pmid: "32118296"
title: "Chá verde (Camellia sinensis) para a prevenção do câncer."
authors: "Filippini T, Malavolti M, Borrelli F, Izzo AA, Fairweather-Tait SJ, Horneber M, Vinceti M"
journal: "The Cochrane database of systematic reviews"
pubdate: "2020 Mar 02"
doi: "10.1002/14651858.CD005004.pub3"
source: "PubMed Abstract"

Chá verde (Camellia sinensis) para a prevenção do câncer.

Autores

Filippini T, Malavolti M, Borrelli F, Izzo AA, Fairweather-Tait SJ, Horneber M, Vinceti M

Periodico

The Cochrane database of systematic reviews (2020 Mar 02)

Conteudo

CONTEXTO: Esta revisão é uma atualização de uma revisão publicada anteriormente na Cochrane Database of Systematic Reviews (2009, Edição 3).O chá é uma das bebidas mais consumidas no mundo. Os chás da planta Camellia sinensis podem ser agrupados em chá verde, preto e oolong, e os hábitos de consumo variam entre culturas. C. sinensis contém polifenóis, sendo um subgrupo as catequinas. As catequinas são poderosos antioxidantes, e estudos laboratoriais sugerem que esses compostos podem inibir a proliferação de células cancerígenas. Alguns estudos epidemiológicos experimentais e não experimentais sugeriram que o chá verde pode ter efeitos preventivos contra o câncer.
OBJETIVOS: Avaliar possíveis associações entre o consumo de chá verde e o risco de incidência e mortalidade por câncer como desfechos primários, e dados de segurança e qualidade de vida como desfechos secundários.
MÉTODOS DE BUSCA: Pesquisamos estudos elegíveis até janeiro de 2019 na CENTRAL, MEDLINE, Embase, ClinicalTrials.gov e listas de referências de revisões anteriores e estudos incluídos.
CRITÉRIOS DE SELEÇÃO: Incluímos todos os estudos epidemiológicos, experimentais (ou seja, ensaios clínicos randomizados (ECRs)) e não experimentais (estudos não randomizados, ou seja, estudos observacionais com ambos os desenhos de coorte e caso-controle) que investigaram a associação do consumo de chá verde com o risco de câncer ou qualidade de vida, ou ambos.
COLETA E ANÁLISE DE DADOS: Dois ou mais autores da revisão aplicaram independentemente os critérios do estudo, extraíram dados e avaliaram a qualidade metodológica dos estudos. Resumimos os resultados de acordo com o diagnóstico do tipo de câncer.
PRINCIPAIS RESULTADOS: Nesta atualização da revisão, incluímos no total 142 estudos concluídos (11 experimentais e 131 não experimentais) e dois estudos em andamento. Isso representa um adicional de 10 estudos experimentais e 85 não experimentais em relação aos incluídos na versão anterior da revisão. Onze estudos experimentais alocaram um total de 1795 participantes para extrato de chá verde ou placebo, todos demonstrando uma alta qualidade metodológica geral com base na avaliação de 'Risco de viés'. Para câncer de próstata incidente, a razão de risco (RR) sumarizada nos participantes suplementados com chá verde foi de 0,50 (intervalo de confiança (IC) de 95% 0,18 a 1,36), com base em três estudos e envolvendo 201 participantes (evidência de baixa certeza). A RR sumarizada para câncer ginecológico foi de 1,50 (IC 95% 0,41 a 5,48; 2 estudos, 1157 participantes; evidência de baixa certeza). Não surgiu evidência de efeito do câncer de pele não melanoma (RR sumarizada 1,00, IC 95% 0,06 a 15,92; 1 estudo, 1075 participantes; evidência de baixa certeza). Além disso, foram relatados efeitos adversos da ingestão de extrato de chá verde, incluindo distúrbios gastrointestinais, elevação das enzimas hepáticas e, mais raramente, insônia, aumento da pressão arterial e reações cutâneas/subcutâneas. O consumo de extratos de chá verde induziu uma ligeira melhora na qualidade de vida, em comparação com o placebo, com base em três estudos experimentais. Em estudos não experimentais, incluímos mais de 1.100.000 participantes de 46 estudos de coorte e 85 estudos caso-controle, que apresentavam, em média, qualidade metodológica intermediária a alta com base na avaliação de 'Risco de viés' da Escala Newcastle-Ottawa. Ao comparar a maior ingestão de chá verde com a menor, encontramos uma menor incidência geral de câncer (RR sumarizada 0,83, IC 95% 0,65 a 1,07), com base em três estudos, envolvendo 52.479 participantes (evidência de baixa certeza). Por outro lado, não encontramos associação entre o consumo de chá verde e a mortalidade relacionada ao câncer (RR sumarizada 0,99, IC 95% 0,91 a 1,07), com base em oito estudos e 504.366 participantes (evidência de baixa certeza). Para a maioria dos cânceres específicos por local, observamos uma RR diminuída na categoria mais alta de consumo de chá verde em comparação com a mais baixa. Após estratificar a análise de acordo com o desenho do estudo, encontramos resultados fortemente conflitantes para alguns sítios de câncer: câncer de esôfago, próstata e trato urinário, e leucemia apresentaram um aumento da RR em estudos de coorte e uma RR diminuída ou nenhuma diferença em estudos caso-controle.
AUTORES' CONCLUSÕES: No geral, os achados de estudos epidemiológicos experimentais e não experimentais produziram resultados inconsistentes, fornecendo, portanto, evidências limitadas para o efeito benéfico do consumo de chá verde sobre o risco geral de câncer ou sobre sítios cancerígenos específicos. Algumas evidências de um efeito benéfico do chá verde em alguns sítios de câncer surgiram dos ECRs e de estudos caso-controle, mas suas limitações metodológicas, como o baixo número e tamanho dos estudos, e as inconsistências com os resultados de estudos de coorte, limitam a interpretabilidade das estimativas de RR. Os estudos também indicaram a ocorrência de vários efeitos colaterais associados a altas ingestões de chá verde. Além disso, a maioria dos estudos incluídos foi realizada em populações asiáticas caracterizadas por um alto consumo de chá verde, limitando assim a generalização dos achados para outras populações. ECRs bem conduzidos e com poder estatístico adequado seriam necessários para tirar conclusões sobre os possíveis efeitos benéficos do consumo de chá verde sobre o risco de câncer.

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Compilação e Análise Científica

Este conteúdo foi estruturado, traduzido e revisado dinamicamente para fundamentar os protocolos e a base de conhecimento do ecossistema Integrativia. As informações apresentadas visam fornecer suporte de literatura científica para profissionais de saúde e medicina integrativa.

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