grosso. Entre as parasitas, destaca-se a Entamoeba histolytica, encontrada nos intestinos de humanos e que ocasiona a Amebíase. Vários gêneros de amebas podem habitar o trato digestório do homem: Entamoeba coli, En­ tamoeba histolytica, Endolimax nana e Iodamoeba butchilli. Em relação à Entamoeba coli, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Tanto os cistos quanto os trofozoítos da E. coli são facilmente detecta­ dos em amostras sólidas, podendo-se utilizar as amostras com mais de 24 horas após a coleta. b) ( ) Os procedimentos de cultura são amplamente utilizados para o diag­ nóstico e essenciais para determinar a patogenicidade do protozoário. c) ( ) Os exames de detecção do antígeno por enzima imunoensaio, através do uso de fezes embora sejam bastante utilizados pela alta sensibilida­ de, são pouco específicos, o melhor método para diagnóstico ainda é através do método de Baermann e Moraes. d) ( ) Os cistos de E. coli são esféricos, como diâmetro de 80-120 μm, apre­ sentando de um a três núcleos. e) ( ) O melhor método para diferenciação da E. histolytica e E.coli é a aná­ lise morfológica diferencial dos cistos, com atenção para a quantidade de núcleos presentes.

3 Cerca de milhões de pessoas que vivem em grandes cidades brasileiras ainda

não têm acesso à coleta de esgoto. A Organização das Nações Unidas alerta que “esgoto a céu aberto é o principal problema ambiental no Brasil. Os deje­ tos lançados indevidamente em fossas abertas, rios e lagos tornam-se a causa de doenças de importância para a saúde pública”. De acordo com o Instituto Trata Brasil, além dos altos risco envolvidos, este cenário representa elevados gastos em saúde pública. A diarreia, segundo a Unicef, é a segunda maior causa de mortes em crianças abaixo de cincos anos de idade. FONTE: Adaptado de http://www.tratabrasil.org.br/. Acesso em: 14 out. 2020. Qual doença, causada por protozoário, pode ter sua incidência aumentada pelo problema citado no texto? a) ( ) Tricomoníase. b) ( ) Malária. c) ( ) Amebíase. d) ( ) Dengue. e) ( ) Teníase.

1 INTRODUÇÃO

Os protozoários que realizam parte do seu ciclo biológico na circulação sanguínea do seu hospedeiro, levam o nome de hemoparasitas. As hemoparasi­ toses são as doenças mais negligenciadas no mundo, constituindo um importante problema de saúde social e econômico (FERREIRA, 2017). A patogenicidade dos flagelados que vivem no homem decorre da sua localização, sendo mais intensa a do sangue e líquor. Nesse caso, o parasita entra em contato direto com o sangue e/ou líquor, de modo que suas secreções e excre­ ções são imediatamente difundidas no organismo ou exercem ação direta sobre as células sanguíneas (MORAES, 2008). Devido à grande incidência e importância dos parasitas sanguíneas, va­ mos, a partir de agora, estudá-los com mais detalhes, visto que a contaminação no organismo acontece, na maioria das vezes, através do intermédio de um vetor, ou seja, algum inseto que entra em contato direto com o homem e transfere a ele sua parasitose, são esses os detalhes que estudaremos nesse tópico, então, vamos lá!

TÓPICO 3 —

ENTEROPARASITOSES CAUSADAS POR HEMOPARASITAS

2 TRYPANOSSOMA CRUZI

O Trypanossoma cruzi é um protozoário causador da doença de Chagas. Este protozoário e sua doença foram descritos pelo grande cientista Carlos Ribei­ ro Justiniano das Chagas, em 1909. Essa doença determina no homem, quadros clínicos com características e consequências muito variadas. Destacam-se por sua gravidade cardiopática e dilatações de órgãos digestivos, que são responsáveis por elevada mortalidade, especialmente na fase crônica da doença (REY, 2018). De acordo com dados do Ministério da Saúde, foram registrados 945 casos de doença de Chagas aguda no Brasil no período de 2000 a 2010. Estima-se que existam no Brasil cerca de 2 milhões de indivíduos infectados e que na América Latina aproximadamente 8 milhões de indivíduos estejam infec­ tados, com 14 mil óbitos por ano (FREITAS; GONÇALVES, 2015, p. 50). Carlos Chagas estava diretamente envolvido nos estudos da malária, em Minas Gerias, onde estava sendo construída a estrada de ferro no Brasil. Durante a busca por informações sobre as principais patologias existentes na região, observan­

TÓPICO 3 — ENTEROPARASITOSES CAUSADAS POR HEMOPARASITAS

O último dia 30 de janeiro 2020 foi marcado pelo primeiro Dia Mundial das Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs), um esforço de mais de 280 instituições de pes­ quisa, organizações da sociedade civil, empresas e governos ao redor do mundo para ex­ pressar a necessidade urgente de reunir esforços e investimentos globais para esse tema. Uma das doenças muito debatidas nesse dia trata-se da doença de Chagas. Realize a lei­ tura completa da notícia divulgada pela revista saúde da Editora Abril: https://bit.ly/3jAKwjt. NOTA

2.1 MORFOLOGIA

A morfologia do parasita Trypanossoma é relacionada com suas formas evolu­ tivas e seu hospedeiro, sendo ele encontrado no vetor ou em mamíferos (isso inclui o homem), e também relacionado com os principais estágios de vida do parasito. Temos, com isso, as formas, amastigotas, epimastigota e tripomastigota (FERREIRA, 2017). A forma amastigota é encontrada no hospedeiro mamífero, é o estágio cujo parasita é capaz de se dividir, mas não de infectar células. Possui forma arredondada ou oval, flagelo que não se exterioriza, pouco citoplasma e núcleo grande, é a fase intra­ celular, portanto, sem organelas de locomoção. Está presente na fase crônica da doença, encontrada nos tecidos, onde se multiplicam intensamente até se tornarem tripomasti­ gotas e serem liberadas da célula tecidual, caindo na corrente sanguínea (NEVES, 2016). A estrutura morfológica encontrada nas células teciduais dos triatomídeos é epimastigota, que é alongada, com cinetoplasto justanuclear e anterior ao núcleo, com pequenas membranas ondulantes lateralmente, encontrada no intestino do bar­ beiro, onde sofre cissiparidade e transforma-se em tripomastigota, que migra para a porção anterior do inseto. Esse quadro realizará a sua alimentação através do consu­ mo de sangue, contaminando o paciente com a forma tripomastigota (NEVES, 2011). Já a forma capaz de contaminar tanto os hospedeiros vertebrados (homem) quanto os invertebrados (triatomas) é a tripomastigota. Esta possui uma forma alongada com cinetoplasto posterior ao núcleo, o flagelo forma uma extensa mem­ brana ondulante e torna-se livre na porção anterior da célula. É presente na fase aguda da doença, portanto, na fase extracelular que circula no sangue (FERREIRA, 2017). É essa estrutura morfológica que deve ser encontrada quando o diagnóstico é realizado, como pode ser observado na Figura 11 que mostra uma lâmina de es­ fregaço sanguíneo contendo a forma tripomastigota de Trypanossoma cruzi.

2.2 TRANSMISSÃO

Os mecanismos de transmissão envolvidos com o Trypanossoma cruzi estão relacionados, principalmente, com a presença do vetor, os famosos “chupões ou bar­ beiros”, da família dos triatomídeos, que tem como características a hematofagia (se alimentar de sangue). Dessa forma, a principal via de transmissão acontece à noite durante o sono, o triatoma, que tem por hábito a hematofagia noturno, pica o ho­ mem (ou qualquer outro mamífero) para se alimentar de sangue, no momento da picada o vetor defeca e elimina nas suas fezes e urina as formas tripomastigotas. No local da picada acontece uma reação de hipersensibilidade que se deve as proteínas encontradas nas fezes do barbeiro, o hospedeiro coça o local da picada que possui um ferimento (ocasionado pela picada) e isso facilita a entrada das formas tripomas­ tigotas no interior do organismo do hospedeiro. No local da picada, devido à reação de hipersensibilidade, ocorre uma lesão característica da contaminação do paciente, Outras formas menos comuns de contaminação acontecem através da trans­ missão vertical ou amamentação, quando uma mãe contaminada com o parasita trans­ mite ao filho as formas tripomastigostas. Através da transfusão sanguínea, que consti­ tui o segundo mecanismo de maior importância epidemiológica, mas nos dias atuais, os mecanismos para detecção são inúmeros e a transfusão está se tornando cada dia mais segura, diminuindo cada vez mais sua transmissão por essa via, bem como a con­ taminação através de transplante de órgãos. Outras vias de contato também podem ocorrer através de acidentes de trabalho, para trabalhadores que manipulam o sangue ou direto contato com pacientes contaminados e por via oral, através da ingestão de alimentos contendo as fezes de triatomídeos contaminados (NEVES, 2016).

TÓPICO 3 — ENTEROPARASITOSES CAUSADAS POR HEMOPARASITAS

2.3 CICLO BIOLÓGICO

2.4 SINTOMATOLOGIA

O T. cruzi, introduzindo-se ativamente no organismo, atinge a derme, dando início a sua primeira fase de parasitismo. No local da picada surge uma reação infla­ matória do organismo, com infiltrado de leucócitos e, concomitante a isso, há reação dos gânglios próximos, ocasionando um edema no local, chamado de chagoma de inoculação. Se as formas penetrarem na mucosa da conjuntiva, haverá intensa reação inflamatória, com congestão ocular e edema palpebral unilateral, a esse conjunto de sintomas dá-se o nome de sinal de romanã, como pode ser observado na Figura 13. FIGURA 13 – SINAL DE ROMANÃ FONTE: Neves (2016, p. 99)

TÓPICO 3 — ENTEROPARASITOSES CAUSADAS POR HEMOPARASITAS

2.5 PROFILAXIA E DIAGNÓSTICO

O controle da disseminação da doença deve ser voltado para a eliminação e combate aos triatomíneos transmissores. As medidas utilizadas para sua erra­ dicação são: melhorar a qualidade das moradias de modo a não propiciar habitat adequado a sua sobrevivência, a utilização de inseticidas, telas para proteção con­ tra os insetos e repelentes para combater a eliminação do vetor. Além dessas medidas, a supervisão e o controle na produção dos ali­ mentos deve ser eficaz, incluindo a verificação da estocagem e do transporte. A prevenção da transmissão através da transfusão sanguínea, requer a triagem so­ rológica dos doadores de sangue na rede de hemocentros e bancos de sangue, diretamente fiscalizados pelo Ministério da Saúde. O sangue de doadores com resultado positivo ou duvidoso deve ser descartado (FERREIRA, 2017). Muita atenção, acadêmico, para a maneira de realizar o diagnóstico dessa para­ sitose. Por se tratar de uma hemoparasitose e levando em conta o ciclo biológico do T. cruzi, o exame parasitológico de fezes não é realizado, pois não existe indicação clínica para isso. Agora eu pergunto, qual o local que o parasita é encontrado? Olhe para o ciclo biológico dele e responda. No sangue! Com base nisso o diagnóstico dá-se através da visualização das estruturas tripomastigostas móveis no sangue do paciente infectado. O exame realizado é denominado gota espessa, nele, obtemos uma peque­ na gota de sangue do paciente e realizamos a identificação do parasita através da visualização direta com o uso da microscopia. Além disso, temos disponível, hoje, no mercado diversas técnicas imunológicas que detectam anticorpos gera­ dos pelo hospedeiro ao longo da infecção (MORAES, 2008).

Em uma matéria divulgada no Jornal eletrônico da USP, relacionando que remé­ dio para Alzheimer também tem efeito contra doença de Chagas. A memantina, medicamento utilizado em pacientes com Alzheimer, pode ser eficaz para o tratamento da doença de Cha­ gas. É o que aponta um estudo realizado pelo Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP e publicado no dia 19 de setembro 2019, na revista científica PLOS Neglected Tropical Diseases. FONTE: https://bit.ly/3ivAfDX. Acesso em: 7 jul. 2020. NOTA

3 PLASMODIUM SP.

3.1 MORFOLOGIA

As diferentes espécies de Plasmodium possuem várias formas morfológi­ cas, essas formas dependem do seu estágio de desenvolvimento. As formas evo­ lutivas que podem ser encontradas são: esporozoíto, trofozoíto, merozoíto, for­ mas eritrocitárias, microgameta, macrogameta, oocineto e oocisto. Então vamos lá, muita atenção em cada estágio de maturação do parasita, pois dele dependerá a morfologia encontrada para o seu diagnóstico (NEVES, 2016, p. 162-163): • Esporozoíto: é a forma infectante para os humanos e está presente nas glândulas salivares do mosquito que inocula no homem. É alongado, com núcleo central único. • Trofozoíto (conhecido também como forma exoeritrocítica): após o esporo­ zoíto penetrar nos hepatócitos (células do fígado), ele perde as organelas e se torna arredondado. Essa forma dará origem ao esquizonte tissular composto por uma massa citoplasmática e milhares de núcleos filhos, ocasionando o aumento do hepatócito infectado. • Merozoíto: são encontrados apenas em hemácias. São semelhantes aos espo­ rozoítos, sendo, porém, menores e arredondados, com uma membrana exter­ na composta por três camadas. • Formas eritrocitárias: compreendem os estágios de trofozoíto jovem, madu­ ro, esquizonte e gametócitos. São encontradas no interior das hemácias e sua visualização é utilizada como diagnóstico. • Microgameta e macrogameta: são formas encontradas no tubo digestivo do mosquito. O microgameta são células flageladas, sendo constituídas de uma membrana que envolve o núcleo e o único flagelo. Já o macrogameta apresen­ ta uma estrutura na sua superfície por onde se dá a penetração do microga­ meta (fecundação). • Oocineto: forma alongada de aspecto vermiforme, móvel, com núcleo volu­ moso e excêntrico. • Oocistos: são esféricos, contendo grânulos pigmentados no seu interior de­ pendendo da espécie, envoltos por uma cápsula. A Figura 14 exemplifica a morfologia das formas sanguíneas da espécie de P. falciparum. 1: indica um eritrócito não infectado; 2, 3 e 4 trofozoítos jovens; 5 e 6 trofozoítos maduros; 7, 8, 9 e 10 esquizontes; 11 microgametócito; 12 macro­ gametócito. As outras espécies de Plasmodium possuem uma morfologia seme­ lhante, o que as difere são as formas encontradas no interior das hemácias. Atra­ vés da observação microscópica das estruturas dos Plasmodium, no interior das hemácias, devem ser relatadas no laudo, apenas como Plasmodium sp., a espécie encontrada pode ser confirmada apenas pela realização dos testes bioquímicos que são confirmatórios da espécie do parasita.

3.2 TRANSMISSÃO

3.3 CICLO BIOLÓGICO

As espécies que causam a malária são obrigatoriamente intracelulares, com capacidade de invadir e reproduzir-se em células humanas como hepató­ citos e eritrócitos, bem como no vetor, portanto, possuem um ciclo heteroxênico (Figura 15). O ciclo tem início quando o mosquito fêmea do gênero Anopheles pica o homem, inoculando as formas esporozoítas, em torno de 15 minutos essas formas caem na corrente sanguínea e são transportadas em 30 minutos para os hepatócitos (fígado), multiplicam-se através de reprodução assexuada. No fígado são fagocitados pelo macrófago, e na tentativa de se “esconderem” do sistema imunológico, realizam intensa multiplicação, transformando-se em merozoítas. O hepatócito não consegue abrigar tantas estruturas parasitárias dentro de uma única célula e acaba por se romper liberando essas formas para a circu­

lação sanguínea e essas estruturas invadirão as hemácias. Dentro das hemácias tornam-se trofozoíta jovem e maduro, dando origem novamente a estrutura me­ rozoíta. Devido à produção de substâncias tóxicas pelas estruturas parasitárias, vocam a lise (ruptura) da hemácia e ficam livres no sangue (NEVES, 2016).

Para Neves (2016, p. 161), “o ciclo sanguíneo se repete sucessivas vezes, a cada 48 horas, nas infecções pelo P. falciparum, P. vivax e P. ovale, e a cada 72 horas nas infecções pelo P. malariae”. Por essa característica a patologia recebe o nome de terçã ou quartã maligna, por se tratar justamente do momento em que ocorre essa multiplicação acelerada e lise das hemácias, ocasionando sintomas clássicos no paciente, como febre, suor e calafrio. Esse conjunto de sintomas são popular­ mente conhecidos com tremedeira ou batedeira, devido ao intenso calafrio. Após a picada, a fêmea Anopheles suga as estruturas parasitárias livres na cir­ culação do hospedeiro (geralmente o homem), que dentro do intestino do inseto se transformam em células sexuais (gametócitos), sendo o macrogametócito (fêmea) e o microgametócito (macho), esses sofrem fecundação e a formação do zigoto. Os zigotos penetram nas células intestinais do inseto e podem se encistar, ou seja, formar um cisto. Dentro do cisto ocorre a esporogonia, chegando uma fase em que o cisto arrebenta e os esporozoítos migram para as glândulas salivares do inseto. A partir daí o Anopheles é capaz de infectar outras vítimas dando continuidade ao ciclo (NEVES, 2016). FIGURA 15 – CICLO BIOLÓGICO PLASMODIUM SP. FONTE: Adaptada de https://bit.ly/3jAMOPB. Acesso em: 7 jul. 2020.


Questoes de Fixacao e Aplicacao Pratica

  1. Descreva os principais conceitos e fundamentos fisiopatologicos e laboratoriais abordados nesta Unidade de Protozoarios Teciduais e Hemoparasitas: Malaria, Chagas, Leishmaniose e Toxoplasmose.
  2. Explique os mecanismos de regulacao biologica e metodologias analiticas discutidas no texto.
  3. Qual a relevancia clinica e diagnostica das determinacoes bioquimicas e biomedicas descritas neste modulo?
  4. Diferencie os principais parametros laboratoriais e suas correlacoes com as manifestacoes patologicas.
  5. Como o conhecimento desta unidade se aplica na rotina diagnostica e conduta profissional em Parasitologia Clinica e Helmintologia Medica?
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Compilação e Análise Científica

Este conteúdo foi estruturado, traduzido e revisado dinamicamente para fundamentar os protocolos e a base de conhecimento do ecossistema Integrativia. As informações apresentadas visam fornecer suporte de literatura científica para profissionais de saúde e medicina integrativa.

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